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sábado, 26 de novembro de 2016

Sofrimento e estatísticas

É fácil mentir usando estatísticas, especialmente quando a própria estatística parte de estimativas duvidosas.

Por exemplo, acabo de ler que talvez 1 milhão de mulheres francesas sejam vítimas de violência sexual ou doméstica por ano. Acho que está muito majorado. Se fosse verdade, em 30 anos TODAS as mulheres francesas teriam sido vitimadas. Tendo a duvidar.

Enfim, UMA única mulher violentada ou agredida já é grave suficiente para mim; não vejo necessidade de recorrer a exorbitâncias estatísticas para ficar indignado com a situação. Pelo contrário, tentativas de quantificar o sofrimento humano muitas vezes me escandalizam. Para uma mulher estuprada, pouco importam os números. A dor infinita, multiplicada por 2, 5, 10 ou um milhão, permanece infinita em qualquer caso. É questão de intensidade, não de quantidade. Os historiadores nunca chegaram a uma estimativa confiável dos mortos no massacre de São Bartolomeu - ainda assim, não há dúvidas sobre sua monstruosidade.

Por sinal, "gravis" em latim significa "pesado". De fato, acho que a oposição peso versus quantidade sugere uma maneira relevante para pensar o problema - ou "ponderar" sobre ele.

Enfim, um país onde apenas uma mulher fosse estuprada por ano seria certamente menos pior que um país onde isso ocorresse com um milhão; ainda assim, seria uma insuportável dose de sofrimento.
 
Está lançada a polêmica...

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