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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Só consigo levar a sério pessoas que não se levam totalmente a sério. Nem tudo é questão de vida ou morte. Há coisas frívolas, efêmeras e banais, que somente pessoas histriônicas conseguem levar a ferro e fogo. Como levar a sério gente que faz tsunamis em qualquer copo d'água?!

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Da hipocrisia cristã

O cristão se faz hipócrita quando reivindica para si e para os seus a Graça e deseja rigorosamente impor aos "outros" aquilo que ele mesmo entende por Lei.

Esses "outros" podem ser vários, desde não-cristãos, cristãos de outras denominações ou até de uma mesma denominação, mas que apresentem condutas ou pontos de vista discordantes daquele que, farisaicamente, se crê intérprete autorizado da Lei e dono da ortodoxia, "reta opinião".

Para tanto, reivindica para si a força desta ou daquela "autoridade" inquestionável, seja a Tradição, a Escritura, o Magistério eclesiástico, a inspiração do Espírito Santo, a sucessão apostólica, o ensinamento mediúnico de "espíritos de luz" ou qualquer outra coisa que o diferencie dos demais mortais e pela qual se invista de uma certeza inabalável. No fundo, de uma ou outra maneira, forja a autoridade com que ele mesmo se autoriza.

Tal atitude deriva tanto da arrogância quanto do comportamento de manada, de uma arbitrária e orgulhosa convicção de "eleição" que o faz crer que ele e os seus são, de uma ou outra maneira, melhores que os demais.

É o tipo de gente capaz de prender, torturar, queimar, matar e massacrar em nome de Deus, a depender das circunstâncias sociais e históricas - a trajetória do Cristianismo, infelizmente, está repleta de exemplos assim.

Crendo-se livre de pecado, tal cristão atira a primeira, a segunda e todas as pedras que puder - contra a adúltera, o ladrão, o gay, o maconheiro, a abortista, o comunista e quem mais julgar conveniente apedrejar. Por vezes comemora, aberta ou ocultamente, o sofrimento ou a morte daqueles que tem por inimigos. Se regozija imaginando que este ou aquele arderá nas chamas do "inferno". Como alguns escolásticos, ousa imaginar que Deus perversamente priva seus eleitos de compaixão para que melhor se satisfaçam com o tormento dos pecadores.

Muitas vezes, condena rigorosamente nos outros aquilo que ele mesmo já praticou outrora. Cobra dos demais o severo cumprimento de uma "Lei" que ele mesmo transgredia. Enxerga o argueiro no olho do irmão e não apenas ignora, mas se orgulha da trave com que cobre seus próprios olhos. Fala em Amor, transpirando Ódio.

No fundo, o que lhe vale é o princípio nada cristão: "aos amigos tudo, aos inimigos a Lei". 

Se enxerga como Estêvão, mas age como Saulo.

A tal cristão, em sua zelosamente cultivada cegueira, resta apenas a esperança de, algum dia, realmente ingressar no caminho de Damasco...

Mão que apedreja.

Sobre Moro, Bolsonaro e o vídeo da reunião ministerial

Ninguém, em sã consciência, esperava uma declaração explícita de Bolsonaro falando com todas as letras que queria interferir na PF para proteger os filhos de investigações - seria ingenuidade. 

Todavia, o vídeo serve como evidência circunstancial, a compor o conjunto probatório, como mais uma pecinha do quebra-cabeças, entre outras. 

Do ponto de vista processual, o vídeo é importante para que Bolsonaro esclareça, depondo em juízo, o que quis dizer. Lembrando que ele será interrogado tanto pelo MP quanto pelos advogados de Moro - e tenho certeza de que os advogados de Moro vão jogar duro. 

Uma coisa é falar com jornalista e militante, outra coisa é prestar depoimento - Lula sentiu na pele essa diferença. O próprio Moro não aguentou a pressão quando foi convidado a depor sobre a "Vaza-Jato" na Câmara dos Deputados. Se os advogados de Moro trabalharem direitinho, conseguirão esfolar Bolsonaro. 

Ainda há muita tinta para correr nesse inquérito. A ver.


Os três "Brasis"

Grosseiramente, vejo hoje o Brasil dividido entre três grupos. 

Há os bolsonaristas e lulistas, completamente alucinados e delirantes, embriagados por uma mistura de fanatismo, cinismo, comodismo e narcisismo grupal. 

Esmagada entre essas massas fanatizadas e demenciadas, uma estreita minoria de pessoas (minimamente) sensatas, que tentam pensar pela própria cabeça e manter alguma sanidade em meio a tanta demência. E mesmo entre os sensatos há quem flerte com uma ou outra insensatez. 

Faço ainda a ressalva de que, embora se alimentem mutuamente, o fanatismo bolsonarista é muito mais perigoso que o lulista. 

