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sábado, 16 de abril de 2016

En attendant

Aluna: Quem o senhor está esperando?

Eu [em tom soturno]: A MORTE.

Aluna [de olhos arregalados]: A morte de quem?

Eu: A minha.

Aluna: Cruz credo!

A longo prazo, todos estaremos mortos. Só queria descansar em paz um pouquinho ANTES da dita cuja chegar...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A queda do PT - e do PMDB?

Me parece que a grande tragédia do PT foi ter virado as costas às reivindicações populares de 2013 e 2014, preferindo se manter fiel a seus velhos "pactos de governabilidade".

Talvez tivessem caído nas eleições de 2014, mas ao menos teriam caído com honra.

Com impeachment em 2016 ou derrota eleitoral em 2018, me parece que só resta agora ao PT um lento e desonroso afundar na lama.

Triste fim para um partido que já foi relevante e que em alguns momentos contou com meu voto...

 Tenhamos ao menos esperança de que o PT arraste o PMDB consigo em sua queda, finalmente derrubando essa relíquia da Ditadura.

COM OU SEM IMPEACHMENT, ESTAMOS FRITOS

Com ou sem impeachment, estamos fritos.

Com ou sem impeachment, temos o dever de juntar os cacos de nossa república, começar a reconstruir tudo que se desmantelou nos últimos anos e construir tudo aquilo que já deveria ter sido feito há muito tempo.

Continuo socialista demais para defender o PT, mesmo nessa conjuntura que se apresenta. Pode me chamar de intransigente ou ingênuo, se quiser.

Se houver impeachment, continuarei nas ruas contra o PMDB. Se não houver impeachment, continuarei nas ruas contra o PT.

Essa hidra tem duas cabeças, e quero ver ambas cortadas.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Belo Monte e os "golpes"

"Belo Monte é um monumento que expõe as contradições tanto dos que gritam 'contra a corrupção' e 'pelo impeachment de Dilma Rousseff' – quanto dos que gritam 'em defesa da democracia' e 'contra o golpe'. Em Belo Monte, pouca gente não tem sangue nas mãos. [...] Por que tão poucos se indignaram? Quem denuncia um golpe contra a democracia precisa enfrentar essa pergunta".
 
A coluna de Eliane Brum essa semana é uma ilha de sofisticação e sinceridade em nosso agitado mar de mediocridade e hipocrisia, lembrando as inúmeras contradições que permeiam o atual  debate político. Imperdível: O que Belo Monte delata sobre todos os lados.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Grandes mudanças a caminho!

A Oficina de Clio completou 5 anos em março, com quase 30 mil visitas. O blog passará por grandes mudanças - em breve. Aguarde!!!

quinta-feira, 31 de março de 2016

O véu, a nudez e o erotismo



Foto muito interessante, para além de suas conotações meramente políticas. 

A palavra revelar (do latim velum, "véu") tem uma ambiguidade curiosa, à medida que remete tanto ao que se mostra removendo o véu quanto àquilo que se percebe através do véu, especialmente de seus volumes. Todo véu oculta algo e exibe outra coisa ao mesmo tempo. Há um poema espetacular de Victor Hugo em que ele explora essa ambiguidade, no que tange à revelação religiosa. 

Nesse sentido, qualquer roupa "revela" alguma coisa e se torna passível de algum grau de decodificação erótica, me parece. Me faz lembrar uma passagem de Montaigne, onde ele falava justamente sobre a erotização do que se furta ao olhar, a cotejar a outra passagem, de Jean de Léry, em que ele salientava/defendia que a nudez das índias era muito mais despida (trocadilho) de erotismo que as vestimentas das europeias (ressoando, obviamente, os conceitos de decência enfatizados pela Reforma). 

