domingo, 26 de janeiro de 2020
sábado, 25 de janeiro de 2020
O Brasil é real?
Parece que cada vez mais nossa Ilha de Vera Cruz se transforma para tornar reais as quimeras dos exploradores e cartógrafos quinhentistas.
Sabarabuçu é logo ali...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Perspectivas Fluminenses
O otimista vê o copo d'água meio contaminado.
O pessimista vê o copo totalmente contaminado.
O galhofeiro ri, para não chorar...
O pessimista vê o copo totalmente contaminado.
O galhofeiro ri, para não chorar...
Buraco sem fundo
A cada novo mandato executivo e a cada nova legislatura acho que chegamos ao fundo do poço. O mandato e a legislatura seguintes, no entanto, sempre me mostram que o buraco pode ser mais embaixo.
Ao sustentar que "pior que tá, não fica", o eminentíssimo Dr. Tiririca desconsiderava a Teoria da Relatividade Política Geral...
Diante das novas desgraças, chego a sentir saudades das anteriores. Não há fundo do poço para quem se vê tragado por um buraco negro...
São Einstein que nos proteja!
Ao sustentar que "pior que tá, não fica", o eminentíssimo Dr. Tiririca desconsiderava a Teoria da Relatividade Política Geral...
Diante das novas desgraças, chego a sentir saudades das anteriores. Não há fundo do poço para quem se vê tragado por um buraco negro...
São Einstein que nos proteja!
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| No fundo do buraco negro há outro buraco negro... |
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
América: Besta Colonial
América:
Besta Colonial,
Diabólico Experimento,
Ferida Gigante,
História Indecente
Juntas Loucas,
Meretrizes Nuas;
Príncipes Oportunistas,
Querendo Riquezas
Sinistro Território,
Ultraje Venal,
Xepa Zangada
Zumbi Xenófobo,
Vítima Usada,
Triste, Saqueada
Rios Quentes,
Pelos Óbitos
Nas Matas
Livres Jaguares,
Indígenas Homicídios;
Gente Ferrada,
Escravos, Delitos
Colonizada,
Bestial,
América
Besta Colonial,
Diabólico Experimento,
Ferida Gigante,
História Indecente
Juntas Loucas,
Meretrizes Nuas;
Príncipes Oportunistas,
Querendo Riquezas
Sinistro Território,
Ultraje Venal,
Xepa Zangada
Zumbi Xenófobo,
Vítima Usada,
Triste, Saqueada
Rios Quentes,
Pelos Óbitos
Nas Matas
Livres Jaguares,
Indígenas Homicídios;
Gente Ferrada,
Escravos, Delitos
Colonizada,
Bestial,
América
Delírios Anarcocapitalistas
E se o dono da rodovia privada quiser me cobrar pedágio, meto um míssil balístico nele e na cidade empresarial [sic] dele!
E eu achava que com Olavo de Carvalho já tínhamos encontrado o fundo do poço... O buraco sempre é mais embaixo.
E eu achava que com Olavo de Carvalho já tínhamos encontrado o fundo do poço... O buraco sempre é mais embaixo.
Das boas maneiras
Certos políticos brasileiros precisam, antes de tudo, aprender lições muito básicas de boas maneiras - por exemplo, que é "feio" comemorar a morte de outros seres humanos, por pior que se julgue o defunto; inclusive aprendi isso com meu avô, que matou gente na II Guerra, mas era um homem muito educado, um verdadeiro gentleman em quase todos os sentidos do termo. Começaria dando-lhes O processo civilizador, de Norbert Elias, para ler (supondo que sejam devidamente alfabetizados) e, quem sabe, entender que a etiqueta deles está cerca de 600 anos desatualizada.
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| A alguns faltam até as mais elementares "manières de table"... |
Assuntos relacionados:
Brasil,
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Permanências culturais,
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domingo, 5 de janeiro de 2020
sábado, 4 de janeiro de 2020
O que penso do Brasil
Reflexão adaptada de correspondência pessoal
Quanto ao que penso do Brasil... Olha, nem sei mais o que pensar!
