sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Nuvens Negras

Nuvens Negras cavalgam os céus do Brasil como arautos de um Apocalipse. Hediondas nuvens, filhas de terra queimada. Dia do Fogo! Dia do Fogo! Sacrílego sacrifício devotado a imundas divindades por possessos sacerdotes. Sinistramente transfigurados, cadáveres vegetais sobem aos céus, clamando por vingança. Seiva inocente, transubstanciada em fuligem, há de cair sobre a cabeça de seus algozes, corroendo suas almas e sufocando seus pulmões. Chuva profanada cai sobre terra calcinada, fecundando monstruosidades. Nuvens Negras ocultam o Cruzeiro do Sul. Haverá luz que atravesse essas trevas?!


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Superação

Cada geração parece superar a anterior na estupidez de suas gírias e na pobreza de seu vocabulário. Vivesse nos dias de hoje, Camões furaria o olho que lhe sobrou, e ainda os tímpanos, para não precisar ler ou ouvir tanta tolice...


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Brasil Bovino

Ao que tudo indica, o único projeto consistente do Sr. Jair Messias Bolsonaro, presidente da amada e idolatrada República Federativa do Brasil é transformar nosso país no maior pasto do mundo.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Um dos grandes problemas na redação de projetos acadêmicos é que, muitas vezes, para alguns pareceristas, uma mentira elaborada parece preferível a uma verdade simples - o que evidentemente oferece vantagens aos mentirosos...

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A forja

"Métal dur et clair,
Chaque coup t'affine
En arme divine
Pour un dessein fier.

Arrière la forge !
Et tu vas frémir,
Vibrer et jouir
Au poing de saint George

Et de saint Michel,
Dans des gloires calmes,
Au vent pur des palmes,
Sur l'aile du ciel!..."

Paul Verlaine


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Que falta?

Já temos toda a tecnologia necessária para levar vidas medíocres e miseráveis. Desperdiçamos tempo e vigor para engordar contas bancárias alheias. Teimamos em tratar o descartável como se fosse perene, deixando aquilo que deveria ser perene apodrecer, como se descartável fosse. Entregamos a infância e a juventude a devoradores de mentes, corações e vidas. Idolatramos tudo que há de mais mesquinho nos seres humanos e escolhemos como "líderes" gente de qualidades duvidosas, se não suspeitas. Torturamos diversas linguagens até que não signifiquem quase nada. Tratamos ideias como produtos, e veneramos produtos como divindades. 

Que mais nos falta?


terça-feira, 6 de agosto de 2019

"Rematada tolice"

"Uma rematada tolice que foi a tal república. No fundo, o que se deu em 15 de novembro foi a queda do Partido Liberal e a subida do Conservador, sobretudo da parte mais retrógrada dele, os escravocratas de quatro costados".
Lima Barreto

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Orgulho bobo

Pode ser uma coisa boba e trivial, mas me sinto contente em morar num edifício denominado José do Patrocínio, em homenagem ao merecidamente célebre jornalista e abolicionista.


A culpa é da Isabel

 Minha avó tinha um vizinho nos anos 50 que ainda dizia "Isso é tudo culpa da Princesa Isabel". Os netos desse cara devem estar por aí, possivelmente apoiando o dito-cujo.

Lei Áurea: o "crime" da Princesa Isabel...

Carta a um stereo--mega-surround evagelizador

Prezado Vizinho,

Ouvir música gospel no último volume não "evangelizará" ninguém. O senhor está apenas oferecendo exemplo de má educação. Por gentileza, não transforme nosso prédio em uma Torre de Babel!

Atenciosamente,
Um outro cristão




domingo, 4 de agosto de 2019

Apenas um bispo

Não sou grande coisa como enxadrista.

Isto esclarecido, acabo de concluir uma das partidas mais interessantes que já joguei - contra uma inteligência artificial, digamos, razoável. Em todo caso, uma inteligência artificial forte suficiente para destroçar meu jogo, deixando-me apenas com o rei, um bispo, uma torre e um punhado de peões contra um poderoso batalhão.

Apesar da desvantagem, segui resistindo - ou sobrevivendo - xeque após xeque, sem grande esperança de virar o jogo, adiando o inevitável xeque-mate.

No entanto, oportunidades inesperadas acontecem. Uma breve sequência de erros do adversário ofereceu a fugidia oportunidade de capturar uma torre com meu bispo sobrevivente. Pouco depois, consegui realizar um xeque com minha única torre.

Com paciência e persistência ia capturando peças adversárias com o bispo e usando a torre para alguns xeques providenciais. Perdia um peão aqui e ali, mas paulatinamente reduzia minha desvantagem.

Me restavam apenas dois peões bastante avançados, mas bloqueados desde o início do jogo, quando tive refresco suficiente para remover os obstáculos usando o bispo. Duas jogadas depois pude promover um desses peões a rainha. Daí em diante, usando essa rainha e a torre consegui eliminar todas as ameaças restantes.

Capturado o último cavalo adversário, restavam apenas os dois reis, minha rainha, minha torre, meu derradeiro peão e o intrépido bispo. Nas jogadas seguintes não foi difícil usar rainha e torre para cercar o oponente até o xeque-mate.

Esse é, provavelmente, o mais doce tipo de vitória em qualquer gênero de jogo: sofrida, sob opressiva desvantagem, sempre a um passo da derrota, com poucas expectativas razoáveis de virada - até que, súbita, tênue, quase inacreditável, surge uma ínfima oportunidade, nada além de um vislumbre de esperança na hora mais sombria. Todavia, agarrando tenazmente essa quase desesperada esperança, mero fio de luz num labirinto de trevas, faz-se possível alcançar a saída.

Apenas um bispo, na casa certa, na jogada certa, pode fazer toda a diferença. Bem aproveitada, uma ínfima oportunidade pode iniciar uma grande mudança. Para alcançar tal oportunidade, pode ser necessário passar por duras perdas, suportar inúmeros reveses e resistir jogada após jogada, apesar de nenhuma esperança tangível.

Assim também é nas pequenas e grandes coisas da vida. Suportando, dia após dia, as adversidades, às vezes chega aquele breve, inefável momento que abre a pequenina porta que conduz para fora do sombrio labirinto, transmutando a insustentável desvantagem em doce vitória.

Por certo, a vida senpre termina num xeque-mate, mas como lembra a encantadora Sonmi de Cloud Atlas, os verdadeiros vencedores são aqueles que conseguem vislumbrar um xeque-mate depois do xeque-mate...


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Complexo de Mutema

"O problema do brasileiro é viver esperando um Sassá Mutema". - Sabedoria de um taxista que me conduziu hoje.


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Satisfação retrospectiva

A cada dia do mandato Bolsonaro me sinto mais contente com o fracasso de Lula em suas tentativas de introduzir o Brasil no Conselho de Segurança da ONU...

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Bolsonaro e a guerra aos mortos

Reza a lenda que certo cortesão do mui-católico imperador Carlos V lhe sugeriu em certa ocasião que abrisse a sepultura de Martinho Lutero e profanasse os restos mortais do reformador.

Diante da grotesca sugestão, Carlos V teria respondido muito cavalheirescamente: "Eu não faço guerra aos mortos". É difícil saber a veracidade dessa história, mas a moral da anedota é muito simples: gente civilizada respeita os mortos e o luto, por mais execráveis que lhe pareçam os defuntos.

