sexta-feira, 5 de junho de 2020
"Caráter discutível"
Caráter discutível todos temos. O problema está nas pessoas com caráter "indiscutível". Como diz meu psiquiatra, os únicos seres humanos absolutamente isentos de contradições são os sociopatas. Estes sabem o que querem e fazem qualquer coisa para obter, sem a menor sombra de escrúpulos. Ao resto de nós, cabe caminhar na corda bamba de nossas consciências.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Das curvas
Os vales quase sempre importam mais que os picos. No fim das contas, a vida se resume sempre a escapar da pior hipótese - a melhor das hipóteses quase nunca se concretiza. Contar com a sorte é típico dos tolos.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Imprensa, liberdade e responsabilidade
"A imprensa é uma grande força, mas, assim como uma torrente descontrolada de água submerge paisagens inteiras e devasta plantações, assim também uma pena descontrolada só serve para destruir. Se o controle for exterior, ele se torna mais venenoso que a falta de controle. Só pode ser vantajoso se exercido internamente. Se essa linha de raciocínio for correta, quantos jornais do mundo passariam pelo teste? Mas quem poria fim aos inúteis? E quem deveria ser o juiz? Os úteis e os inúteis, assim como o bem e o mal de forma geral, precisam continuar a existir juntos, e o ser humano precisa fazer sua escolha".
Gandhi
Gandhi
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Cansaço político
Há alguns meses li uma reportagem onde uma senhora americana se dizia cansada de Trump, que ela só desejava encostar a cabeça no travesseiro e descansar sem pensar na próxima bobagem que o presidente vai aprontar. Me identifiquei totalmente com essa fala...
Pandemia na Vila do Chaves
Seu Madruga
Ficou em casa, pedindo delivery da venda na conta da Dona Florinda.
Chiquinha
Fugiu pela janela, mas só pegou catapora.
Seu Barriga
Como tem um coração imenso, suspendeu a cobrança do aluguel durante a quarentena.
Chaves
Internado por COVID-19, mas feliz: no hospital tem desjejum, almoço, lanche, jantar e ceia garantidos, todo dia.
Dona Florinda
Abriu o restaurante, porque a economia não pode parar. Tomou cloroquina e teve um piripaque colateral.
Quico
Em isolamento domiciliar com COVID-19.
Professor Girafales
"Não me passa isso, moleque!"
Dona Clotilde
Ficou em casa com Satanás.
Jaiminho
Evitou a fadiga e chegou atrasado para a pandemia...
Dona Neves
Já saiu da Gripe Espanhola imunizada contra tudo e contra todos, de pandemias a senhorios.
Godinez
"Quarentena? Que quarentena?!"
Ficou em casa, pedindo delivery da venda na conta da Dona Florinda.
Chiquinha
Fugiu pela janela, mas só pegou catapora.
Seu Barriga
Como tem um coração imenso, suspendeu a cobrança do aluguel durante a quarentena.
Chaves
Internado por COVID-19, mas feliz: no hospital tem desjejum, almoço, lanche, jantar e ceia garantidos, todo dia.
Dona Florinda
Abriu o restaurante, porque a economia não pode parar. Tomou cloroquina e teve um piripaque colateral.
Quico
Em isolamento domiciliar com COVID-19.
Professor Girafales
"Não me passa isso, moleque!"
Dona Clotilde
Ficou em casa com Satanás.
Jaiminho
Evitou a fadiga e chegou atrasado para a pandemia...
Dona Neves
Já saiu da Gripe Espanhola imunizada contra tudo e contra todos, de pandemias a senhorios.
Godinez
"Quarentena? Que quarentena?!"
Onda Antifa
Um experimento humorístico paranoico-crítico pop art delirante a várias mãos. Powered by Gerador de Bandeiras Antifascista; inspired by Dalí and Warhol!
quarta-feira, 27 de maio de 2020
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Da hipocrisia cristã
O cristão se faz hipócrita quando reivindica para si e para os seus a Graça e deseja rigorosamente impor aos "outros" aquilo que ele mesmo entende por Lei.