Estou concluindo a leitura de um livro sobre Euclides e Canudos (Euclidiana, de Walnice Nogueira Galvão) e muitos elementos me deixaram profundamente pensativo sobre as correntes mais "subterrâneas" de nossa formação nacional. Uma das coisas que me "chocou" foi me dar conta do quão próximos ainda estamos de Canudos - nunca tinha me apercebido de que o Arraial de Canudos foi esmagado em outubro de 1897 - minha bisavó, que cheguei a conhecer, nasceu dois meses depois. Entre Canudos e nós, há poucas gerações.
Me fez pensar num vizinho de minha avó, que já nos anos 1950 dizia que a situação do Brasil era "culpa da Princesa Isabel" - o mundo à beira da corrida espacial e o sujeito ainda não tinha digerido a Abolição! Fico pensando que esse camarada deixou por aí filhos e netos, cuja formação cívica bem imaginamos. Não duvido que esses 20-30% de eleitores ultrabolsonaristas sejam simbolicamente netos desse vizinho de minha avó.
Voltando a Canudos, o livro tem um ensaio muito interessante acerca da correspondência do barão de Jeremoabo, um figurão baiano da virada do Império para a República, que tinha quase 60 fazendas só na Bahia, mais algumas em Sergipe, influência na política nacional, uma vasta rede de compadrio e muitos correspondentes em território baiano. Entre a correspondência passiva do barão se encontram verdadeiras barbaridades no que concerne a Canudos.
Em uma das cartas mais chocantes, um dos missivistas se revelava descontente com o fim da campanha - segundo ele, o Exército "degolou pouco"; pior ainda, lamentava que as mulheres e crianças sobreviventes do arraial tivessem sido poupadas, pois representariam apenas despesas para o Estado. O mais chocante não é a carta em si, mas o fato de quão atual ela soa aos nossos ouvidos. Não é substancialmente diferente do que vemos por aí na Internet, nas redes sociais, no jornalismo policial, em certas igrejas neopentecostais ou até nas tribunas parlamentares. Consigo perfeitamente imaginar certos políticos brasileiros articulando o mesmo tipo de pensamento que o obscuro correspondente do barão de Jeremoabo.
Nosso passado é sombrio e deixou em nossa formação cultural sombras que se projetam com redobrada força ao menor sinal de crise, como feras sempre ameaçando fugir da gaiola onde sustentamos temporariamente a ilusão de tê-las definitivamente aprisionado. Há em nossa cultura (et pour cause) uma pulsão de morte que, até agora, não fomos capazes de domesticar. O Brasil de Bolsonaro, penso eu, é apenas um epifenômeno derivado desses traços culturais de longuíssima
duração.
Me pego pensando em Sérgio Buarque de Holanda, que dizia que uma das tarefas do historiador seria "exorcizar os fantasmas do passado". É um desafio e tanto. Precisamos cultivar uma mentalidade mais saudável. Provavelmente seria obra de séculos e talvez seja empreendimento além das forças humanas, mas, como pessimista esperançoso que sou, estimo ser preferível morrer tentando, como "o velho louco que desejava mover as montanhas", do folclore chinês.
Enfim, é o que consigo pensar do Brasil no presente momento.
Post-Apocalypse Now
Hoje, pela janela do táxi, como numa tela, vi um pedinte na Radial Oeste, já um tanto idoso, talvez precocemente envelhecido pelas durezas da vida. Sem camisa, corpo e rosto exibiam as marcas da miséria e da indigência. Aquele homem, nitidamente, é um sobrevivente do construto barroco e surrealista que costumamos chamar "Brasil", simbolicamente - talvez literalmente - descendente dos "desclassificados" e "indesejáveis" de outrora.
Em nossa fantasia, gostamos de imaginar futuros "pós-apocalípticos", onde alguma catástrofe qualquer (guerra nuclear, epidemia, colapso ecológico...) reduz a humanidade inteira à condição de miséria extrema, sobrevivendo como pode nos destroços da civilização ocidental. Em nossas confortáveis vidas de classe média, fantasiamos mundos pós-apocalípticos através das páginas de algum livro ou de uma tela (de cinema, TV ou smartphone); bastaria olhar através da janela do táxi, do carro, do ônibus, do trem, do metrô (Linha 2)...
