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domingo, 30 de outubro de 2016

Carta aberta ao prefeito eleito Marcelo Crivella

Caro BISPO Marcelo Crivella,

Infelizmente o senhor foi eleito. Pedro Paulo era a pior opção nessa eleição, e o senhor, a segunda pior. A decisão democrática da maioria deve ser respeitada, mas pode ser lamentada. E eu lamento profundamente.

Por um desses paradoxos brasileiros, o senhor foi eleito pelo "povo lá de trás" para "cuidar" da "vitrine". Foi eleito através de uma campanha eleitoral pavorosa, marcada por boatos anônimos divulgados nas redes sociais, espalhados por difamadores sem nome e sem rosto. Uma campanha escorada nos apoios mais lamentáveis, que me recuso até a mencionar. Uma campanha baseada num programa minúsculo, mal explicado, quase encabulado. Uma campanha marcada pela fuga desesperada de debates, entrevistas e sabatinas - uma campanha que se recusou a prestar esclarecimentos à população.

A população elegeu o pastor de duas caras, fala mansa, coração repleto de veneno e sorriso milionário. Seus eleitores escolheram um sepulcro caiado. Um falso profeta. Um fariseu. Respeito profundamente essa população. E choro. Choro por mim, e choro ainda mais pelos seus eleitores, que compraram gato por lebre. E ouso lembrar-lhe, bispo, o ensinamento do Rabi galileu: Ai daquele que escandaliza os pequeninos!

O senhor foi eleito. É triste, mas é a realidade. Aceito, porque sou fiel à democracia, antes e acima de tudo.

Mas quero deixar um aviso: sou Zona Norte. Sou do "povo lá de trás". Sou professor. Sou historiador. Sou cristão. Sou espírita. Fechei com Freixo. Doei dinheiro. Doei tempo. Doei esforço. E não me arrependo. Perco essa eleição com a consciência tranquila, pois fiz o possível e o impossível.

Hoje é apenas o começo de quatro longos e tristes anos. Estaremos vigilantes. Cobraremos. Nós somos muitos. Somos MILHÕES.

Quase respeitosamente,
Luiz Fabiano Tavares

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