Só existe exemplo quando enxergo no modelo alguém que eu também posso vir a ser. O ser exemplar é alguém cujas qualidades eu não apenas admiro, mas que de alguma forma pressinto ou reconheço potencialmente presentes em mim mesmo.
quarta-feira, 14 de março de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
A cereja do Boulos
Não sou afiliado nem militante do PSOL; minha opinião é apenas a de um eleitor que (ainda) vê o PSOL como uma opção no meio da podridão partidária que assola o país. Confesso, aliás, que simpatizo mais com o Freixo e com o Chico Alencar e outros membros que com o partido propriamente dito.
Indo direto ao ponto, a candidatura de Guilherme Boulos me parece um grave equívoco, um verdadeiro tiro no pé.
Antes de tudo, porque o próprio Boulos me parece apenas mais do mesmo: outra figura com discurso criptopetista.
Também acho muito desgradável ver uma candidatura montada de forma tão artificial, estruturada em torno de uma figura que sequer era filiada ao partido. Tenho profunda aversão a "criaturas" políticas forjadas de maneira arbitrária e oportunista.
E oportunismo é exatamente o problema aqui. A candidatura Boulos parece fabricada sob medida para captar votos dos órfãos de Lula.
Também acho incoerente ver um partido fundado basicamente em oposição ao PT-PMDB adotar assim uma figura tão comprometida com a defesa do PT nos últimos anos. Me soa como uma capitulação ao chantagismo emocional articulado pelo PT a partir da eleição de 2014 e reforçado desde o impeachment de 2016, uma rendição ao discurso de paranoia persecutória da claque luleana. Há aí certa dimensão de submissão tácita a um discurso petista que sempre exigiu vassalagem do PSOL.
Não menos importante, o PSOL se associa assim a uma figura cujas atitudes e discursos só tenderão a acentuar a imagem do partido de "esquerda raivosa", num momento nada favorável a isso.
A meu ver, essa candidatura apequena o PSOL. Não vencerá eleição e queimará o filme do partido em eventuais candidaturas estaduais e ao legislativo. No Rio de Janeiro, especificamente, em lugar de se formular uma candidatura viável no atual contexto estadual (o que seria realista), perde-se tempo forjando uma quimérica, estéril e polêmica campanha presidencial, que já está dividindo um partido cujas tensões internas são habitualmente intensas.
O PSOL mira o alvo errado, no momento errado, com a arma errada.
Me entristece ver Freixo como idealizador e principal articulador dessa sandice.
Mas triste mesmo é ver o tal vídeo do Lula apoiando a candidatura em questão.
É ou não é a cereja do Boulos...?
Indo direto ao ponto, a candidatura de Guilherme Boulos me parece um grave equívoco, um verdadeiro tiro no pé.
Antes de tudo, porque o próprio Boulos me parece apenas mais do mesmo: outra figura com discurso criptopetista.
Também acho muito desgradável ver uma candidatura montada de forma tão artificial, estruturada em torno de uma figura que sequer era filiada ao partido. Tenho profunda aversão a "criaturas" políticas forjadas de maneira arbitrária e oportunista.
E oportunismo é exatamente o problema aqui. A candidatura Boulos parece fabricada sob medida para captar votos dos órfãos de Lula.
Também acho incoerente ver um partido fundado basicamente em oposição ao PT-PMDB adotar assim uma figura tão comprometida com a defesa do PT nos últimos anos. Me soa como uma capitulação ao chantagismo emocional articulado pelo PT a partir da eleição de 2014 e reforçado desde o impeachment de 2016, uma rendição ao discurso de paranoia persecutória da claque luleana. Há aí certa dimensão de submissão tácita a um discurso petista que sempre exigiu vassalagem do PSOL.
Não menos importante, o PSOL se associa assim a uma figura cujas atitudes e discursos só tenderão a acentuar a imagem do partido de "esquerda raivosa", num momento nada favorável a isso.
A meu ver, essa candidatura apequena o PSOL. Não vencerá eleição e queimará o filme do partido em eventuais candidaturas estaduais e ao legislativo. No Rio de Janeiro, especificamente, em lugar de se formular uma candidatura viável no atual contexto estadual (o que seria realista), perde-se tempo forjando uma quimérica, estéril e polêmica campanha presidencial, que já está dividindo um partido cujas tensões internas são habitualmente intensas.
O PSOL mira o alvo errado, no momento errado, com a arma errada.
Me entristece ver Freixo como idealizador e principal articulador dessa sandice.
