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sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Diagnóstico
Você percebe que a educação pública vai mal quando um dos MELHORES alunos de uma turma de oitavo ano escreve "América Centrau".
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Episode V - The Teacher strikes back
Há pouco tempo, numa galáxia não muito distante, ouvi um economista (especialista em educação, portanto) afirmando numa entrevista de rádio que o problema da educação no Brasil hoje é que temos "uma escola do século XIX, professores do século XX e uma garotada do século XXI". Mais uma vez, nossos fracassos educacionais recaem sobre as costas do - adivinham?- professor. Bravo!
Há cerca de um ano li outra entrevista com outro economista que ocupa cargo administrativo numa fundação "sem fins lucrativos" voltada à educação (a qual fatura uma pequena fortuna oferecendo serviços a secretarias estaduais e municipais de educação), que afirmava que o papel da família consiste apenas em manter as crianças bem alimentadas e indo dormir na hora certa, ficando o resto (ou tudo, talvez) sob responsabilidade -tchans!- da escola (e, imagino, dos professores). Bravissimo!
Assim sendo, eu - professor do século XX nesse nosso país do século XVIII - me atrevo a passar uma atividade educativa do século XIX para esses especialistas em educação do século XXI. Duzentas cópias, com letra bonita:
1 -Economista não é especialista em Educação!
2 -Economista não é especialista em Educação!
3 -Economista não é especialista em Educação!
4 -Economista não é especialista em Educação!
5 -Economista não é especialista em Educação!
6 -Economista não é especialista em Educação!
7 -Economista não é especialista em Educação!
8 -Economista não é especialista em Educação!
9 -Economista não é especialista em Educação!
10 -Economista não é especialista em Educação!
11 -Economista não é especialista em Educação!
12 -Economista não é especialista em Educação!
13 -Economista não é especialista em Educação!
14 -Economista não é especialista em Educação!
15 -Economista não é especialista em Educação!
16 -Economista não é especialista em Educação!
17 -Economista não é especialista em Educação!
18 -Economista não é especialista em Educação!
19 -Economista não é especialista em Educação!
20 -Economista não é especialista em Educação!
21 -Economista não é especialista em Educação!
22 -Economista não é especialista em Educação!
23 -Economista não é especialista em Educação!
24 -...
Precisamos continuar...?!
Há cerca de um ano li outra entrevista com outro economista que ocupa cargo administrativo numa fundação "sem fins lucrativos" voltada à educação (a qual fatura uma pequena fortuna oferecendo serviços a secretarias estaduais e municipais de educação), que afirmava que o papel da família consiste apenas em manter as crianças bem alimentadas e indo dormir na hora certa, ficando o resto (ou tudo, talvez) sob responsabilidade -tchans!- da escola (e, imagino, dos professores). Bravissimo!
Assim sendo, eu - professor do século XX nesse nosso país do século XVIII - me atrevo a passar uma atividade educativa do século XIX para esses especialistas em educação do século XXI. Duzentas cópias, com letra bonita:
1 -Economista não é especialista em Educação!
2 -Economista não é especialista em Educação!
3 -Economista não é especialista em Educação!
4 -Economista não é especialista em Educação!
5 -Economista não é especialista em Educação!
6 -Economista não é especialista em Educação!
7 -Economista não é especialista em Educação!
8 -Economista não é especialista em Educação!
9 -Economista não é especialista em Educação!
10 -Economista não é especialista em Educação!
11 -Economista não é especialista em Educação!
12 -Economista não é especialista em Educação!
13 -Economista não é especialista em Educação!
14 -Economista não é especialista em Educação!
15 -Economista não é especialista em Educação!
16 -Economista não é especialista em Educação!
17 -Economista não é especialista em Educação!
18 -Economista não é especialista em Educação!
19 -Economista não é especialista em Educação!
20 -Economista não é especialista em Educação!
21 -Economista não é especialista em Educação!
22 -Economista não é especialista em Educação!
23 -Economista não é especialista em Educação!
24 -...
Precisamos continuar...?!
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Analfabetismos
Brilhante texto do amigo Vinicius Borges sobre as angústias culturais e sociais da hora presente
Enquanto vejo acaloradas discussões referentes à urgente necessidade de inserção das questões de gênero em nossa base curricular nacional pipocando em minha taimelaine, muitas (certamente a maioria) de nossas unidades de ensino seguem seus trágicos destinos em avançado processo de precarização estrutural e conceitual, formando de maneira sistemática - com as sempre muitas, louváveis, brilhantes e admiráveis exceções - verdadeiros exércitos de analfabetos funcionais terrivelmente incapacitados de lidar com algumas das mais simples questões quando postas em discussão em uma sala de aula...
Eu tenho plena noção de que a educação pública não faz parte da agenda revolucionária facebookiana, mas, como professor da rede municipal do Rio de Janeiro, entendo que, com toda a relevância que o tema possui, esse debate tem sido trabalhado desde o início de forma um tanto equivocada por parte de nosso "campo progressista"...
De que adianta tamanha luta para alinhar nossas diretrizes curriculares às vanguardas do século XXI em um contexto onde não conseguimos oferecer aos nossos estudantes nem mesmo o que já seria considerado apenas o mínimo nos séculos XIX e XX para as sociedades que realmente entendem a educação como um bem estratégico para o seu desenvolvimento?
Documentos modernos e cheios de boas ideias não têm faltado na história recente da educação no Brasil... Mais do que qualquer coisa, precisamos lutar para que nossas crianças tenham direito a uma alfabetização plena, para que nossos adolescentes possam desenvolver a partir da escola pública uma consciência crítica e cidadã a respeito da realidade que os cerca, que todos possam fazer isso em ambientes seguros e confortáveis...
Façamos isso e nossos jovens terão todo um mundo para problematizar e transformar...
Enquanto vejo acaloradas discussões referentes à urgente necessidade de inserção das questões de gênero em nossa base curricular nacional pipocando em minha taimelaine, muitas (certamente a maioria) de nossas unidades de ensino seguem seus trágicos destinos em avançado processo de precarização estrutural e conceitual, formando de maneira sistemática - com as sempre muitas, louváveis, brilhantes e admiráveis exceções - verdadeiros exércitos de analfabetos funcionais terrivelmente incapacitados de lidar com algumas das mais simples questões quando postas em discussão em uma sala de aula...