O respeito diante da morte, da doença e da dor do adversário é uma das linhas que demarca a fronteira entre a civilidade e a barbárie.

Hoje, com suas grotescas, imorais e indecorosas insinuações acerca do falecido pai do atual presidente da OAB, o Sr. Jair Messias Bolsonaro confirma mais uma vez sua vocação para a selvageria.

O triste episódio lembra certa reflexão do historiador conservador Christopher Dawson:

Um valentão pode ser melhor [na guerra] que um intelectual, mas uma sociedade dominada por valentões não é necessariamente uma sociedade corajosa; é mais provável que seja uma sociedade desintegrada e desordenada. 

Temos hoje um "valentão" como presidente, acompanhado no poder por muitos outros "valentões" da mesma estirpe. As circunstâncias exigem de todos os brasileiros de bom-senso, independentemente de suas convicções políticas, a coragem e a firmeza de caráter para não ceder à imensa tentação de responder às provocações dos "valentões" com a mesma truculência.

Não podemos entrar no jogo dos "valentões", pois o resultado final desse jogo significa o naufrágio da democracia, da república e da própria sociedade. Se nos tornamos bárbaros a pretexto de combater a barbárie, passamos a ser parte do problema, e nos afastamos da solução.

Não se apaga um incêndio com querosene. A brutalidade só pode ser efetivamente superada pela inabalável mansidão. Mas como é duro tal desafio...


quarta-feira, 24 de julho de 2019

A seta do tempo aponta sempre para a frente. E isso é ótimo - quase sempre.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Dispensa comentários

"Hot-Dog do Senhor - O preferido do presidente".

Weintraub vaiado

O Ministro da Educação Abraham Weintraub acaba de ser alvo de uma manifestação no Pará, enquanto jantava numa praça com sua família. O episódio suscita algumas reflexões e críticas a ambos os lados:

-Apesar da justa indignação suscitada pelas atitudes do ministro, acho esse tipo de manifestação contraproducente: ajuda pouco, deixa os ânimos ainda mais acirrados e dão margem ao sujeito para se fazer de vítima. No limite, guardadas as proporções, acaba legitimando episódios como o da FLIP.

-Anexar gritos de "Lula Livre" a tudo esvazia qualquer causa, por justa que seja...

-Há de se convir que o contexto da manifestação foi pouco feliz. Desrespeitaram a família do sujeito. Não é bacana. Há que se preservar alguns limites. É questão de civilidade e de fair play democrático.

-A tortuosa redação dos queixumes do ministro no Twitter é uma atração à parte (abaixo). O Ministro da Educação mal consegue escrever um texto coerente com poucas dezenas de caracteres. Não espanta que tivesse um desempenho acadêmico pífio durante a graduação. Só mesmo com muita kafta pra aguentar...

-Acho engraçado ver um ministro que sempre se manifesta com indecorosa truculência e anda com gente que defende execução extrajudicial no café da manhã equiparando vaia a violação de direitos humanos... Haja paciência.

-É curioso que o ministro se escandalize com o desrespeito a seus filhos, mas tolere que o presidente enalteça o trabalho infantil...


sábado, 20 de julho de 2019

Liderança Mundial

O Brasil não se destaca no desenvolvimento de inteligência artificial, mas certamente é uma liderança global em burrice natural.

Peço antecipadamente desculpas aos encantadores burrinhos por compará-los à gente brasílica.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Algumas coisas são mais complexas do que parecem; outras parecem mais complexas do que realmente são - discernir umas das outras é uma arte mais difícil do que se imagina.

sábado, 13 de julho de 2019

Minha candidatura diplomática

Se falar inglês e fritar hambúrguer nas montanhas do Colorado qualificam Eduardo Bolsonaro a ser embaixador em Washington, calculo que meu diploma C2 de proficiência em língua francesa aplicada a Ciências Humanas, concedido pelo Ministério da Educação (da França) e meu breve período como pesquisador-visitante na Sorbonne me qualifiquem muito amplamente para nossa embaixada em Paris. Falta ser amigo dos filhos do Macron, mas suponho que seja um problema contornável - afinal de contas, sei de cor alguns refrões de Montand, Aznavour e Trenet, e isso deve ser considerado em meu favor. 14 de julho seria provavelmente um bom dia para discutir minha indicação. Há espaço na minha agenda.  Jair, je suis là!


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Carta Aberta aos Eleitores de Bolsonaro

Caro Cidadão,

escrevo para você que votou em Jair Bolsonaro no 1° ou no 2° turno das eleições de 2018. Não votei em Bolsonaro em nenhum dos dois turnos, mas respeito a sua escolha.

Não sei que motivos levaram você a votar em Bolsonaro. Talvez você gostasse dele ou achasse que ele era a melhor opção para o Brasil. Talvez você simplesmente não quisesse mais uma gestão petista.

Parto do princípio de que você é um cidadão bem intencionado, respeitável, trabalhador, cumpridor das leis, cuidadoso com sua família e leal a seus amigos. Não quero acreditar que você seja fascista, racista, homofóbico ou ignorante. Talvez você o considere realmente "o Mito"; ou talvez você não concorde com 100% do que Bolsonaro diz.

É provável que você tenha assistido a posse presidencial em janeiro repleto de esperanças - seu candidato venceu e você achava que ele iria melhorar a situação do país. Talvez você pensasse: "esse presidente vai acabar com a corrupção no Brasil"; "Bolsonaro vai acabar com as mamatas"; ou ainda, "ele vai botar o país em ordem".

Todavia, me pergunto: o que você pensa agora, após seis meses de governo? Você está satisfeito? Você vê indícios de melhora?

Mais ainda: alguma coisa está melhor para sua família graças a Bolsonaro? Você se sente mais seguro em sua cidade? Você está menos endividado? Está mais fácil pagar suas contas? Seu salário melhorou? Está sobrando mais dinheiro no final do mês? Sua poupança cresceu? Seus amigos ou parentes desempregados conseguiram emprego? A escola do seu filho melhorou? Você sente mais confiança no atendimento do SUS? Enfim, você consegue perceber a SUA vida melhorando em algum aspecto?

Você ainda tem esperanças - "foram apenas seis meses", você me dirá. Talvez você tenha razão; ainda assim, você há de concordar que esse primeiro semestre de governo foi uma bagunça, um festival de trapalhadas e baixarias. Bolsonaro e sua equipe mal conseguem se entender; medidas são anunciadas por uns e logo depois desmentidas por outros. Os membros de seu partido brigam entre si pelas razões mais fúteis. Frota ofende Hasselmann, que xinga Kataguiri, que briga com Fulano... A cada semana há um novo escândalo. O presidente não sabe se comportar como presidente; posta barbaridades e até obscenidades em suas redes sociais. Enquanto isso, o Brasil segue estagnado. Quando as coisas começam tão mal, é provável que terminem pior - e ainda temos três anos e meio de governo pela frente...

Bolsonaro e Mourão se diziam preocupados com a família brasileira. A sua família? A minha família? Ou as famílias deles?

Em apenas seis meses, o filho de Mourão já foi promovido no Banco do Brasil e indicado a um elevado cargo gerencial; seu salário triplicou. Até Carlos Bolsonaro ironizou o fato nas redes
sociais: "esse é bom bagarai". Nos últimos dias, no entanto, chegou a vez de seu próprio irmão, Eduardo, ser sugerido pelo pai como potencial embaixador nos Estados Unidos - cargo para o qual não tem o menor preparo, mas cujas regalias pretende aproveitar. Onde está aquele Jair Bolsonaro que se dizia defensor da meritocracia? Será que Carlos também considera seu irmão "bom bagarai"?

