Newsletter

Sua assinatura não pôde ser validada.
Você fez sua assinatura com sucesso.

Oficina de Clio - Newsletter

Inscreva-se na newsletter para receber em seu e-mail as novidades da Oficina de Clio!

Nous utilisons Sendinblue en tant que plateforme marketing. En soumettant ce formulaire, vous reconnaissez que les informations que vous allez fournir seront transmises à Sendinblue en sa qualité de processeur de données; et ce conformément à ses conditions générales d'utilisation.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Paternalismo, "cuidado" e autonomia: Comparando os discursos de Crivella e Freixo

Dedico esse texto a todos os cidadãos do Rio de Janeiro, independentemente de religião, posicionamento político ou classe social

Crivella quer cuidar das pessoas. Isso é ótimo, sinceramente. A ênfase no cuidado é uma das dimensões mais bonitas e mais cristãs das igrejas evangélicas. De fato, muitas igrejas evangélicas, tradicionais ou neopentecostais desenvolvem obras sociais admiráveis e dignas de aplauso. Muitos evangélicos são pessoas fantásticas, verdadeiros bons samaritanos que deixariam Jesus muito orgulhoso.

No entanto, prefeitura NÃO é igreja. Democracia plena significa governar COM os cidadãos e não PARA os cidadãos.

A cidadania plena pode ser definida como exercício dos direitos civis, políticos e sociais. Ora, o discurso do cuidado adotado por Crivella enfatiza os direitos sociais, mas deixa em segundo plano os direitos civis e - pior ainda - desdenha dos direitos políticos. Preconiza uma cidadania capenga.
Sob uma roupagem cristã, é o mesmo projeto esboçado pelos governos Lula e Dilma. Os programas sociais do PT foram - e ainda são - importantíssimos. No entanto, esses programas sempre enfatizaram os direitos sociais, deixando os direitos civis e políticos em segundo plano: formam consumidores e eleitores, mas não cidadãos.

É uma lógica paternalista: infantiliza o povo, que precisa ser cuidado por uma figura paterna. Getúlio Vargas foi o "Pai dos pobres"; Lula bem que tentou ser um novo "pai dos pobres", mas o povo não comprou a ideia. Apesar de seus defeitos, Getúlio e Lula promoveram importantíssimas conquistas sociais no Brasil, mas pouco fizeram para tornar nosso país mais democrático, para promover a efetiva participação do povo nas decisões do governo. Essa concepção de cidadania expressa profunda assimetria entre governantes e governados, decalcada da assimetria natural entre pais e filhos, adultos e crianças. No limite, pode conduzir a concepções sociais autoritárias (como aconteceu na Era Vargas): pais mandam, filhos obedecem. Ou, como diz a triste máxima brasileira: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Nos tempos da escravidão, os senhores também se viam como "pais" dos escravos ("subfilhos" na família extensa), que recebiam alimentação, vestimenta e moradia. O senhor CUIDAVA de seus escravos.

No caso de Crivella, o buraco é mais embaixo: sua concepção de cuidado paternalista remete a uma matriz discursiva bíblica, onde a assimetria é ainda mais acentuada: a figura do pastor que cuida de suas ovelhas. Temos aqui um povo-rebanho - mais que infantilizado, animalizado. A criança um dia pode tornar-se adulta, emancipando-se, mas a ovelha será sempre ovelha, indefinidamente dependente dos cuidados de seu pastor. Há uma profunda dimensão de servidão moral embutida nesse discurso; não promove a cidadania e a democracia. É uma versão piorada do recente paternalismo "lulista".

 
Por outro lado, as propostas de Freixo prezam os direitos políticos e civis, tanto como os sociais. Freixo promete governar COM o cidadão, e não PELO cidadão. São propostas como os conselhos de bairro, a autonomia pedagógica das comunidades escolares ou o gabinete virtual. Freixo propõe o cidadão como um adulto que decide, não como uma criança, uma ovelha ou um escravo que precisam de cuidados. Propõe AUTONOMIA em lugar de CUIDADO.

A concepção de cidade proposta por Freixo rompe com o paternalismo brasileiro crônico, de direita ou de esquerda. Nesse sentido, a proposta do PSOL e de Freixo é MUITO DIFERENTE das concepções e práticas do PT e de Lula. O PRB e Crivella estão muito mais perto de virar um "novo PT" e um "novo Lula", do que o PSOL e Freixo  (ao menos nesse momento).

Freixo propõe romper com o paternalismo da senzala e do curral (eleitoral). Se conseguirá ou não, não tenho como dizer.

Nessa eleição, o cidadão carioca precisa escolher um projeto de cidade: queremos um Rio de Janeiro como a Jerusalém monárquica de Salomão ou como a Atenas democrática de Sócrates...?

P.S. 1 (resposta a uma crítica): A referência a Jerusalém e Atenas tinha intenção meramente simbólica: as duas cidades ocupam espaços míticos e alegóricos no imaginário ocidental que transcendem as experiências "reais" vividas nas duas cidades. 

Como dizia Alphonse Daudet, a Atenas e a Esparta da vida real deviam ser no máximo subprefeituras, cujas dimensões foram ampliadas devido à imaginação da Europa meridional, sempre excitada pelo calor escaldante... Por sinal, talvez sejam também as miragens provocadas pelo calor que tenham tornado o Rio uma cidade maravilhosa aos deslumbrados olhares nórdicos. 

A intenção desse texto era menos eleitoral que intelectual - uma tentativa de refletir sobre o modo que múltiplas experiências históricas e culturais se imbricam na "retórica do cuidado" de Crivella, apontando o quanto esse mesmo quadro de referências se infiltra em outros discursos. O homem cordial ama o calor afetuoso do paternalismo, e às vezes até confunde esse paternalismo com democracia. 

Também quis usar o paternalismo como referência para questionar a cada vez mais anacrônica divisão do espectro político entre esquerda e direita. Jacobinos e girondinos já ficaram para trás há muito tempo, e talvez seja a hora de remover conceitos embolorados que tantas vezes obscurecem mais que esclarecem e deixam tanta coisa opaca (no caso, o onipresente imaginário paternalista). As referências cruzadas e invertidas que moralizam esquerda e direita como "bem" e "mal" precisam igualmente ser superadas, particularmente quando embasam unilateralmente a vassalagem partidária do "eSquerda vota em eXquerda", naquela velha relação (também paternalista) entre senhor e vassalo. 

Também é uma provocação aos amigos frustrados, desesperançosos e indecisos, que temem no Freixo e no PSOL uma repetição do Lula e do PT. A esses sinalizo que esse perigo talvez seja mais forte pelo lado do Crivella e do PRB, e talvez eles estejam mais "seguros" votando Freixo que anulando. 

Enfim, espero que o PSOL não venha futuramente a reproduzir como "freixismo" a linguagem paternalista do "lulismo" (o risco sempre é possível). O próprio PT, em suas origens, pretendia ser uma esquerda livre do personalismo carismático, em especial reagindo ao "brizolismo". A gradativa derrapagem do PT rumo ao "lulismo" talvez testemunhe o quanto o imaginário paternalista permanece poderoso em nossa sociedade e quão difícil é exorcizá-lo. O Freixo, o PSOL e sua militância precisam permanecer atentos e vigilantes para evitar que isso aconteça. Como sabiam Freud e Jung, as forças do subconsciente e do imaginário muitas vezes são mais poderosas e traiçoeiras do que pensamos... Já alertava Ricoeur (em Hermenêutica bíblica, por sinal): "só a tomada de consciência de seu estatuto paradoxal pode impedir os símbolos de tornarem-se ídolos".

 P.S. 2 (resposta a outra crítica): De fato, imagino que muitos petistas possam se escandalizar com essa análise, mas acho que já passou da hora dos petistas refletirem séria, profunda e criticamente sobre as virtudes e vícios da "era PT": ouvir críticas também faz parte da democracia. Encarar o espelho pode ser desagradável, mas é muitas vezes necessário. Por sinal, gostaria muito de ouvir o que um petista pensaria dos argumentos que apresentei. 

Em alguns momentos o PT e seus militantes se mostram tão dogmáticos quanto a Universal e seus fiéis - nem todo fundamentalismo é religioso. Está mais que evidente que os velhos catecismos e práticas do PT não conseguem mais convencer muita gente fora da "igreja". Em 2006 e 2010 o PT conseguiu emplacar votações recorde, apesar de todo o barulho midiático em torno do mensalão. Em 2006 o salário mínimo ainda subia como um foguete; em 2008 o salário mínimo entrou em fase de estagnação, mas em 2010 a inflação ainda não havia corroído drasticamente o poder aquisitivo das camadas mais baixas da população. Nessa época o "povão" via melhoras reais em sua vida e votou no PT porque reconhecia essas melhoras, apesar da manipulação da grande mídia. 

