Siga a Oficina no seu e-mail!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ah, la barbe!

Fui hoje a um barbeiro novo, porque o antigo resolveu que não faz mais barba - o que me parece quase surrealista. Um barbeiro que não faz barba é quase como um açougueiro vegetariano. Lá se vão os alegres tempos em que se podia contar com um bom barbeiro para barba, cabelo, bigode, sangria, sutura, amputação e extração dentária.

Enfim, há que se ter alguma resignação quanto aos fados da vida: fui a um novo barbeiro. O camarada - muito simpático, por sinal - me aprontou um corte de cabelo super moderninho que não tem nada a ver comigo. Me sinto como um sobrevivente tardio de uma época que não vivi. Nasci anacrônico e meu mundo se parece cada vez menos com o que ele nunca foi. Ai!

Ando há mais de 10 anos na orfandade capilar. Cortei o cabelo durante 20 anos com um barbeiro que, se ainda estiver vivo, está com 98 anos. Infelizmente as pessoas precisam parar de trabalhar em algum momento da vida. Um cavalheiro como não se faz mais; nunca haverá outro barbeiro como ele.

Shiva derrama uma lágrima para cada coisa que desaparece em sua vertiginosa dança...

Nenhum comentário: