Newsletter

Sua assinatura não pôde ser validada.
Você fez sua assinatura com sucesso.

Oficina de Clio - Newsletter

Inscreva-se na newsletter para receber em seu e-mail as novidades da Oficina de Clio!

Nous utilisons Sendinblue en tant que plateforme marketing. En soumettant ce formulaire, vous reconnaissez que les informations que vous allez fournir seront transmises à Sendinblue en sa qualité de processeur de données; et ce conformément à ses conditions générales d'utilisation.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Lados

O lado bom das redes sociais é que qualquer pessoa pode manifestar sua opinião; o lado ruim das redes sociais é que qualquer pessoa pode manifestar sua opinião...



quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Brasil seria cômico, se não fosse cômico. Afinal de contas, todo mundo gosta de rir, mas ninguém gosta de ser motivo de piada. Bergson explica...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Oportunismo e Predação

Todo predador é um pouco oportunista; todo oportunista é um pouco predador. Quanto maior o oportunismo, pior a predação. Mas quem oferece as oportunidades, senão a própria presa? O predador só precisa ser mais forte que a presa mais fraca. A presa mais fraca é aquela que, geralmente por descuido, oferece mais oportunidades. O predador mais forte é aquele que domina de dentro a própria mente da presa, induzindo-a a oferecer por si mesma as oportunidades de predação. Os predadores realmente poderosos não possuem garras ou dentes, preferindo palavras e imagens; capturam suas presas pelos olhos e pelos ouvidos. Quem deseja sobreviver, precisa se tornar rigorosamente inoportuno, rechaçando assim todos os oportunistas.


domingo, 6 de maio de 2018

200 anos de Marx - O que comemorar?

Não me entusiasmo nem um pouco com as comemorações dos 200 anos de nascimento do autor de "O Capital".

Marx era um homem inteligente e erudito e, evidentemente, teve algumas ideias muito interessantes - como as noções de mais-valia, alienação e fetiche, por exemplo. No entanto, enquanto reflexão sistemática, a meu ver, o marxismo não se sustenta em pé. O central modelo de "modo-de-produção" é de um reducionismo pavoroso; a "luta de classes" como principal motor da História é um delírio messiânico, e a noção de "consciência de classe" resvala várias vezes na desonestidade intelectual.

Além disso, também acho que o pensamento de Marx tinha nuances extremamente perigosas - marxistas e simpatizantes me parecem subestimar gravemente as tendências autoritárias presentes no discurso do pensador. A noção de "ditadura do proletariado" me causa asco, não importando os sofismas com que se tente maquiar a coisa. As sementes do mais sombrio stalinismo já estavam latentes no discurso de Marx desde o começo.

Nada disso significa que o proponente do "materialismo histórico" seja irrelevante. Muito pelo contrário, é, evidentemente, uma das figuras intelectuais mais relevantes e influentes da História. Seu legado estimulou muitos pensadores brilhantes, especialmente entre aqueles que não o seguiam de modo ortodoxo. Como tal, deve ser lembrado, mas também deve ser analisado criticamente, com respeito, mas sem religiosa reverência. A meu ver, a maior homenagem que se pode prestar a um pensador é criticá-lo conscienciosamente.

Não precisa ser demonizado, como quer a direita, mas tampouco deve ser colocado sobre um pedestal, como faz a esquerda.

Por sinal, já passou da hora de que os movimentos de esquerda superem o legado de Marx, cujos limites são evidentes. Que se aproveite do pensador aquilo que serve, e o resto, que seja deixado para trás, com o devido desapego. A esquerda do século XXI precisa, com urgência, parar de buscar o colo paternal de Marx, como um eterno porto seguro.

Existem outros horizontes a explorar.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Na hora das lágrimas

O desastre de São Paulo é, antes de tudo, muito triste. Em grande medida, é um retrato ao absurdo do drama cotidiano que é o problema habitacional em nosso país. Todavia, até que haja maiores esclarecimentos sobre as circunstâncias do ocorrido, que parecem bastante nebulosas e complexas, vamos evitar a politização excessiva do fato, especialmente a politização eleitoreira.