Nos últimos anos o quadro mudou: o PT continuava (e continua) cantando glórias passadas, mas no mundo real as condições de vida do "povão" se degradavam. Como professor de escola municipal lido diariamente com o "povão" e sei o quanto as pessoas se sentem insatisfeitas: elas sentem na carne os efeitos do colapso econômico que se agravou devido a inúmeras políticas desastradas implementadas pelo PT para salvar a mobília do andar de cima. 

A "nova classe média" tem críticas legítimas ao PT, embora a porção eXquerdista da "velha classe média" muitas vezes, com certa arrogância, não consiga ou não queira ouvi-las com a devida atenção. Os intelectuais, por sinal, adoram praticar ventriloquismo com o "povão"; às vezes o "pobre" ou o "favelado" aparecem nos discursos acadêmicos um tanto como o índio (ou sua imagem) era usado pelos nossos poetas românticos. Há que se distinguir o "pobre" como pessoa do "pobre" como mito ou alegoria - a esquerda muitas vezes falha em perceber essa distinção. 

Enfim, o povo não é bobo, e nem a rede Globo, a Universal ou o PT conseguem enganá-lo por muito tempo. Se argumentos como os que apresento escandalizariam o petista médio a ponto de negar seu voto ao Freixo, talvez isso indique quem é, de fato, "a esquerda que a direita gosta"... Por sinal, acharia muito coerente que a militância petista votasse no Crivella - afinal de contas, o Crivella foi ministro do governo PT...

P.S. 3 (tréplica a uma réplica): É preciso defender as conquistas sociais realizadas PELO POVO através do PT; é igualmente necessário criticar os aspectos questionáveis da atuação do PT no poder. Há muita diferença entre uma coisa e outra – um verdadeiro abismo.


Discordo da noção de que só devemos criticar as estratégias do PT, e não seus projetos – até porque nos últimos mandatos o PT se especializou mais em tramar estratégias que em elaborar projetos. Minha grande Crítica, com C maiúsculo ao PT foi seu objetivo de governar PARA o povo, e não com o POVO – optei por chamar isso de “paternalismo”; obviamente você tem o direito de discordar dessa definição. É uma crítica a um projeto que privilegiou a extensão dos direitos sociais (o que é louvável), mas pouco fez pelos direitos políticos (o que é lamentável). O PT foi negligente em fomentar o desenvolvimento de uma cultura efetivamente democrática, e a colheita estamos vendo aí. Um anêmico governo supostamente “popular”, que sucumbiu ao sopro das intrigas palacianas. O PT só convocou o povo às ruas in extremis, sempre fiel à estética exigente de vassalagem partidária e de aplausos comandados de cima do palanque. De fato, não podemos confundir as belas palavras proferidas de cima dos palanques com um efetivo projeto social, construído cotidianamente com a participação de todos. Definitivamente, o PT precisa descer do palanque e pisar nas ruas. Conversar COM as pessoas, e não discursar PARA elas.

Ao contrário do sugerido, não me considero inimigo do PT. Pelo contrário: nunca fui petista, mas votei várias vezes no partido. Chorei de emoção em 1º de janeiro de 2003, no discurso de posse de Lula. Antes e depois das eleições de 2002, sempre critiquei o que me desagradava no PT, mas sempre defendi (e ainda defendo) o que me parecia defensável. Por sinal, considero a noção de “inimizade” extremamente deletéria à democracia. O “inimigo” é aquele que deve ser vencido e subjugado – não há diálogo possível com o “inimigo”. Como iniciante nas artes marciais, valorizo a rivalidade cortês. Precisamos superar Clausewitz e Schmitt, a noção de “política como guerra”. A divisão reificada entre direita e esquerda, embora por vezes útil, reforça essa noção de política belicosa. Dificulta a detecção de pontos de encontro, ao mesmo tempo obscurecendo as possibilidades de crítica – se quem critica é “inimigo”, toda crítica torna-se objeto de inimizade. Nesse paradigma, só é possível manter a “amizade” enquanto as críticas permanecem dentro do campo do que aceitamos (previamente) ouvir; as únicas críticas válidas são aquelas que corroborem nossas próprias críticas – um não-diálogo. “Rejeite a crítica, rotule o crítico” – essa tem sido a postura do PT e sua militância diante de todas as críticas um pouco mais incômodas.

Além disso, a política-enquanto-guerra mobiliza rotineiramente sentimentos e discursos de medo. O PSDB usou essa retórica contra Lula em 2002. O PT usou essa estética contra Serra e Aécio, em 2010 e 2014. Foi a retórica do medo articulada em 2014 que levou boa parte das pessoas a acreditar numa improvável “guinada à esquerda” no segundo mandato de Dilma – não só essa “guinada” nunca aconteceu, como o governo capotou. Enquanto capotava, eram tentadas por uma última vez as mesmas técnicas de cooptação através de loteamentos e leilões de cargos no executivo.
Sem recorrer diretamente ao discurso de medo, o PSOL também vem fazendo isso contra Crivella, e em alguns momentos considero que resvalou nessa estética. De fato, expor os problemas da candidatura rival é sempre necessário em alguma medida, mas prefiro uma retórica da esperança. Os limites, obviamente, são tênues e precisam ser manejados com delicadeza.

Não encaro o PT como inimigo, até porque não sou militante do PSOL. Apoiei o partido nas últimas eleições, mas não me sinto comprometido com ele em qualquer medida. Caso Freixo seja eleito, estarei entre as primeiras fileiras de críticos sempre que julgar oportuno ou necessário. Me considero socialista, não “esquerdista” – recuso deliberadamente esse rótulo homogeneizador. Tampouco me enquadro em qualquer ortodoxia socialista – sinto verdadeira alergia a ortodoxias. Costumo brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista e meu estômago, capitalista. Sou fiel a meus princípios, não a partidos ou políticos – quem é fiel a partidos sempre termina traindo a si mesmo. Tampouco sou fiel a “ideologias”, esses construtos semiteológicos que tantas vezes conduzem à servidão intelectual. O “líder” sabe o que faz, mas quando um “líder” me dá as costas para me conduzir a lugares maravilhosos que mal consigo imaginar, sinto ganas de não-sei-o-quê. No dia em que Freixo começar a me dizer o que fazer, chamando-me de “companheiro”, mas tratando-me como empregado, abandono-o imediatamente.

Não sou inimigo do PT. Reconheço que o PT desempenhou importante papel na história recente do país. A atuação do partido foi crucial para a formulação da Constituição de 88. Infelizmente, para garantir espúrios pactos de governabilidade, o partido também se mostrou passivo e conivente diante de tantas emendas e “remendos” que dilapidam esse mesmo legado. Nesse sentido, é emblemático que o recente pedido de Impeachment tenha a assinatura de Hélio Bicudo, destacada figura do PT à época da constituinte. O mérito do pedido pode e deve ser questionado, mas rotular sumariamente Bicudo como “senil” é um atalho fácil para se esquivar das críticas.

Através da legislatura de Florestan Fernandes, o PT articulou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, uma grande conquista em sua época. O PT no poder pouco fez pelo ensino básico, especialmente pelo ensino fundamental. Criou o IDEB, esse sofrível instrumento de solapamento da autonomia pedagógica. Pouco fez para estimular a gestão democrática da educação básica, prevista na mesma LDB-EN. O FUNDEB foi usado de maneiras absurdas pelos governos estaduais e municipais, sem qualquer transparência, sem que o Ministério da Educação, em qualquer momento, tomasse uma postura mais firme. Os professores de todo o país reclamaram constantemente disso, mas suas vozes, como sempre, não chegaram ao alto do palanque. O slogan “Pátria Educadora”, oferecido como hóstia aos crentes que ainda comungam, foi logo desmentido pelos primeiros meses do mandato inacabado, enquanto o Ministério da Educação se tornou objeto de uma verdadeira dança das cadeiras.

O PT contribuiu imensamente para o debate sobre a Reforma Agrária nos anos 90, mas sua atuação no poder executivo também não se mostrou à altura.
No poder, PT – através de coitos satânicos no leito da governabilidade partidária – concebeu Belo Monte, essa monumental monstruosidade. Belo Monte é apenas mais um episódio de uma longa história de violência contra as populações indígenas e sertanejas de nosso país. Um triste episódio em que o PT, mais que cúmplice, foi um dos mandantes. Um monumento à tirania e à iniquidade.

As mãos do PT, de Lula e de Dilma, que tantas vezes apertaram as mãos de Sérgio Cabral e de Eduardo Paes, fedem a lacrimogêneo. Seus pés, que tantas vezes pisaram em iníquos palanques fluminenses, pisam e pesam sobre nossas cabeças. Aqueles mesmos que estrangularam as gargantas que gritaram “não vai ter Copa” cometeram a ignomínia de gritar “não vai ter golpe”, quando suas próprias gargantas eram estranguladas. Como esquecer o leilão de Libra?! Como esquecer a lei antiterrorismo?! Como (como, Deus meu!) esquecer o massacre da Cinelândia em 2013? Como esquecer o massacre salarial imposto aos grevistas da Educação em 2014? Como esquecer que Lula, Dilma e o PT participaram diretamente dessas atrocidades, ou ficaram calados, em culpado e culposo silêncio? Como gritar “golpe” em defesa daqueles que se calaram diante de todos os GOLPES que sofríamos?! Como gritar qualquer coisa em defesa do PT e de sua “democracia”, esse triste arremedo de democracia (sem aspas)? Como gritar qualquer coisa em defesa dos algozes e cúmplices, sem sentir a garganta se fechar e o pulmão sufocar? Como marchar contra os “golpistas”, com os pés atolados na lama de Mariana?!

