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sábado, 12 de novembro de 2016

Fundamentos da religião Capetalista

"O Capetalismo é uma religião fundada na Europa por volta do século XV.

Seu principal patriarca é Jacó Fugger (1459-1525), mas o maior profeta da religião foi Adão Smith, o primeiro a testemunhar a ação providencial da Mão Invisível, como mostra o Novíssimo Testamento. Friedman é seu teólogo mais popular atualmente; ele redigiu a Concordata do Estado Mínimo, ratificada no Segundo Concílio de Wall Street. Uma das mais perigosas heresias capetalistas foi liderada pelo autointitulado profeta João Keynes, mas se encontra hoje em vias de extinção. 

Atualmente o Capetalismo possui inúmeras denominações; as denominações mais comuns no Brasil são Santander, Bradesco e Itaú. O partido brasileiro PMDB sofre constantes acusações de misturar política com a pauta religiosa capetalista, porém sua principal liderança atual segue, na verdade, o Satanismo. 

A religião capetalista adora a Diabólica Trindade composta pelos ídolos Jurus, Lucrus e Efitientia. Nos tempos da Revolução Industrial essas divindades eram apaziguadas pelo sacrifício de criancinhas em minas de carvão, mas a liturgia atual costuma ser celebrada em altares conhecidos como 'caixas eletrônicos', onde são costumeiramente imolados trabalhadores (adultos). Os principais teólogos capetalistas defendem a escravidão por dívidas como prática meritória. O Capetalismo é praticado em templos denominados 'bancos'. 

Existem capetalistas praticantes e não-praticantes: os primeiros costumam ser identificados como 'ricos', enquanto os segundos são conhecidos como 'pobres'. No entanto, muitos 'pobres' costumam se identificar como 'classe média'. A principal peregrinação capetalista é a viagem à Disneylândia; muitos jovens brasileiros costumavam cumprir essa obrigação como rito de passagem, ao completar 15 anos de idade, mas essa prática se torna cada vez menos comum. 

O principal festival capetalista chama-se Natal, data comemorativa derivada de uma religião mais antiga, conhecida como Cristianismo, cujo fundador certa vez teria dito: 'É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus'". 

(Extraído de Marx Wermer, A ética capetalista e o espírito do neoliberalismo)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Superar o binômio esquerda-direita? Breves notas

- Acho que nesse momento as críticas à esquerda são necessárias e bem vindas, venham de onde quer que venham. Estamos numa encruzilhada, e encruzilhadas são momentos importantes para a reflexão - reflexão que já chega atrasada, inclusive. 

- Quanto à quase-eleição do Freixo, considero que foi vitoriosa em quase todos os sentidos. Esse "quase" tem muitas nuances significativas: mostra que há limitações e desafios, mas também um grande potencial para mudanças. 

- Até 2018 ainda vai acontecer muita coisa no Brasil e no mundo, e acho (ou espero) que o mandato presidencial 2018-2022 será um mandato de apaziguamento e acerto de contas. Até 2020, a esquerda em todos os seus registros (partidário, sindical, estudantil, social etc) pode  e deve se renovar. Muito dependerá do desfecho da Lava-Jato, e das reações que partirão da própria esquerda. A construção futura da memória de Lula e do PT também desempenharão um papel decisivo. Quanto ao PSOL, terá um papel cada vez mais importante nesse panorama, mas acho que não se tornará um "senhor das esquerdas" nos moldes do PT. Espero que também não se entregue ao discurso messiânico e ufanista em estilo petista. Depois do brizolismo e do lulismo, espero que não venha por aí o freixismo... 

- A figura do "trabalhador" precisa retornar vigorosamente à cena política, e o palco privilegiado para essa ação não são os partidos políticos, nem os sindicatos (aparelhados por esses mesmos partidos); acho que as agremiações independentes de trabalhadores podem realizar um importante papel nessa história, desde que não se tornem meros nichos de oposição sindical. O século XXI precisa reinventar o trabalhismo.

- Finalmente, espero que nos próximos anos tenhamos, no mundo inteiro, o vigor cultural necessário para superar de uma vez por todas esse engessado e anacrônico binômio esquerda-direita, que funciona cada vez menos. Não gosto dessa glosa emergente e cada vez mais frequente à esquerda, que tenta vestir os mesmos bonecos como "progressista" e "conservador" - embora me pareça um sinal de transformação que se esboça nessas linguagens. Minha principal crítica ao termo "progressista" é seu cheiro iluminista; os "progressistas" realmente sabem em que direção fica o "progresso"? Como o "progresso" escolhe seus arautos?