Mesmo em seus piores momentos a militância petista respeita (embora por vezes tensione) os limites do jogo democrático e republicano. A militância bolsonarista, por outro lado, ignora ou despreza esses limites e a ala mais fanática sonha simplesmente com a própria destruição da ordem constitucional. 

Estamos na corda bamba, pulando com um pé só, tentando equilibrar um ovo de avestruz numa colher de café apertada entre os dentes - e não há rede de proteção embaixo...


Povos indígenas, descaso crônico e pandemia

Reflexão da antopóloga Maria Luísa Lucas, que trabalha com a etnia Bora, na Colômbia, e acaba de perder uma amiga indígena na atual pandemia. A reflexão não é pertinente apenas ao contexto colombiano; define bem a situação das populações indígenas em toda parte.

Além das ajudas emergenciais, uma reflexão é necessária.

Essas pessoas não estão morrendo de Covid, elas estão morrendo de anos e anos de falta de assistência de saúde básica. E isso em vários níveis.

Primeiro se vêem obrigadas a viver na cidade, onde não tem a mesma segurança alimentar da aldeia. Não têm trabalho fixo (boa parte dos indígenas em Leticia vive de vender coisas na rua ou como diaristas, pedreiros, etc.).

Têm um sistema de saúde público privatizado nas tais EPS que faz com que as pessoas tenham um acesso muito heterogêneo a coisas básicas como exames e tratamento de diabetes, hipertensão, obesidade, alcoolismo (cada vez mais comum, sem a segurança alimentar)...

E no fim, quando contraem a doença, morrem por não ter leito de hospital, médico, respirador... O mais triste é isso.

É o terceiro indígena que conhecia pessoalmente que morre não só porque a doença é grave, mas principalmente porque não teve assistência médica.

A História não se repete; mas rima...


domingo, 24 de maio de 2020

Brasil - Chega de palhaçada

Eu teria muitos comentários a fazer sobre os acontecimentos do Grande Circo Brasil na última semana. Mas não vou.

"O Brasil não é um país sério" - e ando farto dessa palhaçada.

Há um momento em que o cidadão sensato simplesmente cansa de tanta gente grotesca, com sua grosseria, boçalidade e baixaria.

Há um limite para a paciência.

Por hoje, prefiro estudar sobre os petróglifos do Alto Rio Negro. Antes dedicar minha atenção à arte gravada na pedra que a essas toscas garatujas que, com sorte, as marés do tempo hão de apagar da areia.

Deixo aos palhaços suas palhaçadas. Que riam, se graça houver. A vida é curta demais para se consumir discutindo tolices e eu não paguei para entrar nesse circo.

Ao menos por hoje quero paz.


quarta-feira, 20 de maio de 2020

Gradientes primatas

"O problema é que continuamos presumindo que há um ponto em que nos tornamos humanos. Isso é tão improvável quanto haver um comprimento de onda preciso em que o espectro de cores passa do laranja ao vermelho. A típica proposição de como isso aconteceu é aquela de uma repentina inovação mental - uma centelha milagrosa - que nos fez radicalmente diferentes. Mas se aprendemos algo de mais de 50 anos de pesquisa com chimpanzés e outros animais inteligentes é que o muro entre cognição humana e animal é como um queijo suíço. Excetuando nossa capacidade linguística, nenhuma reivindicação de singularidade sobreviveu sem modificações por mais de uma década. Mencione alguma - uso de ferramentas, fabricação de ferramentas, cultura, partilha de alimentos, teoria da mente, planejamento, empatia, raciocínio inferencial - tudo isso foi observado em primatas silvestres ou, melhor ainda, muitas dessas capacidades foram demonstradas em experimentos cuidadosamente controlados".
Frans de Waal

Conspiração pela ignorância

A ideia de "estudo por estudo", "conhecimento por conhecimento" não vinga no Brasil.

É bem aquele "pragmatismo pedestre" que Sérgio Buarque de Holanda tanto criticava no ethos lusitano. Existe uma piada francesa muito eloquente: "Qual é o maior zoológico da Espanha? Portugal". Sad, but almost true. Saramago tinha alguma razão ao falar em sua "jangada de pedra".

O fato de que outras línguas europeias já tinham dicionários e gramáticas muito bem estruturados no século XV e a língua portuguesa só teve seu primeiro "Vocabulário" (não dicionário) publicado no XVIII por um filho de franceses diz muito sobre nossas raízes. Da mesma maneira, a reforma universitária de Pombal já era obsoleta quando foi realizada. Sempre sob as bênçãos da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e do mais que infame Tribunal do Santo Ofício.

