"Um tempo para cada coisa É cada coisa no seu tempo".
Rodrigo Watzl
quarta-feira, 24 de junho de 2020
terça-feira, 23 de junho de 2020
"It is farofa"
Certa vez tive a honra de explicar a um acadêmico estrangeiro como funcionava um self-service a quilo e explicar o que era farofa, num colóquio internacional anterior ao incêndio do Museu Nacional.
"And you can pick ANYTHING and pay just by the weight?".
"Hmmm... Yes".
"And what is that?"
"It is 'farofa'. Some kind of flour made of manioc".
"Wow! Is it good?"
"Well, go and taste yourself".
Ele italiano, eu brasileiro, em inglês respectivamente macarrônico e farofônico.
Que saudades daquele Museu, e daquele restaurante, que parecia ruim, mas era bom...
"And you can pick ANYTHING and pay just by the weight?".
"Hmmm... Yes".
"And what is that?"
"It is 'farofa'. Some kind of flour made of manioc".
"Wow! Is it good?"
"Well, go and taste yourself".
Ele italiano, eu brasileiro, em inglês respectivamente macarrônico e farofônico.
Que saudades daquele Museu, e daquele restaurante, que parecia ruim, mas era bom...
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"...por vós esperamos"
"Every age has its own fascism, and we see the warning signs wherever the concentration of power denies citizens the possibility and the means of expressing and acting on their own free will. We may come to this in many different ways, not necessarily through the terror of police intimidation, but also by denying and distorting information, by undermining justice, by paralyzing schools, and by spreading in many subtle ways nostalgia for a world where order reigned supreme, and where the security of a privileged few depended on the forced labor and the forced silence of the many".
Primo Levi, A past we thought would never return ([1974] 2002)
"Nothing is more characteristic of the totalitarian movements in general and of the quality of the fame of their leaders in particular than the startling swiftness with which they are forgotten and the startling ease with which they can be replaced".
Hannah Arendt, The origins of totalitarianism (1973)
"Nothing is more characteristic of the totalitarian movements in general and of the quality of the fame of their leaders in particular than the startling swiftness with which they are forgotten and the startling ease with which they can be replaced".
Hannah Arendt, The origins of totalitarianism (1973)
Existe uma "Ditadura do STF"?
Como já me manifestei de outra feita, o Judiciário (e não apenas o STF) é o menos democrático dos poderes (mas não antidemocrático, por óbvio), à medida que a população não tem o menor controle sobre os magistrados, em qualquer instância. Por outro lado, a magistratura exige competências técnicas que tornam inviável que seus membros sejam eleitos por voto popular. A solução que existe em alguns países, segundo jurista amigo meu, é que a magistratura seja rotativa, que juízes, mesmo concursados, em qualquer instância, permaneçam no cargo por períodos de no máximo 5 anos. Tal medida já evita a consolidação da magistratura como casta, como sucede no Brasil e alhures. O recurso amplo a júri popular, ao contrário da prática brasileira, é outra medida que contribui para temperar eventuais abusos de magistrados. Além disso, a eleição de chefes de promotoria, como sucede em alguns lugares, é outra ação capaz de contrabalançar o poder dos magistrados com base na escolha popular.
De resto, a retórica de que há uma "ditadura do STF" é só isso mesmo: retórica, no sentido sofismático do termo. É uma retórica que começou a se fortalecer durante o processo do Mensalão, para mobilizar a militância petista e, como todo sofisma, pode ser facilmente invertido e instrumentalizado por outros. É o que passa no momento corrente. As acusações de que o STF era ditatorial serviram outrora aos interesses do PT e ora servem aos interesses dos Bolsonaro.
A rigor, o único poder que pode efetivamente se tornar ditatorial em qualquer regime republicano é o Executivo, por razões óbvias. Daí o interesse dos mandatários do Executivo, em situações de crise, de acusar o Judiciário de ser "ditatorial" quando a situação não caminha do modo como lhe interessaria.
Por natureza das respectivas competências, o Executivo tende a ser o mais ativo dos poderes, enquanto o Judiciário termina por ser o mais passivo deles. Uma autêntica ditadura do Judiciário chega a ser difícil de imaginar. O Judiciário, em qualquer país, pode ser um cúmplice importante de regimes ditatoriais, mas dificilmente será capaz de instaurar, por si, um regime autoritário.
Por outro lado, o uso e abuso do termo "Poder Moderador" nos últimos meses, em referência às Forças Armadas ou ao STF, beira o ridículo. A própria ideia de um poder moderador, nominal ou funcional, é uma excrescência que não tem lugar em nenhuma república democrática digna do nome. É apenas mais um indício, entre tantos outros, do quão disparatado e delirante o debate político no Brasil se tornou na última década.
