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domingo, 30 de outubro de 2016

Reflexões passageiras sobre socialismo, capitalismo e democracia

Resposta rápida a alguns questionamentos no Facebook:

Para início de conversa, você sabe mesmo o que é socialismo? Sou um socialista muito heterodoxo. Para mim, a democracia vem sempre antes do socialismo. Vejo o socialismo como um conjunto de valores, e não como uma ideologia e, muito menos, um "pacote ideológico" completo. Não acredito em economia planificada, por exemplo - mas também não acho que uma economia de mercado absolutamente desregulada seja boa para ninguém (exceto, talvez, os ricos). Não defendo o socialismo como um "regime político". Costumo, inclusive, brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista, meu estômago é capitalista - e afinal de contas, ninguém vive sem cérebro, coração ou estômago. Para resumir muito minha visão de mundo, creio que o ideal seria termos um mercado forte, um estado mais forte e uma sociedade civil SUPERFORTE, vigiando o Estado e o mercado. Não acredito num estado cuidador (ao contrário do Crivella, por exemplo). Pelo contrário, evoco sempre a sabedoria de Juvenal: "Quem vigia os vigilantes?". Também gosto muito daquele pensamento anônimo, normalmente atribuído a Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". O Estado e o mercado podem (e costumam) se tornar vorazes, e precisam ser cuidadosamente controlados pela sociedade. Concluindo, posso te dizer alguns sentidos em que o socialismo deu muito certo: agradeça aos socialistas, anarquistas, trabalhistas etc do passado por algumas conquistas históricas importantes, como 13º salário, férias remuneradas, previdência social/aposentadoria, licença médica (e outras licenças), escola pública (uma invenção "jacobina"), entre outras coisas que certamente te beneficiam. O capitalismo e o liberalismo seriam insuportáveis se não tivessem incorporado, historicamente, inúmeras demandas vindas do campo da "esquerda". Quanto aos impostos, eles são sempre necessários - a não ser que você prefira viver numa sociedade anarquista, o que deve ser legal pra caramba. O que é extremamente necessário - e não acontece aqui no Brasil - é uma distribuição mais justa e proporcional da carga tributária. A classe média é a mais achatada pelos impostos diretos e indiretos. Por sinal, uma das principais pautas da campanha presidencial de Luciana Genro em 2014 era a reforma tributária.

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