-  Quanto aos "conservadores", eles estão aí e chegaram para ficar (sempre estiveram, na verdade). Não teremos como subjugá-los (nem seria positivo); resta ouvi-los, tentar compreende-los e estabelecer linhas de diálogo.  

- O mundo anda cada vez mais repleto de muros, e eles não estão em Berlim...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Carta a um jovem estudante de História, eleitor de Bolsonaro

Rapaz, 

cuidado com as opiniões venenosas que você anda consumindo. Tenho muitos amigos de direita e nunca excluí ninguém por opiniões políticas. Tenho um conhecido que era (talvez ainda seja) petista fanático e o excluí do Face porque ele não respeitava ninguém. Não é o seu caso. Pelo pouco que pude conhecer de você, acho que você é uma pessoa honesta, sincera e de bom coração. Pelas suas postagens, parece que você é um ótimo filho e neto. 

Imagino que você deve ser uma pessoa muito melhor que o Bolsonaro. Bolsonaro, assim como Lula, é um grande manipulador; não há quase conteúdo nenhum por baixo da gritaria de ambos. Não se deixe manipular por discursos passionais e pensamentos estreitos; você me parece ser um cara inteligente, mas acho que ainda tem um longo caminho pela frente como historiador. 

Procure conhecer bons autores de direita - eles existem. Bolsonaro provavelmente não os conhece, mas eles existem. Bolsonaro é um cego guiando cegos; não seja mais um deles. Recomendo começar pelo Christopher Dawson e pelo Otávio Velho. São leituras desafiadoras, mas valerão a pena. Como digo para meus alunos, precisamos de bons historiadores e pensadores de direita e de esquerda - andam em falta em ambos os lados. 

Não excluo você pelas suas opiniões políticas, mas não quero mais partilhar do veneno que você anda consumindo e divulgando. 

Um abraço, fique com Deus e que Clio ilumine os seus caminhos!

Devaneios sobre distrações, reflexos, moedas e um quase-atropelamento

Ontem, por volta de meio-dia, eu aguardava na faixa de pedestres para atravessar a Rua Barata Ribeiro, no cruzamento com Siqueira Campos. Quando o sinal fechou, os carros pararam à minha direita. Iniciei a travessia.

De repente, olhei para a esquerda: uma moto vinha em minha direção, pela contramão! Pânico - uma vaga impressão de perigo iminente. Um átimo de segundo depois, percebi que o veículo era, na verdade, uma bicicleta elétrica. Num infinitesimal intervalo de tempo - sem pensar muito bem, ou talvez pensando bem demais - tomei uma estranha decisão: em lugar de me esquivar, avancei com as mãos estendidas ao encontro da embicicletada besta. Num movimento (felizmente) certeiro fui capaz de agarrar a bicicleta pelo guidon, parando bruscamente o veículo. Senti aguda dor nas palmas das mãos e nos punhos, sugerindo que em situação menos vantajosa o impacto poderia ter provocado até uma fratura.. Felizmente fui mais rápido que o gato E o Quico - e não, eu não olhava para uma moça bem bonita.

Passado o perigo, a raiva - ainda com as mãos agarradas ao guidon, gritei alguns impropérios: "Tá maluco, seu babaca?!"...  O ciclista, de 20 ou 22 anos, simplesmente riu - de desdém, nervoso, alívio... Vai saber! Larguei o guidon e ele partiu a toda, ainda na contramão, enquanto eu gritava mais um desaforo, vagamente homofóbicos ("Viado!"). Dois senhores que também esperavam para atravessar comentaram comigo sobre a falta de responsabilidade e respeito do não-tão-jovem ciclista.

Me acalmei de modo extraordinariamente rápido. Fiz uma breve oração pelo imprudente ciclista. Quando o sinal abriu novamente, atravessei a rua sem maiores incidentes e entrei na estação de metrô Siqueira Campos, onde o bilheteiro me deu um troco repleto de moedas de 10 e 5 centavos, se desculpando; sorri: "Moeda também é dinheiro". Retornaremos a isso.

