Newsletter

Sua assinatura não pôde ser validada.
Você fez sua assinatura com sucesso.

Oficina de Clio - Newsletter

Inscreva-se na newsletter para receber em seu e-mail as novidades da Oficina de Clio!

Nous utilisons Sendinblue en tant que plateforme marketing. En soumettant ce formulaire, vous reconnaissez que les informations que vous allez fournir seront transmises à Sendinblue en sa qualité de processeur de données; et ce conformément à ses conditions générales d'utilisation.

domingo, 30 de setembro de 2018

Alternativa final: Ciro

Desde ANTES do atual processo eleitoral, uma coisa estava muito clara para mim: a pior alternativa para o Brasil nessas eleições seria Bolsonaro; a segunda pior alternativa seria um QUINTO mandato do PT (com Lula, Haddad ou quem quer que fosse).

Minha única certeza desde o princípio era que, no segundo turno, votaria em QUALQUER UM contra Bolsonaro - é imprescindível para a República e a Democracia manter esse homem longe da Presidência.

De resto, não gosto de nenhum dos candidatos disponíveis nessa eleição presidencial, então meu voto fatalmente iria para o "menos pior".

Para todos os efeitos, minhas cartas para o primeiro turno eram Ciro, Marina ou Nulo. Após longa avaliação, cheguei à conclusão que Marina seria a alternativa "menos pior" - infelizmente, as chances de Marina passar para o segundo turno parecem cada vez mais remotas.

Assim sendo, resta-me uma última alternativa VIÁVEL: votar em Ciro, na esperança de tirar Haddad ou (com muita sorte) Bolsonaro do segundo turno.

Tenho muitas ressalvas quanto a Ciro, mas ao menos ele tem um programa de governo consistente e vasta experiência política, inclusive no Executivo. Voto com pouco entusiasmo, mas me parece o menor dos males.

CONCLUSÃO: No primeiro turno, voto em Ciro; no segundo turno, voto em qualquer um contra o Bolsonaro - até no Haddad, se necessário for.


Haddad - Aposta de risco

Todo voto é uma aposta; algumas apostas são mais arriscadas que outras. 

Votar em Haddad é aposta de alto risco, considerando a conjuntura eleitoral: há grande aversão ao PT, e isso favoreceria Bolsonaro contra Haddad no 2o turno. 

Caso eleito, Haddad provavelmente enfrentará forte oposição: governará com grande dificuldade, teremos 4 anos de grave instabilidade e talvez o Brasil chegue a 2022 ainda pior. Haddad será refém do "centrão" mais do que Dilma o foi em seu segundo mandato (que sabemos como terminou) - sem contar que é impossível imaginar qual será a configuração do Congresso após essas tumultuadas eleições. 

A não ser que Haddad no poder opere milagres, as eleições de 2022 tenderão a ser ainda mais marcadas por candidaturas de viés autoritário: Bolsonaro pode voltar ainda mais forte...

P.S.: Caso o segundo turno infelizmente venha a ser Haddad x Bolsonaro, obviamente fico com o menor dos males - voto em Haddad. Mas apenas no segundo turno, fique bem claro.


Bolsonaro: Eterna gratidão

Devemos ser eternamente gratos ao Capitão Jair Bolsonaro pelos serviços que presta à República Federativa do Brasil. Bolsonaro escancarou à luz do dia, com clareza e nitidez, as tremendas limitações da democracia no Brasil. Graças a ele podemos ver com absoluta acuidade os espectros de autoritarismo que ainda nos rondam e ameaçam nossa frágil democracia. Fica o desafio para todos os cidadãos, instituições, partidos e políticos: o que podemos e devemos fazer nas próximas DÉCADAS para consolidar, aprofundar e plenificar nossa democracia? Supondo, é claro, que nossa democracia sobreviva à presente conjuntura...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Equações brasileiras

Versão petista (Ensino Médio):

Prosperidade coletiva (2002/2012) = PT+Lula+Dilma

Versão completa (Universidade):

Prosperidade coletiva (2002/2012) = (Mercado internacional favorável × 1.000)+ efeitos tardios do Plano Real+Lula+PT+PMDB+centrão fisiológico+Mensalão+"pactos de governabilidade"+Dilma+Temer+máfia de empreiteiras+Cabral+Paes+"legado da Copa"+"legado olímpico"+etc+etc+etc

Diagnóstico

Você percebe que a educação pública vai mal quando um dos MELHORES alunos de uma turma de oitavo ano escreve "América Centrau".

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Azul contra azul

Tudo que digo tem múltiplos sentidos.
Teço meus tapetes apenas para puxá-los depois.
Sou mosca-aranha, capturada na própria teia.
Sou como o macaco que devora onças.
Meu rosto sempre esconde uma máscara.
Minhas mentiras são absolutamente verdadeiras, e minhas realidades inteiramente sonhadas.
Sujeito, porque objeto; objeto porque suspeito.
Sou nuvem e rio; bota e estrada; sol, chuva e arco-íris.
Azul contra azul, vejo as estrelas atrás do sol.
Vejo apenas o nascer do sol que se põe.
Todos os meus sentidos têm múltiplos dizeres.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Indexando

Coisas que se lê na Internet: "Não li o livro, pois não sou obrigada. Leio apenas o que me agrada, ao contrário dessa gente que elogia autores consagrados mesmo sem ter lido". Como se houvesse mérito maior em criticar uma obra sem lê-la que em elogiá-la sem lê-la.