Eu tenho plena noção de que a educação pública não faz parte da agenda revolucionária facebookiana, mas, como professor da rede municipal do Rio de Janeiro, entendo que, com toda a relevância que o tema possui, esse debate tem sido trabalhado desde o início de forma um tanto equivocada por parte de nosso "campo progressista"...
De que adianta tamanha luta para alinhar nossas diretrizes curriculares às vanguardas do século XXI em um contexto onde não conseguimos oferecer aos nossos estudantes nem mesmo o que já seria considerado apenas o mínimo nos séculos XIX e XX para as sociedades que realmente entendem a educação como um bem estratégico para o seu desenvolvimento?
Documentos modernos e cheios de boas ideias não têm faltado na história recente da educação no Brasil... Mais do que qualquer coisa, precisamos lutar para que nossas crianças tenham direito a uma alfabetização plena, para que nossos adolescentes possam desenvolver a partir da escola pública uma consciência crítica e cidadã a respeito da realidade que os cerca, que todos possam fazer isso em ambientes seguros e confortáveis...
Façamos isso e nossos jovens terão todo um mundo para problematizar e transformar...
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Quantas Marias Eduardas serão necessárias...?!
Texto do amigo Vinicius Borges
Não queria, por tudo, postar sobre o assunto, mas, como cidadão e professor da rede municipal do Rio de Janeiro, é de dilacerar a alma ver pessoas, algumas do meu mais doce e singelo afeto (ex-alunos e professores do município, inclusos), tentando justificar, ainda por cima com fotos/notícias falsas, uma ação policial que terminou com uma adolescente assassinada no interior de uma escola.
Qual é o ponto? Onde se quer chegar com isso?
Não é possível que, diante do ocorrido, não se perceba que saber de onde partiu a bala é absolutamente irrelevante... Uma menina foi assassinada dentro de uma escola municipal por conta de uma operação da PM!!! Isso basta... Nenhuma outra informação tem mais importância...
Ela está morta!! Mortal!!
E essa menina poderia ter sido qualquer um de nós... Qualquer um de nós!!
Aceitar que a morte dela foi "um lamentável acidente" é aceitar que a nossa vida (ou de nossos pais, filhos, irmãos e amigos) vale menos que essa maldita e falida "Guerra ao Tráfico".
Será que não enxergamos que é pra esse ponto que estamos caminhando?
Estamos tão tomados (sufocados) pelo medo, pelo ódio e pela desesperança que estamos perdendo completamente algumas das dimensões mais básicas da vida em sociedade... Há mais de três décadas tentamos apagar fogo com fogo, respondendo inutilmente a violência do tráfico com mais violência...
Qual é o nosso limite? Até quando insistiremos no erro? Quantos mais de nós, de nossas crianças e adolescentes, deverão ser oferecidos em sacrifício por essa causa perdida?
Não queria, por tudo, postar sobre o assunto, mas, como cidadão e professor da rede municipal do Rio de Janeiro, é de dilacerar a alma ver pessoas, algumas do meu mais doce e singelo afeto (ex-alunos e professores do município, inclusos), tentando justificar, ainda por cima com fotos/notícias falsas, uma ação policial que terminou com uma adolescente assassinada no interior de uma escola.
Qual é o ponto? Onde se quer chegar com isso?
Não é possível que, diante do ocorrido, não se perceba que saber de onde partiu a bala é absolutamente irrelevante... Uma menina foi assassinada dentro de uma escola municipal por conta de uma operação da PM!!! Isso basta... Nenhuma outra informação tem mais importância...
Ela está morta!! Mortal!!
E essa menina poderia ter sido qualquer um de nós... Qualquer um de nós!!
Aceitar que a morte dela foi "um lamentável acidente" é aceitar que a nossa vida (ou de nossos pais, filhos, irmãos e amigos) vale menos que essa maldita e falida "Guerra ao Tráfico".
Será que não enxergamos que é pra esse ponto que estamos caminhando?
Estamos tão tomados (sufocados) pelo medo, pelo ódio e pela desesperança que estamos perdendo completamente algumas das dimensões mais básicas da vida em sociedade... Há mais de três décadas tentamos apagar fogo com fogo, respondendo inutilmente a violência do tráfico com mais violência...
Qual é o nosso limite? Até quando insistiremos no erro? Quantos mais de nós, de nossas crianças e adolescentes, deverão ser oferecidos em sacrifício por essa causa perdida?
segunda-feira, 27 de março de 2017
O Sr. Pedro Fernandes é um homem de palavra?!
Vejamos:
1) O Sr. PEDRO FERNANDES havia prometido que pediria demissão do cargo de Secretário de Ciências e Tecnologia caso o Estado do Rio não regularizasse os pagamentos dos servidores da UERJ e da FAETEC.
2) O Estado prometeu que pagaria na terça-feira (21/03), mas não pagou; adiou para quinta (23/03), e também deixou de pagar; transferiu para sexta (24/03), mas continuou sem pagar. Prometeu que pagaria hoje (27/03), mas também não pagou.
1) O Sr. PEDRO FERNANDES havia prometido que pediria demissão do cargo de Secretário de Ciências e Tecnologia caso o Estado do Rio não regularizasse os pagamentos dos servidores da UERJ e da FAETEC.
2) O Estado prometeu que pagaria na terça-feira (21/03), mas não pagou; adiou para quinta (23/03), e também deixou de pagar; transferiu para sexta (24/03), mas continuou sem pagar. Prometeu que pagaria hoje (27/03), mas também não pagou.
Logo...
3) O Sr. Pedro Fernandes deveria - pelos meus cálculos - ter pedido sua demissão uma semana atrás.
Conclusão:
4) O Sr. Pedro Fernandes não é um político (ou um homem) de palavra.
Ou estou equivocado?!
3) O Sr. Pedro Fernandes deveria - pelos meus cálculos - ter pedido sua demissão uma semana atrás.
Conclusão:
4) O Sr. Pedro Fernandes não é um político (ou um homem) de palavra.
Ou estou equivocado?!
quinta-feira, 9 de março de 2017
Carta aberta aos servidores da FAETEC-RJ (09/03/2017)
Queridos colegas,
O Estado está fazendo de tudo para que nos choquemos contra os responsáveis e estudantes. Nós vamos cair no jogo do Pezão ou faremos nosso próprio jogo?
O caminho está repleto de armadilhas; precisamos ter passos cuidadosos.
