Newsletter

Sua assinatura não pôde ser validada.
Você fez sua assinatura com sucesso.

Oficina de Clio - Newsletter

Inscreva-se na newsletter para receber em seu e-mail as novidades da Oficina de Clio!

Nous utilisons Sendinblue en tant que plateforme marketing. En soumettant ce formulaire, vous reconnaissez que les informations que vous allez fournir seront transmises à Sendinblue en sa qualité de processeur de données; et ce conformément à ses conditions générales d'utilisation.

sábado, 24 de setembro de 2011

Leituras - "Sócrates, Jesus, Buda" de Frédéric Lenoir

Fascinante, um dos melhores livros que li neste ano. Interessantíssimo para pessoas de qualquer religião ou falta dela. O livro traça um estudo comparativo entre a vida e o pensamento desses três personagens, sob os mais diversos aspectos, apontando suas convergências, diferenças e complementaridades.

Com grande habilidade, o autor discute criticamente as fontes sobre a trajetória dos três, de forma impecável, além de esboçar as diversas interpretações elaboradas sobre os personagens ao longo dos séculos, em diversas tradições filosóficas e teológicas diferentes. Também os contextualiza historicamente de modo muito rico e esclarecedor, demonstrando as relações entre seus ensinamentos e ações e as dimensões políticas, econômicas e culturais do mundo em que viviam.

É importante destacar que o autor não se preocupa em determinar "verdades" religiosas a partir do pensamento de Buda, Sócrates ou Jesus; sua proposta é principalmente a de realizar um passeio filosófico entre o pensamento dessas três grandes figuras. Lenoir vence inúmeros desafios, elaborando uma obra que é ao mesmo tempo historicamente precisa, filosoficamente profunda, desprovida de preconceitos e temperada com grande sensibilidade.

"Sócrates, Jesus, Buda" está disponível em português em edição da Objetiva.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tintin - História em quadrinhos

Doze anos atrás li meu primeiro álbum de Tintin, "L`Oreille Cassée", comprado na Bienal de 1999, no stand da Livraria Francesa. Paixão imediata, nos dois anos seguintes realizei o tour de force de comprar a coleção inteira, com seus 23 álbuns, todos importados da Bélgica, com minha parca mesada, em heróica batalha contra o Euro galopante em sua sinistra ascensão. Dois anos de agonizante espera, de dois meses por cada encomenda...

Mas quem é, afinal, Tintin? Com o perdão dos trocadilhos, um dos personagens mais interessantes da História dos quadrinhos, cujas histórias misturam elementos de aventura, suspense, crítica e comédia. Criado em 1929 pelo belga Hergé, Tintin é um curioso "jornalista" que aparece exercendo o ofício em apenas duas de suas aventuras. De fato, o autor afirmaria em entrevista que a profissão era apenas pretexto; na verdade, Tintin era um cavaleiro errante... Aliás, esse é apenas um dos mistérios em torno do personagem, cujo nome verdadeiro ("Tintin" é apenas apelido), local de nascimento, idade, passado, etc nunca são mencionados. O próprio Hergé falaria sobre essa proposital falta de "concretude" de sua criatura. Com efeito, Tintin é tanto mais vibrante porque ideal, um personagem tão vago que literalmente qualquer um pode se identificar com ele.

Por que falar de Tintin num blog sobre História? Bem, por que suas aventuras são uma janela muito especial para a História do século XX. Publicadas entre 1929 e 1976, as histórias levam Tintin ao redor do mundo, nos cinco continentes, passando por países reais e fictícios, como a Sildávia, a Bordúria, San Teodoros, Nuevo Rico, Khemed, entre muitos outros. Boa parte dessas narrativas envolve Tintin em misteriosas tramas que retratam situação políticas e econômicas internacionais importantes desse período. Citando apenas alguns exemplos, "L`Affaire Tournesol" aborda de forma muito curiosa a Guerra Fria e a corrida armamentista; "Au pays de l`or noir" trata da questão do petróleo nos anos 70; "Tintin et les Picaros" trata de modo contundente das ditaduras militares na América Latina. É importante observar, todavia, que muitas vezes essa abordagem se dá de modo estilizado, quase histriônico, mas sempre inteligente.