Mais ainda, remete à pergunta que um aluno do ensino médio me fez certa vez em sala de aula: se bikinis e lingeries (calcinha e "soutien") são praticamente a mesma coisa, por que os primeiros são considerados aceitáveis em público, e os últimos não? Na ocasião, a pergunta me pareceu curiosa, mas só consegui pensar naquela resposta banal que o estudioso de humanidades sempre utiliza quando não tem ideia: "é uma questão cultural". De qualquer forma, fiquei com a pulga atrás da orelha. De lá para cá, chego à conclusão que, para além da cultura, há também uma questão de contexto e expectativa: ambiente público (praia) x ambiente privado (quarto), perspectiva de satisfação sexual adiada ou imediata. 

Tudo isso, obviamente, envolve códigos culturais que são aprendidos desde a infância, através de vários canais de comunicação. Em suma, independentemente de qualquer mensagem política, a imagem sugere o quanto o desejo erótico, sua (de)codificação e suas im/expressões fazem parte de aprendizados culturais complexos. Ao longo de suas vidas, esses dois homens certamente aprenderam a "enxergar" o corpo feminino por baixo do véu. Um dia ainda escreverei um artigo mais detalhado sobre o tema.

P.S.: Uma amiga acaba de compartilhar a imagem abaixo, que de alguma forma tem tudo a ver com o texto acima, embora ainda não tenha ideia de como fechar as conexões... Uma imagem "monstruosa", nos vários sentidos que o termo possa ter. Culpa dos algoritmos?


quarta-feira, 30 de março de 2016

Entre dedos e anéis: a tragicomédia do PT

Todos sabemos que a Era PT foi construída a partir de inúmeras alianças, a maior parte delas bastante questionável; a viga mestra desse edifício era a aliança com o PMDB, formalmente desmanchada ontem.

Esses arranjos ficaram conhecidos como "pactos de governabilidade", eufemismo usado com muita frequência ao longo dos últimos quatro mandatos presidenciais. Muita gente, militante do PT ou simpatizante, defendia essas alianças pragmáticas e um tanto constrangedoras, como um meio para atingir "grandes" conquistas sociais.

Nos últimos anos, conforme a situação do PT vinha se degenerando e as concessões a partidos da base aliada, e até a rivais, tendiam a se tornar cada vez mais servis e humilhantes, a militância petista e seus simpatizantes repetiam, como mantra: "vão-se os anéis, ficam os dedos". Para essas pessoas, os dedos seriam os tais programas sociais que "transformaram" [sic] o Brasil, enquanto os anéis seriam as posições de poder adquiridas pelo partido. A expressão foi repetida ad nauseam ao longo do verdadeiro leilão ministerial que Dilma promoveu durante 2015.

Para quem se envolveu com as lutas populares de 2013 e 2014, nada surpreendente: a omissão petista (Lula incluído) diante de tantos desmandos cometidos por seus aliados, especialmente pelo PMDB do Rio de Janeiro, mostrou claramente que o PT estava disposto a amputar os dedos para preservar os anéis. E foi exatamente o que fez, com sua leniência e até apoio para com a legislação antiterrorismo, que mais parece uma legislação antidemocracia.

Agora mesmo, enquanto a aliança PT-PMDB se rompe fragorosamente, tramitam no congresso projetos legislativos propostos  pelo governo que ameaçam acabar com a estabilidade do servidor público, proibir os reajustes salariais de servidores acima dos índices de inflação e, muito mais grave, impedir os reajustes do salário mínimo acima da inflação.

Na minha opinião, a conquista social mais importante da Era PT foi a ampliação significativa do salário mínimo - que, por sinal, ainda está longe de ser uma remuneração aceitável. Vale ressaltar ainda que o salário mínimo se encontra estagnado desde o primeiro mandato Dilma. Agora, o mesmo PT, para evitar a qualquer preço sua derrocada, se propõe a condenar o salário mínimo à estagnação a longo prazo - um retrocesso para o povo e os trabalhadores. Nesse sórdido comércio, o partido se mostra agora disposto a amputar as mãos, para preservar os anéis.

Alguns, movidos por profundo desejo de autoengano, ainda acreditam que o PT sairá dessa crise com uma "guinada à esquerda". Isso não irá acontecer: durante sua longa permanência no poder, o partido se tornou disléxico.

