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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Um povo alucinado por salvadores

Interessante reflexão do filósofo Thales de Oliveira.

O pior do Brasil não é a polarização. A dialética é a essência da realidade, segundo o filósofo alemão Friedrich Hegel. E toda dialética precisa de polaridade. O que é realmente lamentável neste país é a degradação da polarização, marcada pelo fato de os pólos não avançarem em real evolução dialética. Os pólos progressista e conservador não aprendem com os erros um do outro. Os progressistas não se acautelaram e colocaram no poder um partido que fez pactos nefastos com o pior de nossas elites atrasadas, do mesmo modo que os conservadores o haviam feito no passado. Mas os conservadores não aprenderam a amarga lição sofrida pela esquerda: o mal inominável do populismo para a nossa população e a destruição de suas esperanças com a inevitável corrupção de todos os governos populistas. E agora se preparam para colocar no poder um representante político que nada mais é do que um populismo em estado tão puro como o do líder sindical agora preso, com a única diferença de que voltado para o pólo oposto. Pelo visto, esse país nasceu para o messianismo político, algo do qual dificilmente vamos nos livrar. O brasileiro não se importa em ser de esquerda ou de direita, desde que haja um super líder carismático no comando.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ordens e progressos

Ordem onde? Progresso quando?
Ordem quando? Progresso onde?
Ordem sem Progresso?
Ordem pelo Progresso?
Ordem pela Orderm?
Progresso pelo Progresso?
Ordem ou Progresso?
Qual ordem? Qual Progresso?
Ordem como? Progresso como?
Ordem de quem? Progresso para quem?
Ordem para quem? Progresso de quem?


domingo, 8 de abril de 2018

A República da Frustração

O discurso de hoje à tarde foi mais uma performance carismática, temperada pelo habitual narcisismo delirante. Admito, todavia, que nosso ex-presidente ostenta um virtuosismo admirável, mesmo diante de esmagadora adversidade.

Me fez recordar a posse presidencial em 2003, quando chorei de emoção, embriagado por uma esperança que não tardou a se mostrar equivocada. Muita coisa muda em 15 anos.

Me lembrei também de 1992: com 9 anos de idade, assisti ao impeachment de Collor, com uma tristeza que até hoje não entendo muito bem, uma inefável sensação de desamparo. Foi meu primeiro trauma político. Na época eu nem sabia quem era Lindbergh, mas hoje me inquietava a presença do eterno cara-pintada naquele palanque. Muita coisa muda em 26 anos.

Em 2012, olhando o Brasil de fora, por um breve momento, me pareceu que tudo caminhava para melhor: doce ilusão. Muita coisa muda em 6 anos.

Triste é ver que quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas; mudam, inclusive, para permanecer as mesmas. Os anos Lula trouxeram algumas mudanças promissoras, ao lado de muitas continuidades inquietantes. Conquistas efêmeras, ao lado de fracassos retumbantes.

Lula é uma miragem; como toda miragem, combina realidade e ilusão. Quanto de ilusão, quanto de realidade? Difícil saber. Nem sei se quero saber.

2019 vem aí, e não há grandes esperanças no horizonte de nossa República: a frustração parece sempre e sempre ser nossa res mais pública.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Do gozo penal

Hoje pela manhã, dois conhecidos meus comemoravam a expedição do mandado de prisão do Lula com a alegria delirante de uma pessoa que ganha a Mega-Sena. Sorrisos de orelha a orelha, vozes alteradas, gargalhadas um tanto histéricas, olhar perturbador.

Havia algo de sádico e macabro nesse êxtase penal.

Um deles, particularmente, estava muito mais exaltado que seu ânimo costumeiro; havia algo de religioso em seu gozo - e, com efeito, ele afirmava que a prisão "desses corruptos todos" estava prevista pelo proofeta Isaías (sic).

Independentemente de minha atual aversão a Lula, toda essa cólera transfigurada em regozijo me pareceu um tristíssimo espetáculo. Inocente ou culpado, a prisão de um ser humano é algo digno de misericórdia, não de exultação. Espero apenas que nossos corações não se afoguem nessas águas tormentosas e atormentadas.

Pobres de nós, que sentimos nossas almas assediadas por tão sombrias emoções...

quarta-feira, 4 de abril de 2018

A política do "fora"

Avaliação precisa e concisa do historiador Sanger Nogueira

Existe um tipo de fazer política que é muito interessante: é a política do fora... (deputado, prefeito, governador, presidente, síndico do prédio, etc). Ela é interessante porque é muito fácil de ser assimilada pelo público. É tipo a novela da Globo (não precisa de muitas explicações sobre os seus objetivos).

