O designer japonês Hajime Narukawa foi recentemente premiado por elaborar uma engenhosa e inovadora projeção cartográfica, que preserva com elegância as proporções entre as superfícies de oceanos e continentes.
Desenvolver qualquer projeção cartográfica original, especialmente depois de tantos séculos de experimentos é uma gigantesca proeza criativa e técnica. Palmas para Hajime Narukawa! Muitas palmas!!!
No entanto, como vivemos num mundo sensacionalista, diversos meios de comunicação divulgaram o mapa como uma imagem "real" do mundo. Algumas mídias, inclusive, deram conotação política à notícia.
Convém, todavia, lembrar que NENHUM mapa
representa o mundo "como realmente é". Nosso planeta é aproximadamente esférico, e é impossível retratá-lo de modo absolutamente fiel numa superfície plana. Assim sendo, TODO mapa (inclusive esse,
obviamente) é uma projeção; toda projeção cartográfica implica alguma
escolha: certas informações são deformadas, para que outras sejam
preservadas. Sempre há algum ganho e alguma perda. Lost in mapping: todo cartógrafo, assim como todo tradutor, é um traidor...
Resumindo: existem
inúmeras projeções, e todas elas são "verdadeiras" em algum sentido, mas
nenhuma delas é 100% verdadeira... A "tradicional" projeção de Mercator é apenas um artifício matemático, que pode ser empregado de diversas maneiras (inclusive botando a Europa num cantinho ou na parte "de baixo", conforme o gosto do freguês) - NÃO é uma
projeção hegemônica-eurocêntrica-capitalista-do-mal... ok?!
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
O mundo "como ele é"...?!
Assuntos relacionados:
Comunicação,
Devaneios,
Educação,
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Tecnologia,
Top 3 - Globalização
Chega de ABOLICIONISMO! (Humor)
Respeito a opinião desses abolicionistas, mas não concordo. Quer abolicionismo? Vai pra Inglaterra. Não tenho nada contra a liberdade dos pretos, mas escravo honesto é aquele que trabalha, se esforça, poupa dinheiro e compra alforria com o suor do rosto. Se sair assim dando liberdade pra escravo, esse povo não valoriza: tem que conquistar, tem que merecer. Meu bisavô era escravo e não teve essas molezas.
Eu rio muito com esse pessoal abolicionista-caviar: fica aí criticando, mas aproveita os benefícios da escravidão... Concordo muito com aquele cara que dizia que quem não foi abolicionista antes dos 20 não tem coração, mas quem continua abolicionista depois dos 30 não tem cérebro. Acho esse negócio lindo na teoria, mas queria ver na prática. Esse pessoal quer acabar com a escravidão, mas depois quem vai arrumar senzala pra todo mundo? Querem demonizar o fazendeiro, mas é a fazenda que gera riqueza para a nação e beneficia todo mundo - inclusive o escravo, que tem teto e comida. O maior prejudicado pelo abolicionismo é o próprio escravo.
Enfim, essa ideia de liberdade para todos funciona lá na Europa, mas o brasileiro não tem educação pra isso...
Eu rio muito com esse pessoal abolicionista-caviar: fica aí criticando, mas aproveita os benefícios da escravidão... Concordo muito com aquele cara que dizia que quem não foi abolicionista antes dos 20 não tem coração, mas quem continua abolicionista depois dos 30 não tem cérebro. Acho esse negócio lindo na teoria, mas queria ver na prática. Esse pessoal quer acabar com a escravidão, mas depois quem vai arrumar senzala pra todo mundo? Querem demonizar o fazendeiro, mas é a fazenda que gera riqueza para a nação e beneficia todo mundo - inclusive o escravo, que tem teto e comida. O maior prejudicado pelo abolicionismo é o próprio escravo.
Enfim, essa ideia de liberdade para todos funciona lá na Europa, mas o brasileiro não tem educação pra isso...
![]() |
| Família tradicional brasileira saindo para passeio. |
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Crivella, Freixo e as desilusões político-amorosas
Todo mundo já teve desilusões amorosas, mas a maioria das pessoas
continua buscando novos relacionamentos. Carlota terminou com Albertino,
mas vai namorar com Eudóxio - ela sabe que Albertino e Eudóxio são
pessoas diferentes, e pode ter expectativas diferentes. Algumas pessoas
casam 1 ou 2 vezes, e acertam na segunda. Outras tentam ainda 3, 4, até 5
vezes. Até dar certo - ou não. Outras ficam tão traumatizadas pelas
frustrações que desistem: preferem ficar sozinhas.
Freixo não é o Lula, e o PSOL não é o PT. Por medo, acabamos "casando" por 4 anos com o Crivella (e Garotinhos, Bethlem etc). Fizemos como aquelas pessoas inseguras que vivem desatando e reatando um relacionamento que nunca deu certo, por medo do novo. Fizemos como aquelas mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos, mas aceitam sempre o sacana de volta porque ele trouxe um buquê de flores na mão e um bocado de promessas vazias na boca - mas AGORA vai ser diferente: ele prometeu que vai "cuidar" da gente... Fizemos como aquela amante sem autoestima, esperando eternamente o prometido divórcio que nunca chega - o povo é uma boa amante para seduzir nas eleições e transar nas horas vagas, mas bom mesmo é o casamento seguro com os megaempresários e alianças partidárias. Crivella chega como aquele "galant" de fala mansa, sorriso dourado, cantada suave... É moço religioso, de boa família...
Assim começam muitos casos de violência doméstica...
Freixo não é o Lula, e o PSOL não é o PT. Por medo, acabamos "casando" por 4 anos com o Crivella (e Garotinhos, Bethlem etc). Fizemos como aquelas pessoas inseguras que vivem desatando e reatando um relacionamento que nunca deu certo, por medo do novo. Fizemos como aquelas mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos, mas aceitam sempre o sacana de volta porque ele trouxe um buquê de flores na mão e um bocado de promessas vazias na boca - mas AGORA vai ser diferente: ele prometeu que vai "cuidar" da gente... Fizemos como aquela amante sem autoestima, esperando eternamente o prometido divórcio que nunca chega - o povo é uma boa amante para seduzir nas eleições e transar nas horas vagas, mas bom mesmo é o casamento seguro com os megaempresários e alianças partidárias. Crivella chega como aquele "galant" de fala mansa, sorriso dourado, cantada suave... É moço religioso, de boa família...
Assim começam muitos casos de violência doméstica...
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Amor, ódio e democracia
Amigos, não cedamos ao rancor. Crivella fez uma campanha movida pelo ódio.
Não nos deixemos contaminar e envenenar por esse mesmo ódio. Já perdemos uma
eleição; não percamos também o amor e a razão...
O ódio venceu a eleição; não deixemos que conquiste nossos corações. O amor é nossa única linha de resistência!
domingo, 30 de outubro de 2016
Na ascensão de Crivella
Ao que tudo indica, a desinformação, o medo e a acomodação fizeram sua
parte. Sou um pessimista esperançoso, mas nesse exato momento o
pessimismo leva a melhor...
***
O povo do Rio, essa gente trabalhadora e sofrida, merecia um prefeito como o Freixo. Infelizmente, essa gente trabalhadora e sofrida também não tem a Educação que merece, e por isso escolheu um prefeito como o Crivella. E toda escolha tem seu preço...
***
O "povo lá de trás" elegeu o prefeito que vai "cuidar" da "vitrine". Que venham as migalhas...
***
"Uhu! Crivella! Ô 'bença'! Ô glória" - Gritos de uma vizinha aqui na Abolição. O "povo lá de trás" está contente...
***
Crivella ganhou e todos os cidadãos do Rio perderam. É o milagre da multiplicação dos derrotados...
***
Maus eleitores. Maus vencedores. Maus cristãos.
***
Afinal de contas, o Crivella tem eleitorado ou torcida? Tivemos eleição ou final de campeonato?
***
O povo do Rio, essa gente trabalhadora e sofrida, merecia um prefeito como o Freixo. Infelizmente, essa gente trabalhadora e sofrida também não tem a Educação que merece, e por isso escolheu um prefeito como o Crivella. E toda escolha tem seu preço...
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O "povo lá de trás" elegeu o prefeito que vai "cuidar" da "vitrine". Que venham as migalhas...
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"Uhu! Crivella! Ô 'bença'! Ô glória" - Gritos de uma vizinha aqui na Abolição. O "povo lá de trás" está contente...
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Crivella ganhou e todos os cidadãos do Rio perderam. É o milagre da multiplicação dos derrotados...
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Maus eleitores. Maus vencedores. Maus cristãos.
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Afinal de contas, o Crivella tem eleitorado ou torcida? Tivemos eleição ou final de campeonato?
Reflexões passageiras sobre socialismo, capitalismo e democracia
Resposta rápida a alguns questionamentos no Facebook:
Para início de conversa, você sabe mesmo o que é socialismo? Sou um socialista muito heterodoxo. Para mim, a democracia vem sempre antes do socialismo. Vejo o socialismo como um conjunto de valores, e não como uma ideologia e, muito menos, um "pacote ideológico" completo. Não acredito em economia planificada, por exemplo - mas também não acho que uma economia de mercado absolutamente desregulada seja boa para ninguém (exceto, talvez, os ricos). Não defendo o socialismo como um "regime político". Costumo, inclusive, brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista, meu estômago é capitalista - e afinal de contas, ninguém vive sem cérebro, coração ou estômago. Para resumir muito minha visão de mundo, creio que o ideal seria termos um mercado forte, um estado mais forte e uma sociedade civil SUPERFORTE, vigiando o Estado e o mercado. Não acredito num estado cuidador (ao contrário do Crivella, por exemplo). Pelo contrário, evoco sempre a sabedoria de Juvenal: "Quem vigia os vigilantes?". Também gosto muito daquele pensamento anônimo, normalmente atribuído a Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". O Estado e o mercado podem (e costumam) se tornar vorazes, e precisam ser cuidadosamente controlados pela sociedade. Concluindo, posso te dizer alguns sentidos em que o socialismo deu muito certo: agradeça aos socialistas, anarquistas, trabalhistas etc do passado por algumas conquistas históricas importantes, como 13º salário, férias remuneradas, previdência social/aposentadoria, licença médica (e outras licenças), escola pública (uma invenção "jacobina"), entre outras coisas que certamente te beneficiam. O capitalismo e o liberalismo seriam insuportáveis se não tivessem incorporado, historicamente, inúmeras demandas vindas do campo da "esquerda". Quanto aos impostos, eles são sempre necessários - a não ser que você prefira viver numa sociedade anarquista, o que deve ser legal pra caramba. O que é extremamente necessário - e não acontece aqui no Brasil - é uma distribuição mais justa e proporcional da carga tributária. A classe média é a mais achatada pelos impostos diretos e indiretos. Por sinal, uma das principais pautas da campanha presidencial de Luciana Genro em 2014 era a reforma tributária.