Me parece que é, inclusive, uma questão de respeito e solidariedade com as próprias vítimas, cujo sofrimento não deve ser simplesmente apropriado e instrumentalizado por agendas políticas que lhes são estranhas, em favor da polarização que ora devasta o Brasil. O caso TEM dimensões políticas, mas elas podem (e talvez devam) esperar.

Que, nesse momento doloroso, possam ao menos chorar em paz. Que o sofrimento humano venha antes e acima das paixões políticas, nunca o contrário.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Paternalismo e generosidade

É fácil tomar paternalismo por generosidade, e os excessos de interpretação caem bem àqueles que desejam elevar as mais medíocres manifestações da cultura popular à condição de obras geniais. Tudo, realmente é cultura; mas a cultura nem sempre é brilhante...

domingo, 29 de abril de 2018

Gente obediente

"Mas não é ilegal"; "mas a lei permite" - argumentos tipicamente mobilizados em defesa de atitudes eticamente inaceitáveis.

Em parte, era assim que os senhores de escravos respondiam ao abolicionismo. Torturar suspeitos e queimar hereges também não era "ilegal" nos tempos da Santa Inquisição. As leis romanas permitiam assistir a combates de gladiadores - para ficar apenas com alguns exemplos, entre muitos, demais até. Como dizia Luther King, as piores atrocidades costumam ser cometidas por gente obediente às leis.

Não existe nada mais conveniente (e servil) que delegar a própria consciência à pena dos legisladores. Excesso de obediência costuma ser gesto de patológica irresponsabilidade moral.


quarta-feira, 25 de abril de 2018

"Para repetir, para imitar, para se fiar, basta deixar-se levar; é a crítica que exige um esforço".
Henri Bergson

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Eleições em Pasárgada

As últimas intervenções públicas de Ciro vêm sendo tão irritantes que considero cada vez mais remotas as possibilidades de votar nele no 1º turno. No 2º, contra Bolsonaro, voto no Ciro, no Dário, no Xerxes e até no Artaxerxes.
***
"Lula Livre" lembra mais nome de programa de televisão dos anos 80 ou 90. Talvez fosse melhor lançar a candidatura presidencial do Juba. Ou do Bakana. Esse país segue sendo uma "Armação Ilimitada"...
***
Se a esquerda - brasileira e mundial - continuar olhando para trás dessa maneira, acabará virando estátua de sal...
***
No fundo, estamos a discutir quem é a prostituta mais virgem do lupanar.
***
Fraca, doente, quase morta: República Federativa do Brasil...

"Pela liberação do porte de arcos. É melhor Jair se acostumando."

O Triplex das Farsas: uma elevada ficção

O tal vídeo "revelador" que precisa "rodar o mundo" produzido pelo MTST no triplex do Guarujá é farsesco - no sentido teatral do termo. Mostra apenas algumas partes do imóvel - especialmente não mostra o tal elevador interno.

Quem tenha o mínimo interesse em investigar a coisa mais a fundo facilmente encontrará no Youtube duas reportagens, produzidas pelo Uol e pelo SBT, que desmentem a imagem sugerida pelo vídeo do MTST. Nota-se claramente que se trata do mesmo imóvel -incluindo elevador. Também aparecem com mais clareza os elementos presentes na denúncia do MP - inclusive o elevador. O elevador existe, mas o vídeo do MTST não o exibe: simples assim. Com celular na mão, e uma ideia na cabeça, a glauberiana obra cinematográfico-política não prova nada, mas enche de convicções aqueles que já as possuem em demasia.

É impressionante a facilidade com que se mobiliza e manipula a opinião de gente militante - até com diproma de dotô. Não "existe" elevador, porque não querem ver o elevador: a cegueira voluntária não tem cura. Mesmo que subam e desçam pelo elevador, dirão que não existe. Ottis e Schindler são apenas nome inventados. Em nome de sua ficção política, argumentarão até que elevadores só existem em obras de ficção científica: deve ser coisa de Júlio Verne, Ray Bradbury ou Phillip K. Dick. "Do political activists dream of elevators?"

Como diria Didi Mocó Sonrisepe Colesterol Novalgino Mufumbo, parece que esse povo anda "popotamizado": cai nas artimanhas do primeiro Scapino que aparece... "Mais qu'est-ce qu'ils faisaient dans cet ascenseur?!"