Pezão e companhia já escreveram o roteiro da peça e definiram um papel para os professores: bode expiatório. Seria nesse momento sábio cumprir esse papel? Será que não podemos improvisar nosso próprio papel?!
Estamos numa verdadeira partida de xadrez, e o jogo promete ser longo. Não há qualquer esperança razoável de chegar a um xeque-mate em uma ou duas jogadas. O enxadrista vencedor costuma ser o menos precipitado.
No momento, acho melhor dar corda pro Pedro Fernandes. A maioria dos oportunistas, cedo ou tarde, acaba se enforcando. E que seja cedo...
Enfim, não tenho e nunca tive medo de fazer greve. Em 2014 tive o ponto cortado ilegalmente por Eduardo Paes e fiquei dois meses sem meu salário da prefeitura; nem por isso deixei de aderir à greve da FAETEC de 2016. Todavia, penso que a greve não é a melhor estratégia nesse momento; uma greve a essa altura é tudo que Pezão e companhia desejam. Vamos entregar isso a eles de bandeja?
A greve é uma ferramenta legítima e importantíssima de reivindicação do trabalhador, mas nem todo contexto é favorável a seu uso. Como dizem, quando você possui apenas um martelo, começa a ver tudo como prego - e agora, em março de 2017, estamos diante de um parafuso. Em minha opinião, qualquer alternativa que atrase ainda mais a conclusão do ano letivo de 2016 deve ser descartada do baralho.
Chegou a hora de usar a criatividade e refletir coletivamente sobre o que podemos fazer. Pequenos gestos às vezes iniciam grandes mudanças. Qual será o gesto pequenino que nos trará uma grande mudança?
Grande abraço,
Luiz Fabiano
O Estado está fazendo de tudo para que nos choquemos contra os responsáveis e estudantes. Nós vamos cair no jogo do Pezão ou faremos nosso próprio jogo?
O caminho está repleto de armadilhas; precisamos ter passos cuidadosos.
Pezão e companhia já escreveram o roteiro da peça e definiram um papel para os professores: bode expiatório. Seria nesse momento sábio cumprir esse papel? Será que não podemos improvisar nosso próprio papel?!
Estamos numa verdadeira partida de xadrez, e o jogo promete ser longo. Não há qualquer esperança razoável de chegar a um xeque-mate em uma ou duas jogadas. O enxadrista vencedor costuma ser o menos precipitado.
No momento, acho melhor dar corda pro Pedro Fernandes. A maioria dos oportunistas, cedo ou tarde, acaba se enforcando. E que seja cedo...
Enfim, não tenho e nunca tive medo de fazer greve. Em 2014 tive o ponto cortado ilegalmente por Eduardo Paes e fiquei dois meses sem meu salário da prefeitura; nem por isso deixei de aderir à greve da FAETEC de 2016. Todavia, penso que a greve não é a melhor estratégia nesse momento; uma greve a essa altura é tudo que Pezão e companhia desejam. Vamos entregar isso a eles de bandeja?
A greve é uma ferramenta legítima e importantíssima de reivindicação do trabalhador, mas nem todo contexto é favorável a seu uso. Como dizem, quando você possui apenas um martelo, começa a ver tudo como prego - e agora, em março de 2017, estamos diante de um parafuso. Em minha opinião, qualquer alternativa que atrase ainda mais a conclusão do ano letivo de 2016 deve ser descartada do baralho.
Chegou a hora de usar a criatividade e refletir coletivamente sobre o que podemos fazer. Pequenos gestos às vezes iniciam grandes mudanças. Qual será o gesto pequenino que nos trará uma grande mudança?
Grande abraço,
Luiz Fabiano
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
A Formiga, o Professor e a gestão eficiente
Textozinho adorável. Troque "Formiga" por "Professor" e você terá um retrato bastante preciso da educação pública no Brasil:
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
1ª Carta Aberta ao Sr. César Benjamin, Secretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro
Caro Sr. Benjamin,
soube pela imprensa que o senhor foi indicado pelo prefeito Marcelo Crivella como novo secretário de Educação, Esporte e Lazer da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Confesso que não compreendi essa curiosa fusão de secretarias. De um ponto de vista puramente conceitual a ideia de integrar educação, esporte e lazer é interessante, mas me parece muito problemática em termos administrativos. Afinal de contas, a rede municipal do Rio de Janeiro já era a maior da América Latina, e funcionamos no limite do aceitável. Não percebo claramente quais seriam as vantagens imediatas dessa medida que talvez gere uma secretaria mais inchada e sobrecarregada do que já é.
Por outro lado, sua indicação ao cargo me causa espécie. Durante a campanha eleitoral, Crivella insistira que comporia um secretariado técnico. Pesquisando seu currículo, percebi que o senhor não tem carreira na área educacional; sua experiência no setor editorial talvez o qualificasse melhor para a Secretaria de Cultura, me parece.
Enfim, ouvi a entrevista que o senhor concedeu recentemente ao site SRzd, onde afirmava que sua prioridade seria dialogar com os professores. Se isso se concretizar, será realmente bom. Infelizmente ficamos escaldados pela gestão de Claudia Costin, que entrou na secretaria em 2009 com a mesma proposta, mas na prática conduziu uma administração extremamente autoritária, onde as decisões mais relevantes vinham unilateralmente do nível central da SME. Durante as greves de 2013 e 2014, curiosamente, a secretária que tanto desejava dialogar se recusava sistematicamente a negociar com os grevistas da Educação. Espero que com o senhor, as coisas corram de modo diferente.
Confesso que achei muito bonita a sua carta divulgada no site Rio Educa. Espero que essas belas palavras se tornem realidade durante sua gestão.
Como professor da rede, tomo desde já a iniciativa de começar a dialogar com o senhor. Nesse sentido, gostaria de apresentar-lhe algumas de nossas principais demandas e reivindicações. Apesar da deselegância, prefiro organizar em tópicos, para maior clareza:
-cumprimento da lei federal do 1/3 de carga horária semanal para planejamento de atividades;
-mudança do sistema de avaliação da rede, que quase todos os professores consideram um método velado de aprovação automática;
-contratação de profissionais de apoio para as escolas;
-revisão do Plano de Cargos e Salários, que nos foi arbitrariamente imposto em 2013;
-redução do quantitativo de alunos por turma, para evitar as salas de aula superlotadas;
-fim das provas da SME, que só existem para facilitar a aprovação de alunos, desqualificando o trabalho dos docentes de Matemática, Ciências e Língua Portuguesa.