De resto, a retórica de que há uma "ditadura do STF" é só isso mesmo: retórica, no sentido sofismático do termo. É uma retórica que começou a se fortalecer durante o processo do Mensalão, para mobilizar a militância petista e, como todo sofisma, pode ser facilmente invertido e instrumentalizado por outros. É o que passa no momento corrente. As acusações de que o STF era ditatorial serviram outrora aos interesses do PT e ora servem aos interesses dos Bolsonaro.
A rigor, o único poder que pode efetivamente se tornar ditatorial em qualquer regime republicano é o Executivo, por razões óbvias. Daí o interesse dos mandatários do Executivo, em situações de crise, de acusar o Judiciário de ser "ditatorial" quando a situação não caminha do modo como lhe interessaria.
Por natureza das respectivas competências, o Executivo tende a ser o mais ativo dos poderes, enquanto o Judiciário termina por ser o mais passivo deles. Uma autêntica ditadura do Judiciário chega a ser difícil de imaginar. O Judiciário, em qualquer país, pode ser um cúmplice importante de regimes ditatoriais, mas dificilmente será capaz de instaurar, por si, um regime autoritário.
Por outro lado, o uso e abuso do termo "Poder Moderador" nos últimos meses, em referência às Forças Armadas ou ao STF, beira o ridículo. A própria ideia de um poder moderador, nominal ou funcional, é uma excrescência que não tem lugar em nenhuma república democrática digna do nome. É apenas mais um indício, entre tantos outros, do quão disparatado e delirante o debate político no Brasil se tornou na última década.
domingo, 21 de junho de 2020
Fantásticos mundinhos
Era uma daquelas máquinas antigas, com tampa fechada de aço, então eu ficava imaginando que eles se escondiam quando a gente abria a tampa e saíam quando a gente fechava. Às vezes eu abria a tampa de supetão para flagrá-los.
A imaginação infantil é uma coisa extraordinária. E minha criança interior segue bem viva, felizmente.
Talvez por isso eu goste tanto de "Toujours", da cantora Zaz:
La meilleure copine des lapins
La petite fille des herbes folles
Qui s'casse la gueule et qui rigole
J's 'rai toujours la môme des fougères
La gamine qui joue dans la terre
La petite fille aux papillons
Qui s'pique aux pics des hérissons
J's 'rai toujours la môme des sauterelles
La bonne copine des coccinelles
La petite fille des chants d'oiseaux
Qui s'cache au milieu des roseaux
J's 'rai toujours la môme qui courait
Dans les champs jusqu'à la forêt
Dans les rangées de tournesols
Qui s'casse la gueule et qui rigole
Au milieu d'une foule compacte
Des bousculades et des carrefours
De la fenêtre de mon appart'
Et à l'horizon des tours
Dans les heures de pointe du métro
Des secousses et des aiguillages
Dans le miroir d'un rétro
Au milieu des embouteillages
Dans le sérieux des opinions
Des arguments et stratégies
D'emploi du temps en réunion
Si c'est de ça qu'il s'agit
Des sacs à refaire mes affaires
De mes bagages enregistrés
Entre les décalages horaires,
De mes départs, mes arrivées
J's 'rai toujours la môme des chemins
La meilleure copine des lapins
La petite fille des herbes folles
Qui s'casse la gueule et qui rigole
J's 'rai toujours la môme des fougères
La gamine qui joue dans la terre
La petite fille aux papillons
Qui s'pique aux pics des hérissons
J's 'rai toujours la môme des sauterelles
La bonne copine des coccinelles
La petite fille des chants d'oiseaux
Qui s'cache au milieu des roseaux
J's 'rai toujours la môme qui courait
Dans les champs jusqu'à la forêt
Dans les rangées de tournesols
Qui s'casse la gueule et qui rigole
Sur les trottoirs d'un autre monde
Au pied des mêmes quartiers d'affaires
Des bouts de couloirs qui se confondent
À la mémoire de mes passages éclairs
De mes chambres d'hôtels trop chics
Des taxis jusqu'aux halls de gares
Des longs tunnels périphériques
Des avenues et des boulevards
Au bord des vertiges et des gratte-ciels
Des rendez vous, des bavardages
Dans les grandes villes, sans l'essentiel
Quand le béton me met en cage
De mes jours à côte de la plaque
Comme étrangère et sans repère
À me réfugier dans les parcs
Pour faire semblant de prendre l'air
J's 'rai toujours la môme des chemins
La meilleure copine des lapins
La petite fille des herbes folles
Qui s'casse la gueule et qui rigole
J's 'rai toujours la môme des fougères
La gamine qui joue dans la terre
La petite fille aux papillons
Qui s'pique aux pics des hérissons
J's 'rai toujours la môme des sauterelles
La bonne copine des coccinelles
La petite fille des chants d'oiseaux
Qui s'cache au milieu des roseaux
J's 'rai toujours la môme qui courait
Dans les champs jusqu'à la forêt
Dans les rangées de tournesols
Qui s'casse la gueule et qui rigole
J's 'rai toujours la môme des chemins
La meilleure copine des lapins
La petite fille des herbes folles
Qui s'casse la gueule et qui rigole
Babel Carioca - Reflexão uerjiana
Dedicado à amiga Ana Delmas
O próprio fato do edifico ter abrigado a "Favela do Esqueleto" já é digno de nota. Que outra universidade no mundo já foi uma favela? A favela transformada em universidade "na marra" (e botando os favelados para correr) é quase alegórico.