Mas... já falei do elevador?


O Sabá dos Gatos (sem o Quico)

Gatos entoando a maior cantoria aqui perto de casa: em plena Sexta-Feira 13! Se fosse no século XVI, já ia pra conta do "Sabá das Feiticeiras". Mas eu, como homem esclarecido do século XXI, sei quem está lá: outro gato! Vou deixar meu piripaque pra depois das eleições...

13 de abril de 2018, sexta-feira

"Onde está você, Satanás?"

Oportunismo pouco é bobagem

Tomo a liberdade de escrever um texto com duplos, triplos, múltiplos sentidos - nenhum deles bom, infelizmente.

Vem aí um candidato a deputado federal capaz de agradar a todos os brasileirinhos e brasileirinhas, o tipo de pessoa que busca a fama até - talvez principalmente - na infâmia. O Alexandre faz tantos personagens diferentes que dava mesmo pra tripular uma Frota inteirinha. Dava até pra uma "Invencível Armada" - com o perdão de todos os trocadilhos pornográficos ou bolsomitológicos que se queira tirar ou botar aí... É muita falta de decoro parlamentar!

Bolsonaro, além de ser uma piada, agora quer virar piada de sacanagem, ainda por cima - piada "de fumoir*", como diziam antigamente, no tempo em que a boa gente brasileira ainda falava francês e fumar não fazia mal à saúde. Hoje em dia ainda há quem fume, mesmo sabendo o mal que faz, assim como tem muita gente levando esses caras a sério: me pergunto o que certos cristãos-com-Bolsonaro teriam a dizer sobre uma coisa dessas. Essa turma lembra até a situação dos cinemas de rua no Rio de Janeiro: alguns viraram cine-pornô, outros viraram igrejas. O Ministério da Cultura adverte. Melhor evitar maiores comentários que poderiam talvez resvalar na blasfêmia: já ultrapassei minha cota de piadas infames para um post só.

Termino com uma sugestão: no horário eleitoral, pela preservação da sua família, tire as crianças da sala - esse país é mesmo uma obscenidade!


*"Fumoir" - salões comuns até meados do século XX em clubes e casas de famílias abastadas, onde os homens costumavam se reunir para fumar e conversar sobre assuntos considerados indecorosos na presença de mulheres.

Amor e Igualdade

Bela reflexão do filósofo Thales de Mileto, digo, de Oliveira...

O maior obstáculo para o igualitarismo não é o ódio, a indiferença e a apatia, mas sim o próprio amor. Mesmo se o igualitarismo mais perfeito e estrito fosse instaurado no mundo, no dia seguinte ele começaria a ruir e se desfazer, e a desigualdade cresceria e retomaria pouco a pouco o seu lugar, por causa do amor. Alguns seriam mais amados do que outros. Outros seriam muito mais amados. E ainda haveria aqueles que seriam amados por quase todos, enquanto outros não seriam amados por quase ninguém. E os que fossem mais amados receberiam mais presentes, além do próprio presente de serem amados. Não há nada mais injusto e desigual do que o amor. Mas o amor vale todas essas injustiças. Pois o amor é belo. É mais fascinante e nobre do que a própria igualdade. E por ele foi feito o mundo.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Escrita como domesticação

O escritor é como um caçador, que captura pensamentos. Pensamentos, como se sabe, são criaturas selvagens. Alguns se deslocam em grandes manadas pelos prados da mente. Outros, mais arredios, se escondem na penumbra dos bosques do subconsciente; pensamentos perigosos e ariscos, que entrevemos apenas nos sonhos ou nos lapsos da vigília.

O escritor habilidoso se põe à espreita, nas tocaias da introspecção. Observa, atento, os pensamentos que se movem para lá e para cá. Com sorte, identifica seus hábitos e caminhos costumeiros. Sagaz, prepara suas armadilhas, com redes, cordas e nós. Quando um pensamento desavisado se deixa pegar na trama das palavras a luta é duríssima. Nenhum pensamento se entrega facilmente, nem mesmo os mais mansos. Eles deseja liberdade, não as cadeias da gramática, da sintaxe, da lógica. A luta pode ser dura e demorada; muitas vezes se prolonga por horas, dias, semanas, meses... Com muita frequência, depois de tantos esforços, o danado simplesmente escapa, deixando desconcertado o caçador.