Contudo, ela é vazia de conteúdo.

É vazia porque nunca se pretende saber o que se quer e, mais perigoso, saber como chegar até o objetivo. É possível passar uma vida inteira lutando pelo fora alguma coisa: sempre haverá algo pra se colocar pra fora. Seria interessante fazer o caminho inverso: pensar naquilo que se quer e apresentar, não o fora, mas o troca. Exemplo: somos contra a política educacional do governo, temos a nossa própria visão e a nossa concepção está aberta para aguentar todas críticas de todos os setores da sociedade.

Pena que isso é mais trabalhoso. O imediato sempre ganha do planejado.



"Embarcaciones" e "starships"

Acabo de passar por uma experiência curiosa. Lendo o romance El Entenado, do argentino Juan José Saer, "ouvi" tocando em minha mente - o que quer que signifique a palavra "mente" - certo trecho da trilha sonora de Star Wars, mais especificamente da sequência do Episódio IV em que as naves rebeldes partem para a batalha de Yavin.

Com alguma "presença de espírito", me interroguei: o que a música de John Williams fazia ali naquele momento? Que relação oculta poderia existir entre uma fantasia especial e um romance semi-histórico situado na América do Sul quinhentista? Que estranhas conexões os substratos mais obscuros de minha mente estabeleciam à revelia de meu ego consciente?

Relendo o parágrafo onde me encontrava, formulei uma hipótese. Narra Saer:


A la mañana siguiente, el oficial me volvió a interrogar, señalándome las orillas y, com ademanes, le expliqué que el caserío no estaba lejos y, como estábamos cerca de la borda, comprobé que durante la noche otra nave había anclado cerca de la nuestra. De la segunda, varias embarcaciones cargadas de hombres armados se aproximaban a la nuestra, en la que también la tripulación se preparaba (SAER, p. 130).


Assim como Luke Skywalker e seus companheiros, os espanhóis do romance se preparavam para uma expedição militar. Uma hipótese plausível com que trabalhar.



Há que se notar que tal conexão seria de ordem meramente - talvez totalmente - semântica. No plano propriamente sensorial há muito pouco em comum entre a narrativa de Saer e a música de Williams.

Em primeiro lugar, a distância linguística entre o inglês do filme e o espanhol do livro. Em segundo lugar, a evidente distância entre as linguagens envolvidas, literária de um lado, audiovisual do outro. Not least, mesmo no plano "visual" há considerável diferença entre uma memória visual envolvendo naves espaciais e a "imagem mental" de uma expedição fluvial - ainda aqui, a semelhança remete mais ao plano semântico que ao sensorial. Afinal de contas, "starships" não são exatamente "embarcaciones".

Outra questão também parece interessante: por que um estado introspectivo tão peculiar emergiria precisamente durante essa leitura? Suspeito que o próprio tom instrospectivo da narrativa de Saer, com nuances que eu diria vagamente proustianas ou bergsonianas, tenha me induzido a um estado propício a esse tipo de coisa.

Enfim, é o tipo de coisa que convida a pensar, sem dúvida com algum parti pris, que há muito mais entre nosso cérebro e nossa consciência que suspeitam nossas vãs teorias psicológicas fisicalistas. Tudo isso me lembra uma (longa) provocação de C.S. Lewis que li na semana passada:



Na visão naturalista plena, todos os eventos são determinados por leis. Nosso comportamento lógico, ou seja, os pensamentos e o comportamento ético, incluindo ideais bem como atos de vontade, são governados por leis bioquímicas; elas, por sua vez, são dirigidas por leis físicas, que são declarações atuariais sobre os movimentos anárquicos da matéria. Essas unidades nunca pretenderam gerar o universo regular que vemos. A lei das médias (sucessora da exiguum clinamen de Lucrécio) o produziu a partir da colisão das variações aleatórias em movimento. Os elementos químicos da Terra e o calor do Sol, juntos, geraram essa inquietadora enfermidade da matéria: a organização. A seleção natural, operando nas mínimas diferenças entre um organismo e outro, mexendo com o tipo de fosforescência ou miragem que chamamos de consciência - que, em determinados córtices, sob certos crânios, ainda em obediência a leis físicas, agora filtradas por leis mais complexas, assume a forma que chamamos de pensamento. Essa foi, por exemplo, a origem deste ensaio, e também a origem do ensaio do professor Price. O que deveríamos chamar de "pensamento" não passa do último elo de uma cadeia casual, em que todos os elos precedentes foram irracionais. Ele falou daquela forma porque a matéria de seu cérebro se comportou de determinada forma, e toda a história do universo, até o presente momento, o forçou a se comportar assim. O que chamamos de pensamento é, essencialmente, fenômeno semelhante às outras secreções - a forma que o vasto processo irracional da natureza determinou para acontecer em tempo e espaço específicos.



