Manter-se fiel a princípios e convicções é extraordinariamente difícil neste mundo onde as multidões buscam o conforto das conveniências e o inebriante ópio das verdades fáceis. A pureza é uma fantasia malsã, mas o cinismo é um veneno lento e impiedoso; encontrar a justa medida e o caminho do meio é como buscar estrelas em noite de tempestade. Espada e bainha são feitas uma para a outra; a sabedoria consiste em escolher o momento certo para desembainhar - nem cedo, nem tarde. Mas quem saberá reconhecer tal momento? O prudente morre em sua hesitação e o tolo em sua precipitação. Todos morreremos. Corajoso é apenas aquele que, apreciandoo verdadeiro valor da vida, não busca nem evita a morte. Só se vive verdadeiramente quando espada e bainha se movimentam em perfeita sincronia, sem atraso ou afobação. Ao homem sincero não apavoram cruz, cicuta, exílio ou ostracismo. Aquele que vive temendo a morte já morreu e ainda não sabe.
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Gandhi e a Democracia nos EUA
| Exemplo de segregação racial institucionalizada no sul dos EUA através das chamadas "Leis Jim Crow". |
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
O fascínio de Gandhi
"Mesmo que minha crença seja uma ilusão agradável, será admitido que é uma ilusão fascinante".
Mohandas K. Gandhi
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Nehru e o "Socialismo à indiana"
Trecho de entrevista concedida pelo presidente da Índia Jawaharlal Nehru (um dos colaboradores mais próximos de Gandhi) em 1962
"Não somos socialistas doutrinários. Queremos simplesmente conduzir esse país à prosperidade a longo prazo e, mais imediatamente, elevar o nível de vida [da população] e reduzir as disparidades sociais. Para isso, agimos sobre a economia, mas deixando bastante espaço à empresa privada: uma parte da grande indústria, toda a pequena e média, e toda a agricultura escapam ao setor público. No campo, encorajamos as cooperativas, mas não temos nenhuma intenção de chegar ao coletivismo. Ainda uma vez, não somos socialistas doutrinários. Avançamos passo a passo, nos esforçamos para resolver problemas pacificamente. Não se esqueça, por exemplo, que, se destronamos os marajás, lhes deixamos seus palácios, suas imunidades, seus privilégios e lhes dotamos até a morte de uma lista civil muitas vezes considerável. Note-se, buscamos em toda ocasião seguir a via democrática".
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| Nehru ao lado de Gandhi |
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Gandhi era um misógino pervertido?
Curiosamente, a maior parte dos (supostos) "podres" de Gandhi foi exposta por ele mesmo em seus escritos públicos. De resto, muitas atitudes dele podem soar hipócritas para nós, ocidentais, mas possuem um contexto na mística Brahmacharya, que ele seguia. Existem muitos aspectos complexos, contraditórios e paradoxais na vida de Gandhi, e ele mesmo nunca fez questão de escondê-los, mas esses aspectos volta e meia são usados em polêmicas sensacionalistas e maniqueístas cujos objetivos são mais de difamar sua imagem e seus pensamentos que de compreender o homem Gandhi em toda sua fascinante complexidade. Estudo profundamente a trajetória de Gandhi há quase 20 anos e já li um bocado sobre o assunto; o presente texto é uma tentativa de alinhavar uma análise crítica, mas generosa, sobre o personagem.
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| Gandhi em um de seus inúmeros jejuns político-religiosos, com que tantas vezes desafiou as autoridades britânicas ou apaziguou os ânimos dos indianos excessivamente revoltados. |
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
imperadores, Povos e Poetas
Existiram Sócrates, Jesus, Gandhi... Houve Bonaparte e houve bonaparte. As nuvens bloqueiam os Astros, mas não podem destrui-los. trump, temer, pezão, crivella... apenas nuvens. O Povo é um Vento que sempre volta a soprar. O Povo, dizia Victor Hugo, é um Oceano cujas marés, cedo ou tarde, afogam todos os tiranos.
napoleão iii, "o pequeno" foi eleito em 1848 e cometeu seu golpe de Estado em 1851, mas foi escorraçado em 1870. O imperador sob sua coroa tremia ante a voz do Exilado sobre seu Rochedo.
Amanhã haverá amanhã - e depois de amanhã, também: enquanto houver Povo, enquanto houver Profeta, enquanto houver Poeta, enquanto houver Pranto, enquanto houver Riso, enquanto houver Coração... Enquanto houver pesares, haverá Apesares... Enquanto houver nós, haverá Nós - e desataremos...
A Semente desce à Terra para germinar - e enquanto houver Sementes, haverá Flores e aguardaremos os Frutos.
Breve diálogo sobre a calamidade fluminense
Eu: Vou pra Copacabana, mas como o Estado ainda não me pagou, pode me deixar no metrô de Maria da Graça.
Taxista: Eita, o pessoal fez a maior confusão lá na ALERJ.
Eu: Pois é. Tá brabo...
Taxista: Não concordo com isso...
Eu: Também sou contra todo tipo de violência...
Taxista: ...pra mim, tinham que quebrar o Palácio Guanabara! O "negócio" todo tá vindo de lá...!
Eu: É... Bem...
CONCLUSÃO: o pessoal quer ver sangue... Os governantes deviam temer 1789, mas o povo devia temer 1793... Estaremos no caminho da Vendeia...?! Sempre preferi Gandhi a Guevara...
domingo, 23 de outubro de 2016
Crivella e Luther King: 2 pastores entre política e religião
O pastor Martin Luther King Jr. nunca escondeu a foto acima. Pelo contrário, ela era um testemunho de sua luta pelo direitos civis e contra o racismo.
