Newsletter

Sua assinatura não pôde ser validada.
Você fez sua assinatura com sucesso.

Oficina de Clio - Newsletter

Inscreva-se na newsletter para receber em seu e-mail as novidades da Oficina de Clio!

Nous utilisons Sendinblue en tant que plateforme marketing. En soumettant ce formulaire, vous reconnaissez que les informations que vous allez fournir seront transmises à Sendinblue en sa qualité de processeur de données; et ce conformément à ses conditions générales d'utilisation.

Mostrando postagens com marcador Academia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Academia. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de julho de 2023

Como detectar uma editora picareta?

Há por aí uma infinidade de editoras caça-níquel cuja principal atividade é cooptar "novos autores" para publicar em "parceria", dividindo os custos editoriais. Com raras exceções, é uma tremenda furada - fuja desse tipo de editora!

Nos países de língua inglesa editoras assim são adequadamente qualificadas como "vanity publishers" ou "vanity press", dispostas a acariciar a vaidade de autores novatos em troca de dinheiro fácil, com poucos riscoa. Publicam sem uma seleção criteriosa (desde que o autor pague para isso - bem caro, de preferência).

Esse tipo de editora sempre existiu, mas se tornou uma praga com a recente expansão das comunicações digitais, que facilitam tremendamente a busca de autores para depenar.

Há uma maneira extraordinariamente simples para detectar esse tipo de editora predatória: examine atentamente o site da editora. 

Editoras sérias querem, antes de tudo, promover seu catálogo e vender seus livros. Consequentemente, o site de uma editora assim se ocupa principalmente com a exposição de suas obras, visando converter o visitante em leitor; geralmente há pouco espaço dedicado à busca de novos autores. É comum que haja algum link intitulado "Publique conosco", mas geralmente é discreto (até difícil de achar, em alguns casos) e costuma remeter a uma página bastante sucinta expondo os padrões para submissão de originais e um contato, normalmente por e-mail.

O site de uma editora caça-níquel, por outro lado, quase sempre é voltado para atrair autores e a essa função dedica a maior parte das páginas e links. Como vender livros não é o objetivo principal desse tipo de editora há pouco destaque para o catálogo, que via de regra não é apresentado de modo visualmente atraente; também não há muitos detalhes das obras, dificultando a atração de potenciais leitores. Por outro lado, o site de uma editora picareta quase sempre é repleto de promessas de visibilidade para "novos talentos", quando não de sucesso. 

Editoras sérias vendem livros e procuram leitores; editoras predatórias vendem promessas e procuram autores - seus respectivos sites normalmente deixam evidentes essas diferenças de propósito. Fique atento!

https://blog.reedsy.com/guide/publishing-companies-to-avoid/vanity-press/


domingo, 31 de julho de 2022

Da genealogia do pensamento

Dedicado aos amigos Tiago Ribeiro e Vinicius Borges, interlocutores de parte dessas inquietações


O exercício profundo da autocrítica é algo trabalhoso. 


Em primeiro lugar, devo conhecer minhas próprias ideias, o modo como elas se articulam e, tarefa sempre complicada, identificar suas contradições e paradoxos. 


Em outro nível, devo buscar os contextos, épocas e lugares em que essas ideias foram engendradas, e examinar as distâncias entre a realidade que vivo e as realidades em que as ideias que ora me habitam foram pensadas. 


Por fim, e talvez mais complicado, preciso entender de que maneira essas ideias chegaram a mim, através de que caminhos e descaminhos elas palmilharam a distância entre o presente que vivo e o passado em que emergiram, em um longo processo em que foram interpretadas, filtradas, traduzidas e modificadas por uma miríade de intermediários. 


Tais são as condições mediante as quais preciso examinar a mim mesmo, em sentido amplo e profundo. Através dessas operações intelectuais posso, talvez, chegar a superar as contradições e paradoxos que percebo em mim...

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Erros interessantes

Pessoas inteligentes cometem erros interessantes. Alguma criatividade, coragem e grandeza de alma são necessários para cometer erros novos, que não sejam rotineiros e triviais como a maioria daqueles que cometemos, mais por acomodação e covardia, que por qualquer outra razão. Há algo de mesquinho nesse apego aos erros com que já nos acostumamos e nos sentimos confortáveis - tão confortáveis a ponto de tomarmos tais erros por acertos ou mesmo como parte da ordem natural das coisas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Intelectualidade, crítica e dialética

O exercício do intelectual é a crítica. Custe o que custar, doa a quem doer. 

