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sábado, 24 de setembro de 2016

Notórios saberes

Texto do amigo Tiago de Souza

Afinal, o tal "notório saber" funciona apenas para certos casos? Pra ser professor de música o notório saber basta. Pra ser professor de História não? O que vale é a perícia ou um diploma?

Quem vai dar o "diploma" de "notório saber"? A academia, o governo ou a comunidade?

Qualquer um pode ser professor? Qualquer um não pode ser professor?

Aluno sabe o que quer? Até onde vai a autonomia de um estudante que hoje quer pular o muro e amanhã está no mestrado?

Foi a Dilma ou foi o Temer?

Os índios vão poder dar aula de História do jeito que eles quiserem ou vão ter que cantar a narrativa do vencedor?

Quanto um "notório saber" deve valer no contracheque?

Um engenheiro de notório saber em Geografia vale mais que um doutor em Geografia?

Quem tem notório saber pode organizar o currículo com os "especialistas" do governo?

Porque só na educação tem notório saber? Que tal usar o mesmo argumento na engenharia, no Direito, na Psicologia, na MEDICINA?

Porquê a matemática é eterna e a filosofia não? Porquê quem gosta de jogar bola tem que estudar polinômios? Porquê não temos aula de retórica e Direito mas estudamos Guerra dos 100 anos?

Perguntas (muitas delas contraditórias...) de um cara que é formado, mas que ganha mais dinheiro com o "notório saber" do que com o diploma.

Perguntas de um cara que quase levou uma cadeirada de um aluno, que muitas vezes, diante de uma sala repleta de mal educados protegidos pelos pais, tentava explicar como foi o atentado que deu origem a Primeira Guerra, que já teve que ficar calado diante de um papo furado porque quem falava era um "notório saber" que tem anos de experiência no mercado e "você está chegando agora", que acha um absurdo que pessoas que não saibam nem ler o idioma básico da sua área posem de professores, de um cara que está de saco cheio de TODOS os políticos que tem "notório saber" em cambalachices e de um povo de "notório desaber" que fica empunhando argumentos pra defender esses cambalacheiros de direita, esquerda e qualquer direção e que atualmente acha muito estranho pessoas que na hora de falar de negros, gays e afins gritam sobre o tal "lugar de fala" e obrigam quem não é da tal "categoria" a calar a boca mas se acham com "notório poder" pra falar o que bem entende sobre uma realidade que não vivem.

Perguntas feitas por um notório "sem saber".

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