Cerca de meia-hora mais tarde, já no Centro do Rio, relatava o caso a minha esposa durante o almoço, refletindo sobre nossos curiosos processos mentais. Em primeiro lugar, destaco a costumeira sensação de dilatação do tempo ante o perigo, em que tudo parece acontecer mais devagar, num outro ritmo, quase fora do próprio tempo.

Por outro lado, em um intervalo incomensuravelmente pequeno saltei da distração à máxima concentração. "Vi" uma moto, mas logo corrigi o equívoco; baseado nessa correção, tomei uma decisão inteiramente contraintuitiva e um tanto arriscada ("atacar" o veículo, e não fugir dele), cujos resultados se provaram satisfatórios, apesar da dor imediata. Tudo isso - visão, identificação, correção, deliberação, ação, dor - se passou de modo absolutamente consciente, sem emergir ao nível do raciocínio verbal em NENHUM momento. Sem recorrer à verbalização, agi com inteira racionalidade; a seguir, passado o perigo, me entreguei a uma explosão verbal inteiramente irracional, e mesmo preconceituosa. Mais curioso ainda, passei rapidamente desse estado de intensa irritação a uma profunda calma. Em tudo isso parecem perceptíveis as influências tanto de meu incipiente treinamento em Aikido e minhas recentes incursões no campo da meditação budista e da espiritualidade teresiana - disciplinas mentais que tendem a se tornar uma "segunda natureza", modificando reflexos e reações. Com efeito, se o episódio tivesse ocorrido dois anos ou mesmo alguns meses atrás, passaria uma semana resmungando irritado contra o ciclista barbeiro.

Terminado o momento introspectivo e o almoço, saímos pela Saara a fazer compras de material de artesanato. [Intervalo publicitário: bazar em dezembro.] Numa das lojas, a simpática senhora chinesa ao caixa, fluente em português, indagou se tinha troco para facilitar. Catei algumas moedas na minha carteira. "Essa moeda não vale", respondeu ela sorrindo, devolvendo uma enferrujada moeda de cobre. Não eram 5 centavos de real; eram 5 cêntimos de euro, cunhados na Espanha! Eu e minha esposa também rimos do equívoco. Logo deduzi que a moeda viera de algum turista distraído que pagar o metrô em Copacabana. A comerciante chinesa recomendou que a guardasse, para "dar sorte". De fato, a sorte chegara antes da moeda!

Como não lembrar de Dukheim, que usa a circulação de moeda como exemplo de um fato sociológico coercitivo? ...não se pode pagar na Saara com moeda europeia! No entanto, a distração abre brechas à coerção social, como pode acontecer numa movimentada estação de metrô ou num cruzamento de ruas. A moeda estrangeira passou em contrabando, assim como meu homofóbico xingamento, não-tão-estrangeiro, burlando a consciência através da desatenção ou da irritação. Dinheiro e ofensas são linguagens: fluem da sociedade para nós, e de nós de volta para o mundo. Às vezes, como lembrava Freud, lapsos podem acontecer... "Orai e vigiai", dizia Jesus.

De volta à rua, conversávamos sobre o incidente que reunira três continentes através de um turista, um bilheteiro e um passageiro distraídos e uma atenta comerciante chinesa da Saara, fluente em português e "dinheirês". Um ciclista imprudente, uma moeda "na contramão". Uma bicicleta tomada por moto, 5 cêntimos tomados por centavos. Duas infrações legais ocasionadas por equívoco e distração, sanadas pela concentração instantânea e pela rapidez de reação. Talvez, como eu, a comerciante tenha sido tomada, num primeiro instante, por uma vaga sensação de estranhamento, logo compreendida e finalmente verbalizada. Dois episódios curiosos passados em poucas horas, iluminando as fronteiras fluidas, ambíguas e efêmeras entre percepção, consciência e linguagens...

Acho que ando lendo Bergson demais.

P.S.: Há alguns meses um aluno meu respondia a um colega: "Viado não é xingamento; isso é homofobia". Preciso aprender mais com meus estudantes. Melhor, aliás, é não xingar ninguém...