Mas triste mesmo é ver o tal vídeo do Lula apoiando a candidatura em questão.
É ou não é a cereja do Boulos...?
Tienda del Chávez
A Venezuela está em pandarecos, mas Chavéz foi um dos maiores governantes latinoamericanos - "foi sem querer querendo". O Brasil cai aos pedaços, mas "nunca antes na História desse país" (NANHDP) houve um governo melhor que o do PT.
Sartre, filosofastro maior do século das ideologias, tinha razão: o inferno são os outros - o Temer, a elite do atraso, a mídia golpista, o Moro, o imperialismo ianque, a crise mundial, a classe mérdia, os energéticos, os energúmenos, os aerolitos, o gato, o Quico e o outro gato. Por sinal, o próprio Sartre achava que o Stalin era um bom camarada: gulag na Sibéria dos outros é refresco - de limão, que parece de tamarindo e tem gosto de abacaxi Maduro.
E, é claro, superada a ressaca da "Copa das Copas", o Brasil ganhará a Copa de 2018: só falta combinar com os russos... Dios es Fidel.
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| A burguesia colonizada pelo imperialismo não suporta o sucesso da gentalha... |
quarta-feira, 7 de março de 2018
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Pense na sua linguagem
Pense na sua linguagem, antes que ela pense por você.
A linguagem pode libertar ou aprisionar.
Malcuidada, descuidada, desatenta, repetitiva, a linguagem cai na rotina e se torna um espesso véu entre nós e a realidade. Frases feitas e palavras retumbantes são verdadeiras armadilhas. É muito fácil repeti-los, mas pode ser muito difícil caminhar para além deles, explorar novos horizontes.
Você se questiona sobre os múltiplos significados das palavras que usa?
Você costuma usar palavras cujo significado não domina plenamente?
Você se intimida com palavras "difíceis"?
Você tem hábito de consultar dicionários?
Você usa neologismos sem questionar se eles são realmente necessários ou meros modismos?
Você tem hábitos sólidos de leitura?
Você reflete profundamente sobre os slogans que ouve por aí e anda repetindo?
Você usa frases de efeito em demasia?
Você acha que questões extremamente complexas podem ser resolvidas com respostas excessivamente simples?
Você presta atenção aos valores implícitos nos adjetivos e advérbios que lê?
Você se deixa levar por linguagem exagerada?
Você procura diferenciar emoções de argumentos?
Você tenta distinguir informações de opiniões?
Você costuma comparar e ponderar argumentos?
Você gosta de usar termos agressivos?
Você presta mais atenção ao tom de voz das pessoas que ao conteúdo de suas falas?
Você tenta esclarecer calmamente suas dúvidas ou passa correndo por elas?
Você reflete suficientemente antes de falar ou escrever alguma coisa?
Você se preocupa em expor suas ideias com clareza?
Você aceita ou repete informações novas sem verificar sua procedência?
Você busca formular perguntas pertinentes sobre os assuntos que discute?
Quem não pensa criticamente sobre a linguagem que usa, engole pensamentos requentados ou vomita ideias mal digeridas. Pensa que pensa, sem verdadeiramente pensar.
A linguagem pode libertar ou aprisionar.
Malcuidada, descuidada, desatenta, repetitiva, a linguagem cai na rotina e se torna um espesso véu entre nós e a realidade. Frases feitas e palavras retumbantes são verdadeiras armadilhas. É muito fácil repeti-los, mas pode ser muito difícil caminhar para além deles, explorar novos horizontes.
Você se questiona sobre os múltiplos significados das palavras que usa?
Você costuma usar palavras cujo significado não domina plenamente?
Você se intimida com palavras "difíceis"?
Você tem hábito de consultar dicionários?
Você usa neologismos sem questionar se eles são realmente necessários ou meros modismos?
Você tem hábitos sólidos de leitura?
Você reflete profundamente sobre os slogans que ouve por aí e anda repetindo?
Você usa frases de efeito em demasia?
Você acha que questões extremamente complexas podem ser resolvidas com respostas excessivamente simples?
Você presta atenção aos valores implícitos nos adjetivos e advérbios que lê?
Você se deixa levar por linguagem exagerada?
Você procura diferenciar emoções de argumentos?
Você tenta distinguir informações de opiniões?
Você costuma comparar e ponderar argumentos?
Você gosta de usar termos agressivos?
Você presta mais atenção ao tom de voz das pessoas que ao conteúdo de suas falas?
Você tenta esclarecer calmamente suas dúvidas ou passa correndo por elas?
Você reflete suficientemente antes de falar ou escrever alguma coisa?
Você se preocupa em expor suas ideias com clareza?
Você aceita ou repete informações novas sem verificar sua procedência?
Você busca formular perguntas pertinentes sobre os assuntos que discute?
Quem não pensa criticamente sobre a linguagem que usa, engole pensamentos requentados ou vomita ideias mal digeridas. Pensa que pensa, sem verdadeiramente pensar.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Gota e rio
Cada pessoa traz em si uma parte do que foi, em ato, bem como uma parte do que virá, em potência. É gota d'água, porque faz parte do rio; faz parte do rio, porque é gota d'água.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Máscaras do Carnaval
Por mais que o Crivella me pareça execrável, o tal enredo da Mangueira me soa mais como politiqueiro que político. Se a Mangueira está realmente interessada em discutir politicamente o Carnaval, por que não debater a assimetria com que os recursos oferecidos pela prefeitura são distribuídos entre as escolas do grupo especial e dos demais grupos?
Crivella vem usando o Carnaval para consolidar sua posição junto a seu eleitorado cativo; isso é visível. Todavia, a Mangueira me parece mais usar (nem tão astutamente) a posição de vítima para advogar em causa própria. O destaque do político Chiquinho da Mangueira na história toda não me parece nada inocente.
Vale lembrar, inclusive, que esse foi um dos temas usados para crucificar o Freixo nas eleições de 2012, então declarado inimigo nº 1 das escolas de samba...
Ao contrário do que prega certo imaginário "de esquerda", as escolas de samba, especialmente as do grupo especial, agregam interesses por vezes muito distantes do que se qualifica ingenuamente como "luta popular"...
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Pensamentos datados
O fato de uma reflexão ser datada não a torna necessariamente irrelevante; tampouco significa que ela esteja além de qualquer renovação ou atualização. O "defeito" de algumas obras "datadas" muitas vezes se encontra mais na falta de imaginação do leitor que nas limitações do autor.
Como bem sabiam os românticos piratas, tudo é uma questão de "abordagem" - e também de não abandonar prematuramente o navio. Muitos naufrágios podem ser evitados com diligente esforço da tripulação - e quantas reflexões interessantes afundam por falta de esforço... Quanto tempo se perde requentando problemas e reinventando a roda!
Tudo parece datado para os apressados; tudo é velho demais para os apaixonados por modismos. A boa produção intelectual não é trabalho de afobados.
Como bem sabiam os românticos piratas, tudo é uma questão de "abordagem" - e também de não abandonar prematuramente o navio. Muitos naufrágios podem ser evitados com diligente esforço da tripulação - e quantas reflexões interessantes afundam por falta de esforço... Quanto tempo se perde requentando problemas e reinventando a roda!
Tudo parece datado para os apressados; tudo é velho demais para os apaixonados por modismos. A boa produção intelectual não é trabalho de afobados.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Instinto, liberdade, hábito
Trecho traduzido de Les deux sources de la morale et de la religion, de Henri Bergso; grifos meus
Consideremos duas linhas divergentes de evolução e sociedades na extremidade de uma e de outra. O tipo de sociedade que parecerá mais natural será evidentemente o tipo instintivo: o laço que une entre elas as abelhas da colmeia se parecem muito mais com aquele que retém juntas, coordenadas e subordinadas umas às outras, as células de um organismo. Suponhamos um instante que a natureza tenha querido, na extremidade desta outra linha, obter sociedades onde uma certa latitude fosse deixada à escolha individual: ela terá feito com que a inteligência obtivesse aqui resultados comparáveis, quanto à sua regularidade, àqueles do instinto na outra; ela recorreria ao hábito. Cada um desses hábitos, que se poderá chamar "morais", será contingente. Mas seu conjunto, quero dizer o hábito de contrair hábitos, estando na base mesmo das sociedades e condicionando sua existência, terá uma força comparável àquela do instinto, em sua intensidade e em sua regularidade. Aí está precisamente aquilo que nós chamamos "o conjunto da obrigação" ["le tout de l'obligation"].