Temer agiu como Judas em relação a Dilma, mas isso não faz dela um messias, pois Dilma, Lula e o PT lavaram as mãos como Pilatos diante dos crucificados de 2013 e 2014, entre os quais me encontro; gritaram “Cabral” e “Paes”, como outrora se gritara “Barrabás”.

A crise mundial - misteriosa “marolinha” que virou tsunami - existe, mas Dilma e o PT preferiram salvar a mobília do andar de cima a preservar os corpos do andar de baixo. Medidas econômicas desastrosas foram tomadas, visando manter a rentabilidade das exportações do agronegócio e das mineradoras, enquanto o “povão” se afogava na maré montante do desemprego e da inflação. O “povão” se afogava aos berros, mas o salva-vidas acharam que eram apenas os uivos da “mídia golpista”. O “povão” ainda berrava, mas o salva-vidas achou apenas que eram os moradores do andar do meio batendo suas panelas.

Não disputo “de quem é o pobre”. Não tenho a menor dúvida: o pobre é DONO DO PRÓPRIO NARIZ! - ao contrário do que pensam aqueles que se apropriam dele para a prática do ventriloquismo intelectual. O procedimento dessa ventriloquia é deveras curioso: quando se descobre que o boneco tem vida própria e fala o que pensa, o sábio ventríloquo despreza suas palavras: o boneco é manipulado pela mídia. “No Brasil, o boneco é de direita”. Pobre boneco, que não tem aquela idealizada consciência de classe que uma outra classe lhe deseja impor! Boneco ingrato! Recebeu Bolsa-Boneco, Minha casa-de-boneca – Minha vida, e agora age com ingratidão. O boneco recebeu reajustes salariais significativos entre os anos de 2002 e 2008, e agora reclama apenas porque seu salário se encontra há 8 anos estagnado? Que boneco mais exigente! O boneco sofre de sérios transtornos de personalidade. Em 2006 e 2010 o boneco tinha uma sã consciência, votava bem apesar da manipulação da mídia golpista. Em 2014, o boneco, pobrezinho, teve uma recaída. Em 2016, o boneco ingrato não saiu às ruas em defesa de seu mestre, tamanha era a confusão mental induzida pela mídia. Algumas pessoas tentaram ouvir o boneco, compreender quais eram suas queixas, ouvir o que ele tinha a dizer. Essas pessoas eram a “esquerda que a direita gosta”. Essas pessoas burras, sem visão estratégica, achavam que seriam democráticas, mas na verdade prejudicariam o boneco. A única maneira de manter o boneco calado, feliz e votando (porque todo boneco calado parece feliz, desde que vote “bem”) seria fazendo mais pactos de governabilidade. Tudo se resolve com pactos de governabilidade: unha encravada, asma, pane de automóvel, resistência (de chuveiro) queimada e até crises políticas. Me dê um pacto de governabilidade, e moverei o mundo! A “esquerda que a direita gosta” não sabe o que é presidencialismo de coalizão. A “esquerda que a direita gosta” não sabe admirar quão agradável é a paisagem, quando descortinada do “centrão”. A “esquerda que a direita gosta” não sabe apreciar a doce sinfonia que se evola dos gabinetes onde são selados, a portas fechadas, os pactos escritos com o sangue do povo. O boneco precisa ser guiado, cuidado, amparado, orientado. O boneco precisa parar de agir como um bebê chorão e entender que o ventríloquo é adulto, e sabe exatamente o que faz. O ventríloquo cuida dele. Como um pai cuida do filho. Como um pastor cuida de suas ovelhas. Como um senhor cuida de seus escravos.  O boneco, ora bolas, o boneco deve calar a boca, ser feliz e votar! Votar “bem”, é claro.

Quando o boneco vota mal, o assunto é outro. O ventríloquo vai ao palanque-confessionário. Pede perdão, pois o boneco não sabe o que faz. O ventríloquo agora sabe o que fazer pela remissão de seus pecados. Precisa rezar. Rezar muito. Precisa rezar cem milhões de bolsa-famílias, três milhões de minha casa-minha vidas, dez milhões de FIES e outras orações curiosas de interesse público ou privado. Depois de muito rezar, o ventríloquo receberá da Grande Estrela a inspiração luminosa, a indicação dos erros passados: faltou, é claro, trabalho de base! Como sempre. Agora, resta apenas o último passo do ritual de purificação, uma grande procissão vestido com o hábito de penitente – vermelho, é claro.

Peço desculpas pelo fel amargo que aqui vomito, mas certas palavras me deixam nauseabundo. Há certas palavras que me despertam a vontade de trovejar. Há que haver a brisa, mas há que haver o trovão ensurdecedor, para abrir os ouvidos dos surdos. Um trovão inquieto ante a frívola algaravia entoada nos palanques. Me acalmo. Me acalmo, pois minha garganta estoura. Me acalmo, porque não quero beber o vinho do ódio através da taça da indignação.

Não sou inimigo do PT. Não. O PT tem um grande passado, mas seu presente é sombrio. O partido AINDA pode ter um grande futuro, mas precisa se reinventar urgentemente. Precisa superar a idolatria “lulista” e reencontrar suas raízes. O PT precisa superar sua atual tendência ao monólogo “esquerdista” e estabelecer canais de diálogo com a sociedade mais ampla. Ouvir a voz do boneco, em lugar de projetar a própria voz através dele. Talvez assim o partido consiga recuperar um pouco daquilo que era o PT de 1988. É uma pena ver um partido que já teve tanto a dizer afogando-se no mar de suas próprias palavras. Espero que o PT pós-Lula não se torne outra triste sombra como o PDT pós-Brizola. Espero, sinceramente, que o PT reencontre seu lugar na política brasileira e que aprenda (ou reaprenda), finalmente, a dialogar com o povo.

O refluxo da maré (depois do debate)

Ontem um taxista me disse que votou no Crivella no 1º turno, mas gostou tanto das falas de Freixo no debate da Rede TV que está pensando seriamente em votar 50 no 2º turno. Admitiu que não conhecia Freixo e gostou de sua participação. Por outro lado, ele achou ridícula a fala do Crivella em que ficou repetindo que não ia governar com o Garotinho - considerou a atitude infantil. Salientou que, para ele, ontem caiu a máscara de bispo de "fala mansa". Ele estava ávido por informações sobre o Freixo, que fiquei muito satisfeito em oferecer. O cidadão não é bobo. A esperança bate à porta...

Waiting for the Barbarians (C.P. Cavafy)

Poema de C.P. Cavafy (escrito em 1898 e publicado em 1904; traduzido do grego por Edmund Keeley e Philip Sherrard)

What are we waiting for, assembled in the forum?

The barbarians are due here today.

Why isn't anything happening in the senate?
Why do the senators sit there without legislating?

Because the barbarians are coming today.
What laws can the senators make now?
Once the barbarians are here, they'll do the legislating.

Why did our emperor get up so early,
and why is he sitting at the city's main gate
on his throne, in state, wearing the crown?

Because the barbarians are coming today
and the emperor is waiting to receive their leader.
He has even prepared a scroll to give him,
replete with titles, with imposing names.

Why have our two consuls and praetors come out today
wearing their embroidered, their scarlet togas?
Why have they put on bracelets with so many amthysts,
and rings sparkling with magnificent emeralds?
Why are they carrying elegant canes
beautifully worked in silver and gold?

Because the barbarians are coming today
and things like that dazzle the barbarianas.

Why don't our distinguished orators come forward as usual
to make their speeches, say what they have to say?

Because the barbarians are coming today
and they're bored by rethoric and public speaking.

Why this sudden restlessness, this confusion?
(How serious people's face have become.)
Why are the streets and squares emptying so rapidly,
everyone going home so lost in thought?

Because night has fallen and the barbarians have not come.
And some who have just returned from the border say
there are no barbarians any longer.

