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sábado, 14 de maio de 2011

Imagens e sociedade

Ultimamente tenho refletido sobre a presença das imagens em nossa sociedade, o que não é novidade nenhuma, e sobre a veiculação das imagens em outras épocas, o que também não é exatamente novidade.

Mais particularmente, tenho pensado sobre o quanto somos diariamente expostos a literalmente centenas, talvez milhares, de imagens novas todos os dias: outdoors constantemente mudados nas ruas, novos comerciais, novos programas na televisão, novos conteúdos que encontramos na internet. Contudo, estamos tão acostumados a ver sempre novas imagens, estáticas ou em movimento, que mal nos damos conta de que nem sempre foi assim.

Pelo contrário, ao pensarmos, por exemplo, um indivíduo que vivesse em uma aldeia medieval ou no Brasil colonial, é provável que ele passasse anos, talvez a vida inteira, vendo sempre as mesmas imagens, sem tomar contato com nenhuma representação gráfica nova: as mesmas pinturas na igreja local, as mesmas tapeçarias ou mosaicos; enfim, enquanto somos bombardeados diariamente com inúmeras imagens que desconhecíamos até a véspera, em outras épocas, o convívio com as imagens sofria poucas e lentas mudanças.

Qual seria o impacto disso nas respectivas sociedades? Difícil dizer. É comum se falar no poder da imagem no mundo atual, muito grande, por sinal. No entanto, por outro lado, talvez essa força seja hoje objeto de uma banalização maior, ante o grande fluxo de imagens descartáveis em que estamos imersos. É provável que em outras épocas seu poder estivesse justamente no sentido contrário, na escassez de imagens novas e, por conseguinte, em sua familiaridade cotidiana. Como aquilatar os sentimentos de continuidade, estabilidade ou fidelidade que poderiam gerar nos indivíduos de que falamos?

Talvez testemunhe desse poder a verdadeira veneração por determinadas imagens que encontramos em outras épocas, a principiar, mais próximo de nós, pelo culto católico. Encerremos com um exemplo extremamente eloquente: era crença comum no Egito antigo que imagens pintadas pudessem ganhar vida, ao ponto de animais perigosos como leões ou serpentes serem frequentemente representados com defeitos físicos, de modo a serem inofensivos, mesmo que saltassem da parede...

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