O Capitalismo poderia ser como um passeio de automóvel. Como se sabe, o motorista prudente pode evitar sustos e perigos desnecessários. Infelizmente,
aqueles que estão ao volante teimam em dirigir além dos limites de
velocidade. Às vezes também conduzem embriagados pela ganância e pelo
poder. Sem falar nos pneus carecas. Daí tantos e graves acidentes... Mas
adivinhe: quais passageiros têm airbag...?!
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domingo, 13 de novembro de 2016
sábado, 5 de março de 2016
A vara, o peixe e a hipocrisia brasileira
OBSIMP: Esse texto estava escrito desde o início da semana, não precisa ser lido tendo em mente os acontecimentos de ontem. Mas pode, é claro.
Nos últimos anos, tenho ouvido inúmeras críticas às políticas sociais no Brasil, estribadas num ideal meritocrático, muitas vezes evocando o velho ditado de que é necessário dar a vara, e não o peixe:
"Se você dá um peixe a uma pessoa, ela tem comida para um dia; se você dá uma vara de pescar, ela tem comida para uma vida inteira".
O grande equívoco é achar que no mundo capitalista as coisas são dadas. O peixe é vendido; a vara também é vendida. A diferença é que a vara custa muito mais que o peixe. Pense nos exemplos concretos que você quiser - não é difícil.
Por outro lado, muito se enganam aqueles que defendem o modelo de política social implementado pelo governo PT-PMDB. Essas políticas sociais não deram vara nem peixe.
Em geral, estimulando uma superficial inclusão social pelo consumo, elas deram aos pobres dinheiro para que eles comprassem seus peixes, enriquecendo ainda mais os donos das varas e das pescarias...
Nos últimos anos, tenho ouvido inúmeras críticas às políticas sociais no Brasil, estribadas num ideal meritocrático, muitas vezes evocando o velho ditado de que é necessário dar a vara, e não o peixe:
"Se você dá um peixe a uma pessoa, ela tem comida para um dia; se você dá uma vara de pescar, ela tem comida para uma vida inteira".
O grande equívoco é achar que no mundo capitalista as coisas são dadas. O peixe é vendido; a vara também é vendida. A diferença é que a vara custa muito mais que o peixe. Pense nos exemplos concretos que você quiser - não é difícil.
Por outro lado, muito se enganam aqueles que defendem o modelo de política social implementado pelo governo PT-PMDB. Essas políticas sociais não deram vara nem peixe.
Em geral, estimulando uma superficial inclusão social pelo consumo, elas deram aos pobres dinheiro para que eles comprassem seus peixes, enriquecendo ainda mais os donos das varas e das pescarias...
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Capitalismo sertanejo
Esse post está na fila há algumas semanas. Achei muito interessante essa passagem de Tristes trópicos, onde Lévi-Strauss descreve as práticas extorsivas em uma fazenda em que esteve hospedado no Mato Grosso. Como se sabe, esses mecanismos cruéis de compra, venda, crédito e remuneração eram comuns nas fazendas do interior do Brasil. No entanto, a maneira como o autor relata faz toda a diferença. Na periferia do Capitalismo, resplandece a realidade dessa economia injusta de forma tragicômica, com um exagero caricatural digno de desenhos animados...
"Em um vasto bangalô à inglesa, nossos anfitriões levavam uma vida austera, meio criadores de gado, meio donos de mercearia. Com efeito, a venda da fazenda representava o único centro de abastecimento em cerca de cem quilômetros ao redor. Os empregados, trabalhadores ou peõesm vinham aí gastar com uma mão o que tinham ganho com a outra; um jogo de escrita permitia transformar seu crédito em dívida e, desse ponto de vista, toda a empresa funcionava quase sem dinheiro. Como os preços das mercadorias eram, conforme o costume, fixados no dobro ou triplo do curso normal, o negócio poderia ser rentável se esse aspecto comercial não permanecesse secundário. Havia algo de constrangedor em ver aos sábados os trabalhadores trazer uma pequena colheita de cana-de-açúcar, espremê-la logo no engenho da fazenda - máquina feita de troncos grosseiramente aplainados onde os ramos de cana são esmagados pela rotação de três cilindros de madeira - depois, em grandes bacias de chapas, fazer evaporar o sumo ao vento antes de vertê-lo nos moldes onde ele toma forma de blocos grosseiros com consistência granulosa: a rapadura; eles guardavam então o produto no galpão adjacente onde, transformados em compradores, eles viriam na mesma noite adquiri-lo a preços extorsivos para oferecer aos filhos essa única guloseima do sertão".
Não estamos nós também condenados a "gastar com uma mão o que ganhamos com a outra", esmagados entre as engrenagens desse sistema diabólico, verdadeiro "moinho satânico", como diria Karl Polanyi? Condenados a comprar para sobreviver, ao sabor das especulações iníquas da indústria, do comércio e das finanças? Condenados a sustentar e enriquecer os tais "1%", que levam vidas nada austeras, ao contrário desses tristes fazendeiros do sertão?
"Em um vasto bangalô à inglesa, nossos anfitriões levavam uma vida austera, meio criadores de gado, meio donos de mercearia. Com efeito, a venda da fazenda representava o único centro de abastecimento em cerca de cem quilômetros ao redor. Os empregados, trabalhadores ou peõesm vinham aí gastar com uma mão o que tinham ganho com a outra; um jogo de escrita permitia transformar seu crédito em dívida e, desse ponto de vista, toda a empresa funcionava quase sem dinheiro. Como os preços das mercadorias eram, conforme o costume, fixados no dobro ou triplo do curso normal, o negócio poderia ser rentável se esse aspecto comercial não permanecesse secundário. Havia algo de constrangedor em ver aos sábados os trabalhadores trazer uma pequena colheita de cana-de-açúcar, espremê-la logo no engenho da fazenda - máquina feita de troncos grosseiramente aplainados onde os ramos de cana são esmagados pela rotação de três cilindros de madeira - depois, em grandes bacias de chapas, fazer evaporar o sumo ao vento antes de vertê-lo nos moldes onde ele toma forma de blocos grosseiros com consistência granulosa: a rapadura; eles guardavam então o produto no galpão adjacente onde, transformados em compradores, eles viriam na mesma noite adquiri-lo a preços extorsivos para oferecer aos filhos essa única guloseima do sertão".
Não estamos nós também condenados a "gastar com uma mão o que ganhamos com a outra", esmagados entre as engrenagens desse sistema diabólico, verdadeiro "moinho satânico", como diria Karl Polanyi? Condenados a comprar para sobreviver, ao sabor das especulações iníquas da indústria, do comércio e das finanças? Condenados a sustentar e enriquecer os tais "1%", que levam vidas nada austeras, ao contrário desses tristes fazendeiros do sertão?
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