Ainda mais interessante é observar a evolução das concepções políticas de Hergé. Nos três primeiros álbuns da série, o autor é francamente anti-comunista ("Tintin au pays des soviets"), entusiasticamente colonialista ("Tintin au Congo") ou simplesmente pouco crítico ("Tintin en Amérique"). A grande virada teria lugar em meados dos anos 30, quando a amizade com o chinês Tchang Tchong-Jen, estudante de artes em Bruxelas, o levaria a questionar muitos de seus (pre)conceitos. A partir daí as histórias seriam cada vez mais críticas em relação à atuação política dos europeus no mundo, aos problemas da sociedade capitalista e até, em "Tintin au Tibet", ao racionalismo cientificista ocidental.

Além disso, as aventuras de Tintin são um espetáculo gráfico, uma verdadeira enciclopédia visual do século XX. Hergé tinha grande preocupação com a pesquisa iconográfica, e seus colaboradores percorriam não apenas arquivos e bibliotecas, mas partiam mesmo em viagens internacionais para obter material fotográfico de referência, tornando os livros visualmente riquíssimos.

Enfim, as aventuras de Tintin constituem um universo vastíssimo, impossível de esgotar em poucas horas ou linhas. Só há uma solução: ler tudo! Quem lê em francês poderá se deliciar com as edições originais da Casterman, gastando alguns bons euros. Uma alternativa cômoda para o bolso ou para quem não lê em francês é a tradução da Companhia das Letras. Procure nas livrarias, mesmo que só para dar uma olhada!

Tintin em Xangai ("Le Lotus Bleu")

A mais bela das aventuras ("Tintin au Tibet")

Um "típico" Carnaval latino ("Tintin et les Picaros")

Tintin em sua época colonialista ("Tintin au Congo")

Tintin e seus amigos

No calor do Marrocos ("Le crabe aux pinces d`or")

sábado, 17 de setembro de 2011

Citando... Ítalo Calvino

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."

Ítalo Calvino, em Cidades invisíveis

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Leituras - "Imperialismo ecológico", de Alfred W. Crosby

Depois de algumas semanas de posts "requentados", eis um saído do forno. Li esse livro dois meses atrás, e fiquei muito impressionado pela originalidade da abordagem. Apesar do título parecer um tanto sensacionalista, é um trabalho muito sério.

Resumindo muito sua problemática, a obra discute o impacto ecológico das grandes navegações em diversos ecossistemas ao redor do mundo. Sua análise se concentra principalmente na importância para esse processo do que ele chama "biota portátil", um conjunto de espécies levadas pelos europeus ao redor do mundo, desde seres humanos, animais domésticos, plantas de cultivo e ervas daninhas, vírus e bactérias. Abordando, obviamente, aspectos biológicos, mas também culturais, políticos e econômicos, o autor mergulha profundamente no estudo dessas transformações, arrastando-nos a um passeio através de séculos e continentes, da fria Groenlândia dos vikings à exótica Nova Zelândia dos maori, passando pelas planícies e montanhas da América do Norte, pelos pampas sul-americanos, pela longínqua Austrália e muitos outros lugares.

Deve ser destacado seu trabalho com as fontes, ao mesmo tempo sólido e sutil, numa pesquisa ancorada aos mais inesperados vestígios encontrados em documentos oficiais, relatos de viagem, memórias, folclore. Em momentos, a partir de breves passagens em um relato, Crosby extrai curiosos indícios sobre as transformações da vegetação, ou de observações sobre testamentos de uma região infere perspicazmente sobre a situação da fauna local em determinada época. Trabalho de mestre.

Por fim, mas não menos importante, o livro fascina pela prosa agradabilíssima, elegante e bem-humorada. A suposta aridez do tema, que outros autores provavelmente teriam abordado de forma soporífera e cansativa, sob a pluma de Crosby ganha dimensões extremamente humanas e envolventes, através das inúmeras referências literárias, divagações curiosas, anedotas ilustrativas e uma aguda percepção do cotidiano, dimensionando de modo palpável essas titânicas mudanças que são o tema central do livro.