Sem mencionar o conjunto urbano UERJ-Mangueira-Maracanã. Esse triângulo universidade-favela-estádio, mediado por Radial Oeste, ferrovia e "metrovia" é digno de nota. Tudo isso pertinho da Quinta da Boa-Vista, antiga residência imperial, diga-se de passagem.
Acho que a UERJ é o mais próximo que existe no mundo real de uma paisagem escheriana.
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Eu NÃO sou um "Comunista Libertário"!!!
Só rindo desse tipo de testes!
"Comunista Libertário" é um rótulo que, DEFINITIVAMENTE, eu não aplicaria a minha pessoa!
No tal "Eixo Econômico" eu diria que sou a favor de uma economia de mercado com regulamentação rígida em setores essenciais e estratégicos e bastante livre em outras áreas, acompanhada de tributação progressiva e direitos trabalhistas sólidos.
No "Eixo Diplomático", eu diria que minha tendência é o equilíbrio entre a soberania nacional e cooperação internacional multilateral, tanto a nível regional quanto global.
No "Eixo Civil", tendo a ficar com a máxima rousseauniana de que "minha liberdade acaba onde começa a do próximo" e que as autoridades devem atuar como mediadoras de conflitos, ao mesmo tempo que constantemente questionadas, com recurso à desobediência civil não-violenta sempre que necessário. Como Juvenal, sempre desconfio de autoridades e lideranças: "Quid custodiet ipsos custodes?"
No tal "Eixo Social", eu diria que sou favorável a mudanças construtivas, desde que realizadas com a devida prudência, sem apego excessivo ao passado, nem entusiasmo delirante quanto ao futuro.
Ou, como prefiro dizer, um tanto platonicamente, "meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista, meu estômago é liberal e meu bolso é conservador"! Sou um sujeito eclético, que gosta de democracia, diálogo e dialética, por mais difíceis que sejam essas artes. De qualquer modo, recomendo a realização do teste; apesar de todas as limitações, é uma provocação "boa para pensar".
No fundo, acho que sou algo como um "Jacobino Não-Violento"...
Liberté, égalité, fraternité! Encore et toujours! Vive la République!
quinta-feira, 18 de junho de 2020
Conselhos para bem viver
para Lady Georgiana
Morpeth em 16 de fevereiro de 1820
1.
Viva tão
bem e beba tanto vinho quanto conseguir ousar;
2.
Tome
banho com pequena quantidade de água, em temperatura baixa o suficiente para
dar uma leve sensação de frio: 21 a 25° C;
3.
Livros, os
que divirtam;
4.
No curto prazo, não pense além da hora da janta ou
do chá;
5.
Mantenha-se
tão ocupado quanto possível;
6.
Encontre-se
sempre que possível com aqueles amigos que o respeitam & gostam de você;
7.
E com
aqueles conhecidos capazes de distraí-lo;
8.
Abra-se
com seus amigos e não guarde para si pensamentos tristes: disfarçá-los por
dignidade agrava sempre a situação;
9.
Preste
atenção aos efeitos que chá e café têm sobre você;
10.
Compare
sua situação com a de outras pessoas;
11.
Não
espere muito da vida humana, um negócio lamentável, na melhor das hipóteses;
12.
Evite
poesia, representações dramáticas (exceto comédia), música, romances sérios,
pessoas melancólicas e sentimentais e tudo o que possa suscitar sentimento ou
emoção que não resulte em atos de efetiva bondade;
13.
Faça o
bem e se esforce para agradar às pessoas de todas as condições;
14.
Fique ao
ar livre o máximo que puder, desde que sem cansaço;
15.
Faça do ambiente onde gosta de sentar-se lugar
agradável e alegre;
16.
Lute, aos
pouquinhos, contra a inatividade;
17.
Não seja
severo demais consigo mesmo, nem se subestime, mas faça justiça a si proprio;
18.
Conserve a chama da lareira sempre acesa;
19.
Seja firme
e constante no exercício da religião racional;
20.
Acredite
em mim.
* Viveu de 1771 a 1845. Em fevereiro de 1820, Smith tinha 48 anos e vivia, com a família,
numa região rural, em Yorkshire, a 320 km tanto de Londres quanto de Edimburgo,
onde ele se sentia à vontade intelectual e socialmente. Havia sido um dos
fundadores da Edinburgh
Review, um das grandes revistas
da época, e, em Londres, era conhecido por suas palestras espirituosas. Não se
encontrava em algum exílio, mas estava obrigado a fazê-lo como pároco da Igreja
anglicana.