Para início de conversa, você sabe mesmo o que é socialismo? Sou um socialista muito heterodoxo. Para mim, a democracia vem sempre antes do socialismo. Vejo o socialismo como um conjunto de valores, e não como uma ideologia e, muito menos, um "pacote ideológico" completo. Não acredito em economia planificada, por exemplo - mas também não acho que uma economia de mercado absolutamente desregulada seja boa para ninguém (exceto, talvez, os ricos). Não defendo o socialismo como um "regime político". Costumo, inclusive, brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é anarquista, meu estômago é capitalista - e afinal de contas, ninguém vive sem cérebro, coração ou estômago. Para resumir muito minha visão de mundo, creio que o ideal seria termos um mercado forte, um estado mais forte e uma sociedade civil SUPERFORTE, vigiando o Estado e o mercado. Não acredito num estado cuidador (ao contrário do Crivella, por exemplo). Pelo contrário, evoco sempre a sabedoria de Juvenal: "Quem vigia os vigilantes?". Também gosto muito daquele pensamento anônimo, normalmente atribuído a Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". O Estado e o mercado podem (e costumam) se tornar vorazes, e precisam ser cuidadosamente controlados pela sociedade. Concluindo, posso te dizer alguns sentidos em que o socialismo deu muito certo: agradeça aos socialistas, anarquistas, trabalhistas etc do passado por algumas conquistas históricas importantes, como 13º salário, férias remuneradas, previdência social/aposentadoria, licença médica (e outras licenças), escola pública (uma invenção "jacobina"), entre outras coisas que certamente te beneficiam. O capitalismo e o liberalismo seriam insuportáveis se não tivessem incorporado, historicamente, inúmeras demandas vindas do campo da "esquerda". Quanto aos impostos, eles são sempre necessários - a não ser que você prefira viver numa sociedade anarquista, o que deve ser legal pra caramba. O que é extremamente necessário - e não acontece aqui no Brasil - é uma distribuição mais justa e proporcional da carga tributária. A classe média é a mais achatada pelos impostos diretos e indiretos. Por sinal, uma das principais pautas da campanha presidencial de Luciana Genro em 2014 era a reforma tributária.
Carta aberta a Marcelo Freixo e Luciana Boiteux
Caros Marcelo e Luciana,
serei muito breve. Não sou militante do PSOL, mas apostei em vocês. Desconfio de qualquer liderança, mas apostei em vocês. Lutamos juntos. Acreditávamos que seria possível uma cidade onde os CO-PREFEITOS governassem COM o povo e não "cuidassem" do povo. Infelizmente, ainda nos falta a cultura política necessária para escolher coletivamente esse outro modelo de democracia.
Nossa campanha foi linda. Um grito de alegria, esperança e amor em meio às trevas que ameaçam o Brasil. Um sonho lindo enquanto durou. Mas a verdade é que o sonho não acabou. Ele dura e ainda durará.
Para mim, nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro tem sido palco de muitas lutas e derrotas. Derrota nas eleições de 2012. Derrota nas greves da Educação municipal de 2013. Derrota na greve da FAETEC de 2013. Duríssima derrota na greve da Educação municipal de 2014, com sangrento corte de ponto. Derrota ainda na greve da FAETEC de 2016.
Derrota agora nas eleições municipais de 2016. Digo, todavia, uma coisa: nenhuma derrota foi tão linda quanto esta. Esse segundo turno é derrota, sim, mas tem sabor de vitória. Vitória contra a intolerância, o ódio, a mentira, a agressão. Vencemos Pedro Paulo, Bolsonaro, Osório, Índio.
As urnas mostraram que metade do povo carioca tem medo de mudar. No entanto, também mostraram que outra metade tem esperança de que mudar é possível. Nesse segundo turno, muita gente descobriu que O RIO TEM OPÇÃO. Fiz parte dessa história, e me orgulho muito disso.
Reza a lenda que também Jesus - que o outro candidato cita, mas desconhece - foi crucificado e se ergueu de volta em três dias. Como cristão e pecador que sou, sei que a virtude da esperança brilha mais intensamente nas trevas mais sombrias.
Continuamos juntos. Enquanto vocês permanecerem fiéis aos princípios que guiaram essa campanha eleitoral, estarei ao seu lado. Sigamos em frente. Sequemos as lágrimas, pois quatro anos de luta se avizinham. Nos últimos meses fechamos com Freixo e Luciana. Nos próximos anos, tenho certeza, vocês fecharão com o povo - especialmente com o "povo lá de trás", que o candidato de fala mansa beija e apunhala a um só tempo. Conto com Freixo e com Luciana. Conto com Tarcísio (meu vereador), Marielle, Renato, Paulo, Leonel e David. Estou aqui. Contem também comigo.
Carinhosamente,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA
P.S: Uh, é o Freixo!
serei muito breve. Não sou militante do PSOL, mas apostei em vocês. Desconfio de qualquer liderança, mas apostei em vocês. Lutamos juntos. Acreditávamos que seria possível uma cidade onde os CO-PREFEITOS governassem COM o povo e não "cuidassem" do povo. Infelizmente, ainda nos falta a cultura política necessária para escolher coletivamente esse outro modelo de democracia.
Nossa campanha foi linda. Um grito de alegria, esperança e amor em meio às trevas que ameaçam o Brasil. Um sonho lindo enquanto durou. Mas a verdade é que o sonho não acabou. Ele dura e ainda durará.
Para mim, nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro tem sido palco de muitas lutas e derrotas. Derrota nas eleições de 2012. Derrota nas greves da Educação municipal de 2013. Derrota na greve da FAETEC de 2013. Duríssima derrota na greve da Educação municipal de 2014, com sangrento corte de ponto. Derrota ainda na greve da FAETEC de 2016.