Com sorte, o pensamento capturado é arrastado até o curral, onde poderá ser amansado com muita dedicação. Domesticar um pensamento não é tarefa fácil. Tratados sem delicadeza, eles empacam, definham, morrem; sobra apenas um esqueleto de pensamento, uma tristeza! É preciso encontrar a dose certa de carinho e firmeza para domesticá-los.

Amansado o pensamento, o escritor pode integrá-lo aos seus rebanhos. Com algum engenho, ele descobre como conduzi-los para lá e para cá, explorando e conquistando essas vastas pastagens e horizontes sem fim que são as frases, parágrafos, páginas, capítulos, livros inteiros...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Lula et caterva, ainda

1 - Lula, o humano
Discordo de várias opiniões da autora, mas eis aqui uma análise ponderada, com vários momentos brilhantes, que merece muito ser lida por quem deseja formular uma opinião equilibrada sobre nosso momento político. Eliane Brum costuma ter coisas interessantes a dizer.

2 - Eternos lacerdismos
Há lacerdismos por todo lado. Não pelo fundo, mas pela forma. Lindbergh e Hoffman andaram fazendo performances que deixariam o velho Lacerda orgulhoso... Somos fundamentalmente um país de Lacerdas, Jânios e Adhemares... O próprio Lula tem um pouquinho de cada... Brizola tinha razão: o PT é a UDN de macacão.

3 - Antes de amar
O PSOL me parece cada vez mais um partido fadado a morrer na adolescência. "Avant même d'avoir aimé", diriam os franceses. Triste...

4 - Provas e convicções
Já falei um zilhão de vezes, mas não custa repetir: o MP apresentou PROVAS contra o Lula, um MONTE delas (circunstanciais, mas provas*). A galera lulista e simpatizante se agarrou àquele (certamente infeliz) powerpoint como a uma tábua de salvação. O tal powerpoint era apenas isso: um slide (mal pensado) de Powerpoint. O problema é que a militância petista (e seus satélites) tem muitas "convicções" - acima e além de qualquer prova. Convicções estas que se tornam cada vez mais sólidas pela repetição frequente e incansável. Muita gente odeia os pobres? Certamente. Muita gente faz críticas superficiais e mesquinhas aos programas sociais do PT? Ainda mais. Lula foi preso SÓ por causa disso? Não; ele foi condenado por corrupção passiva, com - repito - DEZENAS de provas circunstanciais. Em lugar de repetir e reproduzir como papagaios "informações" dadas pela "mídia independente", o pessoal devia ler com atenção a denúncia do MP. Eu li. Dá trabalho, mas é gratuito (fontes primárias, colegas historiadores, fontes primárias). Seria bom que os defensores incondicionais de Lula vissem atentamente as provas, e depois formulassem suas convicções...

[* "Defina provas circunstanciais, por favor". -  Suponho que seja algo como evidências indiciárias periféricas cujo conjunto permita estabelecer uma reconstituição do caso acima de qualquer dúvida razoável. Enfim, provas que não são materiais como uma arma fumegante ou amostras de DNA, mas que possuem suficiente valor probante. No caso específico de Lula, provas em sua maioria documentais. Mais ou menos isso. Estou muito enganado?]

5 - Ciro, o Bárbaro do Ocidente
Não me parece que o (suposto) pescoção do Ciro no youtuber deva ser subestimado ou minimizado; tampouco deve ser superestimado. Edição tendenciosa? Havia intenção de machucar? Ciro exagerou na força do "tapinha"? Vai saber. A coisa toda é muito ambígua, no fim das contas. Acho curioso, no entanto, que no vídeo em questão o presidenciável e o youtuber se agridem verbalmente de modo extremamente desagradável, mas pouco se liga para isso: parece que nos tornamos cada vez mais insensíveis a agressões verbais... Continuo achando que o Ciro é o candidato menos pior nesse trem fantasma eleitoral, mas me sinto cada vez mais inclinado a anular no 1º turno e votar em qualquer um que não seja o Bolsonaro no 2º...