Texto e
informações extraídas do artigo de Verlyn Klinkenborg no The New York Review
of Books Daily, 14 de maio de 2020. Trad. de Diana Prado Valadares e Guilherme Pereira das Neves.
Original:
1. Live
as well and drink as much wine as you dare.
2. Go
into the Shower bath—with a small quantity of water at a temperature low enough
to give you a slight sensation of cold—75 or 80°.
3. Amusing
books.
4. Short
views of human life not farther than dinner or Tea.
5. Be
as busy as you can.
6. See
as much as you can of those friends who respect, & like you.
7. And
of those acquaintance who amuse you.
8. Make
no secret about Low Spirits to your friends but talk of them fully—they are
always worse for dignified Concealment.
9. Attend
to the effects Tea and Coffee produce upon you.
10. Compare
your Lot with that of other people.
11. Don’t
expect too much from human life, a sorry business at the best.
12. Avoid
poetry, dramatic representations (except Comedy), Music, serious novels,
melancholy sentimental people, and every thing likely to excite feeling or
emotion not ending in active benevolence.
13. Do
good, & endeavor to please every body of every degree.
14. Be
as much as you can in the open air without fatigue.
15. Make
the room where you commonly sit gay & pleasant.
16. Struggle
by little and little against idleness.
17. Don’t
be too severe upon yourself, or underrate yourself —but do yourself Justice.
18. Keep good blazing fires.
19. Be
firm and constant in the exercise of rational religion.
20. Believe me
![]() |
| A cup of tea with Monsieur Renoir... |
quarta-feira, 17 de junho de 2020
Línguas, Livros, Caminhadas e Travessias
Nos últimos dias empreendi uma empolgante travessia: pela primeira vez li, de capa a capa, um livro inteiro em Alemão, 270 páginas, uma de cada vez.
Não li como quem caminha sobre uma ponte, mas como quem atravessa um rio com água até os joelhos.
O livro, obviamente era "Krabat", de Ottfried Preußler, uma de minhas obras favoritas de fantasia, que descobri quase por acaso, na Bienal de 2007, num balcão de livros encalhados.
Ainda no ônibus, retornando para casa, abri o livro e o devorei em menos de 48 horas. Assim é a prosa de Preußler. Nos anos seguintes li "Krabat" mais duas vezes, ainda na língua de Camões.
Em 2012, quando Priscila e eu partimos para nosso inesquecível verão europeu, um de meus objetivos era trazer para casa um exemplar de "Krabat" na língua original.
Iniciei minha busca desde o primeiro passo em solo germanófono, na insossa Zurique, provavelmente a cidade mais prosaica, chata e pequeno-burguesa do mundo. Em Zurique avistei quantidade de carros de alto luxo como em nenhum outro lugar, mas as livrarias eram escassas, e não havia exemplar de "Krabat"em nenhuma delas, para minha grande decepção.
Felizmente Zurique (onde jamais pretendo zurückgehen) era apenas uma escala. Dali tomamos um trem noturno para Viena com seus mil encantos. Assim que descemos na Hauptbahnhof e tomamos nosso Frühstück, procuramos a livraria da estação. Em meu sempre claudicante alemão, me dirigi à balconista:
"Guten Morgen! Haben Sie 'Krabat', bitte?"
A moça arregalou seus olhos azuis:
"'Krabat'?! Von Preußler?!"
Me senti como quem perguntasse se havia pão na padaria. Retruquei:
"Ja. 'Krabat', von Ottfried Preußler. Haben Sie es...?!"
"Natürlich!"
Sem delongas, a moça atravessou a livraria na diagonal e em poucos segundos eu tinha a relíquia em minhas mãos, como um Parsifal que houvesse encontrado seu Santo Graal:
"Danke schön! Ich liebe 'Krabat'!"
Meu Alemão era insuficiente para expressar adequadamente minha gratidão, mas imagino que o sorriso tenha sido mais que expressivo. A moça sorriu de volta, com uma longa frase, da qual pouco entendi.
Meses depois, de volta ao Brasil, finalmente tomei meu exemplar germânico de "Krabat" para, supostamente, me deleitar com a prosa de preußleriana original. Em vão. Após muitas consultas ao dicionário e à tradução brasileira, desisti da tarefa que se revelou ingrata.
Com imensa frustração entreguei "Krabat, von Preußler" a uma prateleira. Havia viajado meio mundo atrás daquele livro, mas agora que o tinha em minhas mãos, não conseguia juntar as palavras, frases, parágrafos e páginas para fazer um romance. Eu enxergava as árvores, mas a floresta escapava a meus olhos. Me senti como um Parsifal que houvesse encontrado o Santo Graal, mas permanecesse incapaz de contempla-lo em sua ofuscante luminosidade.