Claro que nem ele nem nós percebemos isso enquanto estava acontecendo. Ele acreditava estar estudando a natureza das coisas, estar consciente, de certa forma, das realidades, inclusive sobressensoriais, fora de sua cabeça. Caso o naturalismo estrito esteja certo, todavia, Price se engana - ele estava apenas desfrutando de reflexo consciente de eventos irracionalmente determinados que ocorriam dentro de sua cabeça. Ele acreditava que seus pensamentos (nome que ele dava) poderiam ter relações com as realidades externas que chamamos de verdadeiro ou falso, embora, de fato, não são mais do que sombras de eventos cerebrais, não seja fácil perceber que poderiam ter qualquer relação que não fosse casual com o mundo exterior. E, quando o professor Price defendia os cientistas, comentando a devoção à verdade e a escolha da melhor luz que conhecem, pensou estar escolhendo uma atitude de obediência a um ideal. Ele não pensou que sofria apenas de uma reação determinada por fontes totalmente amorais e irracionais, tão aptas a decidir entre o certo e o errado quanto um soluço e um espirro.



Teria sido impossível para o professor Price escrever, e para nós lermos, seu ensaio com o mínimo interesse se ele e nós tivéssemos, conscientemente, defendido a posição do naturalismo estrito o tempo todo. Mas podemos avançar mais. Seria impossível aceitar o naturalismo caso acreditássemos nele real e consistentemente. O naturalismo é um sistema de pensamento, porém, para ele, pensamentos não passam de eventos com causas irracionais. De qualquer forma, considero impossível tomar os pensamentos que criaram o naturalismo dessa forma e, ao mesmo tempo, enxergá-los como discernimento real de uma realidade externa. Bradley fez a distinção entre ideia-evento e ideia-criação, mas parece-me que o naturalismo considera as ideias como simples eventos. O significado é uma relação de um tipo totalmente novo, tão remoto, misterioso e obscuro para o estudo empírico quanto a alma.



Talvez isso possa ser colocado de forma ainda mais simples. Cada pensamento particular (seja ele julgamento de fato ou de valor) pode ser abandonado sempre e por todos os homens no momento em que pode ser explicado por completo como resultado de causas irracionais. Sempre que você sabe que o que outra pessoa diz se deriva totalmente de suas complexidades ou de um pedaço de osso que pressiona seu cérebro, você deixa de dar importância ao que foi dito. Se o naturalismo, porém, fosse verdadeiro, então, todos os pensamentos seriam igualmente sem valor. Se for verdade, então não há como conhecer verdades. Ele corta a própria garganta.



Lembro-me de certa vez terem me mostrado um tipo de nó que se desfazia se você tentasse amarrá-lo mais, e você acabava apenas com um pedaço de barbante na mão. O mesmo acontece com o naturalismo. Ele avança sobre um território após outro. Primeiro o inorgânico, depois os organismos inferiores, em seguida o corpo humano e, então, suas emoções. Quando, porém, dá o passo final e busca a explicação naturalista do pensamento, de repente o nó se desfaz. O último passo, fatal, invalida todos os precedentes: trata-se de raciocínio, que havia sido descartado. Portanto, precisamos abrir mão do pensamento, ou então começaremos de novo, da estaca zero (LEWIS, pp. 137-140).

Obras citadas
Juan José SAER. El entenado. Buenos Aires: Booket, 2012.
C.S. LEWIS. Compeling Reason*. São Paulo: Pórtico, 2017.

*Me recuso a utilizar o título "autoajudeiro" dado à tradução brasileira, Ética para viver melhor - Diferentes atitudes para agir corretamente.


Quem segue?