And now, what's going to happen to us whithout barbarians?
They were, those people, a kind of solution.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Impressões sobre o debate na Rede TV (Crivella x Freixo, 19/10/2016)

O Crivella perdeu o controle em alguns momentos ou foi impressão minha?
***
Crivella se mostrou favorável à legalização do Uber. Já sabem o assunto para a conversa com os taxistas na próxima semana...
***
Crivella disse que vai investir mais na Zona Sul porque é a vitrine da cidade que gera turismo. E ainda teve a cara de pau de dizer que isso é um grande benefício para as Zonas Norte e Oeste! Obrigado, bispo!
***
Repararam que ao falar de profissionais de saúde, o Crivella só falou em médicos? E os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de laboratório? Não contam?!?!
***
"A gente não muda a essência, mas muda a forma". - Crivella, o nome disso é HIPOCRISIA.
***
"O candidato não é o missionário da África; o candidato é o senador". - O Crivella sofre de personalidades múltiplas?!
***
Pense com carinho no Freixo. Votando nulo você provavelmente ajudará o Crivella. E Crivella... nunca! O Freixo tem ótimas propostas e não tem rabo preso em conchavos partidários. Crivella vai lotear cargos para sua coligação inteira, especialmente para o PR do Garotinho. Se o Freixo conseguir cumprir um terço das propostas dele, a cidade já melhora pra caramba. Além do mais, a cidadania não acaba nas urnas. Temos que escolher o candidato com as melhores propostas e depois cobrar dele durante o governo.

Humor eleitoral

Eleitor do Bispo é que nem enterro de anão, cabeça de bacalhau e filhote de pombo: sei que existe, mas nunca vi...
***
Reza a lenda que o Bispo tentou vender a alma ao Diabo, mas o Capeta não aceitou...
***
O BISPO é uma das peças mais traiçoeiras: seus movimentos são sempre oblíquos...
***
SOLDADO UNIVERSAL: Breve em cartaz no Rio... por 4 anos?!
***
Freixo cuidará tanto do meio-ambiente que até tem nome de árvore...
***
Vote num candidato próximo das raízes.
***
Plante um Freixo na nossa cidade - árvore dá MUDA...
***
A Lei do Bispo: toda rejeição pode virar omissão; toda omissão pode virar cumplicidade; toda cumplicidade pode virar tragédia; toda tragédia pode virar comédia; toda comédia precisa de um palhaço; todo palhaço precisa de maquiagem; toda maquiagem parece uma máscara; toda máscara cai um dia.
***
Os 10 mandamentos do Bispo:
1-Esconderás teus preconceitos.
2-Esconderás teu passado.
3-Esconderás tuas palavras.
4-Esconderás tuas alianças.
5-Esconderás tuas intenções.
6-Espalharás os boatos.
7-Aceitarás qualquer apoio.
8-Fugirás aos debates.
9-Servirás a dois senhores.
10-Gritarás Barrabás.

***
Enquanto alguns gritavam Barrabás, outros lavavam as mãos. Todos passarão 4 anos pagando pelos 30 dinheiros.
***
-Satanás!!! Onde está você, Satanás?
-Chegando no Rio...
-...quem está aí?!
-Outro gatooo!
-Hein?!
-Miaaau!
***
EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO
"Espíritos zombeteiros, se vocês estiverem aí, digitem 10 nessa urna agora..."
***
Esqueçam as velhas superstições: o novo número do azar é 10 e o dia nefasto pode cair num domingo 30...
***
EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO 2
"P... R... B..."
***
Isso é estranho: quando o Bispo fala, ouço a voz de um garotinho... Acho que preciso de um descarrego...
***
Ouvi dizer que o próximo livro do Dan Brown é sobre uma cidade governada por uma estranha coligação chefiada por um bispo...
***
Quando bispo ganha, o xeque-mate é contra o Rio...!
***
Chamar "bispo, chirrin" é moleza. Difícil será dizer "bispo, chirrion". Se aprendi uma coisa assistindo Chapolim, é que com chirrin-chirrion não se brinca.

Não reclame com o bispo...

Você vai MESMO bancar 4 anos de CRIVELLA?! Em 2010 você votou CABRAL para evitar Crivella... Em 2014 você votou PEZÃO para evitar Crivella... Em 2016 você vai de NULO por medo do FREIXO? Isso faz algum sentido?!?! Vai realmente apostar 4 ANOS da sua vida nas mãos do Crivella?!?! Depois não vá reclamar com o bispo, hein?!

A lenda do bispo, do garotinho e do freixo

Reza a lenda que o bispo vinha pela estrada.

Chegando à encruzilhada, encontrou com um demônio em forma de garotinho. O garotinho prometeu ao bispo uma cidade, desde que ele sacrificasse alguns cidadãos em seu altar. Fizeram um pacto e fizeram-se à estrada.

No meio do caminho encontraram um guerreiro grande como uma pedra que não queria deixá-los passar. O violento guerreiro batia em sua mulher. Quando o povo soube disso, o derrubou, liberando caminho para o bispo e o garotinho. Eles proseguiram. 

Finalmente chegaram às portas da cidade, mas um grande freixo barrava a passagem. 

O garotinho, sempre esperto como raposa, desmaterializou-se. Invisível, soprava mentiras nos ouvidos dos cidadãos: dizia que o freixo era amaldiçoado, que aquela árvore precisava ser abatida. Inventou até que o freixo poderia virar uma lula-sem-cabeça. 

Muitos gritaram contra o freixo; achavam que apenas o bispo poderia salvá-los da maldição. Outros defendiam a árvore, desconfiados das intenções do bispo que aguardava fora de seus muros. Avisaram que haviam visto um estranho garotinho ao lado do bispo; alguns acreditaram, outros fingiram que não sabiam. Alguns velhos ainda lembravam que outrora um garotinho lhes trouxera grandes desgraças, mas a maioria dos habitantes tinha memória curta, ou fingia que não lembrava, porque sentiam muito medo do freixo. Muitos estavam indecisos. 

Combinaram uma votação para decidir se derrubavam o freixo e deixavam o bispo entrar ou se mantinham a árvore e deixavam o bispo de fora. Chegou o dia da votação, então... [o velho manuscrito estava rasgado nesse ponto; cabe ao leitor imaginar o fim dessa lenda].

Freixo vai fazer uma "revolução comunista" no Rio?!

O Freixo não vai fazer uma "revolução comunista" pelos seguintes motivos: 

1) O PSOL vai governar sem maioria na câmara dos vereadores; 

2) O prefeito não tem nenhuma atribuição constitucional que permita a ele mexer com direitos de propriedade, entre outros - o prefeito não pode modificar a constituição, nem os códigos civil, penal, comercial etc; 

3) O prefeito sequer tem a seu serviço um grupo armado - inclusive o Freixo é contrário ao armamento da Guarda Municipal; 

4) O PSOL defende outra vertente de socialismo, pautada pela participação democrática dos cidadãos na gestão; uma das principais propostas de Freixo é a criação dos conselhos de bairro - ou seja, um modelo de administração MENOS autoritária que a atual; 

5) Desde sua fundação o PSOL defende uma esquerda sem personalismo - exatamente o oposto do chavismo, castrismo, maoísmo, stalinismo, getulismo, brizolismo entre outras tantas formas de liderança carismática - na verdade, o PSOL surgiu de uma corrente do PT insatisfeita com o "lulismo"; 

6) Tem gente com medo de que o PSOL vire um "novo PT" - isso faz pouco sentido, até porque os fundadores do PSOL abandonaram o PT assim que Lula chegou ao poder, insatisfeitos com os "pactos de governabilidade" do primeiro mandato petista. O PRB do Crivella é que sempre fez parte da base aliada do PT e só pularam fora depois que o barco começou a afundar. Lula inclusive frequentava os palanques do Crivella e apoiou o bispo no 2.o turno de 2014, contra o Pezão.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Método fácil, democrático e honesto para conquistar votos para o Freixo

Já consegui 5,5 votos para o Freixo - 0,5 significa uma pessoa que votaria nulo com certeza, mas convenci a pensar no Freixo como alternativa viável. Por outro lado, consegui 2 "antivotos" para Crivella: duas pessoas que estavam na dúvida entre nulo e o bispo, mas não votariam em Freixo de jeito nenhum. Consegui convencê-las de que Crivella nem pensar - 2 votos anulados que poderiam ir pra ele. É possível. O diálogo sincero e respeitoso tem poder! Seguem algumas dicas para abordar pessoalmente, mas que também servem para as redes sociais.