Obviamente discordo de algumas conclusões do autor, que me pareceram um tanto apressadas e de certa reificação de alguns temas, aliás, perfeitamente cabíveis em se tratando de uma abordagem pioneira como essa, que não teve muitos seguidores, apesar de publicada pela primeira vez há quase trinta anos.

O livro é publicado no Brasil pela Companhia das Letras, na coleção Companhia de Bolso.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Consumerismo

(Originalmente publicado em meu blog A rota para o poente, em 03/02/2010; inclui pequenas alterações)

Estive lendo recentemente sobre o conceito de "consumerismo", mais uma novidade pós-moderna. Não à toa, conheci a ideia através de um artigo escrito por uma publicitária, cujo nome tenho a sorte de não lembrar. Mas afinal, que vem a ser consumerismo?

Segundo a autora, é o modo de atuação social característico do homem pós-moderno. Enquanto o homem da modernidade seria movido pelas "utopias revolucionárias",o indivíduo da pós-modernidade age de modo mais cool, praticando o consumo consciente, a saber, comprando apenas produtos que não agridam ao meio-ambiente, produzidos por empresas com responsabilidade social etc. Ou seja, alguém que age de modo consumerista, não consumista...

Me espanta primeiramente a passividade desse paradigma de indivíduo. No fim das contas, que tipo de mudança social pode-se visar através do dito consumerismo? Que as corporações ajam do modo que lhes convenha, restando-nos meramente a opção de exercer alguma pressão sobre elas através das nossas compras. O homem deixa de ser cidadão para tornar-se mero consumidor. Pior ainda, a (suposta) capacidade de decisão do indivíduo passa a ser medida segundo seu poder aquisitivo.

Mas o comodismo dessa proposta incomoda-me mais que sua passividade. Afinal, as "utopias revolucionárias" da modernidade exigiam demais do indivíduo, não? O sujeito já tem tanta coisa para fazer e ainda precisa se cansar atuando politicamente de alguma forma? A alternativa pós-moderna é muito mais interessante: o cidadão pode fazer política no super-mercado ou no shopping-center...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Fotos do lançamento de "Da Guanabara ao Sena"

Aí vão as fotos do lançamento do livro, na Bienal, com o stand "Ilha das Letras de Niterói", e do bate-papo com o autor. Se forem à Bienal, não deixem de procurar pelo livro nesse mesmo stand ou no stand coletivo da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias)!



















domingo, 28 de agosto de 2011

Chaves, um sábio turco da Idade Média e brinquedos

(texto originalmente publicado em meu blog "A rota para o poente" em 13/02/2010)


Esta semana tive a oportunidade de adquirir no McDonald`s um gracioso bonequinho do Chaves. Além de ser muito bonitinho, com uma expressão hiper-simpática e vir devidamente acompanhado por seu barrilzinho, a miniatura caminha de modo bastante engraçado, movida por uma corda. Passei algum tempo estudando esse movimento, e apreciando a engenhosidade do mecanismo.

De fato,o mecanismo em si é belo por sua simplicidade. Funciona de modo semelhante ao pedal de uma bicicleta, mas de modo invertido, ou seja, o movimento circular da mola impulsiona suas pernas, enquanto em uma bicicleta são as pernas que impulsionam o movimento circular da roda traseira, através do pedal.

Essas observações me levaram a curiosas reflexões. Comecei a pensar sobre esse gênero de mecanismo, classificado como um sistema de biela-manivela, amplamente usado em boa parte das máquinas elaboradas pelo ser humano. Basicamente, é um mecanismo que serve para transformar movimentos retilíneos em circulares e vice-versa. O pedal da bicicleta ou o boneco do Chaves são bons exemplos disso. Poderiam ser citados ainda os motores em geral, as bombas hidráulicas, a maior parte das máquinas industriais, entre muitos outros. Não me aprofundarei mais nessas explicações, pois me faltaria o conhecimento necessário para tanto.