Sem crítica, não há diálogo, ficamos nos monólogos e solilóquios, falando para nossos umbigos. Nesse sentido sou voltairiano à outrance: posso discordar completamente da sua opinião, mas lutarei até a morte pelo seu direito de manifesta-la (e até farei algum esforço para ouvi-la, entende-la e responder educadamente). 

Infelizmente, a cultura da "lacração", do "cancelamento" e similares caminha no sentido oposto. Recorre à estética vitoriana do vexame para impor formas de censura tácita. Enfim, é o tipo de manifestação que não me agrada, nem me interessa
.
Por sinal, ponderar honestamente sobre as críticas dos "inimigos" é um ótimo exercício de autocrítica. Muitas vezes o "inimigo" sinaliza defeitos que o amigo prefere ocultar. Às vezes o inimigo pode ter alguma dose de razão. 

Como dizia Sócrates, "A verdade não está COM os homens, está ENTRE os homens". É no espaço relacional e dialógico do "entre" que a dialética se faz possível.



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Intelectuais, Acadêmicos e Diplomados

Eu faria a seguinte distinção: existem "intelectuais" (raros), "acadêmicos" (numerosos) e "diplomados" (pessoas com um diploma universitário embaixo do braço - uma multidão). 

O "diplomado" é o sujeito que fez graduação, mestrado ou até doutorado, arrumou um emprego, parou de estudar, se estagnou e vive fazendo militância em redes sociais. 

O "acadêmico" é aquele sujeito bitolado que não larga o osso, segue pesquisando, vira um especialista em alguma irrelevância qualquer, cumpre religiosamente a burocracia universitária, publica um monte de coisas absolutamente banais escritas dentro dos padrões de decoro acadêmico, cita os autores da moda e segue o rebanho conforme as conveniências do momento. Como diria o Nobel de Física Richard Feynman, é o tipo de pessoa que trata a academia como um clubinho e se ocupa sobretudo de mesquinharias e futricas variadas.

O "intelectual" é alguém que pensa com a própria cabeça, pesquisa, lê e estuda com muito afinco, mantém os horizontes abertos, não vira um especialista bitolado, publica pouco, mas com qualidade, não vive atrás de modismos e conveniências, exerce constante crítica e autocrítica - e nem precisa necessariamente ter algum diploma.





terça-feira, 23 de junho de 2020

"It is farofa"

Certa vez tive a honra de explicar a um acadêmico estrangeiro como funcionava um self-service a quilo e explicar o que era farofa, num colóquio internacional anterior ao incêndio do Museu Nacional.

"And you can pick ANYTHING and pay just by the weight?".

"Hmmm... Yes".

"And what is that?"

"It is 'farofa'. Some kind of flour made of manioc".

"Wow! Is it good?"

"Well, go and taste yourself".

Ele italiano, eu brasileiro, em inglês respectivamente macarrônico e farofônico.

Que saudades daquele Museu, e daquele restaurante, que parecia ruim, mas era bom...



domingo, 21 de junho de 2020

Babel Carioca - Reflexão uerjiana

Dedicado à amiga Ana Delmas

A UERJ, como um todo, é uma comunidade universitária fascinante. Uma verdadeira Torre de Babel. Acho que é um exemplo notável do como a arquitetura influencia nossas interações sociais. E a arquitetura da UERJ favorece todo tipo de interação bizarra e pitoresca. Cada andar daquele prédio é um microcosmos e o modo como esses microcosmos interagem é algo fascinante. 

O próprio fato do edifico ter abrigado a "Favela do Esqueleto" já é digno de nota. Que outra universidade no mundo já foi uma favela? A favela transformada em universidade "na marra" (e botando os favelados para correr) é quase alegórico.

Sem mencionar o conjunto urbano UERJ-Mangueira-Maracanã. Esse triângulo universidade-favela-estádio, mediado por Radial Oeste, ferrovia e "metrovia" é digno de nota. Tudo isso pertinho da Quinta da Boa-Vista, antiga residência imperial, diga-se de passagem.

Acho que a UERJ é o mais próximo que existe no mundo real de uma paisagem escheriana.

Dava uma tese.




quinta-feira, 23 de abril de 2020

Breves considerações sobre Slavoj Zisek

Posso estar redondamente enganado, mas considero Zisek uma das maiores fraudes intelectuais do século XXI - simplesmente não consigo levar esse sujeito a sério.

Acabo de saber que ele já está lançando um livro sobre o COVID-19, o colapso capitalista etc. Rápido no gatilho, como sempre; eis um comunista que sabe faturar no mundo capitalista. E, em terras btasileiras, a Boitempo junto com ele. Um autor oportunista com uma editora igualmente oportunista - parceria perfeita. Por sinal, a julgar pelo preço dos livros, a Boitempo me parece curiosamente desinteressada em ser lida pelo "proletariado". Sequer consigo imaginar um trabalhador que viva de salário mínimo comprando um livro da Boitempo.

