sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Razões do povo

Só existe verdadeira democracia quando o Estado e seus centros de poder são constantemente desafiados pelo povo. Os tiranos são tecidos na obediência, nos legalismos cegos e desalmados. Quem ousa pensar "Liberdade!" já venceu a tirania, pois ela brota nas almas para dominar os corpos; toda tirania e toda liberdade nascem de dentro para fora.

O povo que obedece de bom grado a leis injustas e aos governantes que as tramam já foi massacrado e ainda não sabe. Quem se cala ante as injustiças ainda respira, mas já foi degolado.

O povo ignorante torra na Praia do Egoísmo, enquanto os governantes cozinham sua carne e seus direitos nos caldeirões da obediência. Ao sol escaldante, seus corpos são os restos do massacre cultural, a carniça no campo da batalha que não aconteceu. Respiram aliviados, contentes, bêbados e aniquilados. São cadáveres apodrecidos em vida, pendurados aos ferros do Metrô como as carnes do açougue.

A razão de Estado raramente favorece as razões do povo. É preciso desobedecer.

Os atos cumulativos de desobediência civil às leis injustas forçam as leis a se aproximarem gradativamente da esfera da legitimidade. Haverá um dia em que, pela força e vigilância do povo, todas as leis serão justas?

O presente sufoca, as sombras reinam. Os poderosos são corruptos, os corruptos são poderosos.

Quem consegue sonhar? Apenas quem sonha conseguirá. Quem estiver nas trevas, acenda ainda hoje uma luz - ou pereça na escuridão. Juntas, bilhões de velas fazem um sol, criam um dia, dois dias, cem anos.

A única esperança é ter esperança, a coragem de acreditar na coragem.

Do fundo do poço, só existe uma direção a tomar: para cima.

Vamos criar futuros, semear caminhos, buscar novos rumos. Amanhã haverá Amanhã. Sempre.

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