Se você acredita que apenas pessoas que pensam exatamente da mesma maneira que você são sensatas, provavelmente você é um insensato, com os olhos vendados por suas ilusões. Nenhum de nós é absolutamente sensato, embora haja pessoas de considerável sensatez e outras de rematada tolice. O mais importante é aprender a reconhecer, antes de tudo, a insensatez que habita em nós - tarefa muito mais difícil e desconfortável que se imagina. A constante autocrítica é o único caminho para amenizar a incontornável insensatez que há em cada um de nós.
quarta-feira, 28 de abril de 2021
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Da coerência sem coesão
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| Avançando da esquerda para a direita, e terminando sempre com uma bandeira por ponto final, cada fase de Super Mario Bros. é praticamente uma frase e o jogo, uma experiência de leitura... |
segunda-feira, 19 de abril de 2021
Comemorando - Uma década de Oficina de Clio
No último dia 24 de março este humilde blog completou dez anos de existência, com mais de mil posts sobre os assuntos mais variados, direta ou indiretamente ligados à História como disciplina acadêmica e, mais ainda, como vivência da humanidade no tempo (o que talvez soe antiquado para alguns).
Ao longo de toda essa década estive sempre para escrever um post que esclarecesse o título do próprio blog, mas por diversas razões (entre as quais, preguiça e esquecimento), acabei nunca o fazendo. Parece ser este o momento oportuno.
Desde o momento em que tive a ideia de criar este blog, sabia que queria ter Clio no título, em - um tanto óbvia - homenagem à musa que cultuo desde a infância e a cuja vocação atendia aos 13 anos de idade, mantendo-me fiel e constante até hoje (um pouco como Obélix, que caiu no caldeirão do druida quando pequeno, embora eu siga tomando generosas conchas de poção mágica sempre posso).
Em 2011, quando criei o blog, meu principal objetivo era o de escrever sobre temas históricos que escapassem à temática de meu doutorado, assim como de dialogar com um público mais amplo que o dos pares acadêmicos.
Me encontrava então dividido entre três opções de título, "Laboratório de Clio", "Templo de Clio" e "Oficina de Clio". A escolha se deu por eliminação. "Laboratório" me soava acadêmico demais, e era justamente como forma de escapar das restrições acadêmicas que criava o blog. "Templo" parecia algo demasiado pomposo e hierático. "Oficina", por outro lado, era exatamente o que eu pretendia deste espaço de reflexão: experimentação, improviso, bricolagem, informalidade, alguma irreverência, uma "marcheterie mal disjointe", na feliz expressão de Montaigne.
Desde então é isto que tenho feito nesta humilde Oficina: juntar, aqui e ali, impressões, ecos e reflexos, remotos ou próximos, do mundo em que habito e partilhá-los com quem por eles se interessar. Pouco a pouco, constituo aqui um repositório, confuso e incerto, do que vi, li e vivi.
Cabe ainda agradecer a todos os amigos que, tant bien que mal, acompanham este blog e, mais ainda, àqueles que em um ou outro momento cederam textos de sua lavra para publicação aqui.
A bem dizer, quando iniciei esta empreitada, não imaginei que completaria um ano sequer, mas aqui estamos, "sem querer, querendo", uma década depois - que venha a próxima!
quarta-feira, 14 de abril de 2021
Dos tipos de ignorância
Ignorância passiva é aquela de quem simplesmente não teve oportunidades de aprender, por tais ou quais desventuras da vida.
A ignorância ativa, por outro lado, se dá quando a vida oferece oportunidades de aprendizagem, amadurecimento, crescimento, desenvolvimento, mas essas mesmas oportunidades são desperdiçadas por aquele que as recebe.
O ignorante passivo ignora simplesmente porque lhe faltaram oportunidades; o ignorante ativo ignora porque assim o desejou.
Ignorância passiva é acidente; ignorância ativa é projeto de vida.
terça-feira, 13 de abril de 2021
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Passé Composé
Le passé, on sait bien, est composé - de mémoires, d'oublis, d'inventions, de témoignages, d'imagination. C'est pour ça que l'Histoire est plutôt un art qu'une science. L'historien est celui qui, au dialogue avec ses sources, ré-compose le passé, que le temps insiste à décomposer.