Sempre tive facilidade para aprender línguas - a começar pela Portuguesa. Dizem meus familiares que comecei a falar com espantosa fluência com menos de um ano de idade. Alfabetizado, logo comecei a buscar livros cada vez maiores. Aos sete anos encasquetei de ler os dois imensos volumes de "Moby Dick" que tínhamos em casa: "Chamei-me Ismael". Naufraguei como os tripulantes do Pequod; pior, parei no meio do caminho para Nantucket, antes mesmo de embarcar rumo à trágica aventura.
Como Acab, fiquei obcecado por abater Moby Dick - o livro, não o cachalote. Pouco mais tarde, com 13 anos, fortalecido pelas jornadas no Mississipi ao lado de Tom Sawyer, Huckleberry Finn e Mark Twain e por outras aventuras com Emília, Narizinho, Pedrinho e Monteiro Lobato, finalmente resolvi minha velha rixa com Melville e seu temível cachalote branco. Conheci Queequeg, embarquei no Pequod, atravessei o Cabo Horn, e sobrevivi ao naufrágio com Ismael, agarrado a um caixão. Era um livro denso para um leitor imaturo. Ainda assim, impressionante. É um clássico ao qual ainda preciso retornar (agora, na língua original).
Alfabetizado em Português, outros horizontes linguísticos me acenavam. Em criança, um de meus livros favoritos era "O Pato Poliglota" - e eu sonhava em ser como aquele pato! Me encantavam os recuerdos em diversas línguas, colecionados por meu avô em seus tempos de marinheiro globe-trotter.
Na escola primária, "aulinhas" de Inglês. No cinema e nos VHSs eu tentava (com pouco sucesso) encontrar correlações entre as legendas e as falas dos filmes. Com Collor, Itamar e FHC nosso mercado foi se abrindo cada vez mais às importações e chegavam a minhas mãos produtos com rótulos e manuais de instruções em várias línguas (era no tempo em que manuais de instruções eram longos, minuciosos e impressos; altre tempi). Às vezes passava horas e horas debruçado sobre essas preciosidases. Eram minhas pedrinhas de roseta; minha avó caçoava de meus rudimentares exercícios de linguística comparativa, mas é uma mania que ainda hoje me acompanha.
Logo mais chegavam ao Brasil os caríssimos "trading cards" de super-herois - um pequeno luxo que minha suburbana família de classe média baixa podia me conceder de vez em quando. Avidamente colecionados, me proporcionaram duradoura experiência com a língua de Shakespeare. Lia e relia os cartõezinhos coloridos como um dedicado epigrafista, acompanhado de um pesado dicionário Inglês-Português. Certa vez meu avô cometeu a insensatez, duramente censurada por minha mãe, de me satisfazer o capricho de comprar um gibi importado do Batman por R$ 40,00 - quase meio salário mínimo à época...! Os games e, mais tarde, os livros, completaram minha introdução à anglofonia. "Treasure Island", de Robert Louis Stevenson foi o primeiro livro que li em inglês (em barata edição da "Penguin Classics", must be said).
Entrei no Colégio Pedro II no tempo em que os ginasianos tinham o luxo de ter aulas de Inglês, Francês e Latim. Je suis tombé follement amoureux de la langue française. Aos 13 anos, enquanto lia Moby Dick, ingressei na Aliança Francesa, cujas mensalidades minha mãe pagava com algum aperto (mesmo depois que meu bom desempenho me garantiu um desconto de 40% nas mensalidades). Foi nessa época que descobri a Livraria Leonardo Da Vinci (a autêntica). Com o real valorizado e o franco não-tanto, iniciei uma vasta coleção de Astérix e, mais importante, completei minha coleção das aventuras de Tintin et Milou. Logo descobri as aventuras de Arsène Lupin, que devorei na Mediateca da Maison de France.
O portunhol falamos todos de berço, e me iniciei na língua de Cervantes e Bolaños com "El Lazarillo de Tormes". Com um bom dicionário, me viro na língua do Lácio e adquiri alguma fluência na língua de Dante acompanhando o Giro d'Italia pela Internet, na Gazzetta dello Sport, especialmente o fabuloso Giro de 2004, com a inesperada conquista da Maglia Rosa pelo "Piccolo Principe" Damiano Cunego - mesmo ano da epopeia de Thomas Voeckler no Tour de France, que durante várias etapas se agarrou heroicamente ao Maillot Jaune tomado na lendária Trouée d'Arenberg.
Português, Francês, Inglês, Espanhol, Italiano e um pouco de Latim. Mas o desafio maior, a montanha mais alta, o castelo mais inexpugnável, resistia, e resiste ainda, a minhas investidas: o Alemão.