Enquanto faltam postos de trabalho para milhões de brasileiros, não faltam excelentes oportunidades profissionais para as famílias presidenciais. O nome disso, todos nós sabemos: nepotismo. Foi para isso que você votou em Bolsonaro e Mourão? Após as eleições, muita gente afirmava que a mamata iria acabar; a realidade, no entanto, vem mostrando que as mamatas seguem firmes e fortes.

Em campanha, Bolsonaro defendia uma "nova política" - como se ele mesmo e seus familiares não tivessem passado quase três décadas vivendo da "velha política". Vale lembrar que durante muitos anos o Sr. Jair Messias Bolsonaro viveu muito confortável sob as asas de Maluf no PP, envolvido em inúmeros escândalos de corrupção.

Não comentarei a reforma previdenciária em curso, que promete prejudicar gravemente a todos nós trabalhadores; se informe sobre o assunto e julgue você mesmo, pois essa carta já se faz longa e não desejo cansá-lo demais.

Deixo aqui um simples convite à sua reflexão: será que vale a pena continuar defendendo Bolsonaro? Votar mal faz parte da vida de qualquer eleitor. Eu mesmo já me arrependi de ter votado em certos candidatos em determinadas ocasiões.

Decepções e frustrações, às vezes, podem nos paralisar. Entramos em estado de negação, enfiando a cabeça na terra como os proverbiais avestruzes; nos recusamos a enxergar a dura realidade, tapando o sol com a peneira. Arrumamos mil desculpas esfarrapadas para proteger o político que outrora mobilizou nosso entusiasmo. Tentamos coloca-lo acima do bem e do mal.

Não deveria ser assim. Temos que ser cidadãos, e não torcedores. Devemos cobrar e criticar todos os políticos, especialmente aqueles que nós mesmos elegemos. Eles não são nossos líderes iluminados; não são pessoas especiais e nem devem ser idolatrados. São apenas gente como a gente, pessoas que elegemos para cuidarem de nossos interesses coletivos. Eles estão lá para servir o povo, e não o contrário. Ao constatar nossos equívocos eleitorais, temos simplesmente que ter a coragem de admitir o erro, criticar aqueles que pisotearam nossas esperanças e faltaram com suas promessas - e não reelege-los nunca mais. Nunca é tarde demais para reparar um erro.

Termino, caro cidadão, com uma constatação banal: VOCÊ É MELHOR QUE BOLSONARO. Se você, como suponho, é uma pessoa bem intencionada, trabalhadora e cumpridora das leis, VOCÊ É MELHOR QUE BOLSONARO. Não perca seu tempo defendendo um político que não respeita sequer as pessoas mais próximas dele e que provavelmente não gastaria meio minuto para defender você. VOCÊ MERECE UM PRESIDENTE MELHOR QUE BOLSONARO.

Não peço a você que apressadamente jogue fora suas esperanças, apenas que observe muito bem como nosso presidente vem agindo e como agirá no resto de seu mandato. Reflita bastante - e faça a escolha que você julgar melhor em 2022. Melhor ainda: pense com muito cuidado e serenidade na hora de votar para prefeito e vereador em 2020.

Respeitosamente,
Luiz Fabiano de Freitas Tavares,
Professor, historiador e cidadão,
Ao seu dispor


quinta-feira, 11 de julho de 2019

"Nova Previdência" - Lágrimas de Fogo

Hoje choro lágrimas de fogo.

Choro pela maldição conjurada na Câmara dos Deputados contra o povo brasileiro.

Choro por essa sórdida "Reforma" que condenará milhões de trabalhadores a uma velhice de miserável subsistência. Choro por esse texto infame que rouba o pão da boca de inválidos, viúvas e órfãos.

Choro por essa abominação que promete acabar com privilégios, mas deixa intocados magistrados e militares.

Choro por aqueles que teimam em acreditar que essa reforma trará emprego e prosperidade ao país. Choro por essas vãs esperanças de gente desesperada.

Choro pela gente ingênua, esfaqueada nas costas por aqueles que prometiam zelar por seus interesses.

Choro por todos os analfabetos políticos, analfabetos funcionais, analfabetos disfuncionais e analfabetos emocionais que entregam o próprio destino em mãos tão imundas.

Choro pelas lágrimas de crocodilo derramadas por Rodrigo Maia. Choro pelos pérfidos aplausos que causaram essas lágrimas.

Sinto tristeza, raiva, indignação e impotência, misturadas, borbulhantes, ferventes.

Hoje sou um vulcão.

Hoje choro lágrimas de fogo.



quarta-feira, 10 de julho de 2019

Afinidade e identidade

Afinidades interessam e importam muito mais que identidades. 

As primeiras convidam ao movimento e à abertura, enquanto as últimas induzem à estagnação e ao fechamento. Afinidades tendem a dissolver barreiras e a formar laços, enquanto identidades frequentemente elevam muros e forjam grilhões. Identidades geralmente enfatizam diferenças para fabricar similaridades, enquanto as afinidades mobilizam as similaridades para transcender as diferenças. Em sua plenitude, a afinidade aceita o outro tal como é, enquanto a identidade, cedo ou tarde, exige que ele se torne alguma coisa: uma atrai, onde a outra impõe. 

"Eu e tu", diz uma; "nós contra eles", clama a outra. 

As afinidades remetem à generosa leveza da Graça, enquanto as identidades lembram a mesquinha dureza da Lei...

terça-feira, 9 de julho de 2019

Nosso Herói

Nosso Herói caiu do cavalo; está caído, ferido, ensanguentado. Sua brilhante armadura está enlameada.

Exposto, Nosso Herói fugiu, se escondeu, sumiu. Ai de Nós! Ai de Nós!

Choramos como crianças abandonadas, como órfãos indefesos, como virgens enganadas, como viúvas desamparadas.

A máscara caiu. Nosso Herói tem duas caras. Ele está nu; não passa de uma doce mentira.

Nosso Herói é apenas mais um Vilão - Nosso Vilão.

Nosso Herói não existe.

Nosso Herói nunca existiu.

Fabricamos Nosso Herói da sórdida argila com que se fazem todos os ídolos.

Mas a Farsa continua. Queremos acreditar. Precisamos acreditar. Nosso Vilão precisa ser Nosso Herói.

Vendem nossos olhos. Tampem nossos ouvidos. A Verdade dói. Não queremos sofrer. Ai de Nós! Ai de Nós!

Vilão contra Vilão, que vença o Nosso.

"I believe in Harvey Dent".

sábado, 6 de julho de 2019

Bolsonaro, trabalho infantil e adultos desempregados

Em seu mais recente episódio de (calculada?) incontinência verbal, o Sr. Jair Messias Bolsonaro se pronunciou favorável ao trabalho infantil e suas virtudes para a formação do caráter das crianças.

Para além das evidentes objeções morais que tal discurso suscita, vale a pena questioná-lo sob uma perspectiva puramente econômica.

Qual seria a coerência de se falar em trabalho infantil num país onde há alguns milhões de adultos desempregados e subempregados?!