Não tenho ilusões. Com impeachment (legal ou nem tanto) em 2016 ou previsível derrota eleitoral em 2018, me parece que a era PT já acabou - e, como diria Yoda, não foi curta o suficiente. Em breve, para preservar os anéis, o PT entregará a cabeça, se necessário for. No final das contas, como se trata de uma tragicomédia, os anéis serão dissolvidos, de um jeito ou de outro, na forja das paixões políticas.

Sic transit gloria mundi.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Weber e o passarinho de Bernie Sanders

A repercussão midiática do tal passarinho que pousou no púlpito de Sanders me parece muito curiosa. Apesar de todo "desencantamento do mundo", as imaginações ainda se mostram sensíveis aos sinais de um mundo "sacralizado", mesmo que apenas num registro humorístico ou simbólico: "Forças da Natureza também podem estar apoiando Bernie", diz uma página do Facebook. Também os antigos romanos liam augúrios nos voos dos pássaros...

domingo, 27 de março de 2016

SUGESTÃO DEMOCRÁTICA, PRAGMÁTICA e surrealista PARA O IMPASSE QUE INQUIETA A REPÚBLICA BRASILEIRA (contém ironia)

1) Reunamos todos os cidadãos do Brasil em algum descampado de dimensões que permitam tal aglomeração. Camisas vermelhas ou verde-amarelas serão proibidas para evitar tumultos.

2) Para evitar fraudes eleitorais, uma mesa deverá conferir os respectivos títulos de eleitor de cada cidadão, conforme forem chegando.

3) De um ponto bem alto (pode ser um palanque ou uma montanha), o juiz Sérgio Moro perguntará a todos os eleitores quem é contra ou a favor do "impitima". Para evitar confusões, Lula e Aécio deverão estar juntos sobre o palanque/montanha e verificar pessoalmente quem levanta a mão, contando juntos e em voz alta. Se não for possível determinar por contraste visual, Lula e Aécio contarão os braços levantados (um por um). Caso ocorra algum erro durante a contagem, eles deverão recomeçar, quantas vezes se fizer necessário, para evitar dúvidas.

4) Ninguém perguntará sobre abstenções, porque isso seria "ficar em cima do muro", e quem fica em cima do muro é gato, não eleitor.

5) Em caso de vitória petista, será servido um buffet de mortadelas com caviar; em caso de vitória tucana, o menu será de coxinhas gourmet.

6) Em caso de empate, fica instituído o Parlamentarismo; Lula e Aécio partilharão os ministérios no cara-ou-coroa.

7) O Temer e a Dilma ficarão de olhos vendados durante todo o processo, gritando SIM ou NÃO, aleatoriamente, para evitar constrangimentos.

ALTERNATIVAS:

a) Trocar Sérgio Moro pelo Sílvio Santos, como mediador do processo.

b) Caso o procedimento se mostre inviável, por razões que me escapam, pode ser resolvido em estúdio, com apresentação de Serginho Mallandro; nesse caso, o Temer, depois de gritar inúmeras vezes e rolar pelo chão, poderá escolher entre três portas. Apenas uma delas conterá o "impitima" premiado; as demais conterão atores (podem ser Lula ou Aécio) com fantasias toscas de monstro.

José Murilo de Carvalho: "Júpiter e a marcha da insensatez"

Coluna publicada no jornal O Globo (27/03/2016)

Vivi a crise de 1964 como estudante universitário  em Belo Horizonte. Mais tarde, o distanciamento permitiu-me pensar melhor sobre o que se passara. Impressionou-me o rápido processo de radicalização e polarização política por que passou o país, comandado pelas lideranças de Carlos Lacerda, de um lado, e Leonel Brizola, do outro. Brizola ainda disputava corrida com o presidente João Goulart pela liderança sindical e popular. A polarização parece ter ganhado força própria e desaguou na ruptura institucional. No entanto, pesquisas de opinião pública feitas na época pelo Ibope indicavam o moderado Juscelino Kubitschek como o favorito a vencer as eleições presidenciais de 1965. Incapaz de achar resposta científica para o fenômeno, ocorreu-me a conhecida frase "Os que deseja destruir, Júpiter primeiro os enlouquece". Desconfiei que um deus cruel andara por estas bandas divertindo-se em nos enlouquecer e em jogar com nossos destinos.

