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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O mundo mais perto do chão

Lindo texto do amigo Marcos Passini

Tem muita coisa que meu filho muito pequeno me ensina, com aquele olhar diferente - afinal, olha o mundo a meio metro de altura - de atenção às coisas pequenas, como um insetinho morto no chão, que pega com os dedinhos e me mostra ou põe na boca... São coisas pequenas que não vejo normalmente porque meus dedos são grandes demais para pegar, meus olhos estão alto demais ou (deve ser isso) estou com pressa demais.

Se você, como eu, já tem aquela idade em que a vida é estável, tem um emprego estável e uma casa sua, então os anos devem estar cada vez mais parecidos. Sabe tentar lembrar quando mesmo foi que isso ou aquilo aconteceu, em que ano foi, e descobrir que foi há muito mais tempo do que imaginava? Pois é, o tempo é isso, é uma coisa que passa por nós cada vez mais rápido, deixando menos de si mesmo.

Bom, se você é desses que não anda vendo o tempo passar, saiba que ter uma criança crescendo por perto muda tudo. Fotos de poucos meses atrás são tão diferentes, há mudanças em tudo, no rosto, na expressão (sempre, a cada dia, mais inteligente), no tamanho (como crescem rápido!).

Agora, se você é desses que tem cada vez mais coisas para fazer no tempo que é cada vez menos, e se ainda por cima está numa idade em que certas coisas tomam mais tempo do que antes, estão experimente levar seu pequeno de um aninho, que já saiba andar (se não tiver um, peça emprestado, pais adoram ganhar umas horinhas de folga) a dar uma volta pela rua. Mas só vale de mãos dadas, sem colo.

Primeiro, para ele poder te acompanhar, com os passinhos curtos, vai ser preciso andar muito devagar. Para quem tem cada vez menos tempo para fazer cada vez mais coisas, é um exercício e tanto. Não adianta ter pressa porque o tempo é o dele.

Depois, vai descobrir que ele, além de andar devagarzinho porque tem perninhas pequenas, ainda por cima não anda em linha reta. Vai atrás de um passarinho que viu aqui, de outra criança que viu ali, de uma vitrine colorida, de qualquer coisa porque, para ele, a vida é nova e tudo é novo e interessante e fascinante.

Vá com ele. Olhe tudo o que ele olhar, esforce-se para levar quinze minutos para caminhar um quarteirão, tente olhar o mundo de meio metro de altura. Se a ansiedade e a pressa e as muitas coisas e o pouco tempo deixarem, vale a pena.

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