Derrota agora nas eleições municipais de 2016. Digo, todavia, uma coisa: nenhuma derrota foi tão linda quanto esta. Esse segundo turno é derrota, sim, mas tem sabor de vitória. Vitória contra a intolerância, o ódio, a mentira, a agressão. Vencemos Pedro Paulo, Bolsonaro, Osório, Índio.
As urnas mostraram que metade do povo carioca tem medo de mudar. No entanto, também mostraram que outra metade tem esperança de que mudar é possível. Nesse segundo turno, muita gente descobriu que O RIO TEM OPÇÃO. Fiz parte dessa história, e me orgulho muito disso.
Reza a lenda que também Jesus - que o outro candidato cita, mas desconhece - foi crucificado e se ergueu de volta em três dias. Como cristão e pecador que sou, sei que a virtude da esperança brilha mais intensamente nas trevas mais sombrias.
Continuamos juntos. Enquanto vocês permanecerem fiéis aos princípios que guiaram essa campanha eleitoral, estarei ao seu lado. Sigamos em frente. Sequemos as lágrimas, pois quatro anos de luta se avizinham. Nos últimos meses fechamos com Freixo e Luciana. Nos próximos anos, tenho certeza, vocês fecharão com o povo - especialmente com o "povo lá de trás", que o candidato de fala mansa beija e apunhala a um só tempo. Conto com Freixo e com Luciana. Conto com Tarcísio (meu vereador), Marielle, Renato, Paulo, Leonel e David. Estou aqui. Contem também comigo.
Carinhosamente,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA
P.S: Uh, é o Freixo!
Carta aberta a TODOS os eleitores cariocas
Caro cidadão,
as eleições acabaram. Estamos todos no mesmo barco pelos próximos quatro anos. Respeito a decisão de cada um de vocês, embora a vitória de Marcelo Crivella me leve às lágrimas.
Em primeiro lugar, me dirijo aos eleitores de Crivella. Vocês não são meus inimigos. A partir de amanhã seguimos nossa vida em comum. JUNTOS. Seu candidato prometeu que ia "cuidar" de nós. Vocês acreditaram nessa proposta e votaram nela. Ao votar em Crivella, vocês assumiram uma responsabilidade por todos nós. Vocês deram a ele seu voto de confiança. É seu DIREITO. Mas vocês assumiram também um DEVER para os próximos quatro anos - um dever perante todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Antes de qualquer outro cidadão, vocês têm o dever de vigiar, fiscalizar e cobrar de Crivella. Vocês devem criticar tudo aquilo que for condenável em seu governo. Conto com vocês.
Me dirijo ainda aos eleitores que votaram branco, nulo ou não compareceram às urnas. Vocês se abstiveram de escolher, o que é legítimo. Também é seu direito. Mas lembro também, que como qualquer outro cidadão, vocês têm o DEVER de cobrar do prefeito eleito.
Finalmente, falo aos eleitores de Freixo e Luciana. Nós fizemos o possível. Lutamos. Na rua. Na rede. Na raça. Lutamos com amor, alegria, esperança. Perdemos. É hora de seguir em frente. Durante os próximos anos exigiremos MUITO de Crivella. Vigiaremos. Criticaremos. Cobraremos. Protestaremos. Na rua. Na rede. Na raça.
Somos irmãos. TODOS. Irmãos cariocas.
Grande abraço,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA
as eleições acabaram. Estamos todos no mesmo barco pelos próximos quatro anos. Respeito a decisão de cada um de vocês, embora a vitória de Marcelo Crivella me leve às lágrimas.
Em primeiro lugar, me dirijo aos eleitores de Crivella. Vocês não são meus inimigos. A partir de amanhã seguimos nossa vida em comum. JUNTOS. Seu candidato prometeu que ia "cuidar" de nós. Vocês acreditaram nessa proposta e votaram nela. Ao votar em Crivella, vocês assumiram uma responsabilidade por todos nós. Vocês deram a ele seu voto de confiança. É seu DIREITO. Mas vocês assumiram também um DEVER para os próximos quatro anos - um dever perante todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Antes de qualquer outro cidadão, vocês têm o dever de vigiar, fiscalizar e cobrar de Crivella. Vocês devem criticar tudo aquilo que for condenável em seu governo. Conto com vocês.
Me dirijo ainda aos eleitores que votaram branco, nulo ou não compareceram às urnas. Vocês se abstiveram de escolher, o que é legítimo. Também é seu direito. Mas lembro também, que como qualquer outro cidadão, vocês têm o DEVER de cobrar do prefeito eleito.
Finalmente, falo aos eleitores de Freixo e Luciana. Nós fizemos o possível. Lutamos. Na rua. Na rede. Na raça. Lutamos com amor, alegria, esperança. Perdemos. É hora de seguir em frente. Durante os próximos anos exigiremos MUITO de Crivella. Vigiaremos. Criticaremos. Cobraremos. Protestaremos. Na rua. Na rede. Na raça.
Somos irmãos. TODOS. Irmãos cariocas.
Grande abraço,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA
Carta aberta ao prefeito eleito Marcelo Crivella
Caro BISPO Marcelo Crivella,
Infelizmente o senhor foi eleito. Pedro Paulo era a pior opção nessa eleição, e o senhor, a segunda pior. A decisão democrática da maioria deve ser respeitada, mas pode ser lamentada. E eu lamento profundamente.
Por um desses paradoxos brasileiros, o senhor foi eleito pelo "povo lá de trás" para "cuidar" da "vitrine". Foi eleito através de uma campanha eleitoral pavorosa, marcada por boatos anônimos divulgados nas redes sociais, espalhados por difamadores sem nome e sem rosto. Uma campanha escorada nos apoios mais lamentáveis, que me recuso até a mencionar. Uma campanha baseada num programa minúsculo, mal explicado, quase encabulado. Uma campanha marcada pela fuga desesperada de debates, entrevistas e sabatinas - uma campanha que se recusou a prestar esclarecimentos à população.