Há mais vantagem em ser um seguidor obscuro de uma grande pessoa que em ser uma pessoa minúscula repleta de seguidores...


quarta-feira, 28 de março de 2018

A intensidade do vazio

Acabo de assistir o trailer de lançamento do jogo "Kirby Battle Royale".

O vídeo apresenta uma edição frenética e psicodélica. Tomadas e tomadas se sucedem em poucos décimos de segundo: suponho que para lidar com um público cujo "attention spam" (sic) se torna cada vez mais curto, como tanto enfatizam os "teóricos" (sic) do marketing digital: 8 míseros segundos, dizem, é o máximo que um espectador atual consegue acompanhar atentamente.

Fico com a sensação de que o tiro sai pela culatra. Depois do primeiro minuto, não consegui prestar atenção ao trailer. Imagens, efeitos sonoros e música hiperexcitante se sucediam numa cadência tão intensa que, antes que eu pudesse sequer decodificar a cena apresentada, já havia outra a se desenrolar diante de meus aturdidos olhos e ouvidos.

Me lembrou o famoso episódio, lá se vão duas décadas, das criancinhas japonesas tendo ataques epilépticos em escala industrial diante de seus televisores - singular ocasião nos anais da neurologia humana e, possivelmente, da psicopatologia social. Separados no espaço, juntos no momento, milhares de cerebrozinhos infantis impiedosamente (e acidentalmente) torturados através de seus aparatos eletrônicos domésticos: uma imagem pungente da contemporaneidade. Laranja Eletrônica...?

Ao término do super-ultra-mega-estimulante trailer, precisei de apenas um Rivotril, uma Maracugina, um Frontal sublingual e meia-hora de meditação para me sentir um pouco menos aflito - embora verborragicamente desesperado para verter fora adjetivos e advérbios.

A edição do trailer em apreço tenta espremer tanto conteúdo em menos de 5 minutos de vídeo que todo esse conteúdo se torna ininteligível - e irrelevante; "insignificante", no sentido etimológico. Tão barulhento, que chega a ser inaudível: 5 minutos de psicodelia visual e sonora que, no fundo, não significam quase nada.

Assim parece nosso mundo: tão absurdamente cheio, que parece cada vez mais estupidamente vazio. Ofuscantemente silencioso, apesar de seu inquietante barulho; ruidosamente escuro, apesar de suas luzes deslumbrantes. Tudo tão feérico, tudo tão prosaico.

Talvez a mídia digital consiga em breve realizar aquilo que milênios de Budismo não conseguiram: "esvaziar" a cabeça de toda a sociedade. "Ceci tuera cela". Confesso que nada disso lembra aquilo que imagino como nirvana...

P.S.: Pouco antes, recebera o anúncio do jogo "Detective Pikachu". Maiores comentários podem ser dispensados.



Mais importante que a transformação da sociedade seria, talvez, sua transfiguração...


quarta-feira, 21 de março de 2018

Entre real e ideal

A política deveria ser a arte de articular vontades para que o real se torne um pouquinho (apenas um pouquinho) menos distante do ideal. Não é pedir muito... Ou é?


domingo, 18 de março de 2018

Por que mataram Marielle Franco?

Pretendia não falar nada, mas não consegui.

Posso estar muito enganado, mas acho que Marielle não morreu porque era negra, mulher ou favelada - morreu, antes de tudo, enquanto vereadora. Não creio que haja qualquer motivação de ordem identitária relacionada ao crime em questão. Acredito que ela morreu exatamente pelo mesmo motivo que o Freixo precisa andar com seguranças: ameaçar os interesses de setores do crime organizado. Não me parece conveniente misturar alhos com bugalhos numa situação delicada como essa.

Lamentar a morte dela enquanto representante dessas categorias não é um problema, mas nos últimos dias li VÁRIAS afirmações de que ela morreu PORQUE era negra, mulher e favelada - o que é muito diferente: seria a mesma coisa que dizer que o Freixo é ou foi ameaçado por ser homem, hetero ou branco, para ficar num exemplo próximo e concreto. Acho improvável.

Também penso que um dos grandes problemas de todo o debate político no Brasil e no mundo hoje é justamente a confusão desordenada entre opiniões e "fatos". Os termos de cada debate precisam ser definidos com clareza, assim como as circunstâncias específicas de situações igualmente específicas precisam ser devidamente examinadas em suas particularidades - não misturar alhos com bugalhos, enfim.

