domingo, 25 de dezembro de 2016

Sobre a "reação do oprimido"

Réplica a um comentário no Facebook

1- Não concordo que quem "governa o planeta" sejam apenas os oligopólios econômicos. Acho que há aí uma interpretação muito reducionista, tendente ao marxismo "clássico" que vê como importante apenas a "infraestrutura" econômica e o resto como mero subproduto. Acho que os jogos de poder são mais complexos que isso; nem tudo cabe no economicismo.

2- Acho que o argumento de que cobrar dos governantes seja completamente inútil deriva muito do primeiro. Por mais que saibamos que certos grupos são muito importantes, não significa que o Estado seja um agente político insignificante e que exercer pressão sobre o Estado seja de todo irrelevante. Concordo que tuitar, espernear, bater panela, soltar rojões e pombas brancas e distribuir rosas não sejam métodos muito eficazes; essas não são exatamente as melhores táticas de desobediência civil, embora povoem o imaginário coletivo.

3- Não me parece que sequestrar os "detentores do poder econômico" em troca de exigências resolva grande coisa. Acreditar que isso seria possível sem descambar para grandes episódios de violência ou guerra civil me parece um tanto ingênuo e romântico. A luta violenta é uma caixa de Pandora e a ideia de uma violência "controlada" apenas contra os "alvos certos" raramente se mostra viável. A violência é por definição incontrolável e imprevisível. Isso falando apenas de um ponto de vista meramente pragmático.

4-De um ponto de vista ético, moral e espiritual, não acredito que nenhum fim, por nobre que pareça, justifique o uso de meios violentos. Na minha opinião, os meios importam mais que os fins. Ao contrário do dito que corre mundo, a "reação do oprimido" pode ser tão cruel quanto a "violência do opressor". Penso como Gandhi: estou disposto a dar minha vida por inúmeras causas, mas não tiraria a vida de ninguém por causa alguma. Acho que Nietszche tinha bastante razão quando dizia que aqueles que combatem monstros acabam também se tornando monstros. Por fim, vejo muita gente defendendo a luta armada e táticas semelhantes, mas não vejo essas pessoas REALMENTE partindo para a prática; há aí alguma contradição ou incoerência... Quem está disposto a puxar o gatilho?! Onde acabam as convicções e começam as bravatas?!

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