Pensando nisso, lembrei-me de um documentário que assisti faz algum tempo, sobre um engenhoso artesão, matemático e astrônomo turco, chamado Al-Jazari, que viveu entre os séculos XII e XIII. Segundo documentos encontrados recentemente, aparentemente Jazari inventou o "nosso" mecanismo biela-manivela. Seu intento era o de criar máquinas capazes de transportar água de modo automático e eficiente, geralmente tirando-a de corpos naturais de água como rios, lagos, etc e passando-a para aquedutos. Essa era uma funcionalidade de suma importância para a região onde Jazari vivia, dada a aridez de boa parte do Oriente Médio. O sistema biela-manivela parece ter chegado ao Ocidente por volta do século XV, sendo registrado num manuscrito alemão da época, aplicado ao funcionamento de moinhos.

Contudo, é ainda mais interessante pensar que esse mecanismo não é exatamente uma invenção de Jazari, mas uma adaptação (ainda que extremamente engenhosa) de um mecanismo muito mais antigo, a manivela, já conhecida dos antigos romanos e largamente empregada por eles desde o século III a.C., e ainda em uso entre os contemporâneos do sábio turco. Todavia, a própria manivela não era uma invenção romana, pois artefatos arqueológicos recentemente encontrados apontam para o uso desse mecanismo pelos celtas da Península Ibérica já desde o século V a.C., empregado em moedores manuais para grãos. Seriam os celtíberos seus inventores? Impossível dizer.

Todas essas divagações me levaram a refletir sobre a historicidade das menores coisas, a ligar-nos qual fios invisíveis a centenas de gerações humanas, distantes no tempo e no espaço. Ora, pensemos em todo esse longo percurso saindo desde a elaboração da (aparentemente) primeira manivela pelos celtíberos, 2.500 anos atrás, espalhando-se por intermédio dos romanos, que passariam aos árabes seu uso, sendo apropriada, adaptada e modificada por Al-Jazari, desenvolvendo o sistema biela-manivela, que por sua vez chegaria três séculos mais tarde à Europa, onde seria empregada de inúmeras formas através dos últimos quinhentos anos, utilizada hoje para fins que não passariam pela cabeça dos celtíberos, dos romanos, dos árabes, de Al-Jazari ou dos moleiros europeus... por exemplo, fazer uma miniatura do Chaves caminhar graciosamente pela mesa de minha sala numa madrugada de sexta-feira!

No fim, os homens de todos os tempos e lugares estão ligados até pelas mais ínfimas coisas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma breve História da civilização ocidental... segundo meus alunos - Humor