A população elegeu o pastor de duas caras, fala mansa, coração repleto de veneno e sorriso milionário. Seus eleitores escolheram um sepulcro caiado. Um falso profeta. Um fariseu. Respeito profundamente essa população. E choro. Choro por mim, e choro ainda mais pelos seus eleitores, que compraram gato por lebre. E ouso lembrar-lhe, bispo, o ensinamento do Rabi galileu: Ai daquele que escandaliza os pequeninos!
O senhor foi eleito. É triste, mas é a realidade. Aceito, porque sou fiel à democracia, antes e acima de tudo.
Mas quero deixar um aviso: sou Zona Norte. Sou do "povo lá de trás". Sou professor. Sou historiador. Sou cristão. Sou espírita. Fechei com Freixo. Doei dinheiro. Doei tempo. Doei esforço. E não me arrependo. Perco essa eleição com a consciência tranquila, pois fiz o possível e o impossível.
Hoje é apenas o começo de quatro longos e tristes anos. Estaremos vigilantes. Cobraremos. Nós somos muitos. Somos MILHÕES.
Quase respeitosamente,
Luiz Fabiano Tavares
Infelizmente o senhor foi eleito. Pedro Paulo era a pior opção nessa eleição, e o senhor, a segunda pior. A decisão democrática da maioria deve ser respeitada, mas pode ser lamentada. E eu lamento profundamente.
Por um desses paradoxos brasileiros, o senhor foi eleito pelo "povo lá de trás" para "cuidar" da "vitrine". Foi eleito através de uma campanha eleitoral pavorosa, marcada por boatos anônimos divulgados nas redes sociais, espalhados por difamadores sem nome e sem rosto. Uma campanha escorada nos apoios mais lamentáveis, que me recuso até a mencionar. Uma campanha baseada num programa minúsculo, mal explicado, quase encabulado. Uma campanha marcada pela fuga desesperada de debates, entrevistas e sabatinas - uma campanha que se recusou a prestar esclarecimentos à população.
A população elegeu o pastor de duas caras, fala mansa, coração repleto de veneno e sorriso milionário. Seus eleitores escolheram um sepulcro caiado. Um falso profeta. Um fariseu. Respeito profundamente essa população. E choro. Choro por mim, e choro ainda mais pelos seus eleitores, que compraram gato por lebre. E ouso lembrar-lhe, bispo, o ensinamento do Rabi galileu: Ai daquele que escandaliza os pequeninos!
O senhor foi eleito. É triste, mas é a realidade. Aceito, porque sou fiel à democracia, antes e acima de tudo.
Mas quero deixar um aviso: sou Zona Norte. Sou do "povo lá de trás". Sou professor. Sou historiador. Sou cristão. Sou espírita. Fechei com Freixo. Doei dinheiro. Doei tempo. Doei esforço. E não me arrependo. Perco essa eleição com a consciência tranquila, pois fiz o possível e o impossível.
Hoje é apenas o começo de quatro longos e tristes anos. Estaremos vigilantes. Cobraremos. Nós somos muitos. Somos MILHÕES.
Quase respeitosamente,
Luiz Fabiano Tavares
sábado, 29 de outubro de 2016
Quem ganhou o debate da Globo? (Crivella x Freixo, 28/10/2016)
Um debate que tinha tudo para ser espetacular, mas foi fraquíssimo. Analiso a seguir as estratégias de oratória adotadas pelos dois candidatos, e seus impactos possíveis nas urnas.
Marcelo Freixo
Infelizmente, Freixo não foi muito feliz no plano estratégico, ou seja, no arranjo de sua participação no conjunto do debate. Também falhou no plano tático, escolhendo mal suas intervenções no primeiro e no último bloco.
Freixo atacou demais. Obviamente era necessário cobrar de Crivella explicações e esclarecimentos sobre as graves acusações que pesam sobre sua pessoa e sua candidatura. O cidadão carioca merece saber quem é realmente Marcelo Crivella. Infelizmente, para muitos eleitores, pareceu sujeira e baixaria. Apenas no último bloco Freixo expressou com clareza não estava acusando Crivella, apenas fazendo perguntas e pedindo esclarecimentos. Acho que foi muito tarde: a essa altura, muitos eleitores já deviam ter desligado a TV. Outros já deviam estar muito irritados com a impressão inicialmente causada. Pior ainda, o bispo sabe aproveitar muito bem esse tipo de ataque, fazendo seu costumeiro papel de santinho injustiçado, que convence muitos eleitores desavisados.
Como sempre, Freixo foi impecável em sua argumentação. Freixo é um candidato sensato: suas falas costumam destoar da "estética da indignação" e do estereótipo de "esquerdista raivoso", mas ele não conseguiu passar essa imagem no debate. Queria ter visto mais o Freixo alegre, simpático e sereno dos encontros e comícios. Freixo deveria talvez ter concentrado suas forças na discussão de propostas, uma vez que o programa de Crivella é fraquíssimo: 50 propostas (mal) explicadas em 8 páginas. Freixo deveria ter batido NO PROGRAMA do adversário, mas preferiu bater no bispo. Seria fácil para ele desmantelar as ralas propostas de Crivella.