Tinha meus 15 anos quando me caiu entre as mãos um CD da "Paixão segundo João", de ninguém menos que Johann Sebastian Bach, devidamente acompanhado por um encarte bilíngue, em Alemão e Francês - era no tempo em que CDs vinham acompanhados de robustos encartes - vergangenen Zeiten. Tomei a temerária decisão de aprender Alemão fazendo uma xerox do dito encarte. Mais fácil planejar que fazer - faltou combinar com os alemães! Um recuo estratégico se fez necessário.
Anos mais tarde, em 2003, um maduro cavalheiro em seus 20 anos e graduando em História (nada mais arrogante que um graduando), resolvi empreender meu ataque definitivo contra Deutschenschloss. Munido de dicionários, um livreco de conversação para viajantes e uma pasta repleta de textos impressos da Internet, comecei a estudar Alemão com alguma seriedade e muita irregularidade.
Após alguns anos de inconstantes esforços, conseguia ao menos ler gibis em Alemão - retornando de Veneza, inclusive, passei uma agradável manhã na estação de Munique, lendo gibis (uma chuva torrencial desencorajava qualquer tentativa de passeio). Em Munique embarcamos em um trem da Deutsche Bahn que, por dentro, parecia um cenário de Star Wars; em Düsseldorf tomamos um trem da SNCF onde degustei o couscous marroquino mais saboroso de que me lembro. Só chegamos em Paris à noite, cansados, sedentos e famintos, devido a um terrível acidente ferroviário que nos reteve por horas, esgotando todo o estoque da lanchonete - quase como a bande dessinée "Le Transperceneige", exceto pela antropofagia. Tudo isso com "Krabat, von Preußler" na bagagem.
Em 2013 (re)comecei a estudar Alemão usando o excelente e gratuito aplicativo Duolingo, mas uma série de compromissos acadêmicos e problemas familiares me impediram de manter a disciplina adequada.
Iniciei 2020 firmemente decidido ao assalto definitivo contra Deutschenschloss. Estava determinado a ler em Alemão com desenvoltura até dezembro. Das oder nichts! E assim tenho feito, estudando Alemão quase diariamente, mit mein ganzen Herz.
Há alguns dias terminei de ler "Soie", tradução francesa de "Seta", de Alessandro Baricco, um delírio elsevírico magistralmente ilustrado pela maravilhosa Rébecca Dautremer, com capa artesanal impressa "a quente" num ateliê parisiense, diagramação impecável, papel de textura indescritível, impresso e encadernado numa seleta tipografia de Barcelona.
Ainda aturdido por semelhante fantasia editorial, lida em duas madrugadas, me pus a percorrer minhas estantes em busca de nova leitura.
Foi então que Krabat me chamou.
Timidamente peguei o livro. Ist mein Kraft jetzt genug? Findo o primeiro capítulo, me senti confiante, prosseguindo, com uma ou outra dificuldade, através das 270 páginas, sem recorrer a nenhum dicionário. Wunderschön! Dreimal Hurrah!
Ler "Krabat" em Alemão, apreciando a prosa de Preußler até em sua poética descrição dos tons de verde da grama primaveril foi a realização de um sonho.
Uma breve travessia, após uma longa, exaustiva e, por vezes, desanimadora caminhada. Dezessete anos de esforços foram necessários para ler estas 270 páginas. Mas esta foi apenas uma etapa de uma longa jornada, que espero prosseguir em outros anos e outras páginas.
Finalmente penetrei nos jardins de Deutschenschloss. Ainda há muitos recantos a explorar nesse castelo...
Não li como quem caminha sobre uma ponte, mas como quem atravessa um rio com água até os joelhos.
O livro, obviamente era "Krabat", de Ottfried Preußler, uma de minhas obras favoritas de fantasia, que descobri quase por acaso, na Bienal de 2007, num balcão de livros encalhados.
Ainda no ônibus, retornando para casa, abri o livro e o devorei em menos de 48 horas. Assim é a prosa de Preußler. Nos anos seguintes li "Krabat" mais duas vezes, ainda na língua de Camões.
Em 2012, quando Priscila e eu partimos para nosso inesquecível verão europeu, um de meus objetivos era trazer para casa um exemplar de "Krabat" na língua original.
Iniciei minha busca desde o primeiro passo em solo germanófono, na insossa Zurique, provavelmente a cidade mais prosaica, chata e pequeno-burguesa do mundo. Em Zurique avistei quantidade de carros de alto luxo como em nenhum outro lugar, mas as livrarias eram escassas, e não havia exemplar de "Krabat"em nenhuma delas, para minha grande decepção.
Felizmente Zurique (onde jamais pretendo zurückgehen) era apenas uma escala. Dali tomamos um trem noturno para Viena com seus mil encantos. Assim que descemos na Hauptbahnhof e tomamos nosso Frühstück, procuramos a livraria da estação. Em meu sempre claudicante alemão, me dirigi à balconista:
"Guten Morgen! Haben Sie 'Krabat', bitte?"