O vasto contingente de adultos desempregados é um problema não apenas do Brasil, mas da atual conjuntura mundial. A cada ano inúmeros postos de trabalho são ameaçados pelos avanços da automação e da informatização, bem como de oscilações macroeconômicas desfavoráveis.

Países da União Europeia já discutem seriamente o crescente impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho e debatem possíveis políticas públicas para mitigar os prováveis problemas econômicos e sociais daí decorrentes.

Enquanto isso, nosso desorientado e tragicômico presidente, com o moralismo barato que lhe é habitual, declama as belas virtudes do trabalho infantil - indiretamente escarnecendo de todos os adultos desempregados do Brasil. Nosso presidente sonha em botar as crianças para trabalhar, quando deveria se preocupar em garantir condições econômicas para que elas encontrem postos de trabalho ao chegar à idade adulta.

Anacronismo, teu nome é Bolsonaro.

Uma imagem do futuro sonhado por Bolsonaro. 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Quem vigia os vigilantes?

Hoje, no Centro da cidade, vi um agente de segurança pública jogando lixo na calçada. Não é a cara do Rio?

Nem em Springfield se vê uma coisa dessas.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O nó faz parte da rede; a rede faz parte do nó. Rede e nó surgem juntos: um com o outro, um no outro, um pelo outro.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Moro e Greenwald - O caráter não se compra

Sérgio Moro acaba de se retirar intempestivamente da sessão parlamentar onde prestava esclarecimentos sobre os vazamentos recentemente divulgados pelo site The Intercept.

Sob os gritos de "fujão", Moro se retirou em reação a fala do deputado Glauber Braga, que o chamara de "juiz ladrão e corrompido". Certamente a fala de Braga foi inadequada e indecorosa; com efeito, um dos piores defeitos do deputado, a meu ver, é sua incontinência verbal, que vez ou outra o leva a ultrapassar limites.

Todavia, a atitude de Moro me parece ainda mais desrespeitosa que as falas de Braga. Desrespeitosa, em primeiro lugar, para com os deputados presentes à sessão, muitos dos quais (inclusive governistas), aguardavam havia mais de 7 horas para apresentar suas questões ao Ministro da Justiça. Pior ainda, atitude desrespeitosa para com todos os cidadãos que desejam os devidos esclarecimentos sobre as suspeitas de descumprimento das regras do processo penal que pesam sobre a conduta de Moro no exercício da magistratura.

Suspeito de improbidade, o juiz trata como réus e inimigos aqueles que agora cumprem o republicano dever de investigar sua conduta. Mais uma vez demonstrando sua vaidade, aquele que tantos julgou agora não aceita se ver como objeto de julgamento. O "superministro" se recusa a ser tratado como reles mortal.

O gesto de Moro denota uma atitude melindrosa e suscetível que não se espera da parte de um ministro de Estado. A partir do momento que aceitou um cargo público de tamanha importância deveria demonstrar a devida disposição a engolir alguns sapos em nome da democracia. Noblesse oblige.

Vale comparar a conduta do ministro à do jornalista Glenn Greenwald em condições semelhantes. Comparecendo diante dos deputados, Greenwald teve de encarar situações muito mais vexatórias, desde ameaças diretas por parte de deputados que, atropelando a própria Constituição, exigiam sua prisão imediata até ofensas de ordem pessoal acerca de sua orientação sexual e de sua vida conjugal.

Apesar de tamanhos constrangimentos, Greenwald não se deixou intimidar, permanecendo até o fim da sessão, respondendo mesmo às piores ameaças e ofensas com firmeza, profissionalismo, polidez e urbanidade, mantendo a serenidade e a compostura, sem jamais se rebaixar ao nível daqueles que o desrespeitavam.

Nas circunstâncias mais hostis é que demonstramos nosso caráter. Como diria meu avô, é o que diferencia homens de moleques. Greenwald passou pela provação, tornando-a testemunho de sua integridade. Moro, pelo contrário, mostrou que lhe falta coragem quando lhe falta a toga. Moro hoje descobriu que a política não é um tribunal onde o juiz pode chamar o meirinho para prender quem o desacate. Desprovido do aparato da magistratura, Moro se revelou um covarde com um ego frágil, incapaz de suportar o mínimo arranhão. Ao "superministro" falta a fleuma que todo árbitro de futebol demonstra diante dos uivos da arquibancada.

O caráter não se compra. Nem se adquire num concurso para a magistratura...


sexta-feira, 28 de junho de 2019

Um evangélico no STF?

Bolsonaro diz que deseja um evangélico no STF.

Um evangélico no STF não é, por si, um problema. Sendo laico o Estado, um ministro do STF pode ser evangélico, católico, umbandista, candomblecista, ateu, agnóstico, espírita, hindu, budista, muçulmano, parse, jedi - até satanista. Tanto faz. A religião de um magistrado não é assunto relevante ou pertinente sob uma perspectiva republicana e democrática.

No entanto, é grave, muito grave, que o presidente de uma república laica considere a religião de um magistrado como um critério válido para uma indicação ao STF. A mera sugestão desse absurdo já é um atentado contra a Constituição.

Ao menos em teoria, um magistrado de nossa corte suprema deve julgar os processos que lhe chegam às mãos fundamentado EXCLUSIVAMENTE no ordenamento jurídico brasileiro, desconsiderando, tanto quanto possível, suas convicções, preferências e inclinações pessoais - religiosas, políticas ou de qualquer outra natureza. Uma indicação ao STF DEVE considerar APENAS a solidez do domínio de nosso ordenamento jurídico por parte do magistrado em questão.

À medida que desconsidera esses princípios básicos e evidentes, Bolsonaro subverte o sentido e o significado da Justiça, atirando pela janela todas as conquistas da teoria jurídica consolidadas desde o século XVIII.

Paradoxalmente, por sinal, o infeliz propósito de Bolsonaro me lembra muito o tipo de "justiça" praticado por tribunais católicos contra inúmeros protestantes nos tempos que sucederam a Reforma...!

Contudo, a coisa é ainda mais... "interessante".

A declaração do presidente deixou alguns amigos meus confusos: "Mas ele não é católico?" - dizia um. "Não, ele é evangélico; não lembra que ele foi batizado pelo Malafaia no Rio Jordão?" - retrucava outro. "Ele foi batizado pelo Malafaia no Jordão, mas é católico mesmo. A verdadeira religião de Bolsonaro é o oportunismo" - respondi eu.

Com efeito, me parece provável que o presidente sequer cogite seriamente fazer tal indicação. É possível que a declaração seja mero afago à bancada evangélica e, mais ainda, ao eleitor evangélico - uma promessa oca para agradar e distrair essa importante parcela de seu eleitorado, predisposta a acolher tal notícia com messiânico entusiasmo, nostálgica de uma Jerusalém idealizada.

Também soa como mais um de seus artifícios para gerar polêmicas baratas e vazias, como já se tornou costumeiro. Assim como Trump, Bolsonaro se fez um especialista na geração de ruído midiático - o tal "firehosing", como dizem os americanos.

Em suma, apenas mais um episódio da politicagem que temos visto nos últimos seis meses, estratégia de um governo que vem oferecendo muitas bravatas e poucas realizações.