Por fim, Freixo entrou no debate com a faca nos dentes. Atacou o adversário desde a primeira pergunta, sobre as mulheres. Por sinal, como apontou um amigo evangélico, a pergunta foi muito mal elaborada. Qualquer pastor minimamente preparado saberia se desvencilhar da questão de modo convincente para muitos eleitores - o que Crivella conseguiu fazer. A pergunta ficava numa zona cinzenta entre política e religião, e o bispo transita muito bem por essa zona cinzenta. Há também aí certo despreparo. Dado o panorama desse segundo turno, Freixo precisaria ter se preparado melhor junto a especialistas em religião. A questão emergiria naturalmente, e Crivella sabe usar bem de noções do senso comum que ocultam a intolerância e o fanatismo de seu campo. Há muitas reflexões oportunas no campo do ecumenismo e do diálogo interreligioso, das quais Freixo poderia se apropriar com proveito. A campanha de Freixo foi muito bonita nessa área, reunindo representantes de inúmeras crenças em defesa da pluralidade, do convívio e da tolerância, mas não soube aproveitar todo o potencial desse trunfo. A mistura entre política e religião é o calcanhar de Aquiles de Crivella, mas acho que Freixo abordou esse ponto fraco por um ângulo pouco produtivo.
Começar atacando também é um erro crasso de oratória. Qualquer bom orador sabe que no começo de um debate é necessário captar a benevolência do auditório. Na minha opinião, Freixo deveria ter iniciado com alguma questão menos polêmica, no campo das propostas. Em seguida, aproveitaria as oportunidades de bater em Crivella conforme elas aparecessem espontaneamente no curso do debate. Por fim, deixaria o ataque frontal para o terceiro bloco. Apenas quando já tivesse angariado a simpatia do público partiria para o confronto, tendo uma posição mais confortável para a ofensiva.
Marcelo Crivella
O bispo estava visivelmente desconfortável. Não me recordo de tê-lo visto tão nervoso em qualquer outra ocasião. A tensão de Crivella transparecia em sua linguagem corporal e expressões faciais: movimentos impacientes dos pés, pancadinhas nervosas com as mãos sobre o púlpito, rigidez no maxilar. Não chegou a gaguejar como aconteceu no debate da Rede TV, mas sua fala apresentou inúmeros descarrilamentos de raciocínio que não lhe são habituais.
Forte nas pesquisas, Crivella adotou nitidamente uma postura defensiva, numa estratégia de redução de danos. No debate da Rede TV o bispo chegara a perder o controle, xingando o adversário de modo pouco sutil: "Eu poderia chamar o senhor de canalha, safado, vagabundo... mas não vou chamar". No mesmo debate recorreu ao ineficiente artifício de repetir 4 ou 5 vezes que não governaria com Garotinho - algumas pessoas consideraram ridículo e até infantil.
Dessa vez, Crivella não veio disposto a ganhar votos, apenas a perder o mínimo possível. Por isso mesmo, evitou sistematicamente ataques contra Freixo. Quando atacado, preferiu a evasiva. Não mostrava a MÍNIMA preocupação em apresentar argumentos convincentes às incômodas perguntas do adversário. Crivella sabia que não haveria argumentos convincentes, então persistiu em fazer o papel de vítima caluniada. Por vezes debochava desses questionamentos com piadinhas pouco agressivas, quase "inocentes": "Acho que o Freixo quer virar meu biógrafo" e que tais. Calculo mesmo que essas piadinhas, pouco contextualizadas no debate, já estavam ensaiadas de antemão: o bispo só teve o trabalho de encaixá-las quando julgou oportuno. Vale salientar que Freixo usou, com muita eficiência, outro tipo de humor: mordaz, ácido, satírico. "Zorra Total" contra "Porta dos Fundos"...
Por outro lado, a imagem de bom moço foi reforçada com estratégias típicas de oratória rasteira: elogios rasgados ao adversário, demonstrações exageradas (e falsas) de simpatia. Repetiu ad nauseam que Freixo baixava o nível do debate, enquanto ele levantava. Outra técnica rasteira, usada por qualquer bom vendedor, martelando uma ideia na cabeça dos espectadores pela mera repetição.
Afinal, quem ganhou o debate?
Qualquer orador de bom senso sabe que é impossível "ganhar" um debate: os eleitores fanáticos de Crivella devem ter achado que ele venceu, enquanto os eleitores militantes de Freixo também devem ter achado que foi ele o vencedor.
Assim sendo, cabe destacar que Freixo tinha, nitidamente, os melhores argumentos: coerentes, coesos, consistentes. Por outro lado, Crivella foi muito bem sucedido em manter as aparências. E, infelizmente, muitos eleitores prestam mais atenção às aparências que aos argumentos.
Cada um dos candidatos chegou a esse debate com objetivos distintos. Crivella queria minimizar a perda de votos, para conservar uma margem suficiente para a vitória. Freixo, por sua vez, queria tirar votos do bispo (mesmo que por anulação) e convencer eleitores indecisos a sair do nulo para o 50. Creio que Crivella agiu de modo eficiente para alcançar seu objetivo. Freixo, pelo contrário, talvez tenha tirado muitos votos de Crivella, mas não sei se conseguiu conquistar muitos indecisos.
Quem "ganhou" o debate? Somente as urnas dirão...
Marcelo Freixo
Infelizmente, Freixo não foi muito feliz no plano estratégico, ou seja, no arranjo de sua participação no conjunto do debate. Também falhou no plano tático, escolhendo mal suas intervenções no primeiro e no último bloco.
Freixo atacou demais. Obviamente era necessário cobrar de Crivella explicações e esclarecimentos sobre as graves acusações que pesam sobre sua pessoa e sua candidatura. O cidadão carioca merece saber quem é realmente Marcelo Crivella. Infelizmente, para muitos eleitores, pareceu sujeira e baixaria. Apenas no último bloco Freixo expressou com clareza não estava acusando Crivella, apenas fazendo perguntas e pedindo esclarecimentos. Acho que foi muito tarde: a essa altura, muitos eleitores já deviam ter desligado a TV. Outros já deviam estar muito irritados com a impressão inicialmente causada. Pior ainda, o bispo sabe aproveitar muito bem esse tipo de ataque, fazendo seu costumeiro papel de santinho injustiçado, que convence muitos eleitores desavisados.
Como sempre, Freixo foi impecável em sua argumentação. Freixo é um candidato sensato: suas falas costumam destoar da "estética da indignação" e do estereótipo de "esquerdista raivoso", mas ele não conseguiu passar essa imagem no debate. Queria ter visto mais o Freixo alegre, simpático e sereno dos encontros e comícios. Freixo deveria talvez ter concentrado suas forças na discussão de propostas, uma vez que o programa de Crivella é fraquíssimo: 50 propostas (mal) explicadas em 8 páginas. Freixo deveria ter batido NO PROGRAMA do adversário, mas preferiu bater no bispo. Seria fácil para ele desmantelar as ralas propostas de Crivella.
Por fim, Freixo entrou no debate com a faca nos dentes. Atacou o adversário desde a primeira pergunta, sobre as mulheres. Por sinal, como apontou um amigo evangélico, a pergunta foi muito mal elaborada. Qualquer pastor minimamente preparado saberia se desvencilhar da questão de modo convincente para muitos eleitores - o que Crivella conseguiu fazer. A pergunta ficava numa zona cinzenta entre política e religião, e o bispo transita muito bem por essa zona cinzenta. Há também aí certo despreparo. Dado o panorama desse segundo turno, Freixo precisaria ter se preparado melhor junto a especialistas em religião. A questão emergiria naturalmente, e Crivella sabe usar bem de noções do senso comum que ocultam a intolerância e o fanatismo de seu campo. Há muitas reflexões oportunas no campo do ecumenismo e do diálogo interreligioso, das quais Freixo poderia se apropriar com proveito. A campanha de Freixo foi muito bonita nessa área, reunindo representantes de inúmeras crenças em defesa da pluralidade, do convívio e da tolerância, mas não soube aproveitar todo o potencial desse trunfo. A mistura entre política e religião é o calcanhar de Aquiles de Crivella, mas acho que Freixo abordou esse ponto fraco por um ângulo pouco produtivo.
Começar atacando também é um erro crasso de oratória. Qualquer bom orador sabe que no começo de um debate é necessário captar a benevolência do auditório. Na minha opinião, Freixo deveria ter iniciado com alguma questão menos polêmica, no campo das propostas. Em seguida, aproveitaria as oportunidades de bater em Crivella conforme elas aparecessem espontaneamente no curso do debate. Por fim, deixaria o ataque frontal para o terceiro bloco. Apenas quando já tivesse angariado a simpatia do público partiria para o confronto, tendo uma posição mais confortável para a ofensiva.
Marcelo Crivella
O bispo estava visivelmente desconfortável. Não me recordo de tê-lo visto tão nervoso em qualquer outra ocasião. A tensão de Crivella transparecia em sua linguagem corporal e expressões faciais: movimentos impacientes dos pés, pancadinhas nervosas com as mãos sobre o púlpito, rigidez no maxilar. Não chegou a gaguejar como aconteceu no debate da Rede TV, mas sua fala apresentou inúmeros descarrilamentos de raciocínio que não lhe são habituais.
Forte nas pesquisas, Crivella adotou nitidamente uma postura defensiva, numa estratégia de redução de danos. No debate da Rede TV o bispo chegara a perder o controle, xingando o adversário de modo pouco sutil: "Eu poderia chamar o senhor de canalha, safado, vagabundo... mas não vou chamar". No mesmo debate recorreu ao ineficiente artifício de repetir 4 ou 5 vezes que não governaria com Garotinho - algumas pessoas consideraram ridículo e até infantil.
Dessa vez, Crivella não veio disposto a ganhar votos, apenas a perder o mínimo possível. Por isso mesmo, evitou sistematicamente ataques contra Freixo. Quando atacado, preferiu a evasiva. Não mostrava a MÍNIMA preocupação em apresentar argumentos convincentes às incômodas perguntas do adversário. Crivella sabia que não haveria argumentos convincentes, então persistiu em fazer o papel de vítima caluniada. Por vezes debochava desses questionamentos com piadinhas pouco agressivas, quase "inocentes": "Acho que o Freixo quer virar meu biógrafo" e que tais. Calculo mesmo que essas piadinhas, pouco contextualizadas no debate, já estavam ensaiadas de antemão: o bispo só teve o trabalho de encaixá-las quando julgou oportuno. Vale salientar que Freixo usou, com muita eficiência, outro tipo de humor: mordaz, ácido, satírico. "Zorra Total" contra "Porta dos Fundos"...
Por outro lado, a imagem de bom moço foi reforçada com estratégias típicas de oratória rasteira: elogios rasgados ao adversário, demonstrações exageradas (e falsas) de simpatia. Repetiu ad nauseam que Freixo baixava o nível do debate, enquanto ele levantava. Outra técnica rasteira, usada por qualquer bom vendedor, martelando uma ideia na cabeça dos espectadores pela mera repetição.
Afinal, quem ganhou o debate?
Qualquer orador de bom senso sabe que é impossível "ganhar" um debate: os eleitores fanáticos de Crivella devem ter achado que ele venceu, enquanto os eleitores militantes de Freixo também devem ter achado que foi ele o vencedor.
Assim sendo, cabe destacar que Freixo tinha, nitidamente, os melhores argumentos: coerentes, coesos, consistentes. Por outro lado, Crivella foi muito bem sucedido em manter as aparências. E, infelizmente, muitos eleitores prestam mais atenção às aparências que aos argumentos.
