domingo, 25 de agosto de 2013

Por uma Educação libertadora e humanista

Texto do Prof. Moysés do Carmo

Nós, educadores do Rio de Janeiro e do Brasil, há centenas de anos lutamos por uma educação verdadeira, que tenha como pilar principal o ser Humano. Temos hoje uma educação enganosa, maquiada com números falsos e corrompidos. Os que determinam as regras e metas claramente não se preocupam com as pessoas que na e da educação vivem.

Há instituições internacionais condicionando o envio de verbas às prefeituras à progressiva privatização dos serviços públicos, afim de garantir a circulação de capitais e transferências crescentes de verbas do público para o privado. Aí está a essência das já conhecidas PPPs (Parcerias Público-Privadas).

Pois bem, sabemos que as instituições privadas funcionam em função do privado, dos lucros e seu acúmulo em poucas mãos. O Estado, que deveria ter o papel de garantir a igualdade entre os cidadãos no acesso aos serviços básicos (saúde, educação, segurança etc.), além de moradia adequada, lazer, trabalho, tem agido em favor daqueles interesses privatistas.

Em se falando da Educação, que é a premissa para a formação de indivíduos autônomos e conscientes de seu papel perante o conjunto social, não podemos aceitar que a ideologia da competição capitalista seja usada para tais fins, pois coloca o indivíduo em primeiro lugar, afetando a coletividade; e comprometendo a coesão social, principalmente nas classes oprimidas, as quais necessitam se organizar e vir a conquistar melhores condições de vida, livres das atuais formas de dominação exercidas pelas elites políticas e econômicas.

Nas escolas públicas percebemos que os alunos são tratados como presos. São encaixotados aos montes em salas monótonas, sendo impedidos muitas vezes de fazer suas necessidades básicas quando precisam, pois assim fazendo “causarão problemas na escola”. A falta de profissionais hoje nas escolas explica em parte tal comportamento repressivo. Não tendo alguém para vigiá-lo, não é permitido que esse aluno transite pelos corredores.

Estando os alunos depositados em massa pelas escolas, ficam o professor e os demais funcionários acuados, reprimidos pela grande massa. Seu trabalho não se desenvolve, suas horas dentro daquele recinto vão se tornando momentos de tortura. Os gritos, o agito natural dos jovens, presos num ambiente que em nada permite o dispêndio de energia e a criatividade, passam a afetar a saúde dos funcionários, que se frustram cada vez mais.

E desta forma tais alunos vão se formando sem ter realmente acesso ao conhecimento (teórico e prático) de que necessitam para viver em sociedade. Vemos o individualismo nas atitudes e pensamentos, a falta de preparo para o mercado de trabalho, sendo mão-de-obra barata; apenas alguns conseguem vaga em cursos técnicos ou alguma posição um pouco melhor. Mas a grande maioria segue escravizada pelo trabalho precário ou informal. A cada ano, vão em massa às filas de empregos que tomarão todo o seu dia e energia, impossibilitando que continuem buscando conhecimento ou participem de maneira efetiva da cultura e demais obras humanas.

Sendo esses grandes problemas inconcebíveis para a Educação, nós profissionais deste “setor” temos o compromisso pedagógico e político com a mudança radical dessas condições. Vivemos um momento de uma generalizada tomada de consciência social e de classe. Temos a internet a nosso favor. Tudo agora mostra suas diversas faces. A ditadura da televisão passa a ser quebrada. Sabemos dos nossos direitos e da legitimidade do nosso movimento. Talvez o mais legítimo de todos. Falamos aqui da Educação. Educação!

A greve continua! À vitória!

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