Bispo Macedo fantasiado de Salomão.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Patetas e patotas

Todo pateta busca uma patota: assim se formam as patotas de patetas. O pateta precisa da patota, pois fora dela ele não é nada nem ninguém. A opinião da patota é a lei do pateta. Se o pateta imita a patota, a patota aplaude o pateta. O pateta detesta pensar, mas a patota faz a gentileza de pensar por ele. Não há lugar para liberdade na patota - só há vaga para patetas. Felizmente o pateta não deseja liberdade; basta-lhe o sufocante conforto da patota.


quarta-feira, 26 de junho de 2019

Pergunta Premiada


39kg da pura

Contribuições de vários amigos sobre a pó-lemica do dia:

Bagagem gratuita de até 23kg? Barrado pelo presidente. 39kg de cocaína na comitiva presidencial? Aí tá tranquilo...
***
O tal sargento estava tirando as drogas do Brasil para não matarem nossas crianças.
***
Foi "o hacker" que infiltrou essa cocaína no avião. Moro suspeita que a cocaína pode ter sido adulterada. Mas não vê nenhum problema. E nem lembra de ter cheirado carreira nenhuma.
***
O avião presidencial leva um avião dentro. Proeza militar brasileira: inventamos o avião porta-aviões.
***
-O avião é a vapor?
-Não sei dizer. Melhor perguntar a um militar de carreira.
***
-Os comissários, então, não servem Pepsi, só Coca?
-Importante é o canudinho.
***
O problema é a polícia espanhola: muito xereta.
***
Esperto era o FHC: só viajava em voo de carreira.
***
Agora imagina os cachorros da polícia espanhola: devem ter ficado trincadões...
***
"Ordem e PÓgresso".
***
Quanta hiPÓcrisia!


O maior problema da auto-intitulada "intelectualidade periférica" é que muitas vezes ela é mais intelectualidade que periférica.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Meus alunos têm tempo para os games, mas lhes falta grana. Eu, por minha vez, tenho a grana, mas me falta o tempo. A vida é cruel com os seres humanos...

segunda-feira, 17 de junho de 2019

No buraco

Nosso buraco é muito fundo. Temos uma esquerda louca e uma direita delirante.

Muita gente oportunista falando asneiras de todos os lados e uma multidão de burros fanáticos para aplaudir e torcer por seus respectivos campeões.

E seguimos cavando...


domingo, 16 de junho de 2019

Yougnorância - A epidemia mais grave de nosso século

O Youtube vem se tornando a maior escola de ignorância do mundo. Ou seria "yougnorância"?

Qualquer analfabeto funcional pode postar um vídeo na plataforma. Milhões de outros podem assistir esses vídeos. Como violenta infecção, a Yougnorância é viral. Educação é a única vacina eficaz contra essa epidemia. Mas quem está preocupado com isso?

Educar dá muito trabalho; a Yougnorância, por outro lado, é gratuita e não exige esforços. Oferecer banda larga para mentes estreitas é um grave perigo...


sábado, 15 de junho de 2019

Enfermos

O mundo está doente; nós estamos doentes.
É o mundo que nos adoece ou somos nós que adoecemos o mundo?

"É muito grave, Doutor?"

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Competências presidenciais

Aqui vemos o Presidente da República equilibrando uma garrafa sobre (aparentemente) um tijolo de goiabada e uma lata de leite condensado. Num evento oficial.

Fica comprovado que o Sr. Jair Messias Bolsonaro tem talento para alguma coisa. Tem alma de artista - quem diria? Seria ótimo (para todos nós) que, seguindo suas vocações e inclinações naturais, tivesse cursado Escola Nacional de Circo.

Infelizmente, vivemos numa sociedade que não encoraja as pessoas ao pleno desenvolvimento de suas melhores aptidões. A História do século XX teria sido muito melhor se o jovem Adolf Hitler tivesse se tornado um pintor medíocre, em vez de um tirano sanguinário...


Um longo período de intoxicação mental exige um tempo igualmente longo de desintoxicação.

Super-Moro - O herói esvaziado

Andou circulando em algumas manifestações um boneco inflável que representava o juiz e "superministro" da Justiça Sergio Moro como o Superman. Estranha convergência de política, cultura pop e fascínio infantil por uma figura pública.

Como qualquer boneco inflável, Super-Moro era apenas uma fina casca cheia de ar. As recentes revelações feitas por Glenn Greenwald mostram apenas quanto ar havia por dentro do brinquedo.

Moro não é herói, vilão ou santo. O mesmo pode ser dito de Lula ou Bolsonaro.

O Brasil não precisa de heróis, vilões, santos, mitos ou messias.

O Brasil precisa, urgentemente, de cidadãos adultos e maduros - a cidadania é o único antídoto aos messianismos que desde sempre assolam nossa política.

Mas como é difícil formar cidadãos de verdade... O papel de fã ou torcedor sempre é mais fácil.




quarta-feira, 5 de junho de 2019

Propriedade: meio ou fim?

Muitos socialistas custam a entender que a propriedade privada é um ótimo meio, como já sugeria Aristóteles, na Política; por outro lado, muitos capitalistas se recusam a compreender que a propriedade privada é um péssimo fim, como já pregava Jesus, nos Evangelhos. Não precisa ser abolida; tampouco deve ser sacralizada. Ambas tendências podem conduzir a verdadeiras monstruosidades.


quinta-feira, 30 de maio de 2019

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O problema do Brasil é que aqui as coisas demoram muito depressa. Ou algo assim.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Tirânico Acróstico

Tirânicos
Rompantes
Unem
Muitos
Palermas

Pifiamente
Usando
Tristes
Ideias
Nostálgicas

Bestas
Ordinárias
Lamentavelmente
Semeiam
Onerosos
Nepotismos,
Arruinando
Repúblicas
Ocidentais

Muito
Alguns
Destroem,
Ultrapassando
Rivais
Obtusos

Oh!
Ruinosos
Bichos
Atacam
Nações

Diabolicamente
Urdindo
Terríveis
Enigmas,
Rudes
Tramas
Esquizofrênicas

Eles
Rugem
Diatribes
Obsoletas;
Gemeremos
Asfixiados?!
NÃO!!!


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Da desonestidade intelectual

1) Um leigo faz uma afirmação falaciosa sobre determinado assunto.

2) Você, como especialista, esclarece detalhadamente o equívoco.

3) O leigo em questão ouve tais esclarecimentos, dá sinais de compreendê-los e
admite concordar ao menos parcialmente com eles.

4) Passa algum tempo.

5) O leigo em questão volta a defender a mesmíssima argumentação falaciosa.

6) Novos esclarecimentos, com resultados semelhantes.

7) Passa mais algum tempo.

8) O camarada reafirma (não sem alguma arrogância) as mesmas falácias.

CONCLUSÃO 1 - A pessoa em questão não é intelectualmente honesta.

CONCLUSÃO 2 - Esclarecer essa pessoa é pura perda de tempo.

CONCLUSÃO 3 - Melhor empregar seu precioso tempo com pessoas mais interessantes.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Frase do dia:
"Professor, nem minha família me valoriza... Pra que que eu vou valorizar a escola?!"
Dá o que pensar.

Justiça e Capitalismo

"As sociedades mais iníquas guardam alguns elementos de justiça misturados à mais completa iniquidade; eles lhe servem de pretexto, de salvaguarda e de garantia; e aí está precisamente a dificuldade do problema social. Demarcar o justo do injusto, marcar o ponto onde a legitimidade da poupança se converte em capitalismo abusivo, eis a tarefa não bárbara e grosseira, mas delicada e sutil do socialismo, e esta obra reclama toda a precisão da ciência, como ela reclama toda energia da consciência". 