Cada um dos candidatos chegou a esse debate com objetivos distintos. Crivella queria minimizar a perda de votos, para conservar uma margem suficiente para a vitória. Freixo, por sua vez, queria tirar votos do bispo (mesmo que por anulação) e convencer eleitores indecisos a sair do nulo para o 50. Creio que Crivella agiu de modo eficiente para alcançar seu objetivo. Freixo, pelo contrário, talvez tenha tirado muitos votos de Crivella, mas não sei se conseguiu conquistar muitos indecisos.
Quem "ganhou" o debate? Somente as urnas dirão...
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
3 momentos emocionantes da panfletagem
1) Na Cinelândia, um senhor de aparência bem humilde, aparentando pela fala baixo grau de instrução, veio dizer que é evangélico, mas votará em Freixo, porque não tem preconceitos.
2) Na passarela do metrô Del Castilho, uma senhora bem simpática pegou um panfleto do Freixo e me falou ao ouvido, rindo: "Não conta pra ninguém que sou da Universal!"
3) Um senhor muito simpático, trajado no melhor "estilo crente", pegou um panfleto do Freixo, com toda simpatia: "Vou votar no Crivella, mas também gosto quando as pessoas pegam os meus panfletos!"
A tolerância, o respeito, o diálogo e a compreensão podem ser 10 ou 50!
Dossiê: Crivella, Freixo ou Nulo?
A seleção de textos abaixo apresenta textos que me parecem úteis para decidir o voto nesse 2º turno de 2016. Obviamente são apenas as minhas opiniões, mas espero que sejam úteis a todos!
A viúva de Amarildo...?
Temos traumas tão grandes com políticos que, confesso, as notícias
recentes sobre a viúva de Amarildo abalaram minha confiança. Resolvi
pesquisar sobre o caso e cheguei a algumas conclusões.
1) Ainda não vi os tais vídeos, e não sei o que falam.
2) A viúva de Amarildo defendeu publicamente o Freixo. Se agora vier a público fazer acusações, suas palavras estarão em contradição. Testemunhos contraditórios são pouco confiáveis.
3) Por outro lado, o projeto "Somos todos Amarildos" contou com a participação de artistas conhecidos, como Marisa Monte, professores universitários reconhecidos e até do desembargador Siro Darlan. Não acredito que todas essas pessoas seriam coniventes com um esquema corrupto. Fica o testemunho dessas pessoas contra um testemunho contraditório e pouco confiável.
4) Nunca botei a mão no fogo por Freixo, mas sigo acreditando no projeto de cidade proposto por sua candidatura. E é por essas propostas que continuarei nas ruas panfletando!
1) Ainda não vi os tais vídeos, e não sei o que falam.
2) A viúva de Amarildo defendeu publicamente o Freixo. Se agora vier a público fazer acusações, suas palavras estarão em contradição. Testemunhos contraditórios são pouco confiáveis.
3) Por outro lado, o projeto "Somos todos Amarildos" contou com a participação de artistas conhecidos, como Marisa Monte, professores universitários reconhecidos e até do desembargador Siro Darlan. Não acredito que todas essas pessoas seriam coniventes com um esquema corrupto. Fica o testemunho dessas pessoas contra um testemunho contraditório e pouco confiável.
4) Nunca botei a mão no fogo por Freixo, mas sigo acreditando no projeto de cidade proposto por sua candidatura. E é por essas propostas que continuarei nas ruas panfletando!
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Crivella e a "resposta das urnas"
-Quem quebrou essa vidraça?
-Meus eleitores responderão nas urnas, Mamãe!
***
-Que marca de batom é essa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, querida...
***
-Você pegou o dinheiro do caixa?
-Meus eleitores responderão nas urnas, chefe...
***
-Quem fez esse cocô no tapete da sala?
-Au au au! (Tradução: "Meus eleitores responderão nas urnas...").
***
-Você me ama de verdade?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Por que suas respostas da prova estão iguais às do Juquinha?
-Meus eleitores responderão nas urnas, profe...
***
-Isso são horas de chegar em casa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, papai...
***
-Você gostou do presente?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Já fez a lição de casa?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Também foi sua primeira vez?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Por que o senhor tem medo de debates, entrevistas e sabatinas, candidato?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
RESPONSABILIDADE é o dever de RESPONDER pelos próprios atos. Quando Crivella diz que seus eleitores "responderão nas urnas", ele está TRANSFERINDO suas responsabilidades ao eleitor. VOCÊ quer mesmo ASSUMIR essa responsabilidade POR ELE?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, Mamãe!
***
-Que marca de batom é essa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, querida...
***
-Você pegou o dinheiro do caixa?
-Meus eleitores responderão nas urnas, chefe...
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-Quem fez esse cocô no tapete da sala?
-Au au au! (Tradução: "Meus eleitores responderão nas urnas...").
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-Você me ama de verdade?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
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-Por que suas respostas da prova estão iguais às do Juquinha?
-Meus eleitores responderão nas urnas, profe...
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-Isso são horas de chegar em casa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, papai...
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-Você gostou do presente?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
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-Já fez a lição de casa?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
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-Também foi sua primeira vez?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
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-Por que o senhor tem medo de debates, entrevistas e sabatinas, candidato?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
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RESPONSABILIDADE é o dever de RESPONDER pelos próprios atos. Quando Crivella diz que seus eleitores "responderão nas urnas", ele está TRANSFERINDO suas responsabilidades ao eleitor. VOCÊ quer mesmo ASSUMIR essa responsabilidade POR ELE?!
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