Prof. Luiz Fabiano de Freitas Tavares

Devemos começar o texto a partir de certas reflexões metodológicas. Inicialmente, a História é conhecimento dos mais questionáveis, uma vez que ninguém estava lá para contar. Ainda assim, podemos conhecer parcialmente o passado, pesquisando em meios confiáveis como a Internet ou assistindo filmes e novelas[1]. Deve-se observar, todavia, que alguns especialistas afirmam que a História propriamente dita só começou em meados do século XX, uma vez que até então não existia televisão, e nada que aconteceu antes pode ser considerado histórico ou importante, dada a impossibilidade de sua transmissão televisiva[2].
Alguns dizem que no começo, havia apenas Adão e Eva. Outros sustentam que os homens surgiram do macaco, e eram semelhantes a minotauros, pois tinham corpo de homem e cabeça de índio. De qualquer forma, o fato é que os homens pré-históricos viviam felizes, falando uga-uga e caçando dinossauros (ou, de vez em quando, sendo caçados por eles). A Pré-história foi marcada pela criação de espantosos instrumentos, como a bicicleta de pedra com rodas quadradas ou os automóveis propulsionados pelos pés dos passageiros[3]. Além disso, eles tinham o exótico hábito de andar pelados no ônibus cheio, esfregando-se uns nos outros[4].
Contudo, esse estilo de vida harmonioso estava ameaçado por perigos vindos do espaço sideral. Repentinamente, um meteoro caiu do espaço, arrasando com os dinossauros e deixando os humanos em profunda tristeza. Algum tempo mais tarde, os extraterrestres viriam transformar inteiramente a vida na terra.
Os alienígenas chegaram sem aviso prévio, em discos voadores, fundando uma civilização no Egito antigo. Os antigos egípcios tinham um rei chamado Faroeste, e todos eram seus escravos. Os seres de outro planeta construíram pirâmides grandiosas e criaram múmias amaldiçoadas que andam com as mãos esticadas e atacam aqueles que encontram pelo caminho. Hoje, felizmente, todas estão mortas e ficam nos museus. Também é importante salientar que os egípcios chamavam suas rainhas de cleópatras.
Outro povo que se destacou na época foram os gregos. A principal cidade da Grécia era Esparta, lar dos espartalhões, que, com um exército de apenas trezentos bravos soldados enfrentou as tropas de Xerxes, um cara do Mal. Deve-se destacar ainda a figura de Alexandre, o Grande, que se tornou notória por sua homossexualidade, sabendo-se muito pouco sobre seus demais feitos, embora alguns de nossos especialistas afirmem que ele era gay, mas era muito forte[5].
Esses povos costumavam ter muitos deuses, forma de religião conhecida como poloteísmo. No entanto, um dia, Zeus, o chefe deles, depois de consulta com uma numeróloga, passou a se chamar Deus, levando à extinção dos demais deuses e ao surgimento do monoteísmo.
Apesar das evidentes conquistas da civilização, as pessoas dessa época padeciam de um grave mal, Deus ainda não inventara um método eficiente para a alma subir. Para tanto, ele fez nascer Jesus Cristo, filho de um humilde carpinteiro, José Cristo e sua esposa, Maria Cristo. Após o padecimento de Jesus Cristo na cruz, Deus finalmente solucionara o problema da subida das almas.
O triste episódio da crucificação seria acompanhado pela malhação de Judas, o homem que havia mandado matar Jesus. Judas foi enforcado e espancado pelos apóstolos de Jesus, dando origem a uma célebre tradição. Jesus foi morto numa sexta-feira, 13 de outubro, de modo que todo dia 13 de outubro cai numa sexta-feira[6]. Contudo, Jesus deixava descendentes, pois tinha se casado com Maria Madalena (presumivelmente Maria Madalena Cristo em seu nome de casada) e teve muitos filhos com ela, embora esses filhos devam estar muito velhos atualmente.
Esse período de amplo florescimento da cultura ocidental seria interrompido pelas invasões das tribos bárbaras, como os Gordos ou os Frangos, iniciando a Idade Média, período assim denominado devido à estatura mediana da população. Existem, contudo, divergências, e alguns especialistas acreditam que o nome se deve ao fato de a Idade Média não ter sido nem muito longa, nem muito curta, logo tendo uma duração média. Deve-se destacar a importante atuação do imperador Carlos Morgan na expansão do reino dos Frangos. Essa época veria também o surgimento de estranhas criaturas, como dragões, fadas ou bruxas, embora a maioria dos dragões tenha se tornado extinto pela caça predatória dos cavaleiros.
Ao fim da Idade Média temos o surgimento da Idade Moderna. Nesse período se iniciariam as grandes navegações, graças à invenção dos navios a vela, apesar dos riscos da última se apagar durante a viagem. Esse movimento seria tragicamente marcado pela guerra entre os índios e os humanos, uma vez que os últimos detinham tesouros cobiçados pelos primeiros. Apesar disso, os humanos venceram a guerra. A primeira coisa que fizeram foi vestir os índios; a segunda, escravizá-los.
No século XVIII surgiria o movimento filosófico do Ilusionismo, cabendo salientar as significativas contribuições do célebre filósofo Voltará. Acredita-se que Voltará se correspondia com Rolsseao por e-mail ou MSN. É certo, contudo, que ambos tinham adicionado Condorcete no Orkut. Os pensadores ilusionistas eram capazes das mais sofisticadas reflexões e das maiores proezas da prestidigitação. Não à toa, num piscar de olhos, eles realizaram o mais fabuloso truque de mágica: transformaram a Idade Moderna em Idade Contemporânea.
Não há muito que dizer sobre a Idade Contemporânea, exceto que nela aconteceu uma grande guerra contra os nazistas e Hifler, que, tal como Xerxes, eram caras do Mal. A guerra foi vencida pelos caras do Bem quando lançaram uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima. Na verdade, seu alvo era Tóquio, mas havia grande nevoeiro e os pilotos do avião erraram o alvo. Por fim, os caras do Mal “peidaram na farofa”, servindo-nos da perspicaz observação do insigne David.
Embora seja algo que escape ao puro rigor acadêmico, concluímos esse trabalho falando sobre o futuro, citando as profecias de São Rodolfo de Quintino:
Você acredita que Jesus vai voltar? Jesus vai voltar, e quando ele voltar vai ser muito sinistro. Vai começar geral morrendo, as parada explodindo, os carro tudo batendo! E quem tiver feito m...., tá f......., os traficante, os ladrão, essas p..... toda. É, neguinho, quando Jesus voltar, o bagulho vai ficar neurótico[7]!