Essas são apenas algumas demandas existem muitas outras. Ficaremos satisfeitos se o senhor se mostrar realmente disposto a discuti-las conosco. Estaremos vigilantes a cada passo de sua gestão.
Cordialmente,
Luiz Fabiano de Freitas Tavares
Professor de História da Escola Municipal Quintino Bocaiúva
Servidor municipal desde 2008
soube pela imprensa que o senhor foi indicado pelo prefeito Marcelo Crivella como novo secretário de Educação, Esporte e Lazer da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Confesso que não compreendi essa curiosa fusão de secretarias. De um ponto de vista puramente conceitual a ideia de integrar educação, esporte e lazer é interessante, mas me parece muito problemática em termos administrativos. Afinal de contas, a rede municipal do Rio de Janeiro já era a maior da América Latina, e funcionamos no limite do aceitável. Não percebo claramente quais seriam as vantagens imediatas dessa medida que talvez gere uma secretaria mais inchada e sobrecarregada do que já é.
Por outro lado, sua indicação ao cargo me causa espécie. Durante a campanha eleitoral, Crivella insistira que comporia um secretariado técnico. Pesquisando seu currículo, percebi que o senhor não tem carreira na área educacional; sua experiência no setor editorial talvez o qualificasse melhor para a Secretaria de Cultura, me parece.
Enfim, ouvi a entrevista que o senhor concedeu recentemente ao site SRzd, onde afirmava que sua prioridade seria dialogar com os professores. Se isso se concretizar, será realmente bom. Infelizmente ficamos escaldados pela gestão de Claudia Costin, que entrou na secretaria em 2009 com a mesma proposta, mas na prática conduziu uma administração extremamente autoritária, onde as decisões mais relevantes vinham unilateralmente do nível central da SME. Durante as greves de 2013 e 2014, curiosamente, a secretária que tanto desejava dialogar se recusava sistematicamente a negociar com os grevistas da Educação. Espero que com o senhor, as coisas corram de modo diferente.
Confesso que achei muito bonita a sua carta divulgada no site Rio Educa. Espero que essas belas palavras se tornem realidade durante sua gestão.
Como professor da rede, tomo desde já a iniciativa de começar a dialogar com o senhor. Nesse sentido, gostaria de apresentar-lhe algumas de nossas principais demandas e reivindicações. Apesar da deselegância, prefiro organizar em tópicos, para maior clareza:
-cumprimento da lei federal do 1/3 de carga horária semanal para planejamento de atividades;
-mudança do sistema de avaliação da rede, que quase todos os professores consideram um método velado de aprovação automática;
-contratação de profissionais de apoio para as escolas;
-revisão do Plano de Cargos e Salários, que nos foi arbitrariamente imposto em 2013;
-redução do quantitativo de alunos por turma, para evitar as salas de aula superlotadas;
-fim das provas da SME, que só existem para facilitar a aprovação de alunos, desqualificando o trabalho dos docentes de Matemática, Ciências e Língua Portuguesa.
Essas são apenas algumas demandas existem muitas outras. Ficaremos satisfeitos se o senhor se mostrar realmente disposto a discuti-las conosco. Estaremos vigilantes a cada passo de sua gestão.
Cordialmente,
Luiz Fabiano de Freitas Tavares
Professor de História da Escola Municipal Quintino Bocaiúva
Servidor municipal desde 2008
sábado, 31 de dezembro de 2016
Carta de despedida ao ex-prefeito Eduardo Paes
Sr. Eduardo Paes,
soube através da imprensa que o senhor se emocionou às lágrimas ao se despedir dos servidores do município do Rio de Janeiro na última sexta-feira. Uma cena comovente para quem não conheceu de perto sua gestão.
Não sei quanto às demais secretarias, mas os servidores da Educação foram continuamente massacrados pela sua gestão durante os últimos oito anos, como comprovam fartamente as greves de 2013 e 2014.
Em 2013, por sinal, o senhor fez questão de nos empurrar goela abaixo um plano de cargos e salários que prejudicava imensamente os servidores, especialmente os professores de 16 horas. Graças a esse plano, por exemplo, eu hoje detenho o título de doutor, mas não tenho direito a progressão salarial, ao contrário dos professores de 40 horas.
Caso o senhor tenha esquecido, gostaria ainda de lhe lembrar que esse mesmo plano foi passado sob uma monstruosa e iníqua votação na câmara dos vereadores, ao som de explosões e cheiro de lacrimogênio, num episódio que os servidores da Educação já se acostumaram a chamar de "Massacre da Cinelândia".
Ainda durante a greve de 2013, o senhor e a então secretária de Educação, Claudia Costin, se recusaram terminantemente a cumprir a LEI federal que determina 1/3 de horário de planejamento para os professores. Lei essa que, passados mais 3 anos continua a ser descumprida pela prefeitura.
Já em 2014, o senhor cortou ILEGALMENTE o ponto de inúmeros servidores da Secretaria de Educação que exerciam seu direito CONSTITUCIONAL à greve - entre os quais me incluo. Tudo isso sugere que o senhor mostra pouca inclinação ao cumprimento de leis - o que parece um comportamento estranho para um chefe do Executivo. Os meses de julho e agosto de 2014 foram sofridos para nossas famílias, e não imagino que o senhor tenha derramado qualquer lágrima ao tomar essa arbitrária medida.
Por sinal, embora tenhamos ganho a causa contra o senhor na Justiça, nossos salários daqueles meses foram depositados em embargo, e ainda passarão muitos anos até que recebamos os valores que nos são devidos. Muitos colegas contraíram dívidas que ainda não terminaram de pagar.
Vale ainda lembrar que durante seus dois mandatos o preço das passagens de ônibus subiu de modo exorbitante, prejudicando o orçamento familiar de todos os usuários de transporte público em nossa cidade, o que me deixa confuso sobre sua declaração: "Saio de cabeça erguida sabendo que fizemos o máximo pelo nosso povo, pelas pessoas que necessitavam" - a não ser, é claro, que os donos das empresas de ônibus sejam as pessoas necessitadas às quais o senhor se refere.
Também soube que o senhor orou, cantou músicas religiosas e falou muito em Deus durante sua despedida. Podia ter aproveitado e incluído em suas orações as pessoas que morreram no trágico e evitável desmoronamento da Ciclovia Tim Maia, vítimas de sua gestão negligente.
