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segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Greve geral" - opinião e sugestões

Caros amigos,

o evento do Facebook "Greve geral" já conta com milhares de confirmações de participação. Devo dizer que essa proposta me parece completamente equivocada. Muita coisa tem sido dita a respeito do evento e de seu organizador, um tal Felipe Chamone, inclusive acusações de vinculação a partidos e de posicionamentos "fascistas", "direitistas", etc.

Me dei ao trabalho de investigar a situação e, honestamente, acho tais acusações infundadas. Me parece que o proponente do evento é até uma pessoa bem intencionada, mas já pelo texto na comunidade e outras intervenções suas é possível perceber que se trata de pessoa pouca habituada a discussões políticas de qualquer espécie e de opiniões extremamente superficiais e canhestramente formuladas. Diria que mais um dos nossos "chapolins" da hora presente. Não creio que seja pessoa capaz de articular um movimento dessa magnitude de modo competente.

Contudo, deixemos de lado qualquer argumento ad hominem; analisemos o movimento, não a pessoa.

Primeiramente, como se pode ver na própria página do evento, a pauta do evento é um emaranhado mal costurado de propostas vagas e imprecisas. Antes de se fazer uma "greve geral", é preciso pensar muito bem quais são os motivos e as reivindicações em jogo.

Além disso, ir para uma manifestação de rua é uma coisa relativamente simples. Uma greve legítima é algo MUITO diferente. Existe legislação regulamentando os direitos à greve, ou seja, é uma iniciativa que deve corresponder a inúmeros requisitos legais. Digam o que quiserem, vivemos em um Estado de direito e as leis são as regras do jogo democrático. Como bem dizia Gandhi, as leis só devem ser seriamente desrespeitadas quando moralmente afrontosas e iníquas; não é o caso das leis sobre greves, apesar de suas limitações.

Deve-se acrescentar o seguinte: quem determinou quando começa a greve? Quem decidirá quando ela termina? Quem negociará as reivindicações? Junto a que órgãos governamentais ou entidades patronais? O Sr. Felipe Chamone?! Uma greve, em todos os seus aspectos deve ser conduzida através de decisões coletivamente votadas por uma assembleia. É a lei. E todos queremos respeitar as leis, não é? Ou iremos pisoteá-las como certos políticos que tanto criticamos?

Por fim, como já podemos ver, greve é coisa muito séria, e para que qualquer manifestação popular funcione, é necessário um mínimo de pertinência e coerência terminológica e legal. O que está sendo proposto não é uma "greve geral", por todos os motivos citados. Creio que o termo mais adequado seria um "boicote geral" - pois, até onde eu saiba, um boicote não é regido por leis específicas.

Em suma, qualquer iniciativa política é válida, e cabe a cada um decidir se participará ou não. Mas o exercício pleno da cidadania exige maturidade, reflexão e discernimento. Não podemos seguir impensadamente a primeira bandeira que se levanta no horizonte, sob pena de nos tornarmos "cegos conduzindo cegos".

Quanto a mim, "tô fora" dessa "greve geral"!

5 comentários:

Fernanda Moura disse...

Vc demorou a entrar no perfil dele Tavares. A foto de perfil era ele com uma arma na cintura e havia vários posts falando que a esqerda, não só na passeata mas no brasil precisa ser perseguida. Pra mim é o suficiente.

João Emilio disse...

Minha empresa me trata com todo respeito, ao contrário do governo. Recebo religiosamente em dia todos meus direitos. Sem considerar também os clientes entre outras coisas. Acho que embora nossa desconfiança, o governo fez o que esperávamos. Iniciou finalmente algo que pode produzir mudança.

Fred Whartog disse...

Se você acha o Sr. Felipe Chamone bem intencionado e sem vínculos militares sugiro que contemple brevemente essas fotos do mesmo:
http://s1287.photobucket.com/user/Destruidor_de_Fascistas/slideshow/FelipeChamone

Luiz Fabiano de Freitas Tavares disse...

Bom, quanto às fotos com armas, ele alegou que pratica tiro esportivo - é direito dele. Agora, quanto a esses comentários flertando (ou casando...) com o autoritarismo é certamente gravíssimo. Em suma, pior ainda, e maior deve ser a reserva quanto a essa iniciativa. Valeu pelo retorno e pelo alerta, gente. Vou acrescentar um adendo ao post. Quanto ao que você pontou, João Emílio, só posso concordar.

Rogério Marques disse...

Bem, mais um que conseguiu ficar famosinho. E de pessoas que gostam de armas e de perseguir pessoas já temos policiais demais para nos preocupar.