1) A ABORDAGEM
Pergunte, como quem não quer nada, se a pessoa já tem um candidato. Essa sondagem preliminar deve ser cuidadosa. Esse diagnóstico é MUITO importante: OUÇA o que a pessoa tem a dizer e tente responder com argumentos adequados a cada situação. Você sabe o quanto o discurso automático e repetitivo em estilo telemarketing é desagradável. Você perceberá que há 6 perfis de eleitores nesse segundo turno:

a) Decidido pelo Freixo - Movido pela esperança. Nem precisa fazer nada! Parabenize, troque ideias, e se possível, forneça bons argumentos e informações úteis, que esse eleitor poderá usar com outras pessoas.

b) Indeciso tipo 1 (entre Freixo ou Nulo) - Entre a esperança e a desconfiança. Esse eleitor se sente inseguro e desconfiado, traumatizado com tantas frustrações políticas. Ele quer ter esperanças. Seja sincero. Diga que você não bota a mão no fogo pelo Freixo ou pelo PSOL (eu não boto), mas que vale a pena apostar na candidatura. Lembre que a democracia e a cidadania não acabam nas urnas, que as propostas de Freixo são boas e cabe ao cidadão cobrar que ele as cumpra, caso eleito. Lembre a ele que o assunto é sério e a abstenção dele poderá ajudar a vitória de Crivella.

c) Indeciso tipo 2 (entre Freixo, Crivella ou Nulo) - Ponderado; aguarda bons argumentos para tomar sua decisão. Provavelmente esse eleitor repudia os valores representados pela candidatura de Crivella, mas também não confia em Freixo, temeroso de que o PSOL vire "um novo PT". Também é possível que tenha ojeriza a ambos candidatos. É um quadro particularmente delicado. Tente entender o motivo de sua resistência a Freixo e responda com argumentos consistentes. Caso seja impossível convencê-lo a votar em Freixo, opte pela redução de danos, apontando bons motivos para não votar em Crivella e convencendo a votar nulo. Um bom slogan para esse caso é "Crivella nem pensar"!

d) Indeciso tipo 3 ( entre Nulo e Crivella) - Tem medo de Freixo e desconfiança quanto a Crivella. É provável que esse eleitor não se identifique com discursos de esquerda. Tem ojeriza e até medo do Freixo. No entanto, como ele está na dúvida também significa que tem pé atrás com o Crivella. Será quase impossível trazê-lo ao esperançoso 50, mas com bons argumentos você pode levá-lo ao "Crivella nem pensar". Mais um voto nulo; menos um voto para o bispo. Um pequeno passo rumo à vitória. Um "nulo do bem".

e) Decidido pelo Crivella - Tem medo do Freixo. Se identifica integral ou parcialmente com os valores articulados pelo bispo. Não nutra esperanças de convencê-lo a votar em Freixo. Se possível, tente levá-lo ao nulo. Esse eleitor pode ser exaltado: evite partir pro bate-boca.

f) Indiferente - Não se interessa por política e está MUITO cansado de frustrações. Tente explicar que essa decisão é muito importante e afetará nossas vidas por 4 anos. Procure mostrar que há esperança e precisamos apostar numa boa alternativa. Não insista demais - poderá irritá-lo e até incentivá-lo a votar no Crivella.

2) A ATITUDE
Sua postura é importante e pode aumentar ou diminuir a confiança do interlocutor em suas palavras, informações e argumentos. Evite a polêmica doentia: política e eleições são coisas importantes, mas existem valores ainda mais essenciais, como amizade e família. Não se afaste de amigos e familiares por causa de nenhum político ou partido - não vale a pena. Até os eleitores de Bolsonaro têm coração...

a) Seja respeitoso - ninguém gosta de ser tratado com ironia, sarcasmo, desdém ou grosseria. O respeito abre portas e mentes. Mesmo que seu interlocutor fale os maiores absurdos e reproduza os boatos mais estranhos, não perca a linha.

b) Não se exalte - o descontrole emocional despertará desconfiança sobre seus argumentos. Não caia no estereótipo do "esquerdista fanático e raivoso". O mundo NÃO é um grande centro acadêmico. Xingar o Crivella não vai ajudar. A raiva só vai fazer mal a você e ao seu ouvinte.

c) Ouça calma e atentamente - democracia é diálogo e não existe diálogo sem escuta. Você está numa conversa, não num palanque. Ouça com atenção e tente respeitar e compreender os pontos de vista de seu interlocutor. Evite interromper seu interlocutor enquanto ele apresenta seus pontos de vista (isso é particularmente difícil para mim).

d) Não rotule - chamar o interlocutor de coxinha, reaça etc não trará nenhum bem. Democracia é diálogo, não julgamento.

e) Fale com humildade - muitos dos eleitores de Crivella ou indecisos são pessoas com baixo grau de instrução ou cultura política precária. Isso não é motivo de vergonha e você não deve menosprezá-lo por isso. Tratá-lo com arrogância só fechará as portas às suas palavras.

3) OS RECURSOS
Use sabiamente suas informações e recursos de oratória.

a) As fontes - você pode adorar sites e páginas "superconfiáveis" de esquerda, mas quase ninguém acompanha esses veículos de comunicação. Além disso, a retórica usada por esses veículos geralmente só atinge os "convertidos" - fora da sua "bolha" a maioria das pessoas não se identifica com esses discursos. Preste atenção ao que os "jornalões" andam dizendo: O Globo, Extra, O Dia, Folha, Estadão e até a Veja andam repletos de informações comprometedoras sobre Crivella. Use, mas não abuse: é provável que seu interlocutor confie nesses veículos, mas não vale a pena estimular uma confiança cega neles apenas para eleger um prefeito. Estimular a consciência crítica também faz parte da "missão" e traz consequências importantíssimas a longo prazo. Queremos formar cidadãos democráticos, não meros eleitores.

b) Não minta, nem exagere - a manipulação inescrupulosa e o cinismo são males que devemos extirpar da política, em nome de uma cultura democrática. Não vale a pena se sujar por nenhum candidato ou partido. Além disso, não é eficiente: as pessoas não são otárias e perceberão que você está falando absurdos.

c) Tenha certeza de suas informações - se você não estiver bem informado e falar alguma bobagem ou cometer algum equívoco grave despertará desconfiança contra você, no momento mesmo em que estiver falando ou quando a pessoa se informar melhor. Aliás, você está fazendo campanha pelo Freixo de modo consciente ou está só seguindo a moda? Reflita bem: talvez o "analfabeto político" seja... você! Se não tiver certeza de alguma coisa, seja honesto e franco: o interlocutor perceberá que você é uma pessoa ponderada e confiará mais em você.

d) Evite polêmicas estéreis - seu foco aqui são as eleições municipais. Algumas pautas do PSOL são bastante polêmicas (eu mesmo discordo de algumas delas); saliente aquilo que é relevante para ESSAS eleições, lembrando quais são as atribuições do prefeito e tudo aquilo que o Freixo NÃO pode fazer. Os rebeldes do Longistão e a luta dos humildes pescadores Confinlandeses NÃO têm nada a ver com o 2º turno das eleições do Rio. O "golpe" (sic) também não tem nada a ver.

e) Use vocabulário e expressões simples - não fique falando "esquerdês" como um autômato programado no DCE ou nas assembleias sindicais. Dizem as lendas que cada vez que alguém usa o termo "burguês", Crivella ganha um voto. Prefira argumentar com simplicidade e bom senso: nem todo mundo leu Kant ou assistiu ao último filme de Ramahtinshadguptadrani. Nem todo mundo curtiu "Aquarius". Eu nem quis ver.

f) Não insista - algumas pessoas são teimosas e viram que o Freixo sacrifica criancinhas num site ou um amigo contou que viu numa conversa do "zap". Você não irá convencê-las do contrário, mas poderá apontar informações conhecidíssimas sobre o Crivella, como sua aliança com Garotinho.

g) As propostas - Freixo tem um monte de propostas bacanas e sensatas. Conheça bem algumas delas e apresente aquelas que parecerem mais interessantes para o seu interlocutor, segundo sua categoria profissional, religião, bairro onde mora etc.

h) Busque pontos em comum - por mais que tenhamos posicionamentos políticos discordantes, todo mundo tem alguma coisa em comum. Procure aquilo que aproxima você do seu interlocutor e evite aquilo que os distancia. A conversa ficará bem mais agradável para ambos e os resultados serão melhores.

i) Fale com humor - ninguém aguenta aquelas catilinárias "esquerdistas" cheias de palavras de ordem e (falsa) exaltação revolucionária. Tente ser engraçado - até porque a política carioca é uma piada...

OBSERVAÇÃO FINAL: O diálogo não é meramente importante para a democracia; a democracia É diálogo. Aprendendo a dialogar com respeito construímos uma democracia melhor para todos nós.

Madruga e Girafales: 2 professores

Texto do amigo Tiago de Souza - brilhante como sempre:

O dia dos professores passou. Como diria a Chiquinha: "Sim. E daí?!" Logo, vale a pena falar sobre essa cena que pra mim é um baita exemplo do "que fazer" e do que "não fazer" com o conhecimento e com o que tudo que se decide "passar" ao aluno. E serve para uma reflexão sobre o que é ser professor.

Ela é muito conhecida de quem gosta de Chaves, desde sempre me marcou muito e hoje, revendo tudo, algumas coisas fizeram sentido. Não, meu exemplo de professor ideal não é o Seu Madruga. Nem o Girafales. O que eu não entendia era porque ele estava falando sobre aquele assunto em uma sala de aula. Acho que depois de 14 anos dando aula (sim... Comecei novo no ofício) eu comecei a perceber que tanto o "utilitarismo" rasteiro do seu Madruga quanto o êxtase do prof. Girafales são importantes para um professor.