Consideremos duas linhas divergentes de evolução e sociedades na extremidade de uma e de outra. O tipo de sociedade que parecerá mais natural será evidentemente o tipo instintivo: o laço que une entre elas as abelhas da colmeia se parecem muito mais com aquele que retém juntas, coordenadas e subordinadas umas às outras, as células de um organismo. Suponhamos um instante que a natureza tenha querido, na extremidade desta outra linha, obter sociedades onde uma certa latitude fosse deixada à escolha individual: ela terá feito com que a inteligência obtivesse aqui resultados comparáveis, quanto à sua regularidade, àqueles do instinto na outra; ela recorreria ao hábito. Cada um desses hábitos, que se poderá chamar "morais", será contingente. Mas seu conjunto, quero dizer o hábito de contrair hábitos, estando na base mesmo das sociedades e condicionando sua existência, terá uma força comparável àquela do instinto, em sua intensidade e em sua regularidade. Aí está precisamente aquilo que nós chamamos "o conjunto da obrigação" ["le tout de l'obligation"].
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| Uma convenção tornada poderosa - pero no mucho - pelo hábito. |
Assuntos relacionados:
Antropologia,
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Cotidiano,
Democracia,
Desobediência Civil,
Devaneios,
Filosofia,
Imagens,
Permanências culturais,
Teoria
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
4 notas sobre a condenação de Lula
1) Independentemente de pontos de vista pessoais sobre o dito-cujo, acho seguro afirmar que Lula se tornou uma das figuras mais marcantes do imaginário político do Brasil República, ficando atrás apenas de Getúlio Vargas.
2) Acompanhei o voto do Desembargador Gebran; me pareceu bem fundamentado, coerente e consistente. Tecnicalidades jurídicas à parte, não sobra muito espaço para qualquer dúvida razoável sobre a culpa de Lula. É triste ver uma figura de sua envergadura política nessa posição, mas não adianta tapar o sol com a peneira. Hora de virar a página e seguir em frente... Sem ódio contra o Lula e o PT, nem contra seus adversários - o ódio envenena a alma e mata a república. Tentemos ter a grandeza de alma que tem faltado a nossos governantes.
3) Algumas pessoas se mostram dispostas a destruir a República para botar o Lula na cadeia; outras pessoas parecem igualmente dispostas a destruir a República para manter Lula fora da cadeia. Uns e outros se acham cidadãos exemplares por pensar dessa ou daquela maneira. Uns querem Lula preso, mesmo que seja inocente; outros querem Lula livre, mesmo que seja culpado. Qual seria o nome para isso? Pragmatismo? Cinismo? Loucura?
Leandro Narloch, os escravos e os historiadores
Outro dia me dei ao trabalho de dar uma olhada no tal livro sobre escravos do tal Leandro Narloch.
Confesso que achei menos pior que os tais "guias politicamente incorretos" do mesmo autor. Não vi deslizes teóricos ou metodológicos excessivamente graves para um trabalho de divulgação. Discordo do posicionamento do autor acerca do tema e acho as interpretações dele forçadas, mas me parece um problema mais da ordem dos juízos de valor que da análise historiográfica propriamente dita.
Não me pareceu uma obra fraudulenta ou de má-fé. Há forçações de barra comparáveis em vários autores de esquerda. O autor já foi muito menos criticado por coisa muito pior produzida anteriormente. E talvez seja exatamente esse o problema: a obra incomoda mais por ser menos grosseira que as anteriores.
Justamente por não ser de todo ruim, o livro merecia críticas menos superficiais da parte dos especialistas. Muitas das críticas à obra que li ficam mais no plano do argumento de autoridade acadêmica que da refutação válida ao trabalho propriamente dito. Algumas parecem reproduções umas das outras, refletindo mais o eco dos corredores universitários que respondendo ao discurso do próprio autor. Fico com a impressão de que muita gente criticou sem sequer ler as orelhas do livro.
Acho que o historiador acadêmico/universitário precisa sair de sua zona de conforto, se quiser realmente se fazer ouvir no debate público. Não adianta simplesmente agarrar o diploma para bater na obra - não é assim que se conquista credibilidade junto ao público, especialmente quando falamos a partir de um campo que não goza de muito reconhecimento ou prestígio junto ao grande público, como é o caso das ciências humanas no Brasil.
Às vezes, a crítica superficial e precipitada pode ser mais daninha que o silêncio. Não adianta achar que nos basta de vez em quando descer de nossos páramos acadêmicos e trovejar olimpicamente para um público que acha que tudo em ciências humanas é apenas "questão de opinião". Tal postura só tende a confirmar e consolidar esse preconceito contra as ciências humanas.