Gotas: Trump, Pezão etc

Os americanos elegeram MAIS UM canalha como presidente. Acontece periodicamente. NÃO é o fim do mundo. Menos, pessoal, menos...
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-Professor, eu não sou de igreja, MAS tenho terno...
(Organizando uma peça de teatro com os alunos do fundamental).
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-Professor, eu não sou de igreja, MAS tenho terno...
(Organizando uma peça de teatro com os alunos do fundamental).
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Olhando o Brasil de 2016, me pergunto: as decantadas "conquistas sociais" foram só uma "marolinha"? O que havia de real nessa miragem? Que cachaça nós tomamos para acreditar nela? Em qual alambique ela foi destilada? Finalmente: o que faremos depois da ressaca...?
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Acho que meu passaporte não tem carimbo suficiente para me preocupar TANTO ASSIM com Trump, Brexit etc... Minha preocupação maior no momento é: a FAETEC paga meu salário desse mês?! Parafraseando uma aluna, "a intelectualidade brasileira sofre de muita falta de alienação..."
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Agora tenho certeza: o Um Anel FOI forjado no Estado do Rio... Contudo, em lugar de Duas Torres, temos dois palácios: Guanabara e Tiradentes... Estamos entre Pezauron e Picciaruman...
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O faro de um bom historiador vale por todos os algoritmos do Facebook. Ginzburg explica...
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Recado de Tears for Fears para os servidores do Estado: "Shout! Shout! Ready or not..."
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Caro colega servidor fluminense: eis uma boa hora para renovar suas convicções políticas e sociais...
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"Baderneiros" gritam "Uh, é Bolsonaro" na ALERJ. Entendeu?!
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Chore, porque o choro une. Sonhe, porque o sonho desperta. Ria, porque o riso ousa. Bata à porta, bata à porta...

Videogame na escola: registros de um experimento

Primeiras imagens do jogo eletrônico que estou desenvolvendo com duas turmas de 6º ano na Escola Municipal Quintino Bocaiúva. Trata-se de um jogo de aventura em gênero RPG, em que os personagens viajam entre diversas ilhas. Cada ilha, com sua respectiva forma de governo, atividade produtiva, forma de trabalho, clima e paisagem é elaborada por um grupo de no máximo 6 alunos. O projeto emprega a plataforma gratuita RPG Maker VX Lite.

Ilha Mederlândia (sic)

Ilha dos Enigmas

Ilha Sky

Ilha dos Monstros

Ilha de Konoha

Ilha King Kong

imperadores, Povos e Poetas

Apesar de nabucodonosor, herodes, nero, gengis khan, torquemada, napoleão iii, hitler, stalin, pinochet, thatcher e tantos outros, o Sol nunca parou de nascer, as Estrelas nunca pararam de brilhar e a Lua nunca cessou suas perpétuas transformações. Há Forças maiúsculas, apesar das pessoas minúsculas.

Existiram Sócrates, Jesus, Gandhi... Houve Bonaparte e houve bonaparte. As nuvens bloqueiam os Astros, mas não podem destrui-los. trump, temer, pezão, crivella... apenas nuvens. O Povo é um Vento que sempre volta a soprar. O Povo, dizia Victor Hugo, é um Oceano cujas marés, cedo ou tarde, afogam todos os tiranos. 

napoleão iii, "o pequeno" foi eleito em 1848 e cometeu seu golpe de Estado em 1851, mas foi escorraçado em 1870. O imperador sob sua coroa tremia ante a voz do Exilado sobre seu Rochedo. 

Amanhã haverá amanhã - e depois de amanhã, também: enquanto houver Povo, enquanto houver Profeta, enquanto houver Poeta, enquanto houver Pranto, enquanto houver Riso, enquanto houver Coração... Enquanto houver pesares, haverá Apesares... Enquanto houver nós, haverá Nós - e desataremos... 

A Semente desce à Terra para germinar - e enquanto houver Sementes, haverá Flores e aguardaremos os Frutos.

Breve diálogo sobre a calamidade fluminense

Taxista: Vai pra onde?

Eu: Vou pra Copacabana, mas como o Estado ainda não me pagou, pode me deixar no metrô de Maria da Graça.

Taxista: Eita, o pessoal fez a maior confusão lá na ALERJ.

Eu: Pois é. Tá brabo...

Taxista: Não concordo com isso...

Eu: Também sou contra todo tipo de violência...


Taxista: ...pra mim, tinham que quebrar o Palácio Guanabara! O "negócio" todo tá vindo de lá...!


Eu: É... Bem...


CONCLUSÃO: o pessoal quer ver sangue... Os governantes deviam temer 1789, mas o povo devia temer 1793... Estaremos no caminho da Vendeia...?! Sempre preferi Gandhi a Guevara...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O mundo "como ele é"...?!

