terça-feira, 16 de julho de 2013

Cães, lobos e homens - Histórias entrelaçadas

Extratos de Os cães sonham?, de Stanley Coren

"Existem mais lobos do que cães?

Atualmente o planeta Terra é dominado por seres humanos. Para que uma espécie animal sobreviva, precisa não apenas se reproduzir com êxito, mas se relacionar e talvez conquistar a proteção dos seres humanos. Considerando esse fato, a resposta para a pergunta acima é óbvia.

É difícil imaginar que em algum momento os lobos já tenham sido os mamíferos mais populosos do planeta. Eles podiam ser encontrados nos ambientes mais extremos, do calor do deserto à tundra gelada do Ártico. Eram numerosos nas savanas e nas pradarias, assim como nas selvas e florestas. No entanto, como lobos e humanos competiam pelo mesmo tipo de comida - carne -, e os lobos viam os animais domésticos como alvo legítimo, os seres humanos tomaram medidas contra os lobos; nos últimos quinhentos anos, as populações de lobos foram massivamente reduzidas. Há mais de quatrocentos anos os lobos desapareceram das Ilhas Britânicas, e muitas áreas da Europa Ocidental estão sem lobos há vários séculos. Avalia-se que a população total de lobos na França, Alemanha e Itália seja inferior a quinhentos indivíduos.

Além da pressão exercida pelos humanos, o padrão de reprodução típica dos lobos contribui para manter os números baixos. Na matilha de lobos, o acasalamento geralmente ocorre apenas entre os líderes - o macho e as fêmeas alfas. Eles se reproduzem apenas uma vez por ano, e a fêmea raramente tem a primeira ninhada antes dos dois ou três anos de idade. O tamanho médio da ninhada é de quatro a seis filhotes. A taxa de mortalidade entre esses filhotes gira em torno de 50%, o que significa que todo ano cada matilha tem mais dois ou três novos membros, ficando muito pouco acima do necessário para substituir aqueles que morrem.

As consequências são inevitáveis. Mesmo que juntássemos todas as espécies de lobos de todos os países do mundo, teríamos cerca de 400 mil indivíduos, enquanto o número de cães chega a 525 milhões. Em outras palavras, para cada lobo vivo atualmente, há mais de 1300 cães vivendo no mundo.

[...]

Por que existem tantos cães no mundo?

Quando Charles Darwin falou a respeito da sobrevivência do mais apto, não estava se referindo às espécies maiores e mais fortes. Estava falando da sobrevivência das espécies mais bem-sucedidas na reprodução e sobrevivência de seus descendentes para se reproduzirem. Ele diria que a medida do sucesso de uma espécie é a quantidade de indivíduos vivos e capazes de se reproduzir. Para alcançar esse sucesso, os indivíduos precisam 'adaptar-se' ao seu ambiente.

O ambiente em que vivem os cães é o mesmo em que vivem os humanos. Por isso os cães têm êxito como espécie, pois se encaixam bem nosso nicho. Os cães se saíram muito bem na tarefa de adaptar-se. Eles se adequaram tão bem às nossas vidas que nós os alimentamos, cuidamos deles e nos preocupamos tanto com sua saúde e cuidados médicos que vivem vidas longas e muitos deles têm a oportunidade de se reproduzir. Além disso, os cães não têm predadores naturais (embora os carros e caminhões possam desempenhar esse papel nas regiões em que os cães podem correr livremente).

Como a procriação e a reprodução são as medidas do sucesso, é interessante observar que, como um subproduto da nossa domesticação dos cães, nós mudamos seus padrões de procriação de maneira decisiva. Entre os caninos selvagens, como os lobos, as fêmeas entram no cio (quer dizer, ovulam e se tornam férteis) apenas uma vez por ano. Com exceção de algumas raças mais primitivas (como o basenji), os cães entram no cio duas vezes por ano, o que lhes permite produzir o dobro de descendentes em relação aos seus primos selvagens.

Agora está montado o cenário para explicarmos porque a população de cães é tão grande. Começaremos pelo fato de que a fêmea pode ter sua primeira ninhada com apenas cinco a dezoito meses de idade (dependendo da raça). Demora 58 a 65 dias para dar à luz os filhotes. O número de filhotes em uma ninhada varia de acordo com a raça e o tamanho da cadela, mas a média geral fica em torno de seis a dez filhotes. A maioria das fêmeas pode ter duas ninhadas por ano. Se a metade for formada por fêmeas, elas também poderão ter filhotes quando estiverem com cinco a dezoito meses de idade. Faça as contas e você descobrirá que uma fêmea e seus filhotes podem produzir 4372 filhotes em sete anos! Os machos não têm sequer a limitação das duas ninhadas por ano, pois podem procriar sempre que encontram uma cadela no cio.

O lado negativo de tudo isso é que os cães estão tendo êxito demais e em alguns lugares sofrem com a superpopulação. A maioria das pessoas não parece entender o tamanho desse problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre 4 a 6 milhões de cães estão sendo sacrificados todos os anos simplesmente por falta de pessoas para adotá-los e de espaço em abrigos para animais. Por isso, os seres humanos devem se tornar agentes da seleção natural para manter as populações de cães sob controle".

3 comentários:

Marcos Passini disse...

Passar a cachorrada na faca, portanto, é ecologicamente correto.

Luiz Fabiano de Freitas Tavares disse...

Como assim, Marcos? Castrando, imagino.

Anônimo disse...

ALGUMA COISA deveria castrar ou passar na faca os malditos macacoides humanos também - essas pragas peladas bípedes proliferam feito vermes e superpopulam o planeta!!!