O direito de não ler qualquer livro é incontestável, mas seria uma gentileza poupar a terceiros o dissabor de ler uma crítica literária politicamente engajada sobre uma obra não-lida - sem qualquer fundamento, portanto.

"Não li, não gostei, mas acho inaceitável que tal livro exista, pois supostamente viola os sacrossantos preceitos de nossa iluminada militância". Alguns grupos ditos "progressistas" possuem uma lógica realmente inquisitorial...

domingo, 16 de setembro de 2018

Tempos indecentes

É difícil ser uma pessoa decente em tempos tão indecentes. É difícil proteger o coração das emoções violentas que nos assediam e proteger nossa mente de todos os pensamentos de ódio que nos assaltam. Que não nos faltem as forças morais para resistir ao turbilhão que nos arrasta. Que nenhum de nós se torne apenas mais um no meio das multidões enfurecidas. Que coração e mente se preservem serenos, generosos, fortes e esperançosos. Que nessa caótica maré possamos ser rochedos seguros para aqueles que precisam de nosso apoio.

sábado, 15 de setembro de 2018

O Golpe que não era Golpe, muito pelo contrário

Depois de muita gritaria, "Não passarão!!!", "Fora, Dilma!!!", "Fica, Dilma!!!", "Não vai ter golpe!!!", "Tchau, Querida!!!", "Fora, Temer!!!", "Lula Livre!!!" e que tais, retornamos à boa e velha política do deixa-disso:

"Em 15 estados, PT se alia a partidos que apoiaram impeachment".

"Golpe é uma palavra um pouco dura".

Afinal de contas, os únicos golpeados sempre somos nós, cidadãos desse belo país tropical.




O que mais faz falta na política hoje é CRIATIVIDADE. 

Passamos muito tempo brigando por requentadas receitas do século XIX, vagamente temperadas no século XX, apegados a rótulos que mal fazem sentido nos dias de hoje. 

Quem terá a coragem de pensar alternativas para o século XXI?

O Brasil como Milagre

Hoje eu conversava com uma turma de 3º ano muito querida sobre a catástrofe do Museu Nacional e seus significados. Conversamos sobre a magnitude do acervo perdido, sobre a escarninha fleuma dos governantes, sobre a indiferença do povo brasileiro, que sempre assiste "bestializado" suas próprias tragédias.

É uma turma muito pequena, com cerca de 15 alunos, e o tom da conversa era intimista. São meninos inteligentes, curiosos e questionadores. A partir de certo momento o debate foi se tornando mais e mais angustiado, como se fôssemos coletivamente tomados por uma sensação de desesperança, descrença, desencanto. A certa altura, um rapaz, de sobrenome britânico e fisionomia muito brasileira, indagou em tom quase suplicante:

"Mas professor, o que NÓS podemos fazer? Como mudar tudo isso? Sabemos quais são os problemas, mas onde está a solução?"

O que eu poderia dizer que acalmasse semelhante inquietação? Haveria resposta honesta a dar? Meus primeiros pensamentos se dirigiram para aqueles clichês que repetimos incessantemente: votar de modo mais consciente, cobrar atitudes de nossos governantes, protestar contra os abusos e injustiças -mas eu sentia que a angústia de meu aluno exigia outro tipo de resposta.

Após breve pausa, com a voz embargada, respondi: "Aquele museu era um milagre". Os jovens me olhavam surpresos. Continuei desenvolvendo minha intuição.

Sim, é um milagre que um país constitua o quinto maior museu do mundo quase por acaso, quase sem querê-lo, quase sem incentivos substanciais, como se fosse possível fazer algo dessa monta por um feliz acidente. É realmente um milagre que uma instituição tão abandonada pelo poder público durante sucessivas décadas tenha conseguido desenvolver alguns programas de pesquisa com projeção MUNDIAL.

É facílimo entender o Louvre, mas é quase impossível explicar o Museu Nacional. É mais fácil compreender o incêndio que acreditar em tudo que aquela instituição conseguiu realizar ANTES do incêndio.

Aquele Museu era como uma tulipa cultivada no deserto. 

O milagre, ali, era o esforço somado de gerações de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, oferecendo o melhor deles mesmos apesar das circunstâncias que sempre estiveram muito longe do ideal.

Mas, aprofundando essa intuição, o próprio Brasil, tal como o conhecemos, seria também um milagre. Refletindo sobre nossa História, nosso passado de extermínio indígena, colonização, escravidão, só resta uma conclusão: somos um povo de sobreviventes. Desde 1500, 1822, 1889, somos um povo que sobreviveu a seus próprios governantes. Que sobreviveu e, em alguma medida, prosperou.