O designer japonês Hajime Narukawa foi recentemente premiado por elaborar uma engenhosa e inovadora projeção cartográfica, que preserva com elegância as proporções entre as superfícies de oceanos e continentes.

Desenvolver qualquer projeção cartográfica original, especialmente depois de tantos séculos de experimentos é uma gigantesca proeza criativa e técnica. Palmas para Hajime Narukawa! Muitas palmas!!!

No entanto, como vivemos num mundo sensacionalista, diversos meios de comunicação divulgaram o mapa como uma imagem "real" do mundo. Algumas mídias, inclusive, deram conotação política à notícia.

Convém, todavia, lembrar que NENHUM mapa representa o mundo "como realmente é". Nosso planeta é aproximadamente esférico, e é impossível retratá-lo de modo absolutamente fiel numa superfície plana. Assim sendo, TODO mapa (inclusive esse, obviamente) é uma projeção; toda projeção cartográfica implica alguma escolha: certas informações são deformadas, para que outras sejam preservadas. Sempre há algum ganho e alguma perda. Lost in mapping: todo cartógrafo, assim como todo tradutor, é um traidor...

Resumindo: existem inúmeras projeções, e todas elas são "verdadeiras" em algum sentido, mas nenhuma delas é 100% verdadeira... A "tradicional" projeção de Mercator é apenas um artifício matemático, que pode ser empregado de diversas maneiras (inclusive botando a Europa num cantinho ou na parte "de baixo", conforme o gosto do freguês) - NÃO é uma projeção hegemônica-eurocêntrica-capitalista-do-mal... ok?!

Chega de ABOLICIONISMO! (Humor)

Respeito a opinião desses abolicionistas, mas não concordo. Quer abolicionismo? Vai pra Inglaterra. Não tenho nada contra a liberdade dos pretos, mas escravo honesto é aquele que trabalha, se esforça, poupa dinheiro e compra alforria com o suor do rosto. Se sair assim dando liberdade pra escravo, esse povo não valoriza: tem que conquistar, tem que merecer. Meu bisavô era escravo e não teve essas molezas.

Eu rio muito com esse pessoal abolicionista-caviar: fica aí criticando, mas aproveita os benefícios da escravidão... Concordo muito com aquele cara que dizia que quem não foi abolicionista antes dos 20 não tem coração, mas quem continua abolicionista depois dos 30 não tem cérebro. Acho esse negócio lindo na teoria, mas queria ver na prática. Esse pessoal quer acabar com a escravidão, mas depois quem vai arrumar senzala pra todo mundo? Querem demonizar o fazendeiro, mas é a fazenda que gera riqueza para a nação e beneficia todo mundo - inclusive o escravo, que tem teto e comida. O maior prejudicado pelo abolicionismo é o próprio escravo.

Enfim, essa ideia de liberdade para todos funciona lá na Europa, mas o brasileiro não tem educação pra isso...

Família tradicional brasileira saindo para passeio.

Arte, vida e imitações

Acho que finalmente entendi: tem gente que assiste Star Wars torcendo pelo Império, pelos Sith, pela Primeira Ordem, pela Estrela da Morte... Deve ser o mesmo tipo de gente que torce pelo Sauron e pelo Voldemort. Prefiro os Ewoks, os Ents ou os elfos domésticos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Crivella, Freixo e as desilusões político-amorosas

Todo mundo já teve desilusões amorosas, mas a maioria das pessoas continua buscando novos relacionamentos. Carlota terminou com Albertino, mas vai namorar com Eudóxio - ela sabe que Albertino e Eudóxio são pessoas diferentes, e pode ter expectativas diferentes. Algumas pessoas casam 1 ou 2 vezes, e acertam na segunda. Outras tentam ainda 3, 4, até 5 vezes. Até dar certo - ou não. Outras ficam tão traumatizadas pelas frustrações que desistem: preferem ficar sozinhas.