Jean Jaurès (1891)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

domingo, 19 de maio de 2019

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bolsonaro contra a Educação

1) A ideia de que o governo está cortando verbas do Ensino Superior para realocá-las no Ensino Básico é falaciosa, pois as verbas destinadas ao Ensino Básico também sofreram cortes.

2) O MEC está demasiado preocupado em cortar gastos com as universidades públicas, quando há gastos monstruosos com o infame FIES, através do qual o governo vem há anos sustentando as universidades privadas. Preservar o FIES em detrimento do orçamento das universidades públicas é uma absurda inversão de prioridades, colocando interesses privados à frente de interesses públicos.

3) Dilma e Temer efetivamente fizeram cortes no orçamento do MEC - cortes maiores que os de Bolsonaro, inclusive. No entanto, os presidentes anteriores fizeram cortes consideráveis também em outros setores. Desse modo, proporcionalmente, o corte de Bolsonaro é muito mais rigoroso contra o MEC que contra outras pastas. Ou seja, o atual governo parece se preocupar com Educação AINDA MENOS que os anteriores. Basta comparar: em 2015, Dilma cortou 9,4 bilhões do MEC, mas o total dos cortes chegava a 78 bilhões; com Bolsonaro, o corte contra a Educação é de "apenas" 5,8 bilhões, mas o total é de "apenas" 29,5 bi.

4) Os cortes anteriores foram feitos com "simples" discurso de austeridade fiscal. Os cortes atuais, pelo contrário, foram anunciados pelo ministro com tom de hostilidade às universidades públicas, ofensivamente taxadas como locais de "balbúrdia". Isso confere aos cortes um caráter punitivo que os torna ainda mais detestáveis. É inadmissível que um ministro de Estado trate dessa maneira as instituições de ensino sob sua responsabilidade, desrespeitando os professores, pesquisadores, servidores e estudantes dessas instituições. Dilma e Temer apresentaram tais cortes como um mal necessário, enquanto a equipe de Bolsonaro tentou, ABSURDAMENTE, apresentá-los como um castigo merecido. Há uma significativa diferença entre essas abordagens.

5) Nesse contexto, a distinção entre "corte" e "contingenciamento" é mero malabarismo retórico. As instituições serão efetiva e imediatamente prejudicadas por essas medidas. Mais uma vez, cabe questionar por que razão o ministério se mostra mais comprometido com os interesses das universidades privadas que com a adequada manutenção das instituições públicas. É como se alguém tirasse comida de seus próprios filhos para sustentar os filhos do vizinho...


quarta-feira, 15 de maio de 2019

[des]Encontrando-nos

Viver é um contínuo distanciar-se de si mesmo para tornar-se a si mesmo, um constante reencontrar-se para ainda mais se distanciar logo além...

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Tenho medo de qualquer poder - estatal, empresarial ou eclesiástico. Sinto ainda mais medo quando eles convergem...

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Engenharia ou Filosofia?


Esse povo tem um pensamento binário de uma pobreza pavorosa. Como se só fosse possível investir em uma coisa OU na outra... Santa Falácia, Batman! Se o camarada que produziu esse meme tivesse a mínima noção de Filosofia, perceberia bem quão falaciosa é a argumentação sugerida. 

De resto, de que adianta um monte de edificações luxuosas, se as mentes de seus ocupantes está mal mobiliada? Como diria Bergson, pouco importa a qualidade do chapéu, se não há grande coisa DENTRO da cabeça... 

O ser humano é uma criatura complexa, com necessidades igualmente complexas. A tecnologia é imprescindível para os cuidados do corpo, mas as humanidades são essenciais para o cultivo do espírito. Como ponderava Rabelais, "ciência sem consciência é apenas ruína da alma"...

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Iconoclastas e seus ídolos

Um "iconoclasta" que não tolera que alguém encoste em seus próprios ícones é muito menos iconoclasta do que imagina. Iconoclastia com o ícone alheio é fácil; quebrar os próprios ídolos é privilégio de poucos. Mas quem realmente prescinde de todo "eicon" ou de algum "eidos" em sua vida? "A mente se assemelha ao espaço", dizia um sábio budista...

O famosíssimo fetiche arumbaya do Museu Etnográfico de Bruxelas, remendado depois de todas suas aventuras...

sábado, 4 de maio de 2019

Sensatez por contraste

Para fazer um insensato parecer razoável basta colocá-lo para debater com outra pessoa ainda mais tresloucada. O contraste dará certo ar de sensatez às suas tolices. Ao debater com um sofista desastrado o sofista mais habilidoso passa por verdadeiro sábio. Qualquer um parece genial discutindo com Homer Simpson... E como existem Homers por aí!


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Verdade, mentira e método

Poucos métodos conduzem à verdade, mas não se alcança (ou inventa) nenhuma espécie de verdade, por trivial que seja, sem algum tipo de método. Até para inventar mentiras menos grosseiras é necessário algum método, como já sabiam os sofistas.


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Quando você vê um youtuber espanhol dizendo "Não somos de esquerda, nem de direita, somos do Bem contra o Mal", bate aquele alívio de que não estamos sozinhos em nossa desgraça...

Dia Eterno no Cassino do Chacrinha

"Alô, alô, Teresinha!"

O grito ecoa nas invisíveis paredes do contorcido e torturado espaço-tempo. Tragado por uma urna eletrônica, o Prof. Borges, intrépido explorador do desconhecido, tenta compreender sua incompreensível situação!

Uma atordoante buzina ressoa nos corredores da Eternidade, qual trombeta anunciando algum Juízo Final.

Brasileirinhas, brasileiríssimas, estonteantes chacretes seminuas bailam frenéticas, sensualmente honrando e glorificando os bons costumes, a moral cristã, a família tradicional brasileira e os fariseus de todo o sempre.

Uma chuva dourada cai de inimagináveis altitudes, fecundando a terra brasileira e confundindo-se com a estrepitosa gargalhada de Abelardo Barbosa. O Prof. Borges corre com todas as suas forças, mas o chão parece se desmanchar sob os pés de nosso herói.

"Vocês querem bacalhau?!"

A multidão brada alucinada. Milhões de mãos apedrejantes se erguem contra o Prof. Borges. "Comunista! Comunista! Comunista!" - ruge a turba enfurecida. Dedos apontam perigosamente, atiçados por encarniçadas chacretes que, como despudoradas tchutchucas, rebolam até o chão, seduzindo as arquibancadas e os arquibanqueiros. No longínquo horizonte, ao fundo do palco, um faminto e austero tigrão devora as carnes dos trabalhadores.

Abelardo Barbosa anuncia a próxima atração, em socorro do intrépido aventureiro, agora acuado contra um muro de lamentações. Por breve instante, Prof. Borges suspira aliviado. Mas o alívio dura pouco: contra a multidão enfurecida vem apenas outra turba descabelada, aos berros: "Lula Livre! Lula Livre! Lula Livre!". Um lovecrafteano molusco se agita numa masmorra, instigado por seus adoradores.

"Quem não comunica, se trumbica!"