[1] Como observa J. Pedro, podemos citar como bom exemplo de novela com temática histórica, Os mutantes.
[2] Devemos essas brilhantes conclusões às brilhantes pesquisas de M. Jesus.
[3] Sobre essas invenções consultar LANTZ, Walter. Pica-pau e HANNAH, John e BARBERA, Joseph. Os Flinstones.
[4] Sobre essas orgias pré-históricas no sistema de transporte coletivo, recomendamos os recentes trabalhos de I. Fernandes.
[5] Cf. MILLER, Frank. 300 e os recentes estudos de outros especialistas.
[6] Embora essa observação seja claramente contraditada pelos fatos é obsessivamente defendida pelos trabalhos de H. Vinícius.
[7] O texto foi objeto de censura em algumas partes, dadas as peculiaridades do discurso de São Rodolfo de Quintino, pouco afeito às práticas proféticas convencionais, visando a preservação do decoro acadêmico. Deve-se destacar ainda as evidentes dificuldades do ilustre profeta em dominar o uso de qualquer forma de concordância verbal ou nominal.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Outra semana conturbada...

Semana difícil, menos um post decente. Para finalizar as homenagens ao ciclismo, deixo uma imagem que marcou época: Bernard Hinault, um dos maiores ciclistas da História no Paris-Roubaix depois de uma queda e retornando à competição, mesmo com graves ferimentos. Grande guerreiro!

sábado, 9 de julho de 2011

Nada de mulher...

Essa semana estou numa corrida para entregar um paper do doutorado. Assim sendo, postarei apenas uma curiosa e engraçada anedota, ainda em clima de Tour de France.

Em 1987 o Tour foi vencido pelo irlandês Stephen Roche. Em uma das etapas de montanha, particularmente difícil, Roche se esforçou ao máximo, cruzando a linha de chegada em primeiro lugar, muito antes dos outros atletas. Sua fadiga era tanta que, assim que ultrapassou a linha, simplesmente desmaiou no chão. Um Deus nos acuda! Correm os médicos para atendê-lo. Pouco depois, acordando completamente zonzo, o médico lhe pergunta como se sente. A réplica de Roche foi das mais inusitadas: "Tudo bem, doutor, mas nada de mulher...". Interrogado posteriormente, o ciclista confessou não ter explicação para sua estranha resposta...

domingo, 3 de julho de 2011

Le Tour de France

Ontem começou a edição 2011 do Tour de France (ou "Volta da França"), a maior prova do ciclismo mundial. Quem me conhece sabe que sou aficcionado por ciclismo, embora não pratique faz alguns anos... Acompanho o Tour religiosamente todos os anos. A bem dizer, não estava muito entusiasmado com o Tour desse ano, por várias razões. Até ontem! As reviravoltas inesperadas que fazem a magia da prova estão novamente em ação, e o que prometia ser um Tour insosso como nos dois últimos anos ganhou novo interesse.