A história nunca se repete, nem como tragédia, nem como farsa. Mas isto não impede que certas dinâmicas possam estar presentes em diferentes crises políticas, sobretudo nas que levam ao desastre. Um deles é o que se verificou em 1964: a radicalização e polarização das opiniões em dois campos irreconciliáveis, igual à que estamos vivendo hoje. José Bonifácio dizia que a sã política era filha da moral e da razão. Ninguém lhe deu ouvidos. Hoje, a moral se foi e a razão foi junto. Entramos de novo em enlouquecida marcha de insensatez que exclui o diálogo e a negociação. Os adversários não têm mais nomes, mas apelidos insultantes: são petralhas e coxinhas, corruptos e golpistas; o vocabulário comum está a desaparecer: impeachment, procedimento legal para afastar governantes, virou golpe; qualquer manifestação de rua, de cem mil ou um milhão, vira a voz do Brasil (que tem 200 milhões de habitantes). As universidades, onde, em tese, o teor de racionalidade deveria ser mais alto, são talvez os piores exemplos de intolerância entre colegas, alunos, funcionários. O ódio invade e envenena todos os espaços de convivência, a família, o trabalho, o lazer, as ruas, as mídias, as redes sociais. Nunca antes o Brasil foi tão cordial, no sentido de ser movido pelas paixões do coração.

Para acrescentar mais um exemplo histórico, polarização houve também em 1954. Mas então ainda havia heróis trágicos em nossa política: o suicídio de Vargas derrotou Júpiter e salvou as instituições. Em 1964, havia restos de virtú política, mas não havia heróis trágicos e sobravam fatores agravantes como a Guerra Fria e a presença militar. O presidente imitou o ato de seu homônimo português em 1807 e as instituições naufragaram. Hoje, quando não temos os dois agravantes e viemos de 30 anos de prática democrática, inclusive com um impeachment, deveria ser possível resistir ao fascínio da voragem da desrazão. Mas não é o caso. Os anos de governo militar dizimaram os estadistas e deslegitimaram a própria atividade política. A grande invasão de povo na política e nas redes sociais não foi acompanhada da capacidade de organização e de liderança.

Entre as saídas possíveis, nenhuma é satisfatória. Só há as ruins e as menos ruins. A pior de todas, a intervenção militar, parece descartada, o que não impede que as Forças Armadas possam, dentro da lei, ser chamadas para manter a ordem em caso de conflitos violentos. A renúncia da presidente é improvável: ela certamente não tem vocação para heroína trágica. Um eventual impeachment mudará o governo, mas o conflito e a polarização continuarão, apenas com sinal trocado: quem jogava pedra vai virar vidraça e vice-versa. A sobrevivência da presidente, por sua vez, significará o alongamento da paralisia governamental, com todas as consequências desastrosas para a economia do país. Não há luz no fim do túnel.

Sem melhor explicação, e talvez com a razão já afetada, desconfio que Júpiter tenha voltado a se divertir à nossa custa.

José Murilo de Carvalho é historiador

segunda-feira, 21 de março de 2016

Brasil: de multidões e clones

O uso indiscriminado e excessivo de bandeiras partidárias ou de símbolos nacionalistas me deixa igualmente preocupado, à medida que ambos sinalizam o apagamento da pluralidade democrática.

Quando vejo qualquer multidão com aparência uniformizada (de vermelho ou verde-e-amarelo), me lembro de clone troopers executando a famigerada Ordem 66...