Prof. Borges se atira do palco, pouco antes do feroz encontro das duas facções sanguinárias, que se dividem e multiplicam por décadas e séculos afora, em sinistras metástases políticas: queremistas esfaqueiam saquaremas, luzias fuzilam lacerdistas, brizolistas pisoteiam as tripas de udenistas, mulheres marchadeiras esquartejam jovens carapintadas, guerrilheiros torturam milicos, black-blocs devoram tupinambás, tupiniquins arremessam molotovs contra o choque... Imperturbáveis como bacantes alucinadas, as chacretes dançam sempre sorridentes, apesar do mar de sangue que as cobre até os joelhos.

A buzina soa e ressoa freneticamente. Não há intervalo comercial. Os ponteiros do relógio seguem imóveis nessa perpétua tarde de sábado. O Prof. Borges se pergunta quando escapará desse tormento. Como se lesse seus pensamentos, Abelardo Barbosa anuncia lugubremente:

"Só acaba quando termina!"

Dedicado ao amigo Vinicius Borges


quarta-feira, 24 de abril de 2019

"Nova Política": Onde está?!

O Sr. Jair Messias Bolsonaro já deixou bem claro que deseja acabar com a "Velha Política". Falta agora ele mostrar pra gente o que pretende efetivamente fazer para criar uma "Nova Política". E então? Cadê?

Aguardemos sentados...

Qual Narciso, alguns tolos se enamoram perdidamente por suas próprias tolices. Convém não deixar-se enredar em seus perigosos delírios.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Aos 35 anos já sou um velho rabugento. Devo admitir que comecei a treinar aos 13. Infelizmente ser um velho rabugento é a única maneira coerente que encontrei para viver neste mundo que aí está.

O retorno da chanchada

Política virou entretenimento no Brasil. Antigamente eu reclamava que as pessoas eram alienadas. Eu era feliz e não sabia. Torcida por torcida, era melhor quando as pessoas torciam só por futebol e escola de samba. E segue a chanchada...

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Japão Clichê

"Encontro de tradição e modernidade" - clichê mais batido do universo sobre o Japão. A rigor, serve para falar sobre qualquer país. Resta indagar o que significam "tradição" e "modernidade" - para os japoneses, inclusive... Que Toshimichi Ookubo teria a dizer disso?

Imagine Hokusai desenhando isso!

terça-feira, 16 de abril de 2019

Notre-Dame: Eternidade em chamas

Notre-Dame é a estrela mais brilhante da Cidade Luz. Que tristeza vê-la fulgurando à infernal luz das chamas!

Notre-Dame é um universo inteiro, povoado de santos, anjos, demônios, gárgulas e quimeras. De suas torres, parece que o próprio Céu, capturado pelos construtores, é apenas um pano de fundo para suas magníficas formas - o Infinito reduzido a detalhe arquitetônico.

Suas rosáceas eram verdadeiros tratados de teologia medieval, dizia Roy Wagner. Victor Hugo considerava a catedral inteira um livro escrito a muitas mãos.

Dentro da nave, a luz filtrada pelas janelas e vitrais criava um ambiente difícil de descrever: aconchegante, misterioso e um tanto claustrofóbico. Um espaço gigante, ínfimo e paradoxal. Na nave de Notre-Dame me sentia respirando num Outro Mundo ou, quem sabe, num Mundo Outro.

Como um ser vivo, aquela catedral tinha uma voz. Respirava, cantava e orava através de seu órgão, um dos melhores e mais antigos do mundo.

Notre-Dame de Paris não parecia uma obra medieval. Eu acreditaria se me dissessem que estava ali desde o princípio dos tempos, construída por anjos ou demônios, descida inteira do mais alto dos céus ou emersa dos mais profundos infernos. Sua beleza fascinante e terrível, certamente, não é deste mundo.

Ainda não se sabe ao certo o que sobreviveu ao incêndio de hoje. Os vitrais certamente estão perdidos. A espectral luz de sua nave nunca mais será a mesma. Talvez seja igualmente espectral e fascinante, mas será outra. O órgão, ora mudo, talvez seja restaurado, mas sua voz será outra, sua acústica foi irremediavelmente perdida.

Notre-Dame persistirá, bela mesmo em sua catástrofe, como mater dolorosa. Mas o mundo perdeu hoje um pedaço de Eternidade...


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Escuta e concordância

Eu posso ouvir você, mas isso não me obriga a concordar com sua opinião.

"Escuta" não é, nem deve ser, sinônimo de "concordância" - até porque não existe liberdade de pensamento sem direito à discordância. Concordância compulsória costuma ser desejo de gente autoritária: não passa de delírio inquisitorial, por melhores que sejam os argumentos ou as intenções - das quais, cumpre lembrar, o inferno está sempre repleto.

No entanto, em tempos de opiniões polarizadas e trincheiras cavadas, é muito mais fácil acusar o outro de não ouvir que reconhecer franca e generosamente que ele tem o direito de não concordar.

P.S.: Vale lembrar que o direito de discordar independe da qualidade dos argumentos. É claro que apenas perfeitos idiotas conseguem discordar de alguns argumentos, mas, no fim das contas, a própria idiotice também é um direito, que todos nós acabamos exercendo em um ou outro momento de nossas vidas.


sábado, 6 de abril de 2019

A bebedeira e a ressaca

O "intelectual" Olavo de Carvalho se tornou uma dor de cabeça para o atual governo, disparando comentários grotescos contra membros destacados do Executivo a cada dos ou três dias. 

Culpa de Bolsonaro que lhe deu ouvidos, aceitando recomendações para ministérios. Presidente ouvindo "guru" é uma coisa que não existe, atenta inclusive contra a democracia. Bolsonaro estabeleceu uma relação irresponsável com Olavo e agora paga o preço. 

"És responsável por tudo que cativas". Nosso Pequeno Príncipe mandão cultivou a Rosa desbocada; que ouça os palavrões... 

Toda ação tem consequências; ações irresponsáveis costumam trazer consequências desagradáveis. 

Depois da bebedeira vem a ressaca. 

Bateu palma para o maluco dançar, agora tem que aguentar o espetáculo. Eu, de minha parte, confesso que estou me divertindo...

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A desconstrução dos empoderados

A mera leitura da palavra "desconstrução" me dá sono. Muito. Quando leio "empoderamento", pior: quase entro em coma. Ainda bem que já anda por aí gente se dizendo "empoderada em Jesus", para desconstruir a amolação dos empoderados de plantão...


sexta-feira, 29 de março de 2019

A arte da polêmica no século XXI

1 - Algum desocupado produz um meme engraçado: 


2 - Apaixonadas reações não tardam nas redes sociais:

"Eu acho que você está roubando o protagonismo da água".

"O copo d'água ameaça a família tradicional brasileira. Imagina se uma criança vê essa água? Copo transparente é muita indecência. Na época do Regime Militar não acontecia uma coisa dessas".

"Vai ter água no copo, sim!"

"Copo d'água é a porta de entrada para coisas muito piores".

"O copo está meio vazio por culpa do PT".

"O copo fascista impede a água de se expressar. Não passarão!"

"A água pode ser benta. Estado Laico não é Estado ateu".

"E a meritocracia? Não adianta dar copo d'água, tem que ensinar a filtrar".

"Os copos merecem a reparação de uma dívida histórica. A água precisa refletir sobre os seus privilégios".

"Copo acima de tudo. Água acima de todos".

"Lula livre!"

"Mas e o PT?"

3 - Na semana seguinte ninguém mais lembra da água nem do copo.

4 - Surge a nova polêmica mais relevante da História do mundo.