Observemos, por exemplo, nosso ainda precário sistema educacional (tanto público quanto privado). Há cerca de 100 anos, em nossa nascente República, menos de 10% da população era alfabetizada; hoje, com todos os seus defeitos, a maior parte de nossa população tem acesso à escolaridade básica. Apesar de todas as deficiências qualitativas, o avanço quantitativo é inegável. Para 100 anos, é um verdadeiro salto. Mais importante, um salto dado a toque de caixa, empurrando com a barriga, apesar do costumeiro descompromisso dos governantes e da habitual falta de cobrança e interesse da população como um todo.

Da mesma forma, nossa primeira universidade ainda não completou 100 anos, mas hoje temos universidades espalhadas por todos os cantos do país, públicas ou privadas (com nítida superioridade qualitativa das públicas). Apenas o Estado do Rio de Janeiro possui 6 universidades estaduais ou federais, formando profissionais de altíssimo nível - sem falar em nossa ampla rede de escolas técnicas públicas, que funcionam com excelência, apesar das incoerências e desvarios de nossos governantes.

Se olharmos bem, nosso país consegue e conseguiu muita coisa, em vários setores, apesar da absoluta inconsistência de nossas políticas públicas ao longo de gerações e gerações e apesar da doentia carência de espírito cívico do brasileiro médio.

Suponho que entre as razões de tais "milagres" estejam nossa grandeza territorial, nossa assombrosa riqueza de recursos naturais e nossa (moderada) pujança demográfica. Há alguma verdade na mitológica afirmação de Caminha sobre essa terra onde "se plantando tudo dá", bem como no verso de nosso hino que sustenta ser o Brasil "gigante pela própria natureza".

Nossos variados recursos são de tal modo vultosos que, mesmo mal aproveitados, empregados muito abaixo de seu pleno potencial, rendem resultados muito superiores à real proporção dos esforços coletivos mobilizados. Os frutos são magníficos, apesar da incúria dos cultivadores. O Brasil avança, devagar e sempre, aos trancos e barrancos, apesar do precário, vacilante e sinuoso empenho do povo brasileiro.

Em muitos momentos, tomados por delírios de grandeza imediata, nos embrenhamos em constantes ilusões e desilusões, sequiosos por um futuro que nunca chega. Desde o século XIX muitos brasileiros e estrangeiros enxergaram nosso evidente potencial, consagrando a imagem tardiamente eternizada pelo austríaco Stefan Zweig no título de um livro mais citado que lido: "Brasil - País do Futuro".

Ao cabo dessa longa e um tanto exaltada digressão, olhei pausadamente para a turma e, fixando o aluno que fizera a angustiada pergunta, concluí minha atabalhoada reflexão: um dos maiores desafios para nós, brasileiros, é reconhecer plenamente nosso potencial e realizá-lo - passar da simples potência ao ato, de modo consciente, empenhado, persistente, dedicado, consistente. É transfornar o Brasil no país do Presente, realizar mais "milagres" como o Museu Nacional.

E também reconhecer aquilo que temos de mais valioso antes que seja tarde demais. Infelizmente precisamos de um trágico incêndio para "descobrir" que nós - esse povo bárbaro, inculto, desvalido - éramos donos do quinto maior museu do mundo. Precisamos entender onde está nosso Passado, onde se enterram nossas raízes - pois qualquer tempestade derruba uma árvore com raízes fragilizadas.

Precisamos ser um Brasil completo, com Futuro, Presente e Passado.

A aula já tinha acabado. Era hora do recreio. Abandonamos a sala silenciosos e pensativos.

Minha última foto do Museu Nacional, tirada de uma sacada do terceiro andar, 5 dias antes da catástrofe.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Parece cada vez mais evidente: General Mourão é mais perigoso que Capitão Bolsonaro...

Viajando

"A droga é uma maravilha. Graças às drogas eu conheci muitos lugares, viajei o Brasil inteiro".

Taxista hippie que eu peguei muitos anos atrás. Lembrei dessa conversa louca agora à noite e fiquei rindo sozinho. Esse mundo tem cada figura!


Quem ri por último

Entender piadas sobre política não significa realmente compreender algo sobre política. Eis a tragédia nesses tempos de política-por-memes: acaba vencendo o circo com os melhores palhaços - que riem, eles mesmos, do respeitável público. E assim vamos, a cada eleição, transformando o Brasil no maior espetáculo da Terra...

"Why so serious?"

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Credo!

Senhor da vida e da morte, Bolsonaro está acima do bem, do mal e tudo que há no meio.
Zênite e Nadir, é dia ensolarado e noite estrelada.
Bolsonaro é Pai de Bolsonaros, raiz e fruto.
Fogo, Ar, Água, Terra e Espírito.
Bolsonaro transcende a Lei e o Rei - é fim, meio e começo.
Jair é Messias, e o Messias é Bolsonaro.
Amen!

(Antigo hino pagão encontrado nas ruínas de um império decadente)