Freixo não é o Lula, e o PSOL não é o PT. Por medo, acabamos "casando" por 4 anos com o Crivella (e Garotinhos, Bethlem etc). Fizemos como aquelas pessoas inseguras que vivem desatando e reatando um relacionamento que nunca deu certo, por medo do novo. Fizemos como aquelas mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos, mas aceitam sempre o sacana de volta porque ele trouxe um buquê de flores na mão e um bocado de promessas vazias na boca - mas AGORA vai ser diferente: ele prometeu que vai "cuidar" da gente... Fizemos como aquela amante sem autoestima, esperando eternamente o prometido divórcio que nunca chega - o povo é uma boa amante para seduzir nas eleições e transar nas horas vagas, mas bom mesmo é o casamento seguro com os megaempresários e alianças partidárias. Crivella chega como aquele "galant" de fala mansa, sorriso dourado, cantada suave... É moço religioso, de boa família...

Assim começam muitos casos de violência doméstica...

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Amor, ódio e democracia

Amigos, não cedamos ao rancor. Crivella fez uma campanha movida pelo ódio. Não nos deixemos contaminar e envenenar por esse mesmo ódio. Já perdemos uma eleição; não percamos também o amor e a razão...

O ódio venceu a eleição; não deixemos que conquiste nossos corações. O amor é nossa única linha de resistência!

domingo, 30 de outubro de 2016

Na ascensão de Crivella

Ao que tudo indica, a desinformação, o medo e a acomodação fizeram sua parte. Sou um pessimista esperançoso, mas nesse exato momento o pessimismo leva a melhor...
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O povo do Rio, essa gente trabalhadora e sofrida, merecia um prefeito como o Freixo. Infelizmente, essa gente trabalhadora e sofrida também não tem a Educação que merece, e por isso escolheu um prefeito como o Crivella. E toda escolha tem seu preço...
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O "povo lá de trás" elegeu o prefeito que vai "cuidar" da "vitrine". Que venham as migalhas...
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"Uhu! Crivella! Ô 'bença'! Ô glória" - Gritos de uma vizinha aqui na Abolição. O "povo lá de trás" está contente...
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Crivella ganhou e todos os cidadãos do Rio perderam. É o milagre da multiplicação dos derrotados...
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Maus eleitores. Maus vencedores. Maus cristãos.
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Afinal de contas, o Crivella tem eleitorado ou torcida? Tivemos eleição ou final de campeonato?

Reflexões passageiras sobre socialismo, capitalismo e democracia

Resposta rápida a alguns questionamentos no Facebook:

Para início de conversa, você sabe mesmo o que é socialismo? Sou um socialista muito heterodoxo. Para mim, a democracia vem sempre antes do socialismo. Vejo o socialismo como um conjunto de valores, e não como uma ideologia e, muito menos, um "pacote ideológico" completo. Não acredito em economia planificada, por exemplo - mas também não acho que uma economia de mercado absolutamente desregulada seja boa para ninguém (exceto, talvez, os ricos). Não defendo o socialismo como um "regime político". Costumo, inclusive, brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista, meu estômago é capitalista - e afinal de contas, ninguém vive sem cérebro, coração ou estômago. Para resumir muito minha visão de mundo, creio que o ideal seria termos um mercado forte, um estado mais forte e uma sociedade civil SUPERFORTE, vigiando o Estado e o mercado. Não acredito num estado cuidador (ao contrário do Crivella, por exemplo). Pelo contrário, evoco sempre a sabedoria de Juvenal: "Quem vigia os vigilantes?". Também gosto muito daquele pensamento anônimo, normalmente atribuído a Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". O Estado e o mercado podem (e costumam) se tornar vorazes, e precisam ser cuidadosamente controlados pela sociedade. Concluindo, posso te dizer alguns sentidos em que o socialismo deu muito certo: agradeça aos socialistas, anarquistas, trabalhistas etc do passado por algumas conquistas históricas importantes, como 13º salário, férias remuneradas, previdência social/aposentadoria, licença médica (e outras licenças), escola pública (uma invenção "jacobina"), entre outras coisas que certamente te beneficiam. O capitalismo e o liberalismo seriam insuportáveis se não tivessem incorporado, historicamente, inúmeras demandas vindas do campo da "esquerda". Quanto aos impostos, eles são sempre necessários - a não ser que você prefira viver numa sociedade anarquista, o que deve ser legal pra caramba. O que é extremamente necessário - e não acontece aqui no Brasil - é uma distribuição mais justa e proporcional da carga tributária. A classe média é a mais achatada pelos impostos diretos e indiretos. Por sinal, uma das principais pautas da campanha presidencial de Luciana Genro em 2014 era a reforma tributária.