5 - A liturgia se repete religiosamente numa espiral sem fim. Amen.


quarta-feira, 27 de março de 2019

Verdadeira barbárie

Etcaetera, o Terrível.

Bárbaro entre os bárbaros! O exterminador de todas as enumerações. Por onde passa Etcaetera fica um ponto final; com muita sorte, ponto e vírgula.

Mais que impronunciável, poucos ousam escrever seu nome completo...

Ciro Gomes e as lições de 2018

Excelente reflexão do historiador Fred Oliveira

Na pré campanha da eleição presidencial de 2018, alguns petistas chutaram Ciro. Depois, ao ver que a vaca iria pro brejo, pediram apoio a Ciro. Ouviram Ciro apoiar a democracia (Sim! Ciro apoiou a democracia!), mas eles queriam do candidato o servilismo de outrora. Insatisfeitos, não tendo o apoio pedido, vilipendiaram Ciro. Xingaram e brandiram ofensivas hipérboles contra Ciro. Demonstraram a reatividade descabida de sempre a quem lhes recusa vassalagem. Trataram Ciro como tratam todos aqueles que mesmo tendo sido fiéis ousam em algum momento deixar de segui-los. E a lista é extensa. Ou seja, mantiveram a rotina.

Nas hostes teve mais vaias que aplausos. Muita citação e pouca reflexão, como de hábito online atualmente. Erudições voláteis oriundas de memórias de momento. Rigor que não sobreviveu ao instante da enunciação, diluído em torrentes de likes e tolos vomitaços. Embasados achismos deram o tom de quase tudo que foi dito. Cansados todos os ouvintes, suspeitos muitos dos indignados.

Ao fim e ao cabo, emotivos, deram de ombros para as próprias idiossincrasias e a histeria ultrapassou o limite do aceitável. Envolvidos demais, não perceberam que pirraças, memes e rótulos só divertiam a audiência. A contraproducência da tática fortaleceu os adversários e não mudou as condições que levaram a outra chapa até a Presidência. O adiantado da hora implodiu as expectativas baseadas em ilusões. Militâncias infantis na crítica e quase fetais na reação, ficaram falando somente para os que pensavam a mesma coisa que elas, ao invés de tentar convencer quem pensava diferente.

Assustador, no entanto, é ver que as fracassadas fantasmagorias de ontem continuam sendo recurso. Mas agora só evidenciam que não houve aprendizado, só simulacro e repetição. Se constrangedor era admitir os equívocos outrora, mais constrangedor deveria ser repeti-los ainda hoje. E assim, vanguardas de ontem, falam sobre ontem, vivem de ontem, só enxergam ontem e insistem em dizer que são “futuro”.

Passada a tormenta eleitoral, Ciro Gomes avalia a conjuntura, ausculta as ruas, lembra das traições, constrói palanques, alianças, pensa nos rincões e sabe que até 2022 há uma odisseia a ser vivenciada.

MADE IN BRAZIL - Grandes clássicos dos Games

Grandes Clássicos do SBES (Super Brasintendo Entertainment System)

The legend of Dilma: A Lulink to the past 
Nessa clássica fantasia, fortalecido pelo poder da PTriforce, o jovem Lulink auxilia a princesa Dilma a proteger o reino de Byrule contra as forças do Mundo Sombrio lideradas por Cunhandorf.

Chrono Temer
Um grupo de viajantes do tempo precisa salvar o mundo da ameaça do Chrono Temer, um dispositivo capaz de enviar todos os direitos dos trabalhadores para um passado muito, muito distante...

Super PTroid
A heroína espacial Sargus Moran enfrenta os terríveis mutantes PTroids, que ameaçam dominar o universo com seu fisiológico oportunismo geneticamente programado. Inclui a antológica batalha contra o chefão Master Squid. O password "LULALIVRE" desbloqueia o desafiador mundo-fábrica Sanbernar.

Moro Kart
Os personagens de Super Moro Bros. participam de uma animada competição automobilística, usando divertidos itens especiais: liminar-relâmpago, denúncia-banana, delação-bomba e o clássico habeas cascus. Segundo rumores, ao vencer a Copa de Curitiba correndo com o Queirowser é possível desbloquear o lendário Orange Kart.

Doria Kong Country
Um gorila almofadinha parte em busca de suas bananas gourmet espalhadas pela floresta. Contém cenas pouco recomendáveis para o público infantil.

Crivellvania
Um corajoso herói explora um sombrio castelo blindado repleto de drones importados para enfrentar o Bispo Crivácula.

Star Freixo
Nessa fantasia espacial, o piloto Freixo McCloud e sua intrépida equipe entram em guerra contra as forças de Bolsoss, em defesa do sistema Brylat. A maior dificuldade do esquadrão Star Freixo é evitar o fogo amigo, especialmente quando Baba Hare e Falco Boulardi estão na equipe.

017 contra Goldenshower
O famoso agente secreto Jaires Bondonaro enfrenta inúmeros desafios para impedir pervertidos terroristas de utilizar Goldenshower, um satélite soviético capaz de inundar Londres em urina, tornando o povo londrino mais andrógino que David Bowie.

Tupnikmin
Perdido em um misterioso planeta, o "erudito" Capitão Olavar precisa arregimentar inúmeros tupnikmin, criaturinhas obedientes, descartáveis e estranhamente fanáticas, para cumprir perigosas missões contra o marxismo cultural interplanetário, de modo a ajuda-lo a retornar para casa.



quarta-feira, 20 de março de 2019

Entre foice, martelo e suástica

"Prefiro cem vezes ser aliado da Inglaterra ou mesmo da Alemanha, apesar de todos os seus defeitos, que da crueldade, do ateísmo e da barbárie da União Soviética".
Charles Lindbergh, aviador e herói nacional americano, em 1939

"Se nós virmos que a Alemanha vencerá, devemos ajudar a Rússia; mas se for a Rússia que ganhe, devemos ajudar a Alemanha, para que eles se matem mutuamente ao máximo".
Harry Truman, antes de Pearl Harbor, e antes de ser presidente dos EUA (1945-1953)

Dize-me com quem andas...

"The Führer may need you! Maybe not. Whatever..."

terça-feira, 19 de março de 2019

The very best of gentleman Olavo

Diretamente dos Estados Unidos da América, apenas o melhor do príncipe dos filósofos brasileiros. Leitura pouco recomendável para senhoras, crianças e cavalheiros de coração fraco.

"Ele chamou esses militares, que vê associados ao que chama de mídia oposicionista, como um 'bando de cagões'". - O que me espanta é a fineza desse grande pensador cristão. Um gentleman.

"Eles estão governando e usando o Bolsonaro como camisinha". - Nem sei comentar o apuro literário dessa frase. Digno de Castro Alves.

"Ele afirmou ter tido apenas duas conversas até agora com Vélez. - Uma para cumprimentá-lo e outra para mandá-lo enfiar o ministério no cu". - Dispensa comentários adicionais.

"Eu quero mudar o destino da cultura brasileira por décadas ou séculos à frente. Estou tentando formar uma geração de intelectuais sérios, que vão formar outras gerações de intelectuais sérios. Eu sou Olavo de Carvalho, sou escritor, não preciso de governo, de cargos no governo". - Cara humilde.

Tudo isso, evidentemente, em defesa da moral e dos "bons costumes". Resta descobrir o que significam "bons costumes" para essa gente.