Pezão internado e o imaginário político

Pezão, governador do Rio, se encontra internado há vários dias. Hipóteses conspiratórias variam desde a suspeita de que estejam ocultando a morte do governador (!) até, mais prosaicamente, que ele esteja tentando driblar o movimento dos servidores fluminenses ou tentando escapar de prisão preventiva.

Curiosamente, quando sugiro às pessoas que talvez, simplesmente, ele esteja de fato enfermo, inclusive pele estresse relacionado à grave crise administrativa e política no Estado Rio, encontro reações céticas. A maioria das pessoas me responde que "esse pessoal" (políticos) não fica doente "assim".

Parece que os políticos andam tão distanciados da população que os cidadãos não conseguem mais imaginá-los como seres humanos de carne e osso. Isso é perigoso em dois sentidos: em primeiro, porque todos eles são gente, e devem ser tratados como tal, independentemente de seus erros. Tudo que escape disso, é barbárie.

Por outro lado, e talvez pior, isso indica que os cidadãos os vejam como intocáveis, imunes às pressões e anseios da sociedade. E isso conduz, creio, a um posicionamento apático em relação às possibilidades de mudança social, à eterna espera de um messias que venha "salvar a pátria".

No livro Dire et mal-dire, a historiadora Arlette Farge aborda a emergência da opinião pública na França setecentista, sugerindo que os boatos sobre a realeza vicejavam justamente porque a "verdadeira" vida política se dava para além dos limites da expectativa e da participação popular. Nesse sentido, os boatos sobre o governador internado me parecem muito sugestivos do quanto nossa política ainda é Ancien Régime...

Entre a barbárie e a apatia, existe a cidadania...

quinta-feira, 17 de março de 2016

Para rir ou chorar

Quando eu estiver debochando, talvez pareça que estou falando sério. Quando eu falar sério, talvez pareça que estou debochando. Nesse momento de meu-lado-contra-o-seu, talvez apenas o humor consiga interromper a preparação das trincheiras. Como disseram por aí, se você ainda não está confuso, é sinal de que está mal informado...
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Vamos combinar, é uma baita ironia que tenham transformado o "não vai ter copa" em "não vai ter golpe"...
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Só vejo duas saídas viáveis para o Brasil: King Size ou Tiririca. O resto, é mais do mesmo...
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Acho que podíamos dissolver a federação e instituir 27 estados independentes, governados por seus respectivos king sizes...
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Valeu, gente! Vou descansar antes que o Brasil acabe comigo ou eu acabe com o Brasil...
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Como somos um país de formação cristã, vamos todos ficar comovidos e sensibilizados pelo arrependimento sincero do Eduardo Paes...
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Para quem quer se escandalizar, qualquer coisa se torna motivo de escândalo.
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Toda crise traz perigos e oportunidades. Cabe ao povo escolher de que maneiras conduzir esse momento.
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Só para constar, apoiarei a democracia sempre que necessário, mas sou socialista demais para apoiar o PT.
Também sou socialista demais para essas manifestações pelo "impitima".
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Nesse momento, meu partido se chama DIÁLOGO.
***
-Mamãe, no céu tem golpe?
E morreu...

Estopins

Texto do amigo Tiago de Souza, historiador, baterista e musicólogo

Marx escreveu que a História não se repete, a não ser como farsa. Ok. Mas sempre existe a possibilidade de percebermos padrões. Dito isso, entendo que antes de toda grande mudança, se ouve o estalar de um fato que desencadeia a tempestade.

É o "estopim", aquele fato simples e único que dá início ao caos.

O martelar na porta de uma catedral, um apertar de mão que é recusado, o assassinato de um herdeiro, a tomada de uma fortaleza, a recusa de um parlamento a cumprir uma ordem, a invasão de um país neutro, um discurso na central do Brasil, uma carta forjada, um general que sai com seu exército em marcha...

Qual será o NOSSO estopim?

Quem vai identificá-lo como tal?

O que vai acontecer depois disso?

Parafraseando Pascal, são esses espaços vazios que me assustam...