sábado, 16 de abril de 2016

É GOLPE ou não é?!

Nunca fui petista, mas já votei inúmeras vezes no PT. O PT no qual votei não existe mais; me pergunto até se ele realmente existiu algum dia. 

Quanto ao impeachment, sou contra, não acho que seja bom para o Brasil. Gostaria de ver o PT derrotado em 2018, mas não torço para que seja derrubado em 2016, principalmente em favor de Temer & cia. 

Todavia, confesso que a retórica do "golpe" AINDA não me convenceu. Os argumentos jurídicos de AMBAS as partes me parecem excessivamente escorados em tecnicalidades jurídicas escorregadias. Por via das dúvidas, acho que o impeachment deveria ser evitado, mas não sei dizer se o rótulo de "golpe" é adequado. 

Por sinal, penso nos "coups de majesté" assinalados por historiadores do antigo regime francês e me pergunto se não caberia falar em diversos "golpes de majestade" efetuados pelo governo nos últimos anos, desde as traições aos movimentos sociais. 

Em 2014 vi amigos e conhecidos sendo perseguidos às vésperas da final da copa. Passei um fim de semana inteiro esperando a hora que a polícia bateria à minha porta, pelo "crime" de fazer greve. Tudo arquitetado sob a batuta do poder fluminense. Naquela semana aguardei - em vão - que o PT e suas lideranças se pronunciassem "em defesa da democracia". Poucos dias antes, por sinal, fora descontado ilegalmente por participar da greve da SME. Recebi apenas R$ 48,00; alguns colegas receberam centavos. Me lembro MUITO bem em quais palanques Lula andou nas eleições de 2009 e 2012. Mais uma vez, o Partido "dos Trabalhadores" permaneceu calado. 

Naquela semana fomos espancados em nossos direitos civis, duramente "golpeados" sob o olhar complacente de Dilma, Lula e PT. 

E o "massacre da Cinelândia", em 2013?!

E Belo Monte? Repito: E Belo Monte?

E BELO MONTE?!

Como bem sabiam os pensadores da Idade Moderna, a tirania pode muitas vezes se travestir de legalidade. Os tiranos de todos os partidos usam a legalidade sempre que possível, e recorrem à ilegalidade sempre que necessário. 

Não apoio nem desejo o impeachment, mas não me sinto minimamente comovido ou convencido a gritar "não vai ter golpe"

Talvez eu me arrependa futuramente; agora, não: o PT me deu ótimos e abundantes motivos para NÃO defendê-lo.

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