No fundo, é o tal "Arcaísmo como Projeto" de que falam João Fragoso e Manolo Florentino num estudo clássico sobre a economia colonial. Em quase todos os aspectos, da educação à ciência, passando pela economia, por tudo, para o bem e para o mal, somos dignos herdeiros da brava gente lusitana, com sua estreiteza de vistas e horizontes - da Lisboa de Eça de Queiroz ao Rio de Lima Barreto, passando pelos sertões de Euclides da Cunha.

Ao Brasil cabem as honras duvidosas de ter sido o maior canavial do mundo, o maior traficante negreiro, a maior mina de ouro, o maior cafezal, o maior seringal, o maior pasto... Êxitos e "êxitos" sempre efêmeros que decantam laboriosamente nossa posição na retaguarda planetária. Agora, ao que tudo indica, somos sérios candidatos a vencer o campeonato pandêmico. É provavelmente por escárnio que nossa bandeira declama ao mundo "Ordem e Progresso" - e até esse pífio slogan  importamos da mais obtusa intelectualidade francesa.

Às vezes parece que somos vítimas de uma multissecular conspiração pela ignorância...

Capa do excelente, embora limitado, "Vocabulário" de Rafael Bluteau.

A NASA realmente descobriu um "universo paralelo"?!

Nos últimos dias viralizou a notícia de que o físico Peter Gorham, da Universidade do Havaí, teria descoberto evidências da existência  de um "universo paralelo" através do experimento ANITA (Antarctic Impulsive Transient Antenna), conduzido na Antártida empregando um balão com equipamentos de radioastronomia.

O assunto vem sendo veiculado em matérias mal redigidas, confusas e sensacionalistas, típicas de jornalismo "científico". Fui pesquisar melhor sobre o assunto, inclusive no site da própria universidade.

Pelo que pude entender e inferir, como leigo curioso, na verdade teria algo a ver com o Teorema de Göddel (que vem recebendo tímidas e ambíguas corroborações empíricas desde os anos 90) - basicamente supondo que o que convencionamos chamar "tempo" seria reversível para partículas subatômicas (como um fenômeno natural e frequente, acontecendo o tempo inteiro).

A notícia parece remeter também a uma discussão recente no campo da cosmologia. A astrofísica sempre trabalhou com a premissa de que o universo seria homogêneo e isotrópico, mas hipóteses e dados recentes sugerem que não só essa premissa é arbitrária como é possível, quiçá provável, que o universo seja heterogêneo e anisotrópico e que a física tal qual a conhecemos nesse cantinho do cosmos talvez não se aplique a todo o universo observável - com muita ênfase na complexa noção de "universo observável", que remete tanto às capacidades quanto às limitações das tecnologias de pesquisa atualmente disponíveis.

Alguns desses paradoxos supostamente obrigariam a uma profunda revisão do corrente modelo-padrão da física e dos dados empíricos coletados ao longo do século XX. O "cenário Big Bang", por sinal, está em vias de cair. Em suma, estamos (ou talvez não) às portas de uma nova revolução copernicana - o que é fascinante.

As menções a "universos paralelos" só figuram na imprensa leiga, remetendo sempre a uma breve e confusa reportagem de 8 de abril do magazine New Scientist (semelhante à brasileira Superinteressante). Ao que tudo indica, o assunto começou a reverberar do nada na imprensa indiana nos últimos dias e viralizou mundo afora.

De concreto, só há sinais de rádio inesperados, que podem ser indícios de um tipo de partículas nunca detectado antes - o que já é, por si, suficientemente instigante. Daí a universos paralelos vai um abismo.

Me lembra o próprio Edwin Hubble, que nunca endossou a teoria do Big Bang, embora originalmente fundamentada em observações dele. Cauteloso, ele sempre enfatizou: "a única coisa que detectei foram desvios para o vermelho".

A pesquisa científica de ponta hoje envolve grandes projetos, com experimentos caríssimos, grandes equipes transdisciplinares e, por vezes, muitos anos de análise meticulosa de dados coletados em um único experimento - mas para o grande público ainda prevalece a imagem do gênio solitário gritando "Eureka!" em seu laboratório

A grande verdade é que somos formiguinhas tentando copreender coisas que nos ultrapassam imensamente.

Para piorar, temos uma educação científica pífia, com pouca ênfase nos complexos aspectos metodológicos da pesquisa, um público ávido por sensacionalismo e mal preparado para digerir esse tipo de informação e uma cobertura jornalística igualmente rasteira.

Não espanta que em plena pandemia se veja gente tão mal informada, acreditando em mil boatos e panaceias.

Entre outras coisas, o COVID-19 veio nos lembrar que Educação científica e jornalismo de qualidade não são luxos, mas questões, literalmente, de vida ou morte.