Durante toda a série o Girafales tenta ensinar aos alunos conteúdos que pra eles não fazem sentido. Claro que para um catecúmeno eles nunca fazem, mas é tarefa do professor organizar uma narrativa que faça sentido para eles. Seja um professor de História que está falando sobre as revoltas do Brasil Colônia seja um baterista que está falando sobre paradiddles. O problema do Girafales é que ele está mais preocupado com a "bagunça" dos alunos e não percebe que em todas as suas outras aulas eles estão atentos, quietos (claro que as vezes esporros são necessários...) e tentam compreender a importância e a utilidade de tudo o que está sendo transmitido. Por exemplo, no episodio sobre a "Chinfurínfula", Chaves vai fundo na pergunta: até onde vão os limites na arte? E quando a Chiquinha reclama que "já me bastam os problemas que tenho na vida" e o Nhonho chora porque "matou as Antilhas", o que temos são os alunos dando dois recados ao mestre: afinal, porque estamos estudando isso? Será que você não percebeu que nossa imaginação é muito mais ampla do que o seu plano de aula diz que é? Planos de aula, assim como na guerra, só funcionam até tudo começar.

Aí vem o seu Madruga.

Com uma retórica veloz, uma interpretação cômica mas que espuma seriedade e para o deleite de todos - inclusive do professor Lingui... digo, Girafales - ele traz um assunto que faz sentido. Os alunos foram fisgados. Bingo! Se a aula tivesse continuado, eles poderiam perguntar sobre diversos porquês: qual a composição química do tal veneno? Porque afinal, tomamos choque? A aula poderia ser de Química, poderia ser de Física... E também não poderia. De repente eles poderiam se surpreender: o assunto da aula poderia ser o Nazismo. Sim! Se o Madruga estendesse o raciocínio ele poderia dizer que, como alguém que vê uma caveira numa garrafa e ignora o aviso que explica o seu conteúdo assim aconteceu na Alemanha da década de 30. E pode acontecer no Brasil de hoje. "Porquê a pessoa quis beber a garrafa professor?!" Chaves perguntaria. "Porque sim, tonto!" diria Kiko. Aí entraria o conteúdo que apenas Girafales possui: ideologia, as massas e a prática política, o "veneno" que foi o totalitarismo nazista, as leituras de Hannah Arendt, a semiótica aplicada a caveira do aviso, enfim... A aula - e a mente - estaria nos trilhos.

Seu Madruga é divertido, mas seu utilitarismo tem limites. Professor Girafales é um erudito, mas cuja sabedoria nem sempre é como os cafés que ele toma com a dona Florinda: ela nem sempre é compartilhada.

 Muitos professores repudiam o tipo de conhecimento e a vivência que os alunos têm. Muitos preferem se posicionar como os sabichões eruditos e ignoram as necessidades dos alunos. Muitos são escravos do currículo. Muitos estão ali pra "complementar a renda, meu negócio é tocar". Muitos querem apenas "bombar" o Lattes. Mas muitos, apesar da infeliz situação em que nosso país se encontram buscam ser híbridos. Unem em uma única pedagogia a metodologia"madrugoniana" com o referencial teórico "girafaleano". São "monstros", mas monstros do bem. E são eles que me inspiram até hoje.

O mestre que não se importa em enumerar todos os faraós do Egito mas prefere mostrar como o poder baseado na religião é um veneno e aqueles que mostram que melhor do que ter um paradiddle veloz é saber que aquilo é apenas "uma" palavra das diversas possíveis e que em certos momentos "falar rápido" é ridículo - é justamente para esses que eu desejo, com muito atraso, um feliz dia nosso.

Por mais professores como esses.

sábado, 15 de outubro de 2016

A PEC 241 e seu "ajuste de contas"

Ajustar as contas é necessário, mas usar a inflação como teto é um absurdo. E 20 anos é MUITO tempo. É pouco democrático estabelecer a priori o orçamento para CINCO mandatos presidenciais consecutivos, 1/5 de século - especialmente quando isso é feito por um governo e um congresso que não gozam de confiança da população.

É curioso, inclusive, que aqueles que criticam (com razão) os planos quinquenais que tanto engessavam a economia da União Soviética ou da China Comunista apoiem esse plano "vintenal", para engessar nossos serviços públicos e nossa economia por tanto tempo. Isso é um verdadeiro Frankenstein, uma união bizarra entre o pior do mercado livre e da economia planificada. Não faz sentido...

Usando ainda a gastíssima analogia do orçamento doméstico: já imaginou uma família que impusesse limites estreitíssimos aos seus gastos por 20 anos? ...e se um filho precisar de tratamento médico? ...e se alguém sofre um acidente grave e incapacitante? ...e se o pai da família morre repentinamente? Muita coisa pode acontecer com uma família em 20 anos; muito mais coisa pode acontecer com um país nesse mesmo período.

Ajustar as contas é necessário; ajustar DESSE jeito é uma irresponsabilidade.

Ajustar DESSE jeito sem consultar a população através de plebiscito ou referendo é um verdadeiro atentado à democracia. Em qualquer país minimamente democrático, uma decisão dessa monta seria tomada diretamente pelos cidadãos.

Para ficar no terreno das analogias, é como se você subisse num ônibus e o motorista resolvesse dirigir por 20 horas sem parar, sem dizer aonde pretende ir e sem perguntar a nenhum passageiro onde ele quer descer ou SE quer descer...

Quando o professor apanha

No início de 2015 dois alunos começaram a brigar dentro de sala de aula; quando me aproximei para intervir, acabei levando um soco na mão. Doeu.

No final de 2015, eu estava de costas escrevendo no quadro quando um aluno jogou, "de brincadeira", a mochila. Ela ricocheteou contra a parede e me acertou no olho. Doeu.

No começo de 2016, um estudante que sequer é meu aluno, no tumulto do corredor, me deu um tapa na nuca. Pelas costas. "De brincadeira". A princípio negou, mas acabou confessando diante da mãe. Doeu.

Hoje, um menino e uma menina de 6o ano se engalfinharam em sala de aula. A menina, que não estava devidamente uniformizada tentou acertar um chute alto no colega; a sandália havaina escapuliu de seu pé e me acertou. NO ROSTO. Levada à direção da escola, a aluna não mostrou arrependimento nem pediu desculpas. Se achava coberta de razão, pois o colega havia sujado seu trabalho. Doeu. Presente pelo "Dia do Mestre", talvez.

Em menos de dois anos sofri QUATRO agressões físicas. Duas delas propositais - "de brincadeira".

Em oito anos de magistério público já perdi a conta das agressões morais sofridas.

Há algo MUITO errado na escola pública...

sábado, 8 de outubro de 2016

Crivella, Freixo ou Nulo?!

Já consegui 4 votos para o Freixo no 2º turno. E estou apenas começando.

Dá uma chance pro cara... ou você prefere o Crivella?

Votar nulo é seu direito legítimo, mas talvez você desperdice uma das melhores oportunidades de mudança na política carioca nos últimos anos.

Você acha que a situação do Rio está boa desse jeito?

Você quer mais do mesmo?

Tem expectativas de que as coisas melhorem com Crivella?

Você ainda tem esperanças para o Rio ou o medo de arriscar fala mais alto?

Você já leu e comparou as propostas dos dois candidatos?

Pense com carinho!

Crivella é o voto da acomodação; nulo é o voto do medo; Freixo é o voto da esperança...

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Por que voto em Marcelo Freixo?



Escrevi esse texto para uma amiga, e disponibilizo a quem interessar possa. Discuto algumas críticas feitas ao Freixo e algumas de suas propostas de campanha. Peço de antemão perdão pela péssima redação, em "estilo Facebook".

 
Vamos por partes, começando pelas críticas:

1) Freixo não afirma que bandido é "vítima da sociedade", ele apenas defende que sejam tratados dentro da estrita legalidade; ele também enfatiza bastante que nosso atual modelo de segurança pública, quase de "guerra urbana", é ruim para os próprios policiais; que a PM carioca é a que mais mata, mas também é a que mais morre. Ele inclusive defende a continuidade das UPPs, mas salienta que o programa precisa de melhorias e aperfeiçoamentos.

2) Freixo não defende "tirar a PM da rua"; o PSOL defende a desmilitarização da polícia; a polícia continuaria na rua, mas seria civil. De qualquer forma, a PM é estadual, e não seria competência do prefeito fazer esse tipo de alteração - é uma bandeira do PSOL, não uma proposta de campanha do Freixo.

3) O Freixo não defende resolver segurança pública APENAS com iluminação; as propostas dele nessa área incluem ampliação da Guarda Municipal, renovar o plano de cargos e salários da GM, "reforçar" o treinamento da GM, estimular as atividades de esporte e lazer, para que ruas e praças se tornem menos vazias e mais seguras, aumentar a oferta de ônibus em período noturno, entre outras medidas. Ainda na rubrica segurança pública, dentro das atribuições do prefeito, ele sugere combater o "braço econômico" das milícias, fiscalizando e impedindo serviços clandestinos de "gato" de energia, TV a cabo, internet etc.