De resto, tomo a liberdade de recomendar sinceramente que o senhor se afaste em definitivo da vida política de nossa cidade - para seu próprio descanso e para maior benefício do povo carioca. Ouvi dizer que Maricá é um ótimo lugar para aposentadoria, por sinal. Já que o senhor anda tão religioso, outra sugestão interessante é aproveitar seu tempo livre para visitar seu amigo Sérgio Cabral - Jesus dizia que visitar pessoas na prisão é uma obra meritória.
Cariocamente,
Prof. Luiz Fabiano Tavares
(Sobrevivente de seus últimos dois mandatos)
soube através da imprensa que o senhor se emocionou às lágrimas ao se despedir dos servidores do município do Rio de Janeiro na última sexta-feira. Uma cena comovente para quem não conheceu de perto sua gestão.
Não sei quanto às demais secretarias, mas os servidores da Educação foram continuamente massacrados pela sua gestão durante os últimos oito anos, como comprovam fartamente as greves de 2013 e 2014.
Em 2013, por sinal, o senhor fez questão de nos empurrar goela abaixo um plano de cargos e salários que prejudicava imensamente os servidores, especialmente os professores de 16 horas. Graças a esse plano, por exemplo, eu hoje detenho o título de doutor, mas não tenho direito a progressão salarial, ao contrário dos professores de 40 horas.
Caso o senhor tenha esquecido, gostaria ainda de lhe lembrar que esse mesmo plano foi passado sob uma monstruosa e iníqua votação na câmara dos vereadores, ao som de explosões e cheiro de lacrimogênio, num episódio que os servidores da Educação já se acostumaram a chamar de "Massacre da Cinelândia".
Ainda durante a greve de 2013, o senhor e a então secretária de Educação, Claudia Costin, se recusaram terminantemente a cumprir a LEI federal que determina 1/3 de horário de planejamento para os professores. Lei essa que, passados mais 3 anos continua a ser descumprida pela prefeitura.
Já em 2014, o senhor cortou ILEGALMENTE o ponto de inúmeros servidores da Secretaria de Educação que exerciam seu direito CONSTITUCIONAL à greve - entre os quais me incluo. Tudo isso sugere que o senhor mostra pouca inclinação ao cumprimento de leis - o que parece um comportamento estranho para um chefe do Executivo. Os meses de julho e agosto de 2014 foram sofridos para nossas famílias, e não imagino que o senhor tenha derramado qualquer lágrima ao tomar essa arbitrária medida.
Por sinal, embora tenhamos ganho a causa contra o senhor na Justiça, nossos salários daqueles meses foram depositados em embargo, e ainda passarão muitos anos até que recebamos os valores que nos são devidos. Muitos colegas contraíram dívidas que ainda não terminaram de pagar.
Vale ainda lembrar que durante seus dois mandatos o preço das passagens de ônibus subiu de modo exorbitante, prejudicando o orçamento familiar de todos os usuários de transporte público em nossa cidade, o que me deixa confuso sobre sua declaração: "Saio de cabeça erguida sabendo que fizemos o máximo pelo nosso povo, pelas pessoas que necessitavam" - a não ser, é claro, que os donos das empresas de ônibus sejam as pessoas necessitadas às quais o senhor se refere.
Também soube que o senhor orou, cantou músicas religiosas e falou muito em Deus durante sua despedida. Podia ter aproveitado e incluído em suas orações as pessoas que morreram no trágico e evitável desmoronamento da Ciclovia Tim Maia, vítimas de sua gestão negligente.
De resto, tomo a liberdade de recomendar sinceramente que o senhor se afaste em definitivo da vida política de nossa cidade - para seu próprio descanso e para maior benefício do povo carioca. Ouvi dizer que Maricá é um ótimo lugar para aposentadoria, por sinal. Já que o senhor anda tão religioso, outra sugestão interessante é aproveitar seu tempo livre para visitar seu amigo Sérgio Cabral - Jesus dizia que visitar pessoas na prisão é uma obra meritória.
Cariocamente,
Prof. Luiz Fabiano Tavares
(Sobrevivente de seus últimos dois mandatos)
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Videogame na Escola 6 - Nasceu!
A Viagem do Pegasus, ao contrário da II Estrela da Morte, está completo e inteiramente funcional!!!
O blog oficial já se encontra online, com link para download, e o trailer se encontra no Youtube:
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Videogame na escola
domingo, 4 de dezembro de 2016
Videogame na escola 5 - criando protagonistas
Concluímos essa semana a criação dos protagonistas. Cada turma criou coletivamente uma heroína e um herói.
Acho que foi, de longe, a tarefa mais complicada do projeto. Houve muitos desentendimentos e tumultos em todas as decisões, especialmente quanto a definir a aparência de cada personagem. Muitos alunos apresentaram imensa dificuldade em aceitar e reconhecer a decisão da maioria, e queriam que fossem realizadas novas votações. Parecia reunião de condomínio ou assembleia sindical!
Um grupo de meninas (excelentes alunas, por sinal) me abordou DEPOIS das votações propondo que ELAS pudessem refazer a heroína de sua turma, a pretexto da qualidade ruim da personagem definida pela turma. Expliquei a elas que isso não seria honesto e que numa democracia as coisas nem sempre acontecem do jeito que desejamos, mas nem por isso podemos "consertar" (e concertar) as coisas por baixo dos panos; acho que elas entenderam.
Os nintendistas de plantão também perceberão que tive de convencê-los a alterar o nome de um personagem, para evitar problemas de direitos autorais. De qualquer forma, não gostaria de ter um gorila enfurecido jogando barris na minha cabeça...
Enfim, seguem abaixo os resultados dessa encrenca toda!
O jogo também já tem título (definido por mim, sem democracia nenhuma) e uma imagem de abertura - ilustrada por Hokusai, que é de domínio público...
Acho que foi, de longe, a tarefa mais complicada do projeto. Houve muitos desentendimentos e tumultos em todas as decisões, especialmente quanto a definir a aparência de cada personagem. Muitos alunos apresentaram imensa dificuldade em aceitar e reconhecer a decisão da maioria, e queriam que fossem realizadas novas votações. Parecia reunião de condomínio ou assembleia sindical!