Quando passamos pela Radial Oeste, pela Linha Vermelha ou pela Cracolândia do Jacarezinho temos vislumbres de um mundo "pós-apocalíptico", aqui e agora. Vislumbramos tudo isso de passagem, sempre de passagem.
Heróis sobreviventes em ficções pós-apocalípticas costumam ser galãs hollywoodianos caracterizados com certo glamour decadente, sobreviventes bem-alimentados "kicking-ass" com figurino e maquiagem "gritty" num Far-West futurista. Ilusões para uma classe média que se olha num espelho deformante (e importado).
Aquele senhor que vi hoje é um Mad Max da vida real, entre tantos outros que vagam pelas grandes metrópoles mundo afora, aquém da Cúpula do Trovão...
As margens das sociedades humanas sempre foram apocalípticas; o "pós" é perfeitamente dispensável.
Em nossa fantasia, gostamos de imaginar futuros "pós-apocalípticos", onde alguma catástrofe qualquer (guerra nuclear, epidemia, colapso ecológico...) reduz a humanidade inteira à condição de miséria extrema, sobrevivendo como pode nos destroços da civilização ocidental. Em nossas confortáveis vidas de classe média, fantasiamos mundos pós-apocalípticos através das páginas de algum livro ou de uma tela (de cinema, TV ou smartphone); bastaria olhar através da janela do táxi, do carro, do ônibus, do trem, do metrô (Linha 2)...
Quando passamos pela Radial Oeste, pela Linha Vermelha ou pela Cracolândia do Jacarezinho temos vislumbres de um mundo "pós-apocalíptico", aqui e agora. Vislumbramos tudo isso de passagem, sempre de passagem.
Heróis sobreviventes em ficções pós-apocalípticas costumam ser galãs hollywoodianos caracterizados com certo glamour decadente, sobreviventes bem-alimentados "kicking-ass" com figurino e maquiagem "gritty" num Far-West futurista. Ilusões para uma classe média que se olha num espelho deformante (e importado).
Aquele senhor que vi hoje é um Mad Max da vida real, entre tantos outros que vagam pelas grandes metrópoles mundo afora, aquém da Cúpula do Trovão...
As margens das sociedades humanas sempre foram apocalípticas; o "pós" é perfeitamente dispensável.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2019
"A ascensão Skywalker" - Impressões
Fui ontem ver o Episódio IX. Minha expectativa era 0, mas acabei dando nota 8.25.
Com muitas ressalvas, dá para dizer que o filme é bom. Cheguei ao cinema sem qualquer expectativa, as primeiras cenas me deixaram indignado, mas depois o filme me conquistou. Contudo, é apenas um remendo, nada além disso: o maldito Episódio VIII arruinou a trilogia, enquanto conjunto.
Quanto ao Episódio IX... Vejamos: o argumento é tosco, o roteiro é cheio de buracos e deixa um monte de pontas soltas - apesar de tudo isso, milagrosamente, o filme funciona. É um besouro cinematográfico: não devia voar, mas voa.
Com muitas ressalvas, dá para dizer que o filme é bom. Cheguei ao cinema sem qualquer expectativa, as primeiras cenas me deixaram indignado, mas depois o filme me conquistou. Contudo, é apenas um remendo, nada além disso: o maldito Episódio VIII arruinou a trilogia, enquanto conjunto.
Quanto ao Episódio IX... Vejamos: o argumento é tosco, o roteiro é cheio de buracos e deixa um monte de pontas soltas - apesar de tudo isso, milagrosamente, o filme funciona. É um besouro cinematográfico: não devia voar, mas voa.
Depois de todas as lambanças cometidas por Ryan Johnson no filme anterior, J.J. Abrahams salvou heroicamente o que dava para salvar dessa trilogia. Ainda assim, na minha opinião, episódios VIII e IX conquistaram os respectivos títulos de pior e segundo pior filmes de Star Wars. Ninguém precisa mais reclamar do Episódio I - deixem Jar Jar Binks em paz!
domingo, 29 de dezembro de 2019
Burrice e Conservadorismo
"Eu nunca quis dizer que os conservadores são geralmente burros. Eu quis dizer que pessoas burras são geralmente conservadoras".
John Stuart Mill
John Stuart Mill
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