A moça arregalou seus olhos azuis:
"'Krabat'?! Von Preußler?!"
Me senti como quem perguntasse se havia pão na padaria. Retruquei:
"Ja. 'Krabat', von Ottfried Preußler. Haben Sie es...?!"
"Natürlich!"
Sem delongas, a moça atravessou a livraria na diagonal e em poucos segundos eu tinha a relíquia em minhas mãos, como um Parsifal que houvesse encontrado seu Santo Graal:
"Danke schön! Ich liebe 'Krabat'!"
Meu Alemão era insuficiente para expressar adequadamente minha gratidão, mas imagino que o sorriso tenha sido mais que expressivo. A moça sorriu de volta, com uma longa frase, da qual pouco entendi.
Meses depois, de volta ao Brasil, finalmente tomei meu exemplar germânico de "Krabat" para, supostamente, me deleitar com a prosa de preußleriana original. Em vão. Após muitas consultas ao dicionário e à tradução brasileira, desisti da tarefa que se revelou ingrata.
Com imensa frustração entreguei "Krabat, von Preußler" a uma prateleira. Havia viajado meio mundo atrás daquele livro, mas agora que o tinha em minhas mãos, não conseguia juntar as palavras, frases, parágrafos e páginas para fazer um romance. Eu enxergava as árvores, mas a floresta escapava a meus olhos. Me senti como um Parsifal que houvesse encontrado o Santo Graal, mas permanecesse incapaz de contempla-lo em sua ofuscante luminosidade.
Sempre tive facilidade para aprender línguas - a começar pela Portuguesa. Dizem meus familiares que comecei a falar com espantosa fluência com menos de um ano de idade. Alfabetizado, logo comecei a buscar livros cada vez maiores. Aos sete anos encasquetei de ler os dois imensos volumes de "Moby Dick" que tínhamos em casa: "Chamei-me Ismael". Naufraguei como os tripulantes do Pequod; pior, parei no meio do caminho para Nantucket, antes mesmo de embarcar rumo à trágica aventura.
Como Acab, fiquei obcecado por abater Moby Dick - o livro, não o cachalote. Pouco mais tarde, com 13 anos, fortalecido pelas jornadas no Mississipi ao lado de Tom Sawyer, Huckleberry Finn e Mark Twain e por outras aventuras com Emília, Narizinho, Pedrinho e Monteiro Lobato, finalmente resolvi minha velha rixa com Melville e seu temível cachalote branco. Conheci Queequeg, embarquei no Pequod, atravessei o Cabo Horn, e sobrevivi ao naufrágio com Ismael, agarrado a um caixão. Era um livro denso para um leitor imaturo. Ainda assim, impressionante. É um clássico ao qual ainda preciso retornar (agora, na língua original).
Alfabetizado em Português, outros horizontes linguísticos me acenavam. Em criança, um de meus livros favoritos era "O Pato Poliglota" - e eu sonhava em ser como aquele pato! Me encantavam os recuerdos em diversas línguas, colecionados por meu avô em seus tempos de marinheiro globe-trotter.
Na escola primária, "aulinhas" de Inglês. No cinema e nos VHSs eu tentava (com pouco sucesso) encontrar correlações entre as legendas e as falas dos filmes. Com Collor, Itamar e FHC nosso mercado foi se abrindo cada vez mais às importações e chegavam a minhas mãos produtos com rótulos e manuais de instruções em várias línguas (era no tempo em que manuais de instruções eram longos, minuciosos e impressos; altre tempi). Às vezes passava horas e horas debruçado sobre essas preciosidases. Eram minhas pedrinhas de roseta; minha avó caçoava de meus rudimentares exercícios de linguística comparativa, mas é uma mania que ainda hoje me acompanha.
Logo mais chegavam ao Brasil os caríssimos "trading cards" de super-herois - um pequeno luxo que minha suburbana família de classe média baixa podia me conceder de vez em quando. Avidamente colecionados, me proporcionaram duradoura experiência com a língua de Shakespeare. Lia e relia os cartõezinhos coloridos como um dedicado epigrafista, acompanhado de um pesado dicionário Inglês-Português. Certa vez meu avô cometeu a insensatez, duramente censurada por minha mãe, de me satisfazer o capricho de comprar um gibi importado do Batman por R$ 40,00 - quase meio salário mínimo à época...! Os games e, mais tarde, os livros, completaram minha introdução à anglofonia. "Treasure Island", de Robert Louis Stevenson foi o primeiro livro que li em inglês (em barata edição da "Penguin Classics", must be said).