4) De fato, a legalização E REGULAMENTAÇÃO das drogas é uma bandeira do PSOL, mas não é proposta de campanha do Freixo, pois não tem nada a ver com as competências da prefeitura. Em linhas gerais, a postura do PSOL em relação ao tema é abordar o uso de drogas como um problema de saúde pública, e não de segurança pública - tratar os usuários, em vez de botar a polícia para matar e morrer nas ruas por conta desse problema. O tema é delicado; concordo com essa linha geral, mas discordo da abordagem apresentada por alguns políticos do PSOL, como o Renato Cinco, que trata a temática com muito "oba-oba", de um modo que me parece um tanto leviano.

Quanto às propostas de campanha, Freixo tem muitas; destaco apenas algumas que me são mais caras:

a) GESTÃO: Implementar uma administração mais transparente e democrática, através de conselhos de bairro com ampla participação dos cidadãos - esse modelo é usado com muito sucesso em várias cidades da Europa e dos EUA.

b) EDUCAÇÃO: Ampliar a autonomia pedagógica das comunidades escolares, isso é, evitar a imposição unilateral de normas pela secretaria de educação, que atualmente se caracteriza principalmente pelas famigeradas "metas de aprovação", a versão disfarçada do Eduardo Paes para a antiga “aprovação automática”. Direcionar os recursos financeiros de acordo com as demandas e necessidades das comunidades escolares, e não de acordo com as conveniências de licitações milionárias.

c) SAÚDE: Recuperar as unidades de atendimento psiquiátrico e psicoterapêutico, que foram desmanteladas pelo Eduardo Paes; reduzir gradativamente a participação das "Organizações Sociais" na administração da Saúde, que é um verdadeiro sorvedouro de dinheiro.

d) TRANSPORTE: auditar as empresas de ônibus e rever as tarifas;  motorista e cobrador em todos ônibus.

Bem, é mais ou menos isso! De resto, não boto a mão no fogo por nenhum político ou partido, mas acho que o Freixo é a melhor aposta nessa eleição. As urnas são apenas o começo, o cidadão deve permanecer sempre de olho e cobrar dos governantes eleitos.

Segue abaixo o resumo das propostas, transcrito do site da campanha: 

PROPOSTAS PARA O TRANSPORTE
- Criar uma Empresa Pública de Transportes para realizar o planejamento, gestão e fiscalização do sistema de transportes;
- Auditar os contratos de concessão dos ônibus, dando mais transparência e fortalecendo a fiscalização do sistema;
- Reorganizar de forma participativa as linhas de ônibus para que o sistema atenda as reais necessidades da população;
- Reduzir progressivamente o preço das passagens e garantir linhas de tarifa zero nas regiões mais pobres;
- Extinguir a dupla função de motorista-cobrador de ônibus;
- Expandir as ciclovias e instalar bicicletários nas estações de trem, metrô e BRT;
- Reformar as calçadas e praças para garantir o direito de acessibilidade às pessoas com mobilidade reduzida.
 
PROPOSTAS PARA A SAÚDE
- Executar um plano de transição do sistema atual, que prioriza a gestão privada, para um sistema de gestão pública, evitando a desorganização do serviço e sem prejuízos ao atendimento à população;
- Realizar concursos públicos para recompor o quadro de servidores, especialmente na rede básica e nos hospitais, em gradual substituição dos trabalhadores terceirizados;
- Democratizar a gestão das políticas públicas de saúde, incentivando a criação de conselhos gestores em cada unidade;
- Criar um plano de carreira para melhorar os salários e as condições de trabalho dos profissionais da saúde;
- Ampliar o acesso aos medicamentos distribuídos pelo SUS;
- Aumentar a capacidade de atendimento das UPAs municipais, garantindo ortopedistas e pediatras em todas as unidades, começando pelas zonas Norte e Oeste;
- Ampliar a rede de médicos, enfermeiros e agentes comunitários para aumentar a cobertura das políticas de Saúde da Família, começando pelas zonas Norte e Oeste;
- Ampliar a rede substitutiva de serviços de saúde mental (dispositivos de residenciais terapêuticos, CAPS III, CAPSi, CAPS AD, CAPS AD III, Centros de Convivência/Cultura, Cooperativas Sociais, Consultórios de Rua, Escolas de Redutores de Danos, entre outros), começando pelas zonas Norte e Oeste.

PROPOSTAS PARA A EDUCAÇÃO

- Democratizar as escolas ampliando a participação dos alunos, pais e profissionais de educação;
- Garantir uma educação integral com programas de esporte, arte e cultura nas escolas e creches;
- Criar um novo plano de carreira para melhorar os salários e as condições de trabalho dos profissionais da educação;
- Garantir autonomia pedagógica aos professores, valorizando os Projetos Políticos Pedagógicos elaborados por cada unidade escolar;
- Ampliar o numero de creches e garantir que tenha professor em todas as turmas;
- Garantir o acesso da comunidade escolar a equipamentos e instalações esportivas dos clubes de bairro;
-Oferecer educação especial na perspectiva inclusiva, mantendo escolas e classes especiais para os que necessitem de condições específicas de atendimento que impossibilitem a frequência em turmas regulares;
- Garantir que a comida servida nas escolas e creches seja livre de agrotóxicos e transgênicos.

PROPOSTAS PARA A PARTICIPAÇÃO POPULAR
- Criar a Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão, substituindo a Casa Civil, para que as ações da prefeitura sejam orientadas para atender o interesse público e funcionem de maneira mais eficaz, eficiente e efetiva;
- Auditar os contratos de concessão realizados pela prefeitura que não estejam de acordo com a lei, dando mais transparência e fortalecendo a fiscalização sobre as políticas públicas do município;
- Criar um gabinete virtual para garantir total acesso das pessoas às informações da prefeitura e estabelecer o permanente diálogo com a população através da internet;
- Criar conselhos de moradores em todas as regiões da cidade para debater e decidir sobre as políticas públicas dos seus bairros;
- Realizar a cada dois anos a Conferência Carioca para discutir com a população os principais desafios e soluções para a cidade;
- Criar um programa de Orçamento Participativo para que todos possam opinar sobre como a Prefeitura usará seu dinheiro.


 PROPOSTAS PARA O TRABALHO DIGNO
- Criar uma incubadora pública para estimular a economia criativa (com incentivo a startups, casas colaborativas e escritórios compartilhados), transformando o Rio em um pólo de tecnologia e inovação em temas que melhorem a vida das pessoas na cidade;
- Investir em obras de saneamento ambiental, em especial na zona Oeste, garantindo vagas de trabalho para os moradores locais e transformando, assim, os investimentos em saneamento em uma política de geração de emprego aos trabalhadores da construção civil;
- Investir em obras de melhoria do espaço urbano no entorno dos comércios de bairro (em especial, rampas de acessibilidade, iluminação e banheiros públicos), começando pela zona Norte e Oeste;
- Estimular a formalização do trabalho através de assistência social, educacional e profissional;
- Incentivar a formação de cooperativas, fortalecer as políticas de economia solidária e aprimorar os programas de garantia de renda mínima;
- Criar o Banco Municipal de Desenvolvimento, para garantir recursos em projetos que promovam a distribuição de renda, beneficiem os pequenos e médios comerciantes e produtores, e incentivem economias de baixo impacto ambiental.

PROPOSTAS PARA A MORADIA
- Criar novos programas de habitação de interesse social para garantir acesso à moradia adequada às famílias com renda mensal de até 3 salários mínimos;
- Utilizar imóveis públicos vazios em programas de moradia popular;
- Aplicar instrumentos previstos no Estatuto das Cidades para desestimular a presença de imóveis privados subutilizados, vazios ou abandonados e, consequentemente, reduzir o preço do aluguel na cidade;
- Ampliar a oferta de serviços públicos nas regiões onde já foram construídos projetos de habitação popular, como o Minha Casa Minha Vida;
- Reorientar os programas de habitação popular (como o Minha Casa Minha Vida) para áreas centrais da cidade com maior oferta de serviços públicos;
- Promover cadastramento e regularização de imóveis em favelas e garantir o acesso a serviços municipais com qualidade, começando pelas favelas das zonas Norte e Oeste;
- Extinguir a atual política de remoções forçadas.

PROPOSTA PARA AS LIBERDADES E DIVERSIDADES
- Investir na formação de professores e em material pedagógico para combater a discriminação e o preconceito nas escolas públicas;
- Promover campanhas de conscientização para defender as liberdades daqueles que são oprimidos em função de sua classe, gênero, raça, sexualidade, religião, idade, cultura e corpo;
- Criar e fortalecer conselhos de políticas públicas, em especial, os de defesa dos direitos das mulheres, negros, população LGBT, juventude e pessoas com deficiência;
- Implantar Centros de Cidadania LGBT para oferecer material pedagógico, atendimento psicossocial e jurídico, cursos de capacitação e atividades culturais;
- Garantir o Estado Laico e a diversidade religiosa, em especial na educação pública;
- Promover o atendimento integral, humanizado, transdisciplinar e de qualidade em toda a rede de atenção materno-infantil desde o pré-natal até a atenção ao recém-nascido, respeitando o direito da mulher de decidir sobre o seu corpo.