Mas esse blog é uma oficina de Clio, e a musa é tanto exigente quanto ciumenta! Então, vamos caçar onde a História se esconde no Tour de France. A tarefa nem é das mais difíceis, já que o Tour é uma das mais antigas provas esportivas do mundo: o primeiro aconteceu em 1903, comemorando 108 anos. Em todo esse tempo, pouquíssimas edições foram canceladas, devido à partipação francesa nas duas conflagrações mundiais. O Tour acontece todo ano, durante o mês de julho. Durante 21 dias os atletas percorrem cerca de três mil quilômetros pelas estradas francesas, num percurso que muda a cada competição. Depois de 108 anos, o Tour construiu inúmeras tradições e mitos.

Nesse post veremos um aspecto muito curioso dessa tradição, não apenas do Tour, mas do ciclismo em geral. O esporte chama atenção pelo seu forte ethos cavalheiresco, que vai muito além do mero fair play. De fato, a competição mostra uma curiosa permanência dos valores nobiliárquicos do Antigo Regime; os ciclistas muitas vezes se comportam como verdadeiros membros da antiga aristocracia guerreira. Alguns exemplos ilustram melhor que qualquer explicação...

Ano de 2003, centenário do Tour. Dois ciclistas competiam pela liderança da competição, o americano Lance Armstrong e seu arqui-rival, o alemão Jan Ulrich. O pelotão se engajava numa dura etapa, de escalada ao passo de Luz Ardiden, nos Pirineus. Eis que em determinado momento, Armstrong sofre uma dura queda, quando sua bicicleta se prende na bolsa carregada por uma criança. Em lugar de se aproveitar da situação, Ulrich reduziu a velocidade, aguardando seu adversário alcançá-lo, abrindo mão da vantagem. Perdeu a etapa, perdeu o Tour; ganhou a honra de tratar o rival dignamente.

Ano de 2004. O jovem francês Thomas Voeckler vestia a camisa amarela de líder da competição. Numa etapa particularmente difícil de escalada no Maciço Central, Voeckler se encontrava em terrível desvantagem, pois não havia nenhum membro de sua equipe em condições de acompanhá-lo e ajudar a enfrentar o vento. Num rasgo de generosidade que muito o honra, seu compatriota veterano Richard Virenque, que se encontrava muito à frente de Voeckler optou por aguardá-lo e trabalhou como seu gregário (espécie de ajudante), seguindo à frente e quebrando o vento. Os dois eram de equipes diferentes. Um belíssimo gesto de Virenque, em seu último Tour de France, coroando uma carreira vitoriosa, em que foi inúmeras vezes vencedor do prêmio de melhor montanhista.

Ano de 2010. Numa etapa decisiva disputavam o luxemburguês Andy Schleck, líder da prova, e o espanhol Alberto Contador. Num infeliz momento a correia da bicicleta de Schleck se rompeu, necessitando reparos. Abrindo mão do cavalheirismo, Contador atacou, ganhando a liderança; eventualmente venceu o Tour, à covardia. Ano de 2011. Na apresentação das equipes, na última sexta-feira, Contador foi vaiado durante sete minutos... O público pune a desonra!

A título de comparação, um episódio da guerra luso-francesa pelo Maranhão, em 1615. Derrotado na batalha de Guaxenduba, o líder francês La Ravardière amigavelmente envia seu médico para cuidar dos feridos portugueses. La Ravardière ficaria orgulhoso dos gestos de Virenque, Ulrich, Vietto, Hinault, e tantos outros ciclistas que contribuíram ao longo dos anos para manter acesa a chama do cavalheirismo, como verdadeiros fidalgos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Entre Genebra e a Guanabara" - fotos do lançamento

Ontem aconteceu o tão aguardado (por mim!) lançamento de meu primeiro livro "Entre Genebra e a Guanabara" pela Topbooks, na Livraria da Travessa da Avenida Rio Branco. Agradeço aos muitos amigos que compareceram para compartilhar o momento, mas também aos que não puderam ir, mas estiveram lá de coração! Postando aqui as fotos do evento:













Aproveito para avisar a todos do lançamento de meu próximo livro, "Da Guanabara ao Sena", pela EdUFF, que ocorrerá na Bienal. Fiquem atentos!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Cozinha de Clio

Podemos encontrar Clio nos lugares mais inesperados. Quem gosta de cozinhar pode esbarrar com ela à beira do fogão...

