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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Peps, Fips e Wagner

Extrato de Os cães sonham?, de Stanley Coren

"Richard Wilhelm Wagner, mais conhecido como o compositor das quatro óperas que compõem O anel do Nibelungo, valorizava bastante o gosto musical dos cães. Em seu estúdio havia um banco especial para Peps, seu cavalier King Charles spaniel. Enquanto compunha, Wagner tocava piano ou cantava passagens nas quais estava trabalhando. O compositor ficava de olho no cão e modificava frases musicais de acordo com sua reação. Wagner reparou que Peps reagia de modo diferenciado às melodias, de acordo com os tons musicais. Certas passagens em um tom poderiam provocar um suave balanço da cauda, enquanto passagens em outros tons poderiam causar uma reação agitada. Esse fenômeno semeou na mente de Wagner o germe da ideia que o levaria a adotar o "motivo musical" [leitmotiv].

Os motivos associam tons musicais específicos a determinadas emoções ou estados de espírito no drama operístico. Na ópera Tannhäuser, por exemplo, o tom do mi bemol maior está ligado ao conceito de amor sagrado e salvação, enquanto o mi maior está ligado à notação de amor sensual e devassidão. Em todas as suas óperas posteriores, Wagner fez uso de motivos musicais para identificar personagens importantes e outros aspectos do drama. Quando Peps morreu, Wagner ficou arrasado e teve dificuldade para se concentrar na composição até conseguir outro cão da mesma raça. Fips logo ocupou seu lugar em um banquinho especialmente estofado próximo do piano de Wagner, de onde podia colaborar com seu conhecimento musical e crítico sempre que necessário".

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