Finalizo citando a milenar sabedoria do Tao Te Ching:

"Quanto mais falamos no universo,
Menos o compreendemos.
O melhor é auscultá-lo em silêncio".

Ou ainda, como teria dito Sócrates:

"Tudo que sei é que nada sei".

Balão empregado no experimento ANITA.

domingo, 17 de maio de 2020

Brazil - Lost in translation...

Faço muita tradução em caráter informal. 

Há alguns anos participei de um processo seletivo para tradutor em uma editora brasileira. Deram um capítulo de romance em inglês australiano ultracoloquial para traduzir em 24 horas - um verdadeiro tour de force. 

Acabei não sendo selecionado e mandei um e-mail para a responsável pelo processo seletivo pedindo um feedback. Ela respondeu que, na verdade, minha tradução era a melhor das enviadas, mas "sofisticada demais para o público brasileiro"...

Uma anedota que diz muito sobre nosso mercado editorial e sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. 

Fica, no entanto, o dilema: como formar um público "sofisticado" sem lhe oferecer leituras "sofisticadas"?

A Educação de um povo não se dá apenas na escola ou na universidade, mas também nas livrarias, bibliotecas, museus, parques, teatros, rádio,  televisão, imprensa...

A falência da Educação brasileira não é apenas uma questão de estrutura escolar e universitária; é um problema sociocultural muito mais vasto, cujas dimensões são assombrosas.

Educar no Brasil é como cultivar tulipas no deserto...

sábado, 16 de maio de 2020

"Por que não serei candidato a prefeito do Rio"

A versão de Freixo, segundo a newsletter do deputado federal, que assino; cada um interprete como queira:

Olá,
Tudo bem?

Depois das duas catástrofes que se abateram sobre o Brasil, Bolsonaro e a pandemia, não podemos pensar como pensávamos antes, nem agir como agíamos antes.

Estamos enfrentando um dos maiores ataques da nossa história à democracia e à vida dos brasileiros. Bolsonaro se comporta como um aspirante a ditador que usa ilegalmente o cargo mais importante do País para alimentar uma guerra à democracia. Seu projeto de poder autoritário está retirando direitos e destruindo a dignidade do povo brasileiro com uma voracidade inédita.

Diante destes ataques, agravados pela ação genocida do presidente em meio à pandemia, a urgência da luta em defesa da vida e da democracia se impõe como um dever ante a realização dos nossos projetos pessoais. Por isso, decido sacrificar o meu desejo de disputar novamente a prefeitura do Rio de Janeiro para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo.

Não é fácil abrir mão da minha candidatura, tanto do ponto de vista pessoal quanto político. Mas a escolha se faz necessária para que, em vez de cuidar exclusivamente da minha campanha, eu possa trabalhar pela formação dessa aliança nas eleições municipais deste ano, tanto no Rio de Janeiro, cidade tão desigual e assolada pelo crime organizado e pela associação entre milícias e política, quanto em outras capitais do país. Assumo esse compromisso porque entendo que o pleito de 2020 será um passo decisivo para criarmos pontes, acumularmos forças, amadurecermos um novo projeto de Brasil e derrotarmos o bolsonarismo em 2022.

Além de me dedicar a essa articulação nacional em prol da unidade do campo democrático antifascista, seguirei enfrentando as duras, porém necessárias, batalhas que estamos travando no Congresso Nacional, onde obtivemos vitórias relevantes. Nós aprovamos a renda básica emergencial, garantindo R$ 600 para socorrer os brasileiros na crise quando o governo queria pagar apenas R$ 200; barramos a destruição da legislação que impede o acesso indiscriminado de armas e munições e derrotamos a excludente de ilicitude.

Foram conquistas importantes, porém insuficientes, na Câmara dos Deputados contra a agenda autoritária e violenta do governo Bolsonaro. Diante disso, é fundamental a minha permanência nesta trincheira de lutas que se torna ainda mais necessária diante das consequências da aliança entre o centrão e o governo, que passará a ter uma tropa de choque para seu projeto autoritário e genocida.

Não estamos diante de uma eleição como as outras. O desafio diante de nós é a própria sobrevivência das pessoas e da democracia. Não faz nenhum sentido, nesse momento dramático, pensar apenas em nossos projetos pessoais, em nossos partidos, valorizando nossas divergências. Quem for anti-fascista, hoje, é meu irmão, minha irmã. Chegou a hora de termos grandeza: ou demonstramos desprendimento e capacidade de diálogo, já, ou mereceremos o pior julgamento da história, por não nos unirmos para impedir a destruição da democracia e da vida do povo brasileiro.

Abraços,
Marcelo Freixo

Profil de l'historien chez lui à 36 ans

Fotografia digital feita pela esposa durante a quarentena pandêmica (2020).

Que diria Lavater?