Um grupo de meninas (excelentes alunas, por sinal) me abordou DEPOIS das votações propondo que ELAS pudessem refazer a heroína de sua turma, a pretexto da qualidade ruim da personagem definida pela turma. Expliquei a elas que isso não seria honesto e que numa democracia as coisas nem sempre acontecem do jeito que desejamos, mas nem por isso podemos "consertar" (e concertar) as coisas por baixo dos panos; acho que elas entenderam.
Os nintendistas de plantão também perceberão que tive de convencê-los a alterar o nome de um personagem, para evitar problemas de direitos autorais. De qualquer forma, não gostaria de ter um gorila enfurecido jogando barris na minha cabeça...
Enfim, seguem abaixo os resultados dessa encrenca toda!
O jogo também já tem título (definido por mim, sem democracia nenhuma) e uma imagem de abertura - ilustrada por Hokusai, que é de domínio público...
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Videogame na Escola 4 - O peso da indisciplina estudantil
Hoje, pela manhã, dava prosseguimento ao projeto com uma das turmas envolvidas. Estamos na fase criação coletiva dos protagonistas. O cronograma de hoje previa a elaboração dos gráficos de dois protagonistas, uma votação para decidir o título do jogo e atividades independentes em grupos.
Doce ilusão.
Tudo correu bem durante os primeiros 15 ou 20 minutos: a turma participava interessada e motivada. Nesse momento entrou (atrasado, como sempre) um estudante bastante problemático e indisciplinado, que faz de tudo em sala de aula - excetuando participar das atividades propostas. Vindo de outra escola, apresenta sérios problemas de convivência desde o início do ano letivo, desrespeitando cotidianamente colegas e professores. Ao que tudo indica, ele não apresenta quaisquer transtornos psiquiátricos ou distúrbios cognitivos: é apenas um jovem mal educado e largado pela família.
Enfim, a entrada do garoto feriu de morte a minha aula. Gritos, batuques, provocações a colegas, brincadeiras inoportunas. As constantes interrupções que se fizeram necessárias quebraram completamente o ritmo da atividade proposta, ao mesmo tempo que três outros estudantes aderiam ocasionalmente ao tumulto, agravando a situação.
As atividades planejadas não foram desenvolvidas; sequer conseguimos concluir a primeira delas! UM aluno conseguiu prejudicar cerca de 20 colegas, inutilizando dois tempos de aula (custeados pelo contribuinte carioca, convém lembrar).
O caso - tristemente comum - ilustra os apuros do professor da rede pública. Ao que tudo indica, o único pleno sujeito de direitos na atual escola pública é o mau aluno. Seu direito de estar na escola (para quê?) está acima do bem e do mal. Acima, inclusive, do direito de seus colegas a uma educação de qualidade. Acima também do dever do professor de oferecer atividades pedagógicas consistentes e construtivas.
Obviamente não digo que esse aluno deve ser sumariamente expulso da educação pública. No entanto, de nada adianta tê-lo na escola APENAS como fator de perturbação, prejudicando a aprendizagem de inúmeros colegas. Alunos como esse, de fato, precisam de muitas coisas:
1) Limites - o que se torna difícil com um regimento escolar leniente, baseados em questionáveis e rasas interpretações do Estatuto da Criança e do Adolescente, que parecem esquecer que também o estudante interessado tem direito à educação - direito esse que lhe é cotidianamente usurpado. Também se torna difícil com um conselho tutelar completamente ausente e ineficiente.
2) Recursos humanos - mais inspetores e coordenadores pedagógicos, para começar; uma escola com mais de mil alunos não tem como funcionar satisfatoriamente com menos de 10 profissionais de apoio - que dirá com 6...
3) Atendimento especializado - psicólogo e, principalmente, assistente social que atue CONTINUAMENTE junto à família.
4) Reprovação - exatamente, a "palavrinha com R". É simplesmente inadmissível que um aluno de 12 anos chegue ao 6º ano analfabeto funcional e sem qualquer noção de regras de convívio; a vinculação das taxas de aprovação ao cálculo do IDEB é evidentemente parte do problema (cortesia do governo Lula).
5) Incentivos sociais adequados - que tal se benefícios como Bolsa Família (muito necessários, por sinal) não fossem condicionados apenas à presença do estudante na escola; por exemplo, se a família tivesse obrigação de comparecer periodicamente à escola?
Por outro lado, esse tipo de situação joga por terra clichês como "o aluno é indisciplinado porque a escola não é divertida, estimulante etc". O que mais seria possível fazer para "estimular" e "divertir" esse estudante?
Em suma, a escola precisa ser uma solução para esse tipo de aluno. Enquanto faltarem aos professores e demais profissionais da educação recursos como os mencionados, esses estudantes permanecerão como um estorvo para a escola e um empecilho à educação dos colegas, fragilizando o direito universal à Educação.
E aí, nem o mais inovador projeto pedagógico dá conta do recado...
Doce ilusão.
Tudo correu bem durante os primeiros 15 ou 20 minutos: a turma participava interessada e motivada. Nesse momento entrou (atrasado, como sempre) um estudante bastante problemático e indisciplinado, que faz de tudo em sala de aula - excetuando participar das atividades propostas. Vindo de outra escola, apresenta sérios problemas de convivência desde o início do ano letivo, desrespeitando cotidianamente colegas e professores. Ao que tudo indica, ele não apresenta quaisquer transtornos psiquiátricos ou distúrbios cognitivos: é apenas um jovem mal educado e largado pela família.
Enfim, a entrada do garoto feriu de morte a minha aula. Gritos, batuques, provocações a colegas, brincadeiras inoportunas. As constantes interrupções que se fizeram necessárias quebraram completamente o ritmo da atividade proposta, ao mesmo tempo que três outros estudantes aderiam ocasionalmente ao tumulto, agravando a situação.
As atividades planejadas não foram desenvolvidas; sequer conseguimos concluir a primeira delas! UM aluno conseguiu prejudicar cerca de 20 colegas, inutilizando dois tempos de aula (custeados pelo contribuinte carioca, convém lembrar).
O caso - tristemente comum - ilustra os apuros do professor da rede pública. Ao que tudo indica, o único pleno sujeito de direitos na atual escola pública é o mau aluno. Seu direito de estar na escola (para quê?) está acima do bem e do mal. Acima, inclusive, do direito de seus colegas a uma educação de qualidade. Acima também do dever do professor de oferecer atividades pedagógicas consistentes e construtivas.