Esses "outros" podem ser vários, desde não-cristãos, cristãos de outras denominações ou até de uma mesma denominação, mas que apresentem condutas ou pontos de vista discordantes daquele que, farisaicamente, se crê intérprete autorizado da Lei e dono da ortodoxia, "reta opinião".
Para tanto, reivindica para si a força desta ou daquela "autoridade" inquestionável, seja a Tradição, a Escritura, o Magistério eclesiástico, a inspiração do Espírito Santo, a sucessão apostólica, o ensinamento mediúnico de "espíritos de luz" ou qualquer outra coisa que o diferencie dos demais mortais e pela qual se invista de uma certeza inabalável. No fundo, de uma ou outra maneira, forja a autoridade com que ele mesmo se autoriza.
Tal atitude deriva tanto da arrogância quanto do comportamento de manada, de uma arbitrária e orgulhosa convicção de "eleição" que o faz crer que ele e os seus são, de uma ou outra maneira, melhores que os demais.
É o tipo de gente capaz de prender, torturar, queimar, matar e massacrar em nome de Deus, a depender das circunstâncias sociais e históricas - a trajetória do Cristianismo, infelizmente, está repleta de exemplos assim.
Crendo-se livre de pecado, tal cristão atira a primeira, a segunda e todas as pedras que puder - contra a adúltera, o ladrão, o gay, o maconheiro, a abortista, o comunista e quem mais julgar conveniente apedrejar. Por vezes comemora, aberta ou ocultamente, o sofrimento ou a morte daqueles que tem por inimigos. Se regozija imaginando que este ou aquele arderá nas chamas do "inferno". Como alguns escolásticos, ousa imaginar que Deus perversamente priva seus eleitos de compaixão para que melhor se satisfaçam com o tormento dos pecadores.
Muitas vezes, condena rigorosamente nos outros aquilo que ele mesmo já praticou outrora. Cobra dos demais o severo cumprimento de uma "Lei" que ele mesmo transgredia. Enxerga o argueiro no olho do irmão e não apenas ignora, mas se orgulha da trave com que cobre seus próprios olhos. Fala em Amor, transpirando Ódio.
No fundo, o que lhe vale é o princípio nada cristão: "aos amigos tudo, aos inimigos a Lei".
Se enxerga como Estêvão, mas age como Saulo.
A tal cristão, em sua zelosamente cultivada cegueira, resta apenas a esperança de, algum dia, realmente ingressar no caminho de Damasco...
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| Mão que apedreja. |
Sobre Moro, Bolsonaro e o vídeo da reunião ministerial
Ninguém, em sã consciência, esperava uma declaração explícita de Bolsonaro falando com todas as letras que queria interferir na PF para proteger os filhos de investigações - seria ingenuidade.
Todavia, o vídeo serve como evidência circunstancial, a compor o conjunto probatório, como mais uma pecinha do quebra-cabeças, entre outras.
Do ponto de vista processual, o vídeo é importante para que Bolsonaro esclareça, depondo em juízo, o que quis dizer. Lembrando que ele será interrogado tanto pelo MP quanto pelos advogados de Moro - e tenho certeza de que os advogados de Moro vão jogar duro.
Uma coisa é falar com jornalista e militante, outra coisa é prestar depoimento - Lula sentiu na pele essa diferença. O próprio Moro não aguentou a pressão quando foi convidado a depor sobre a "Vaza-Jato" na Câmara dos Deputados. Se os advogados de Moro trabalharem direitinho, conseguirão esfolar Bolsonaro.
Ainda há muita tinta para correr nesse inquérito. A ver.
Os três "Brasis"
Grosseiramente, vejo hoje o Brasil dividido entre três grupos.
Há os bolsonaristas e lulistas, completamente alucinados e delirantes, embriagados por uma mistura de fanatismo, cinismo, comodismo e narcisismo grupal.
Esmagada entre essas massas fanatizadas e demenciadas, uma estreita minoria de pessoas (minimamente) sensatas, que tentam pensar pela própria cabeça e manter alguma sanidade em meio a tanta demência. E mesmo entre os sensatos há quem flerte com uma ou outra insensatez.
Faço ainda a ressalva de que, embora se alimentem mutuamente, o fanatismo bolsonarista é muito mais perigoso que o lulista.