Ultimamente tenho visto muitos livros sobre história da alimentação, para todos os gostos (com trocadilho). Há desde obras muito instigantes e sofisticadas (mesmo no setor de divulgação) às puramente oportunistas ao estilo "você sabia....?". Basta entrar em qualquer livraria e conferir. O interesse pelo tema não deveria surpreender, afinal de contas, comer é provavelmente a ação mais frequentemente repetida pelos seres humanos ao longo dos últimos duzentos mil anos; de fato, deve ter sido durante muitos milênios a mais importante preocupação de nossa espécie.

Dessa forma, quando comemos ou preparamos nossos alimentos, tais gestos nos unem a todos os nossos antepassados, quase sempre inconscientemente. Cozinhar e comer constituem deliciosas oportunidades para refletir sobre nossa condição histórica.

Um exemplo bastante simples é quando nos dedicamos a fazer pratos oriundos de outras culturas ou com origens em nosso passado remoto. Especialmente as adaptações sempre necessárias, de gosto, ingredientes, recursos, nos ajudam a medir distâncias culturais.

Outra experiência interessante é modificar algumas receitas de modo a promover "encontros culturais" na panela, como yakissoba com molho inglês! Misturar pratos e sobremesas também pode ser interessante (goulash com petit gateau, por exemplo...).

Mais casualmente, é interessante observar o quanto o mundo inteiro pode estar presente em um único prato cotidiano, provavelmente impossível séculos atrás, como arroz, feijão, bife e batata frita (de origens asiáticas, europeias, africanas e americanas) ou mesmo uma reles salada de frutas com maçã, banana, manga e abacaxi!

E chega por aqui; vou preparar o almoço!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Imaginação e ensino de História

Em outra oportunidade já discuti por aqui sobre o uso de narrativas ficcionais ou míticas de época em sala de aula, enfatizando seu poder sobre a imaginação dos alunos. De fato, creio que a imaginação e a criatividade são das melhores ferramentas para que os alunos desenvolvam o raciocínio histórico.

Em minha prática pedagógica costumo propor muitas atividades nesse sentido, geralmente com resultados muito satisfatórios. Por exemplo, nesse ano realizei com uma de minhas turmas o seguinte exercício: eles deveriam escrever individualmente ou em duplas uma carta adotando a identidade fictícia de navegantes portugueses escrevendo ao rei sobre as terras que visitaram e as peripécias por que passaram. Na atividade eles tiveram total liberdade para criar terras, povos e até animais imaginários. O resultado foi muito positivo e tive textos muito criativos. Outro bom exemplo foi certo trabalho que fiz com algumas turmas em 2008 ao abordar os povos da Antiguidade e seus universos mitológicos. Tendo trabalhado algumas narrativas míticas propus aos alunos que criassem uma figura mitológica (divindade, herói ou monstro) e posteriormente inventassem uma história envolvendo esses personagens. A atividade gerou frutos positivos, especialmente em uma turma pouquíssimo interessada que se sentiu muito mobilizada pela proposta.

Obviamente a intenção da atividade não é a fixação ou memorização de conteúdo da disciplina. Seu objetivo é estimular o aluno a pôr-se no lugar dos seres humanos da época estudada, a pensar segundo seus critérios e valores, enfim, a ver o mundo por outra perspectiva. Considero estas habilidades muito importantes para a formação de um aluno capaz de pensar historicamente.

Concluo lembrando o historiador britânico Peter Laslett, que ressaltava a importância da imaginação histórica no ofício de historiador, ajudando-o a se guiar nos labirintos das fontes, interpretando-as criativamente, de modo a propor questionamentos ou hipóteses cada vez mais ricos.