Obviamente não digo que esse aluno deve ser sumariamente expulso da educação pública. No entanto, de nada adianta tê-lo na escola APENAS como fator de perturbação, prejudicando a aprendizagem de inúmeros colegas. Alunos como esse, de fato, precisam de muitas coisas:
1) Limites - o que se torna difícil com um regimento escolar leniente, baseados em questionáveis e rasas interpretações do Estatuto da Criança e do Adolescente, que parecem esquecer que também o estudante interessado tem direito à educação - direito esse que lhe é cotidianamente usurpado. Também se torna difícil com um conselho tutelar completamente ausente e ineficiente.
2) Recursos humanos - mais inspetores e coordenadores pedagógicos, para começar; uma escola com mais de mil alunos não tem como funcionar satisfatoriamente com menos de 10 profissionais de apoio - que dirá com 6...
3) Atendimento especializado - psicólogo e, principalmente, assistente social que atue CONTINUAMENTE junto à família.
4) Reprovação - exatamente, a "palavrinha com R". É simplesmente inadmissível que um aluno de 12 anos chegue ao 6º ano analfabeto funcional e sem qualquer noção de regras de convívio; a vinculação das taxas de aprovação ao cálculo do IDEB é evidentemente parte do problema (cortesia do governo Lula).
5) Incentivos sociais adequados - que tal se benefícios como Bolsa Família (muito necessários, por sinal) não fossem condicionados apenas à presença do estudante na escola; por exemplo, se a família tivesse obrigação de comparecer periodicamente à escola?
Por outro lado, esse tipo de situação joga por terra clichês como "o aluno é indisciplinado porque a escola não é divertida, estimulante etc". O que mais seria possível fazer para "estimular" e "divertir" esse estudante?
Em suma, a escola precisa ser uma solução para esse tipo de aluno. Enquanto faltarem aos professores e demais profissionais da educação recursos como os mencionados, esses estudantes permanecerão como um estorvo para a escola e um empecilho à educação dos colegas, fragilizando o direito universal à Educação.
E aí, nem o mais inovador projeto pedagógico dá conta do recado...
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| "Tô chegando pra acabar com a aula!!!" |
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Videogame na escola 3: desafios e impressões
Empolgação demais
A empolgação dos alunos com o projeto é ótima, mas às vezes atrapalha um pouquinho, especialmente quando alguns estão impacientes pela sua vez ao computador. Trabalhar por revezamento em apenas um computador (meu notebook) também dificulta bastante, é claro.
Bagunça demais
A bagunça persistente de alguns alunos atrapalha MUITO. Vale notar que esses mesmos alunos estão entusiasmados com o projeto, o que mostra claramente que a indisciplina NÃO é resultado direto da desmotivação - ao contrário do que sugerem muitos pedagogos acadêmicos e gestores públicos. Alunos motivados TAMBÉM precisam de inspetor no corredor...
Tempo de menos
Como só tive a ideia de implementar esse projeto no último bimestre, aos alunos coube apenas a parte criativa, enquanto eu estou cuidando sozinho da parte técnica. Tenho explicado bastante a eles sobre o funcionamento do programa, mas uma coisa é ver, outra é fazer. Além disso, tenho feito em casa a parte mais complicada, para fechar o projeto até o fim do ano letivo. É uma pena, pois seria importante que eles aprendessem direitinho a realizar também essas tarefas. É claro que o fato de trabalhar apenas com um computador também é um obstáculo tremendo. Pretendo dar continuidade ao projeto no ano que vem, desde o primeiro bimestre, para que eles também possam aprender a lidar com o programa. Resta ver se os computadores da escola dão conta do recado...
Tentativa, erro e teste
Desenvolver um jogo é tentativa e erro, erro, erro... Tem sido muito difícil, até porque sou autodidata na área. Um pequeno detalhe de programação pode virar um erro catastrófico. Detectar onde está esse pequeno erro pode dar um trabalhão. Descobrir como remendá-lo também pode ser muito trabalhoso. A única solução é testar e consertar constantemente. Testar pode se tornar muito cansativo, especialmente quando a falha se mostra persistente.
Balanceamento
Balancear o nível de dificuldade de um jogo parece uma tarefa banal, mas não é (nem um pouco) - especialmente no caso de um jogo de mundo aberto, onde os jogadores podem explorar na ordem que desejarem: fica muito difícil imaginar uma linha de progressão e escalonar o nível de dificuldade. Passei boa parte do meu feriado trabalhando nisso e cheguei a um resultado que terá que servir, mas não me deixou plenamente satisfeito.
Software
Usar software gratuito não é mole. A versão do RPG Maker que utilizamos tem sérias limitações de recursos. A maioria desses problemas é contornável. O mais desagradável é que não é possível mexer nos scripts do programa, então o jogo ficará híbrido: a maior parte em português, mas alguns detalhes (importantes) em inglês. Nada que um bom tutorial não resolva, mas fica feinho. Pretendo comprar uma licença pro para usar no ano que vem, dando continuidade ao projeto.
Educação e experimentação
Em 2011 tentei um projeto semelhante com a melhor turma que já tive, a "4 Gloriosa", então no 8º ano. Fui professor deles desde o 6º ano e tínhamos um ótimo entrosamento. Tínhamos tempo de sobra, inclusive, pois iniciamos o projeto no meio do ano. Contudo, por várias razões, o trabalho não chegou a bom termo. Passamos quase seis meses patinando, chovendo no molhado. A principal razão foi minha incapacidade de organizar o projeto de modo satisfatório. Em 2014 fui convidado por alguns estudantes de design e informática da PUC a prestar consultoria voluntária para um projeto na área, e essa experiência fez toda a diferença: aprendi com esses talentosos jovens muita coisa sobre a gestão de um projeto de desenvolvimento de game.
Capacitação
Muito se fala na necessidade do professor inovar suas atividades em sala de aula, mas a verdade é que as redes públicas de ensino não investem seriamente na capacitação de seus profissionais. Certas habilidades técnicas são muito difíceis de se desenvolver sozinho, e a verdade é que o professor mal tem tempo de realizar o mínimo com turmas superlotadas, com uma carga horária apertada e mal distribuída e cobranças burocráticas absurdas. NÃO é obrigação do professor executar projetos complicados apenas com a cara e a coragem. Cobrar inovação do professor sem oferecer os meios e recursos necessários é apenas uma ótima maneira de transferir responsabilidades - e sabemos que nossos gestores públicos são especialistas nessa área...