Entrei no Colégio Pedro II no tempo em que os ginasianos tinham o luxo de ter aulas de Inglês, Francês e Latim. Je suis tombé follement amoureux de la langue française. Aos 13 anos, enquanto lia Moby Dick, ingressei na Aliança Francesa, cujas mensalidades minha mãe pagava com algum aperto (mesmo depois que meu bom desempenho me garantiu um desconto de 40% nas mensalidades). Foi nessa época que descobri a Livraria Leonardo Da Vinci (a autêntica). Com o real valorizado e o franco não-tanto, iniciei uma vasta coleção de Astérix e, mais importante, completei minha coleção das aventuras de Tintin et Milou. Logo descobri as aventuras de Arsène Lupin, que devorei na Mediateca da Maison de France.
O portunhol falamos todos de berço, e me iniciei na língua de Cervantes e Bolaños com "El Lazarillo de Tormes". Com um bom dicionário, me viro na língua do Lácio e adquiri alguma fluência na língua de Dante acompanhando o Giro d'Italia pela Internet, na Gazzetta dello Sport, especialmente o fabuloso Giro de 2004, com a inesperada conquista da Maglia Rosa pelo "Piccolo Principe" Damiano Cunego - mesmo ano da epopeia de Thomas Voeckler no Tour de France, que durante várias etapas se agarrou heroicamente ao Maillot Jaune tomado na lendária Trouée d'Arenberg.
Português, Francês, Inglês, Espanhol, Italiano e um pouco de Latim. Mas o desafio maior, a montanha mais alta, o castelo mais inexpugnável, resistia, e resiste ainda, a minhas investidas: o Alemão.
Tinha meus 15 anos quando me caiu entre as mãos um CD da "Paixão segundo João", de ninguém menos que Johann Sebastian Bach, devidamente acompanhado por um encarte bilíngue, em Alemão e Francês - era no tempo em que CDs vinham acompanhados de robustos encartes - vergangenen Zeiten. Tomei a temerária decisão de aprender Alemão fazendo uma xerox do dito encarte. Mais fácil planejar que fazer - faltou combinar com os alemães! Um recuo estratégico se fez necessário.
Anos mais tarde, em 2003, um maduro cavalheiro em seus 20 anos e graduando em História (nada mais arrogante que um graduando), resolvi empreender meu ataque definitivo contra Deutschenschloss. Munido de dicionários, um livreco de conversação para viajantes e uma pasta repleta de textos impressos da Internet, comecei a estudar Alemão com alguma seriedade e muita irregularidade.
Após alguns anos de inconstantes esforços, conseguia ao menos ler gibis em Alemão - retornando de Veneza, inclusive, passei uma agradável manhã na estação de Munique, lendo gibis (uma chuva torrencial desencorajava qualquer tentativa de passeio). Em Munique embarcamos em um trem da Deutsche Bahn que, por dentro, parecia um cenário de Star Wars; em Düsseldorf tomamos um trem da SNCF onde degustei o couscous marroquino mais saboroso de que me lembro. Só chegamos em Paris à noite, cansados, sedentos e famintos, devido a um terrível acidente ferroviário que nos reteve por horas, esgotando todo o estoque da lanchonete - quase como a bande dessinée "Le Transperceneige", exceto pela antropofagia. Tudo isso com "Krabat, von Preußler" na bagagem.
Em 2013 (re)comecei a estudar Alemão usando o excelente e gratuito aplicativo Duolingo, mas uma série de compromissos acadêmicos e problemas familiares me impediram de manter a disciplina adequada.
Iniciei 2020 firmemente decidido ao assalto definitivo contra Deutschenschloss. Estava determinado a ler em Alemão com desenvoltura até dezembro. Das oder nichts! E assim tenho feito, estudando Alemão quase diariamente, mit mein ganzen Herz.
Há alguns dias terminei de ler "Soie", tradução francesa de "Seta", de Alessandro Baricco, um delírio elsevírico magistralmente ilustrado pela maravilhosa Rébecca Dautremer, com capa artesanal impressa "a quente" num ateliê parisiense, diagramação impecável, papel de textura indescritível, impresso e encadernado numa seleta tipografia de Barcelona.
Ainda aturdido por semelhante fantasia editorial, lida em duas madrugadas, me pus a percorrer minhas estantes em busca de nova leitura.
Foi então que Krabat me chamou.
Timidamente peguei o livro. Ist mein Kraft jetzt genug? Findo o primeiro capítulo, me senti confiante, prosseguindo, com uma ou outra dificuldade, através das 270 páginas, sem recorrer a nenhum dicionário. Wunderschön! Dreimal Hurrah!
Ler "Krabat" em Alemão, apreciando a prosa de Preußler até em sua poética descrição dos tons de verde da grama primaveril foi a realização de um sonho.
Uma breve travessia, após uma longa, exaustiva e, por vezes, desanimadora caminhada. Dezessete anos de esforços foram necessários para ler estas 270 páginas. Mas esta foi apenas uma etapa de uma longa jornada, que espero prosseguir em outros anos e outras páginas.
Finalmente penetrei nos jardins de Deutschenschloss. Ainda há muitos recantos a explorar nesse castelo...
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