terça-feira, 19 de abril de 2016

Muros

A tragédia brasileira é que andamos sempre perdidos entre o ódio à política e a política do ódio.

Como socialista, fico sempre chocado em ver como certas parcelas das esquerdas flertam com a intolerância e o autoritarismo.

A diversidade de retóricas, discursos e perspectivas é essencial à democracia. O binário "só existem dois lados" só pode levar ao sufocamento da pluralidade e ao enfraquecimento do diálogo, em benefício de oportunismos partidários.

O "desce do muro" fica mais perto da guerra que da política.

É muito mais difícil se equilibrar "em cima do muro", mas talvez se enxergue mais longe. Tudo tem seu preço. Precisamos, todavia, entender que há quem prefira "escolher um lado" simplesmente porque não se aguenta em pé sem a estabilidade do chão - não todos, é claro. Por sinal, se está sempre mais estável de joelhos, como os crentes, ou deitado, como os mortos. Apenas a morte ou a crença cega trazem certezas absolutas nessa vida.

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