Cada caso é um caso; uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diz a sabedoria popular. O assassinato de Marielle é um caso muito peculiar, irredutível a categorias mais gerais e amplas. Acho complicado, inconveniente e mesmo perigoso que o caso em questão, com toda sua singularidade, seja banalizado e veja seus contornos mais específicos diluídos em pautas dessa ou daquela militância identitária.

De qualquer forma, a morte de Marielle é lamentável em muitos sentidos - ainda assim, não convém traçar conexões falaciosas entre esses múltiplos sentidos.

E, é claro, eu posso estar (muito) enganado, como afirmei desde o princípio.



quarta-feira, 14 de março de 2018

Modelo e devir

Só existe exemplo quando enxergo no modelo alguém que eu também posso vir a ser. O ser exemplar é alguém cujas qualidades eu não apenas admiro, mas que de alguma forma pressinto ou reconheço potencialmente presentes em mim mesmo.


sexta-feira, 9 de março de 2018

A cereja do Boulos

Não sou afiliado nem militante do PSOL; minha opinião é apenas a de um eleitor que (ainda) vê o PSOL como uma opção no meio da podridão partidária que assola o país. Confesso, aliás, que simpatizo mais com o Freixo e com o Chico Alencar e outros membros que com o partido propriamente dito.

Indo direto ao ponto, a candidatura de Guilherme Boulos me parece um grave equívoco, um verdadeiro tiro no pé.

Antes de tudo, porque o próprio Boulos me parece apenas mais do mesmo: outra figura com discurso criptopetista.

Também acho muito desgradável ver uma candidatura montada de forma tão artificial, estruturada em torno de uma figura que sequer era filiada ao partido. Tenho profunda aversão a "criaturas" políticas forjadas de maneira arbitrária e oportunista.

E oportunismo é exatamente o problema aqui. A candidatura Boulos parece fabricada sob medida para captar votos dos órfãos de Lula.

Também acho incoerente ver um partido fundado basicamente em oposição ao PT-PMDB adotar assim uma figura tão comprometida com a defesa do PT nos últimos anos. Me soa como uma capitulação ao chantagismo emocional articulado pelo PT a partir da eleição de 2014 e reforçado desde o impeachment de 2016, uma rendição ao discurso de paranoia persecutória da claque luleana. Há aí certa dimensão de submissão tácita a um discurso petista que sempre exigiu vassalagem do PSOL.

Não menos importante, o PSOL se associa assim a uma figura cujas atitudes e discursos só tenderão a acentuar a imagem do partido de "esquerda raivosa", num momento nada favorável a isso.

A meu ver, essa candidatura apequena o PSOL. Não vencerá eleição e queimará o filme do partido em eventuais candidaturas estaduais e ao legislativo. No Rio de Janeiro, especificamente, em lugar de se formular uma candidatura viável no atual contexto estadual (o que seria realista), perde-se tempo forjando uma quimérica, estéril e polêmica campanha presidencial, que já está dividindo um partido cujas tensões internas são habitualmente intensas.

O PSOL mira o alvo errado, no momento errado, com a arma errada.

Me entristece ver Freixo como idealizador e principal articulador dessa sandice.

Mas triste mesmo é ver o tal vídeo do Lula apoiando a candidatura em questão.

É ou não é a cereja do Boulos...?





Tienda del Chávez

A Venezuela está em pandarecos, mas Chavéz foi um dos maiores governantes latinoamericanos - "foi sem querer querendo". O Brasil cai aos pedaços, mas "nunca antes na História desse país" (NANHDP) houve um governo melhor que o do PT.

Sartre, filosofastro maior do século das ideologias, tinha razão: o inferno são os outros - o Temer, a elite do atraso, a mídia golpista, o Moro, o imperialismo ianque, a crise mundial, a classe mérdia, os energéticos, os energúmenos, os aerolitos, o gato, o Quico e o outro gato. Por sinal, o próprio Sartre achava que o Stalin era um bom camarada: gulag na Sibéria dos outros é refresco - de limão, que parece de tamarindo e tem gosto de abacaxi Maduro.

E, é claro, superada a ressaca da "Copa das Copas", o Brasil ganhará a Copa de 2018: só falta combinar com os russos... Dios es Fidel.

A burguesia colonizada pelo imperialismo não suporta o sucesso da gentalha...

quarta-feira, 7 de março de 2018

O tolo toma a própria ignorância como medida do conhecimento alheio; o sábio toma o conhecimento alheio como medida da própria ignorância. Às vezes.