Cidadania Carioca
Eis que ouço na rua, em frente a meu prédio, o indignado comentário de um cidadão carioca, reclamando que o lockdown imposto pela prefeitura obriga o fechamento dos bares, mas permite o funcionamento das igrejas. E assim segue a cidadania carioca em tempos pandêmicos. Debret foi embora, mas o Rio continua "pitoresco" - ou picaresco, nunca se sabe...
quarta-feira, 31 de março de 2021
domingo, 28 de março de 2021
O paradoxo liberal e outros paradoxos
Um dos pressupostos básicos do Liberalismo Político é a pluralidade de visões de mundo e sua mediação pela via democrática.
Por outro lado, desde ao menos meados do século XX, o Liberalismo Econômico é definido por seus zelosos adeptos como uma "ortodoxia econômica" - o que, necessariamente, implica taxar quaisquer outras concepções e práticas econômicas como "heterodoxias" e, portanto, como desvios de uma suposta norma.
Tal dogmatismo é ainda mais inflexível em sua vertente neoliberal, cuja peleja desde o pós-guerra foi, em grande medida, "expurgar" a "heterodoxia" keynesiana.
Em lugar da ideia de uma "Economia Política" consolidada pelo século XIX, o século XX gradativamente viu a tácita consagração de algo como uma "liturgia econômica" que não tolera heresias.
A partir do momento em que o Liberalismo Econômico se posiciona como uma ortodoxia, ele nega - ainda que veladamente - à pluralidade o direito de existir, negando simultaneamente um dos pressupostos básicos do Liberalismo Político.
Eis, em suas linhas gerais, o paradoxo liberal.
Em boa medida suponho que tal paradoxo derive de uma premissa "ortodoxa" que se consolidou ao longo do século XX, em especial devido à Guerra Fria - a noção de que democracia e capitalismo são indissociáveis.
Os últimos 200 anos provam sobejamente que o capitalismo convive muito bem com regimes autoritários e, muitas vezes, são os próprios interesses capitalistas que contribuem para a instalação de semelhantes regimes.
O século XXI nos desafia com inúmeras quimeras (no sentido mitológico) derivadas desse paradoxo. A maior delas, sem sombra de dúvida, é o "Comunismo de Mercado" chinês. Em escala menor, vemos aberrações como os "liberais na economia, mas conservadores nos costumes" que emergiram no Brasil nos últimos anos, assim como os extravagantes "anarcocapitalistas" (sic).
A Rússia representa outro caso mais que emblemático: de uma autoritária monarquia agrária passou a um autoritário regime socialista, cuja queda originou um regime capitalista igualmente autoritário. O caso russo nos convida seriamente a refletir até que ponto essa longa procissão de regimes políticos autoritários reflete mais profundas raízes culturais que ideologias passageiras - sem, obviamente, recorrer a um tentador e simplório determinismo cultural.
Tantos para-doxos nos convidam a refletir sobre a confusa complexidade do mundo em que vivemos, irredutível a rótulos banais ou rígidas categorias. Nossas ideias só se aproximam da realidade quando abandonamos o conforto das orto-doxias ideológicas de variados matizes e começamos a refletir de maneiras hetero-doxas.
Quanto ao "paradoxo liberal" propriamente dito, convém ressaltar que as vertentes do Liberalismo possuem uma história longa, rica e complexa - e que quase 200 anos separam Smith de Friedmann.
Que comemoram?
sábado, 27 de março de 2021
Angry together
"If we all got angry together something might be done".
Robin Smallburrow [In Tolkien, "The Lord of the Rings"
quarta-feira, 24 de março de 2021
Traçando linhas
“As walking, talking and gesticulating creatures, human beings generate lines wherever they go. It is not just that line-making is as ubiquitous as the use of the voice, hands and feet – respectively in speaking, gesturing and moving around – but rather that it subsumes all these aspects of everyday human activity and, in so doing, brings them together into a single field of inquiry. This is the field that I seek to delineate”.
quarta-feira, 17 de março de 2021
Dias e Santos
Anselm Grün
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| Santo Antão - também conhecido como "Santo Antônio do Deserto" ou "Santo Antônio do Egito" |









