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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Servidor Público: Guardião da Democracia e da Liberdade

Oportuna e interessante reflexão do historiador conservador Christopher Dawson no livro O julgamento das nações (1942); em plena II Guerra Mundial, Dawson sinalizava para a importância do servidor público autônomo, ativo, altivo e consciente para a preservação da liberdade, contra a sempre possível escalada de tirania por parte de governantes eleitos (vale lembrar que o partido nazista chegou ao poder por via eleitoral). Grifos meus.


Na verdade, o servidor público é mais apto que o empresário ou o político para para representar o princípio do serviço desinteressado e a honra profissional na sociedade moderna em face da motivação capitalista de lucro e da vontade de poder ditatorial. No passado, é verdade, foram os elementos negativos da burocracia que se tornaram mais evidentes, o que resultou na associação, na mentalidade popular, disso com excessiva regulamentação e formalismo, com a evasão da responsabilidade pessoal e o amor pela rotina. [...] Houve uma expansão imensa nas funções e no poder da burocracia que muito se distancia do que era um século atrás [...]. Mesmo assim, nossa sociedade ainda não assimilou a mudança, e a opinião pública ainda está influenciada pelos hábitos mentais que pertenceram a tradições que há muito deixaram de existir. O serviço público ainda não percebeu plenamente a extensão dessa responsabilidade. Não basta ser um especialista competente e trabalhador. Nada pode ser mais respeitado do que o padrão da burocracia alemã. Por essa mesma razão, todavia, foi o servo obediente de um poder qualquer produzido por quaisquer meios a obter o controle do Estado. [...] Em outras palavras, o servidor público deve ser, ele mesmo, um homem livre e um cidadão, se tem de administrar uma sociedade livre.


Guardadas as diferenças de contexto entre o Reino Unido na época de Dawson e o Brasil atual, suas observações se fazem mais que oportunas no atual contexto em que tramita uma "Reforma Administrativa" que ameaça as bases do serviço público tal como postuladas na Constituição de 1988. Ao consagrar a figura do servidor público CONCURSADO, nossa atual Constituição visa garantir justamente que sejam selecionados para servir à população profissionais plenamente capacitados para o exercício de suas respectivas funções - ao contrário do que prevalecia antes de 88. Infelizmente, como os britânicos de 1942, boa parte dos brasileiros de 2020 "ainda não assimilou a mudança".


O servidor público concursado não pode se tornar um joguete nas mãos de políticos cujos mandatos são passageiros, não pode ser reduzido, retomando as palavras de Dawson a um "servo obediente de um poder qualquer". Nesse sentido, vale lembrar as reflexões de Hannah Arendt sobre a "banalização do mal" no regime nazista, muitas vezes perpetrado por funcionários públicos que, como Eichmann, "apenas seguiam ordens".


De resto, vale lembrar que na história recente de nosso país, os grandes escândalos de corrupção e de negligência ao bem comum raramente são protagonizados por servidores públicos concursados, mas sim por empresários e políticos, motivados, como sinalizava Dawson, por lucro e poder. Os cúmplices e articuladores desses tristes conluios, na maioria das vezes, são os ocupantes de cargos comissionados, apadrinhados por políticos, muitas vezes sem a mínima capacitação para a função que deveriam desempenhar.


Nesse sentido, é do interesse de todo cidadão brasileiro rechaçar vigorosamente essa Reforma Administrativa em pauta, à medida que enfraquece o servidor público capacitado, responsável e comprometido com a população. E cabe também aos servidores públicos concursados, cada vez mais, tomar consciência de sua imensa responsabilidade como guardião da democracia e da liberdade contra todo tipo de arbitrariedade, abuso ou até tirania por parte das autoridades eleitas.




quinta-feira, 10 de setembro de 2020

No limits


Leia-se: "para apadrinhados, o céu será o limite". Ou, como diria Buzz Lightyear, "ao infinito e além"!

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Humanos, cobaias e cientistas

"Meu caro Ido... Neste mundo existem apenas dois tipos de seres humanos... As cobaias e os cientistas que têm o direito de dissecá-las".
Dr. Desty Nova [Battle Angel Alita]

Duas coisas muito difíceis

Dissuadir alguém de cometer tolices; persuadir alguém a tomar atitudes sensatas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Cada "ordem" traz o "progresso" que lhe corresponde.

Obviedade

Ao contrário do que querem os religiosos, a existência de Deus não é óbvia. Tampouco é óbvia sua inexistência, como pretendem os ateus. Entre uns e outros, a única obviedade é a arrogância humana, que toma seus desejos por verdades e suas conveniências por certezas. A vida e o universo são repletos de mistérios, e mistérios se recusam a ser óbvios.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Sobre trabalho e cidadania no Brasil

 Eis um levantamento que nos deixa MUITO que pensar sobre a situação social da República Federativa do Brasil...



Gume duplo

 Há quem jogue com todas as cartas disponíveis no baralho... E a gerência do nosso cassino eleitoral nunca foi lá muito confiável! Esse santinho é a cara do Brasil. Sensacional.



quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Farsa e Consequências

Diagnóstico certeiro do historiador Fred Oliveira

As discussões políticas mais acaloradas vedaram a visão para o dano colateral produzido ao longo do tempo. Parcela (parcela!) do que temos e vemos hoje é o bizarro desdobramento de farsas, demagogias e omissões, produzidas, fomentadas e reiteradas lá atrás. Ninguém pensou nas consequências.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

"É pecado constante do idealista sacrificar a realidade aos seus ideais; e esse vício prevalece tanto entre os idealistas religiosos quanto entre os seculares".
Christopher Dawson

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Entre o Cetro e a Cruz

Ai do cristão que prefere o cetro de Constantino à cruz de Jesus; deseja impor pelo Poder aquilo que só se pode oferecer com Amor. Tomando a tirania por instrumento da fé, pretende agrilhoar seu semelhante ao Cristo que ele mesmo desconhece, como cego presunçoso que deseja furar os olhos dos videntes para curar-lhes a visão. Seu tresloucado zelo apostólico é traiçoeiro como a consciência de Judas.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Cidadania Defasada

Outro dia enviei a um conhecido uma matéria de certo periódico americano e seus comentários mostravam que ele não entendera sequer a manchete. Me senti um bocado embaraçado com a situação.

Cada vez mais se configura um contexto onde ao menos noções sólidas de uma ou duas línguas estrangeiras sejam necessárias para o exercício pleno da cidadania, mas a maioria das pessoas mal consegue interpretar adequadamente um texto em sua língua nativa.

O currículo escolar se mostra cada vez mais defasado em relação às competências exigidas pelo contexto global, e há poucas perspectivas de cobrir essa defasagem a curto prazo.

Talvez soe elitista, mas creio que um cidadão do século XXI deveria sair do Ensino Básico ao menos com sólidas competências de leitura e escrita em sua língua nativa, conhecimentos razoáveis de ao menos duas línguas estrangeiras, rudimentos de análise estatística e noções básicas de programação.

Mas como estamos longe disso!