Tudo isso me lembra certa ocasião em que participei de um evento de divulgação. Havia ali um público leigo interessado, que visivelmente acabara de sair do trabalho e, em lugar de ir para casa ou para a happy hour, resolveu ir assistir uma mesa redonda sobre História. Na minha opinião, isso deveria ser motivo de júbilo para o intelectual. Findo o evento, meu companheiro de mesa me confessa, entediado: "É por isso que não gosto desse tipo de evento - as perguntas são muito superficiais". Claro que sim! Que tipo de pergunta ele esperava de um público leigo?! Na ocasião, em minha insignificância de novato, me limitei a responder com um sorriso - pouco irônico, temo dizer.
Enquanto o historiador acadêmico continuar a menosprezar "esse tipo de evento" ou a responder preguiçosamente a "esse tipo de livro", nossa voz continuará a ser apenas um tímido eco pós-graduado perante os moucos ouvidos de uma sociedade que mal sabe ler e escrever...
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Políticos de Pavlov
Desconfio que os partidos políticos treinem seus membros e militantes usando alguma técnica de adestramento à base de reflexos condicionados.
O fato é que, mal vêm um microfone, começam a salivar os clichês de sempre, sem pensar muito antes de espumar...
O fato é que, mal vêm um microfone, começam a salivar os clichês de sempre, sem pensar muito antes de espumar...
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Junho, 2013...
Esse século tinha 13 anos, dado aos exuberantes arroubos da puberdade.
Tudo era possível, nada parecia inalcançável.
Um êxtase febril, délfico, se inalava das nuvens de lacrimogênio. Entre lágrimas e gargalhadas, a greve rugia alegremente. O futuro havia chegado, com ofuscantes sonhos de renovação.
As ruas eram a casa do povo; seu grito estremecia os palácios. Das trevas da Inglaterra seiscentista, via quadrinhos, tela, Wall Street, como otimista pesadelo, o espectro de Guy Fawkes assombrava as cidades brasileiras.
Que dizer? Que fazer? Que pensar? Ninguém sabia. Apenas os mal informados tinham certezas. Não havia promessas ou premissas naquela sensata loucura. Tudo era imprevisto; tudo era imprevisível. O inesperado trazia esperança; o desejo nascia do indesejável.
O Corcovado era Vesúvio. O mar virou sertão. Os índios, finalmente, devoraram Cabral.Ninguém estava vacinado contra a revolta.
Maracanã, Maracanã!
Prometeico 2013. Ano dionisíaco. Ano satírico. Ano titânico e olímpico a um só tempo. Ano-milênio-era. Alfa, Ômega e Jânus.
Que nos sobrou de 2013?!
Tudo era possível, nada parecia inalcançável.
Um êxtase febril, délfico, se inalava das nuvens de lacrimogênio. Entre lágrimas e gargalhadas, a greve rugia alegremente. O futuro havia chegado, com ofuscantes sonhos de renovação.
As ruas eram a casa do povo; seu grito estremecia os palácios. Das trevas da Inglaterra seiscentista, via quadrinhos, tela, Wall Street, como otimista pesadelo, o espectro de Guy Fawkes assombrava as cidades brasileiras.
Que dizer? Que fazer? Que pensar? Ninguém sabia. Apenas os mal informados tinham certezas. Não havia promessas ou premissas naquela sensata loucura. Tudo era imprevisto; tudo era imprevisível. O inesperado trazia esperança; o desejo nascia do indesejável.
O Corcovado era Vesúvio. O mar virou sertão. Os índios, finalmente, devoraram Cabral.Ninguém estava vacinado contra a revolta.
Maracanã, Maracanã!
Prometeico 2013. Ano dionisíaco. Ano satírico. Ano titânico e olímpico a um só tempo. Ano-milênio-era. Alfa, Ômega e Jânus.
Que nos sobrou de 2013?!
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
O saldo da I Guerra Mundial - Uma amostra
Estatísticas da I Guerra Mundial na França
Perdas humanas:
-1.700.000 mortos
-3.595.000 feridos
-56.000 amputados
-65.000 mutilados
-930ha de cemitérios militares
Perdas materiais:
-11 departamentos [circunscrições administrativas
francesas] devastados
-2.907 cidades e aldeias devastadas
-485.600ha de florestada devastados
-194.040 edifícios residenciais destruídos
-9.332 fábricas destruídas
-58.967 km de estradas destruídas
-8.333 obras de arte destruídas ou extraviadas
-780km de front (trincheiras) – 330.000.000 de
metros cúbicos de terra necessários para terraplenagem
-2,5 bilhões de francos em despesas (suficientes
para construir uma casa de quatro cômodos para cada habitante da Europa na
época)
Fonte: TARDI. Era
a guerra de trincheiras
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