Também vale lembrar que Luther King tirou de suas convicções religiosas e princípios éticos a força moral para combater as leis racistas que existiam nos EUA. Luther King nunca usou seu prestígio religioso para lançar candidatura pessoal a cargos públicos, nem para caçar votos para políticos. Luther King representava a religião como força de libertação. Crivella representa a religião como força de dominação. Crivella é pastor e Luther King também era - a semelhança acaba aí: até onde sei, o heróico pastor do Alabama não andava de jatinho.
A maior inspiração de Luther King era o hindu Mahatma Gandhi. Crivella, por outro lado, escreveu que o hinduísmo é coisa do "capeta"... Tolerância religiosa de verdade é apenas mais uma coisa que Crivella desconhece. É fácil botar uma máscara de tolerância para conquistar votos - especialmente quando já se perderam tantas eleições no segundo turno devido a elevados índices de rejeição. A fala de Crivella é mansa como o sibilar da serpente...
domingo, 25 de agosto de 2013
Continuar a greve - riscos e oportunidades
O que ganhamos efetivamente: nada de concreto.
O que perdemos até agora: nada.
O que arriscamos perder futuramente: alguns dias de salário. É tão trágico assim?
Qual é nosso trunfo: os dias que já ficamos (e ficaremos) parados. A SME precisa fechar os 200 dias letivos e sabe que não conseguirá cortando o ponto!
Reitero: não houve vitória. Estamos tão desmoralizados a ponto de achar que o prefeito fazer o MÍNIMO, negociar conosco, já é uma vitória?
Acabar a greve na segunda não é vitória. É derrota, e dos piores tipos: rendição sem luta.
Ninguém nos feriu ainda, e já vamos nos render? Não sacrificamos efetivamente NADA, e já vamos nos render? Nosso medo é tão grande assim?! Nosso egoísmo é tão grande assim?! Nossos ideias são tão superficiais?! Espero que não!
Não há verdadeira vitória sem verdadeiros sacrifícios, sem verdadeiras ansiedades e sem verdadeira coragem.
Como inspiração, esses trechos do filme Gandhi, retratando bastante fielmente a corajosa luta dos indianos por igualdade perante a lei na África do Sul...
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Gandhi ensinando a lidar com as forças opressoras...
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Palavras de Gandhi aos manifestantes do Brasil
"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio".
"Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo".
"O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido".
"Oponho-me à violência pois quando ela parece produzir o bem, tal bem não tem senão resultado transitório, enquanto que o mal produzido é permanente".
(Fonte: Gandhi - O apóstolo da não-violência; Editora Martin Claret)
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Perfil - Gandhi e a cultura ocidental
Ao contrário do que geralmente se acredita, o pensamento ocidental representa parte importantíssima de sua formação. Nesse sentido, convém lembrar que toda sua instrução formal foi de caráter ocidentalizante, tendo mesmo cursado o ensino superior na Inglaterra, onde se formou advogado. Por sinal, o próprio Gandhi se lamentava de seu conhecimento superficial a respeito de alguns ramos da filosofia hinduísta, como a ioga.
Duas influências devem ser particularmente ressaltadas sob esse aspecto. Uma delas é a do escritor russo Léon Tolstói, cuja leitura foi essencial na formação moral do ativista indiano. Para se ter uma ideia, em 1910, quando fundou uma comunidade de caráter utópico na África do Sul, muito antes de sua militância pela independência indiana, Gandhi a batizou como "Quinta Tolstói". De fato, muito de seu pensamento político, social e econômico (outra faceta pouco conhecida do líder) é tributário à leitura do russo. Aliás, segundo Pierre Meile, um de seus biógrafos já era leitor assíduo de Tolstói dez anos antes de sua primeira leitura do Bhagavad-Gita, um dos mais importantes textos da tradição religiosa hinduísta, como se sabe.
Outra leitura essencial em sua formação foi o pensador americano Henry David Thoreau, verdadeiro criador da noção de resistência passiva, conceito essencial da ação de Gandhi ao longo de toda sua vida política, desde as primeiras manifestações contra a obrigatoriedade do registro de indianos na África do Sul até sua longa luta pela independência da Índia. De fato, o consagrado termo Satyagraha ("busca da verdade") foi inicialmente pensado como "tradução" indiana da ideia de resistência passiva. Obviamente o conceito passou por amplos refinamentos posteriores, enriquecido por afluências de matriz hindu; contudo, seu ponto de partida estava em Thoreau.
Apenas a título de curiosidade, cabe apontar que um dos pensadores indianos mais admirados por Gandhi seria justamente o poeta Rabindranath Tagore, que chegou a qualificar como "o Sol da Índia". Também o genial Tagore entreteve profundas relações com a cultura ocidental, tendo feito estudos na Inglaterra e, ainda mais importante, sendo o primeiro escritor não-europeu a ganhar um Nobel de Literatura.
Certamente não se trata de afirmar que o pensamento de Gandhi era mera tradução "hinduizante" de conceitos ocidentais, como já li anos atrás em certo artigo da revista francesa Historia, o que seria banalizar sua situação de hibridismo cultural. Aliás, me parece que outro dos pilares de sua atuação, a noção de Ahimsa ("não-violência"), deve muito mais a seu contato com a cultura oriental, caminhando nos limites do hinduísmo e do budismo. Contudo, é muito instigante pensar sobre o grande alcance das reflexões que Gandhi pôde propor à cultura do século XX, a partir de sua estratégica posição na encruzilhada de diversas tradições culturais.
Talvez seja bastante produtivo pensá-lo como um indiano educado no seio da cultura ocidental e que, justamente por isso, foi capaz de reencontrar e interpretar a cultura indiana, especialmente hinduísta, de modo tão criativo e produtivo, dando origem a um dos movimentos mais inspiradores da história humana.