A empolgação dos alunos com o projeto é ótima, mas às vezes atrapalha um pouquinho, especialmente quando alguns estão impacientes pela sua vez ao computador. Trabalhar por revezamento em apenas um computador (meu notebook) também dificulta bastante, é claro.
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| Edição de mapas. |
Bagunça demais
A bagunça persistente de alguns alunos atrapalha MUITO. Vale notar que esses mesmos alunos estão entusiasmados com o projeto, o que mostra claramente que a indisciplina NÃO é resultado direto da desmotivação - ao contrário do que sugerem muitos pedagogos acadêmicos e gestores públicos. Alunos motivados TAMBÉM precisam de inspetor no corredor...
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| Editando eventos no mapa. |
Tempo de menos
Como só tive a ideia de implementar esse projeto no último bimestre, aos alunos coube apenas a parte criativa, enquanto eu estou cuidando sozinho da parte técnica. Tenho explicado bastante a eles sobre o funcionamento do programa, mas uma coisa é ver, outra é fazer. Além disso, tenho feito em casa a parte mais complicada, para fechar o projeto até o fim do ano letivo. É uma pena, pois seria importante que eles aprendessem direitinho a realizar também essas tarefas. É claro que o fato de trabalhar apenas com um computador também é um obstáculo tremendo. Pretendo dar continuidade ao projeto no ano que vem, desde o primeiro bimestre, para que eles também possam aprender a lidar com o programa. Resta ver se os computadores da escola dão conta do recado...
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| Edição de eventos - uma das partes mais complicadas. |
Tentativa, erro e teste
Desenvolver um jogo é tentativa e erro, erro, erro... Tem sido muito difícil, até porque sou autodidata na área. Um pequeno detalhe de programação pode virar um erro catastrófico. Detectar onde está esse pequeno erro pode dar um trabalhão. Descobrir como remendá-lo também pode ser muito trabalhoso. A única solução é testar e consertar constantemente. Testar pode se tornar muito cansativo, especialmente quando a falha se mostra persistente.
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| Criação de protagonistas. |
Balanceamento
Balancear o nível de dificuldade de um jogo parece uma tarefa banal, mas não é (nem um pouco) - especialmente no caso de um jogo de mundo aberto, onde os jogadores podem explorar na ordem que desejarem: fica muito difícil imaginar uma linha de progressão e escalonar o nível de dificuldade. Passei boa parte do meu feriado trabalhando nisso e cheguei a um resultado que terá que servir, mas não me deixou plenamente satisfeito.
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| Criação de inimigos. |
Software
Usar software gratuito não é mole. A versão do RPG Maker que utilizamos tem sérias limitações de recursos. A maioria desses problemas é contornável. O mais desagradável é que não é possível mexer nos scripts do programa, então o jogo ficará híbrido: a maior parte em português, mas alguns detalhes (importantes) em inglês. Nada que um bom tutorial não resolva, mas fica feinho. Pretendo comprar uma licença pro para usar no ano que vem, dando continuidade ao projeto.
Educação e experimentação
Em 2011 tentei um projeto semelhante com a melhor turma que já tive, a "4 Gloriosa", então no 8º ano. Fui professor deles desde o 6º ano e tínhamos um ótimo entrosamento. Tínhamos tempo de sobra, inclusive, pois iniciamos o projeto no meio do ano. Contudo, por várias razões, o trabalho não chegou a bom termo. Passamos quase seis meses patinando, chovendo no molhado. A principal razão foi minha incapacidade de organizar o projeto de modo satisfatório. Em 2014 fui convidado por alguns estudantes de design e informática da PUC a prestar consultoria voluntária para um projeto na área, e essa experiência fez toda a diferença: aprendi com esses talentosos jovens muita coisa sobre a gestão de um projeto de desenvolvimento de game.
Capacitação
Muito se fala na necessidade do professor inovar suas atividades em sala de aula, mas a verdade é que as redes públicas de ensino não investem seriamente na capacitação de seus profissionais. Certas habilidades técnicas são muito difíceis de se desenvolver sozinho, e a verdade é que o professor mal tem tempo de realizar o mínimo com turmas superlotadas, com uma carga horária apertada e mal distribuída e cobranças burocráticas absurdas. NÃO é obrigação do professor executar projetos complicados apenas com a cara e a coragem. Cobrar inovação do professor sem oferecer os meios e recursos necessários é apenas uma ótima maneira de transferir responsabilidades - e sabemos que nossos gestores públicos são especialistas nessa área...
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Videogame na escola 2: imagens de gameplay
Algumas imagens do jogo eletrônico (ainda sem título) produzido com meus alunos do 6º ano. Essas fotos mostram como o jogo será visualizado pelos jogadores. As imagens mostram as ilhas que cada grupo vem elaborando, mas ainda não entramos na fase de acabamento - a maioria das edificações ainda não tem portas e janelas, a maioria das ilhas ainda não tem vegetação etc. Os habitantes também não chegaram ainda... Quanto aos protagonistas, ainda não estão definidos. Esses avatares que aparecem aí são apenas bonequinhos genéricos. Também estou percebendo que a garotada adora castelos - o que diz muito sobre nosso imaginário. Apenas um grupo não botou castelo nenhum na sua ilha; outro grupo, em compensação, queria CINCO! Joãozinho Trinta explica... Outra demanda comum a vários grupos é colocar animais nos cenários, especialmente animais de fazenda - o que também diz muito sobre nosso imaginário. Mais surpreendente é o enorme interesse pela criação de pontes nos cenários - Jung explica?!
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| Ainda sem título. |
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| Uma ponte. |
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| Navegando. |
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| Um castelo "do Mal"... |
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| ...e um castelo "do Bem"! |
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| Uma fazenda - com cachorro E cavalo. |
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| Uma igreja - com vitrais. |
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| "Pode ter coqueiro dos dois lados da estrada, Professor?" |
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| Brasileiros gostam de neve... |
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| Outra ponte. |
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| Mais uma ponte. |
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| Um cemitério e um fantasma. |
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| Uma deusa antiga, com oferendas de flores. |
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| Um milharal com espantalho. |
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| Uma casa com direito a rachadura na parede, árvores desfolhadas e sepulturas no quintal. Dark. |
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| Na mira do lobo. |
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| "Tipo Frozen". |
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