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Mostrando postagens com marcador Top 3 - Ensino de História. Mostrar todas as postagens
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Videogame na Escola 6 - Nasceu!

A Viagem do Pegasus, ao contrário da II Estrela da Morte, está completo e inteiramente funcional!!!

O blog oficial já se encontra online, com link para download, e o trailer se encontra no Youtube:


terça-feira, 7 de maio de 2013

Os vícios do olhar

Há cerca de um mês realizei um "seminário relâmpago" com meus alunos do 1º ano do ensino técnico. O objetividade da atividade era fazê-los experimentar na prática como é feita a pesquisa com fontes primárias. Para tanto, dividi as turmas em grupos; cada um recebeu uma gravura de Debret sobre o Rio de Janeiro à época de D. João VI ou do Primeiro Reinado, acompanhada do texto explicativo redigido pelo próprio Debret. Tratava-se de imagens do cotidiano carioca, com cenas de comércio, festividades religiosas ou profanas, transporte, entre outros temas. Orientados por alguns questionamentos e tópicos, os alunos deveriam analisar suas respectivas fontes e apresentá-las diante da turma.

Como pode-se imaginar, havia inúmeras pessoas negras representadas nessas imagens. Propositadamente eu havia escolhido apenas cenas onde não houvesse personagens negros em situações degradantes de tortura, maus tratos ou humilhações. Além disso, procurei enfatizar aquelas onde eram retratados personagens negros explicitamente identificados como livres nos textos de Debret.

O resultado foi tristemente surpreendente - embora previsível. A maioria dos grupos, ao apresentar para os colegas suas respectivas imagens identificavam esses personagens negros como "escravos", apesar dos textos claramente dizerem o contrário. Em todos os grupos o texto fôra lido, como as explicações dos alunos mostravam. No entanto, a generalização equivocada de que antes da Abolição todas as pessoas negras no Brasil eram escravas falou mais alto.

Obviamente esclareci que nem todos os negros brasileiros dessa época eram cativos, salientando inclusive que em algumas das imagens de Debret eles eram representados desempenhando papéis ativos na vida social.

Não é difícil entender a perplexidade de meus alunos. De fato, desde o início da República o imaginário que vem sendo coletivamente perpetuado corresponde a esses preconceitos. Me parece que particularmente as novelas de época contribuem para esse panorama, com poucas exceções. Pior ainda, muitas vezes essa interpretação do negro como vítima da História em nosso país é enfatizada mesmo por aqueles que defendem os direitos dos afrodescendentes.

Numa perspectiva mais ampla, o episódio me lembra que devemos estar constantemente vigilantes contra os variados vícios do olhar, que também nos induzem a vícios do pensar e, pior ainda, do agir...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Imaginação e ensino de História

Em outra oportunidade já discuti por aqui sobre o uso de narrativas ficcionais ou míticas de época em sala de aula, enfatizando seu poder sobre a imaginação dos alunos. De fato, creio que a imaginação e a criatividade são das melhores ferramentas para que os alunos desenvolvam o raciocínio histórico.

Em minha prática pedagógica costumo propor muitas atividades nesse sentido, geralmente com resultados muito satisfatórios. Por exemplo, nesse ano realizei com uma de minhas turmas o seguinte exercício: eles deveriam escrever individualmente ou em duplas uma carta adotando a identidade fictícia de navegantes portugueses escrevendo ao rei sobre as terras que visitaram e as peripécias por que passaram. Na atividade eles tiveram total liberdade para criar terras, povos e até animais imaginários. O resultado foi muito positivo e tive textos muito criativos. Outro bom exemplo foi certo trabalho que fiz com algumas turmas em 2008 ao abordar os povos da Antiguidade e seus universos mitológicos. Tendo trabalhado algumas narrativas míticas propus aos alunos que criassem uma figura mitológica (divindade, herói ou monstro) e posteriormente inventassem uma história envolvendo esses personagens. A atividade gerou frutos positivos, especialmente em uma turma pouquíssimo interessada que se sentiu muito mobilizada pela proposta.

Obviamente a intenção da atividade não é a fixação ou memorização de conteúdo da disciplina. Seu objetivo é estimular o aluno a pôr-se no lugar dos seres humanos da época estudada, a pensar segundo seus critérios e valores, enfim, a ver o mundo por outra perspectiva. Considero estas habilidades muito importantes para a formação de um aluno capaz de pensar historicamente.

Concluo lembrando o historiador britânico Peter Laslett, que ressaltava a importância da imaginação histórica no ofício de historiador, ajudando-o a se guiar nos labirintos das fontes, interpretando-as criativamente, de modo a propor questionamentos ou hipóteses cada vez mais ricos.