Mesmo em seus piores momentos a militância petista respeita (embora por vezes tensione) os limites do jogo democrático e republicano. A militância bolsonarista, por outro lado, ignora ou despreza esses limites e a ala mais fanática sonha simplesmente com a própria destruição da ordem constitucional.
Estamos na corda bamba, pulando com um pé só, tentando equilibrar um ovo de avestruz numa colher de café apertada entre os dentes - e não há rede de proteção embaixo...
Povos indígenas, descaso crônico e pandemia
Reflexão da antopóloga Maria Luísa Lucas, que trabalha com a etnia Bora, na Colômbia, e acaba de perder uma amiga indígena na atual pandemia. A reflexão não é pertinente apenas ao contexto colombiano; define bem a situação das populações indígenas em toda parte.
Além das ajudas emergenciais, uma reflexão é necessária.
Essas pessoas não estão morrendo de Covid, elas estão morrendo de anos e anos de falta de assistência de saúde básica. E isso em vários níveis.
Primeiro se vêem obrigadas a viver na cidade, onde não tem a mesma segurança alimentar da aldeia. Não têm trabalho fixo (boa parte dos indígenas em Leticia vive de vender coisas na rua ou como diaristas, pedreiros, etc.).
Têm um sistema de saúde público privatizado nas tais EPS que faz com que as pessoas tenham um acesso muito heterogêneo a coisas básicas como exames e tratamento de diabetes, hipertensão, obesidade, alcoolismo (cada vez mais comum, sem a segurança alimentar)...
E no fim, quando contraem a doença, morrem por não ter leito de hospital, médico, respirador... O mais triste é isso.
É o terceiro indígena que conhecia pessoalmente que morre não só porque a doença é grave, mas principalmente porque não teve assistência médica.
Essas pessoas não estão morrendo de Covid, elas estão morrendo de anos e anos de falta de assistência de saúde básica. E isso em vários níveis.
Primeiro se vêem obrigadas a viver na cidade, onde não tem a mesma segurança alimentar da aldeia. Não têm trabalho fixo (boa parte dos indígenas em Leticia vive de vender coisas na rua ou como diaristas, pedreiros, etc.).
Têm um sistema de saúde público privatizado nas tais EPS que faz com que as pessoas tenham um acesso muito heterogêneo a coisas básicas como exames e tratamento de diabetes, hipertensão, obesidade, alcoolismo (cada vez mais comum, sem a segurança alimentar)...
E no fim, quando contraem a doença, morrem por não ter leito de hospital, médico, respirador... O mais triste é isso.
É o terceiro indígena que conhecia pessoalmente que morre não só porque a doença é grave, mas principalmente porque não teve assistência médica.
domingo, 24 de maio de 2020
Brasil - Chega de palhaçada
Eu teria muitos comentários a fazer sobre os acontecimentos do Grande Circo Brasil na última semana. Mas não vou.
"O Brasil não é um país sério" - e ando farto dessa palhaçada.
Há um momento em que o cidadão sensato simplesmente cansa de tanta gente grotesca, com sua grosseria, boçalidade e baixaria.
Há um limite para a paciência.
Por hoje, prefiro estudar sobre os petróglifos do Alto Rio Negro. Antes dedicar minha atenção à arte gravada na pedra que a essas toscas garatujas que, com sorte, as marés do tempo hão de apagar da areia.
Deixo aos palhaços suas palhaçadas. Que riam, se graça houver. A vida é curta demais para se consumir discutindo tolices e eu não paguei para entrar nesse circo.
Ao menos por hoje quero paz.
"O Brasil não é um país sério" - e ando farto dessa palhaçada.
Há um momento em que o cidadão sensato simplesmente cansa de tanta gente grotesca, com sua grosseria, boçalidade e baixaria.
Há um limite para a paciência.
Por hoje, prefiro estudar sobre os petróglifos do Alto Rio Negro. Antes dedicar minha atenção à arte gravada na pedra que a essas toscas garatujas que, com sorte, as marés do tempo hão de apagar da areia.
Deixo aos palhaços suas palhaçadas. Que riam, se graça houver. A vida é curta demais para se consumir discutindo tolices e eu não paguei para entrar nesse circo.
Ao menos por hoje quero paz.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
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