PROPOSTAS PARA A CULTURA
- Fortalecer o Conselho Municipal de Cultura dando-lhe estrutura e capacidade de deliberar sobre as políticas públicas de cultura da cidade;
- Mudar a política de editais da prefeitura para fomentar a produção cultural permanent;
- Ampliar os pontos de cultura em todos as regiões da cidade, começando pelas zonas Norte e Oeste;
- Criar o Conselho Popular de Gestão da RioFilme para democratizar a atuação do órgão;
- Estabelecer política de financiamento e apoio às mídias populares e alternativas, desenvolvendo o Plano Diretor de Radiodifusão Comunitária;
- Criar Centrais Públicas de Comunicação – ou pontos de mídia – em cada região da cidade para integrar os telecentros, rádios comunitárias, escolas e centros educacionais, pontos de cultura e outros equipamentos culturais do município, começando pelas zonas Norte e Oeste;
- Integrar as políticas de cultura e educação para transformar as escolas em polos de preservação da memória dos bairros e promoção da cultura popular;
- Incentivar a criação de cineclubes nas escolas municipais, começando pelas zonas Norte e Oeste.

PROPOSTAS PARA A ASSISTÊNCIA SOCIAL
- Valorizar o servidor público da assistência social em suas mais diferentes áreas, com a abertura de concursos públicos e promoção de um plano de carreira digno;
- Articular todas as secretariais municipais na promoção de políticas de assistência social;
- Aprimorar as ações voltadas para beneficiários do Cartão Família Carioca, qualificando investimentos em políticas de erradicação da extrema pobreza;
- Extinguir a política de “recolhimento compulsório” de pessoas em situação de rua e de usuários de drogas;
- Fortalecer os Conselhos Tutelares com programas de capacitação permanente de seus membros, reformas das instalações físicas e ampliação do quadro de funcionários;
- Integrar os abrigos do município aos serviços de saúde, educação, cultura, trabalho, esporte, lazer, habitação e geração de renda da rede municipal;
- Promover políticas de acesso à justiça e garantir programas de reinserção social aos egressos do sistema prisional e do sistema socioeducativo da cidade.


PROPOSTAS PARA A SEGURANÇA PÚBLICA
- Ampliar a participação dos moradores nas decisões que envolvam a segurança dos bairros;
- Realizar reformas nas calçadas, ruas, praças e parques para garantir a ampliação da iluminação pública, a retirada das grades e o aprimoramento da acessibilidade;
- Incentivar a ocupação dos espaços públicos com cultura, esporte e lazer: ruas ocupadas são mais seguras;
- Ampliar a circulação dos ônibus à noite e na madrugada nas áreas de lazer da cidade;
- Investir na produção e sistematização de dados sobre conflitos urbanos;
- Criar centros de mediação voltados para a resolução dos conflitos urbanos em todas as regiões administrativas da cidade;
- Valorizar a Guarda Municipal, implementando um plano de carreira digno, estruturando uma corregedoria independente, garantindo acompanhamento psicológico e promovendo uma formação democrática fundamentada na garantia de direitos e na defesa das liberdades.

PROPOSTAS PARA O ESPORTE
- Criar o Conselho Municipal de Esporte, dando-lhe estrutura e capacidade para deliberar sobre as políticas públicas de esporte na cidade;
- Ampliar o numero de quadras poliesportivas nas escolas da rede municipal;
- Criar um programa de incentivo para revitalizar os clubes de bairro e garantir aos alunos das escolas municipais acesso às instalações esportivas dos clubes;
- Estabelecer um calendário municipal de competições esportivas nas diversas modalidades para fortalecer os esportes amadores e de alto rendimento;
- Investir na ampliação de projetos sociais no Estádio de Atletismo Célio de Barros, no Parque Aquático Julio Delamare e no Maracanãzinho;
- Transformar os equipamentos olímpicos destinado aos Jogos de 2016 em centros de desenvolvimento da educação física e formação de atletas de alto rendimento integrando as escolas e as federações;
- Criar um centro de referência público de desenvolvimento do iatismo na Marina da Glória.

PROPOSTAS PARA O MEIO AMBIENTE
- Reduzir a emissão de gases poluentes e promover o consumo de energias renováveis e limpas;
- Investir em saneamento ambiental para universalizar o acesso à água limpa e a coleta e tratamento de esgoto, começando pelos bairros e favelas da zona Oeste;
- Criar empresa pública de saneamento ambiental;
- Despoluir, recuperar e preservar mananciais, rios, lagoas e baías;
- Implementar política de Lixo Zero baseada em coleta seletiva, reciclagem e reaproveitamento;
- Ampliar as unidades de conservação, criar parques urbanos e arborizar a cidade, principalmente as zonas Norte e Oeste;
- Garantir que a comida servida nos postos de saúde, hospitais, abrigos do CRASS, escolas e creches públicas da rede municipal seja livre de agrotóxicos, adubos químicos e transgênicos.
 
PROPOSTAS PARA OS DIREITOS DOS ANIMAIS
- Transformar o Jardim Zoológico do Rio em um centro público de reabilitação, conservação e pesquisa da fauna nativa;
- Ampliar a rede de hospitais veterinários públicos, aumentar os centros de esterilização e garantir programas de castração móvel no município;
- Criar programas de acolhimento de animais resgatados de abandono e maus-tratos e promover campanhas de adoção;
- Criar um sistema de informações voltado para o combate aos crimes contra os animais;
- Proibir a eutanásia e o uso de câmaras de gás em animais sadios ou com doenças tratáveis.

PROPOSTAS PARA O LAZER
- Ampliar as áreas de lazer es descanso na cidade, recuperando os espaços públicos perdidos nos últimos anos e aproveitando as garagens, quadras, armazéns e terrenos baldios da prefeitura que estão abandonados para construir novas áreas de lazer;
- Realizar audiências públicas para deliberar com a sociedade civil os modelos de permissão que devem ser utilizados para desburocratizar as autorizações de uso do espaço público;
- Instalar banheiros e bebedouros públicos nas praças e parques urbanos da cidade;
- Implantar linhas de ônibus específicas para a articulação dos bairros com as áreas públicas de lazer da cidade;
- Planejar a integração do Maracanã à Quinta da Boa Vista e a instalação do Parque Glaziou;
- Resgatar os espaços públicos da Marina da Glória e do Parque do Flamengo, combatendo a privatização da gestão e do uso dos espaços;
- Planejar o fechamento de vias urbanas em diferentes bairros da cidade para promover o lazer nos finais de semana em todas as regiões do município.

domingo, 2 de outubro de 2016

Impressões sobre o primeiro turno (2016)

Ao que parece, a família da Cidinha vai ter a ceia de natal mais animada desse ano...
***
Adeus, PMDB! Sua era de tirania carioca acabou! Já vai tarde, muito tarde!
***
Pelo que percebi, a configuração da câmara dos vereadores do Rio de Janeiro vai mudar bastante. Parece que os grupos ficarão bastante fracionados, o que não é ruim.
***
Pelo que percebi do panorama geral das eleições no país, a ruptura entre PT e PMDB fez muito mal aos dois partidos. É o que acontece quando gêmeos siameses se separam...
***
Bem, acho que o resultado desse primeiro turno já é uma vitória para o Freixo e o PSOL. Depois da vitória avassaladora em 2012, ver o PMDB despencar fragorosamente dá uma sensação de alívio.
***
Sábias palavras do amigo Fred Oliveira: "O PSOL vai ter de ampliar o discurso...Parar com essa infantilidade de bem e mal, que alguns militantes supostamente moderninhos, acham que é vanguarda. Sou contra essa forma de tratar a política. Soberba demais atrapalha. Quero que o Freixo ganhe! Meu voto no Freixo é por algumas posturas e opiniões mas não por todas as posições. Espero que ele se dê conta de que o Rio é maior que o eleitorado que ele tem hoje. Infelizmente, logo no primeiro discurso ele falou em "golpistas" e que não quer o PMDB... Do ponto de vista ideal, moral, acho lindo MAS o eleitorado a ser conquistado, como se vê pelos demais resultados, não vai ao encontro de algumas daquelas narrativas. Freixo deve ter cuidado com o efeito Jandira, que falou em golpe, se apoiou em Lula e Dilma e, como todos viram, foi ladeira abaixo..."
***
Minha tia votou no Pedro Paulo no primeiro turno, mas vai votar no Freixo no próximo. A esperança bate à porta!
***
Sugestão aos amigos que querem ajudar Freixo no segundo turno: desmerecer a opinião alheia e rotular os outros como "coxinha", burro, fascista, ignorante etc NÃO vai ajudar. Mandar "ler um livro" ou "estudar História", com ar blasé, também não. Polidez, respeito e diplomacia, pessoal!
***
O diálogo não é meramente importante para a democracia; a verdadeira democracia É diálogo.