A bem dizer, acho que uma boa HQ de Alan Moore vale uns dez ensaios de Zisek - e nem precisa ser um clássico como V de Vingança; pode até ser um daqueles Contos do Robocão, do comecinho da carreira.

Para mim, Zisek já começa perdendo por ser lacaniano; não dá para levar Lacan a sério. Até Lévi-Strauss, que era amigo pessoal de Lacan dizia que não o lia, maroto como sempre, por se confessar "incapaz de entender a obra de Lacan". Além do mais, nunca entendi muito bem a necessidade de evocar a psicanálise lacaniana para ornamentar as platitudes zisekianas. 

Pensando melhor, é realmente necessário: platitudes intelectuais só transmitem alguma aparência de relevância quando devidamente ornamentadas, para seduzir aquele tipo de leitor que se encanta por qualquer coisa que lhe soe hermética - exatamente o tipo de pessoa que gosta de citar Wittgenstein ou Lacan a torto e a direito. 

Enfim, vejo Zisek quase como uma caricatura do "intelectual engajado". Muita verborragia, pouco conteúdo, repertório de ideias quase monomaníaco, sempre a mesma lenga-lenga. Uma versão melhorada de Marcia Tiburi.

Há que se reconhecer, no entanto, o mérito de Zisek em se tornar o esloveno mais famoso do mundo; só espero, sinceramente, para bem de seu povo, que a Eslovênia tenha gente mais interessante que ele. A vizinha Sérvia ao menos produziu Petkovic, futebolista com ares de pensador, sempre capaz de deixar desconcertados os jornalistas esportivos brasileiros...


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Arte e Método

Os grandes artistas alcançam pela intuição aquilo que os intelectuais só conquistam ao preço de laborioso e metódico estudo. Em seu êxtase, o poeta sonha plenamente com aquilo que o estudioso apenas vislumbra. Guiado pelas musas, num relance o artista contempla o mundo inteiro refletido nas profundezas de sua alma.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Engenharia ou Filosofia?


Esse povo tem um pensamento binário de uma pobreza pavorosa. Como se só fosse possível investir em uma coisa OU na outra... Santa Falácia, Batman! Se o camarada que produziu esse meme tivesse a mínima noção de Filosofia, perceberia bem quão falaciosa é a argumentação sugerida. 

De resto, de que adianta um monte de edificações luxuosas, se as mentes de seus ocupantes está mal mobiliada? Como diria Bergson, pouco importa a qualidade do chapéu, se não há grande coisa DENTRO da cabeça... 

O ser humano é uma criatura complexa, com necessidades igualmente complexas. A tecnologia é imprescindível para os cuidados do corpo, mas as humanidades são essenciais para o cultivo do espírito. Como ponderava Rabelais, "ciência sem consciência é apenas ruína da alma"...

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Alquimia Política

Lendo aqui um texto acadêmico dos anos 90 com viés nitidamente petista percebo quanto mudaram: a escrita acadêmica; o PT; o discurso petista; not least, o próprio discurso acadêmico de viés petista. Tudo se transforma.


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Leandro Narloch, os escravos e os historiadores

Outro dia me dei ao trabalho de dar uma olhada no tal livro sobre escravos do tal Leandro Narloch.

Confesso que achei menos pior que os tais "guias politicamente incorretos" do mesmo autor. Não vi deslizes teóricos ou metodológicos excessivamente graves para um trabalho de divulgação. Discordo do posicionamento do autor acerca do tema e acho as interpretações dele forçadas, mas me parece um problema mais da ordem dos juízos de valor que da análise historiográfica propriamente dita.

Não me pareceu uma obra fraudulenta ou de má-fé. Há forçações de barra comparáveis em vários autores de esquerda. O autor já foi muito menos criticado por coisa muito pior produzida anteriormente. E talvez seja exatamente esse o problema: a obra incomoda mais por ser menos grosseira que as anteriores.

Justamente por não ser de todo ruim, o livro merecia críticas menos superficiais da parte dos especialistas. Muitas das críticas à obra que li ficam mais no plano do argumento de autoridade acadêmica que da refutação válida ao trabalho propriamente dito. Algumas parecem reproduções umas das outras, refletindo mais o eco dos corredores universitários que respondendo ao discurso do próprio autor. Fico com a impressão de que muita gente criticou sem sequer ler as orelhas do livro.

Acho que o historiador acadêmico/universitário precisa sair de sua zona de conforto, se quiser realmente se fazer ouvir no debate público. Não adianta simplesmente agarrar o diploma para bater na obra - não é assim que se conquista credibilidade junto ao público, especialmente quando falamos a partir de um campo que não goza de muito reconhecimento ou prestígio junto ao grande público, como é o caso das ciências humanas no Brasil.

Às vezes, a crítica superficial e precipitada pode ser mais daninha que o silêncio. Não adianta achar que nos basta de vez em quando descer de nossos páramos acadêmicos e trovejar olimpicamente para um público que acha que tudo em ciências humanas é apenas "questão de opinião". Tal postura só tende a confirmar e consolidar esse preconceito contra as ciências humanas.

Tudo isso me lembra certa ocasião em que participei de um evento de divulgação. Havia ali um público leigo interessado, que visivelmente acabara de sair do trabalho e, em lugar de ir para casa ou para a happy hour, resolveu ir assistir uma mesa redonda sobre História. Na minha opinião, isso deveria ser motivo de júbilo para o intelectual. Findo o evento, meu companheiro de mesa me confessa, entediado: "É por isso que não gosto desse tipo de evento - as perguntas são muito superficiais". Claro que sim! Que tipo de pergunta ele esperava de um público leigo?! Na ocasião, em minha insignificância de novato, me limitei a responder com um sorriso - pouco irônico, temo dizer.

Enquanto o historiador acadêmico continuar a menosprezar "esse tipo de evento" ou a responder preguiçosamente a "esse tipo de livro", nossa voz continuará a ser apenas um tímido eco pós-graduado perante os moucos ouvidos de uma sociedade que mal sabe ler e escrever...


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sobre intelectuais e contracheques

Como diz Terry Eagleton, alguns pós-modernos adoram "dançar à beira do caos", mas não admitiriam que seus gerentes bancários sequer sonhassem com isso. A verdade é que muitos intelectuais, no mundo inteiro, só estão refletindo sobre seus contracheques. Todo mundo se preocupa com isso, é bem verdade; o problema é certa nonchalance acadêmica que finge ignorar a mera existência de contracheques...!

Sobre clubes, igrejas e universidades

Richard Feynman, Nobel de Física, fazia uma comparação curiosa: certos círculos acadêmicos se comportam mais como um grêmio estudantil cuja principal preocupação é definir QUEM é digno de entrar no clubinho, e não exatamente O QUE se faz dentro do clubinho...

Alguns acadêmicos estão genuinamente interessados na reflexão livre. Outros, querem fazer "escolas"; muitos querem fundar "igrejas"... Felizmente, em minha trajetória, tenho encontrado muitos intelectuais comprometidos com a discussão aberta e profunda. Acho que o segredo é saber reconhecer essas pessoas onde elas estão, fortalecer os vínculos com elas e deixar os "escolásticos" de plantão discutindo o sexo dos anjos, em sua rigidez hierática e revolucionários dogmas, eternamente celebrando iniciáticos rituais e enunciando verdades imaculadamente concebidas.

Pouco importa: acima de todos nós, tal como sucedia aos impérios d'antanho, o Sol nunca se põe sobre a Plataforma Lattes...

A academia e suas estranhas métricas

E aí eu me pergunto: alguém consegue desenvolver um BOM artigo acadêmico com reflexão INÉDITA em menos de 10 mil palavras?!

Vale realmente a pena investir dinheiro público dessa maneira...?

Não seria melhor reduzir a quantidade de artigos por número do periódico, otimizando assim o uso do espaço (e do orçamento)?

É preferível publicar 20 artigos amputados ou 10 artigos satisfatoriamente desenvolvidos?

Queremos promover reflexão original ou apenas acumular redundâncias?

Creio que seríamos capazes de produzir conhecimento de modo mais profundo eficaz se não operássemos dentro de um sistema onde a quantidade quase sempre leva a melhor sobre a qualidade. Aliás, as duas coisas se complementam, às vezes em proporção inversa: MENOS quantidade, em muitas ocasiões, pode estimular MAIS qualidade - acho que é precisamente a questão aqui.

Há alguns anos li um texto muito interessante do historiador britânico Keith Thomas sobre essa problemática, que penso ser mundial. No texto em questão, Thomas pontuava que algumas obras seminais da historiografia britânica produzidas 50 ou 60 anos atrás seriam inviáveis dentro dos padrões de produção acadêmica atuais. Certamente estamos produzindo muito conhecimento, com variáveis níveis de qualidade, mas fico me perguntando sobre o conhecimento que NÃO estamos produzindo, pressionados e condicionados por essas políticas públicas arbitrárias. 

"Qualis ou 'quantis'?!" - indagaria o Mussunzis... Cacildis!

Qual é a métrica que equaciona esses problemas?