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domingo, 14 de outubro de 2018

A boa notícia é que ainda temos um arsenal nuclear suficiente para destruir 5 vezes a humanidade inteira em estado de prontidão. Cortesia: China, Rússia, EUA e outros amigos.
Alexandre Frota não será um deputado, mas um sintoma...

Regra de Ouro das redes sociais

"Quem fala o que quer, pode ouvir o que não quer".

Liberdade de expressão é isso. Todo mundo (eu, você ou o seu vizinho), de vez em quando, é grosseiro, sarcástico ou se expressa mal. Às vezes magoamos, com ou sem intenção de magoar. Faz parte do jogo, faz parte da vida. De vez em quando precisamos desculpar ou pedir desculpas. Não machuca.

Terminológica

Não sou especialista em História Contemporânea, mas na minha opinião, Bolsonaro não é fascista. A Ditadura Militar também não era fascista. Autoritarismo não é sinônimo de fascismo. Mas autoritarismo já é uma coisa suficientemente ruim. Péssima. Abominável. Ele não.
Nada mais imprudente que subestimar uma ameaça. A prudência excessiva reserva arrependimentos menores que aqueles trazidos pela confiança exagerada. "O seguro morreu de velho".

Além dos noticiários

No domingo passado, na ida para minha zona eleitoral, presenciei pessoas berrando agressões verbais sobre candidatos. Voltando, presenciei outra altercação similar. Nunca tinha visto cenas desse gênero nos arredores de minha ZE.

Na semana imediatamente anterior um amigo meu que nem é muito politizado fez uma crítica jocosa sobre Bolsonaro e quase foi agredido fisicamente por um vizinho de 73 anos. Felizmente meu amigo é um sujeito controlado e não revidou; acalmando o exaltado vizinho ainda o alertou para o perigo dessa conduta: idoso, de compleição frágil, esse senhor se arriscava seriamente se fizesse a mesma coisa com uma pessoa menos serena que meu amigo.

No decorrer do último mês, uma amiga minha foi convidada para falar sobre o tema "Paz" em um centro espírita. Sua fala evitava quaisquer conotações políticas, mas no meio da preleção foi interrompida por um homem que se levantou aos berros, dizendo que não admitia propaganda política contra Bolsonaro dentro de uma instituição religiosa. Muito paciente, minha amiga aguardou que ele extravasasse sua raiva, esclareceu que sua fala não tinha qualquer conotação política, mas que oferecia o microfone ao cavalheiro caso ele desejasse se manifestar ao fim da palestra. Menos exaltado, ele se sentou e não pediu a palavra ao fim da reunião; depois, mais calmo, foi pedir desculpas à minha amiga pelo momento de descontrole.

Nenhum desses casos saiu nos noticiários. Imagino que haja outros semelhantes por aí. Os ânimos e emoções estão muito exaltados nessa eleição e os episódios de violência se multiplicam de modo assustador. Não estamos à beira de uma guerra civil, mas mesmo assim é preocupante.

Parte da responsabilidade se deve, sem dúvida, à constante exaltação da violência pelo candidato Bolsonaro, de longa data. O atentado sofrido por ele também deixou os ânimos superexcitados. Talvez o próprio ataque derive dessa exaltação - até onde a Polícia Federal investigou, o atacante é apenas um doente mental; há poucos indícios de uma conspiração.

No entanto, a responsabilidade não cabe apenas a Bolsonaro. Desde 2013 temos visto uma terrível agressividade verbal entre grupos de opiniões divergentes, acompanhada de rótulos pejorativos como "coxinha", "petralha", "reaça", "mortadela", "esquerdopata", "bolsominion", entre outros - sem falar na redução de termos complexos como "fascista" e "comunista" a meros xingamentos.

Passamos quase meia década cultivando tensões sociais insuportáveis e agora ficamos chocados ao vê-las desencadeadas em episódios violentos, por vezes trágicos.

Precisamos TODOS, JUNTOS, desarmar essa bomba relógio, enquanto é tempo. Um bom começo é controlar a agressividade em nossa linguagem. Chega de rótulos, apelidos e xingamentos. Tratemos respeitosamente aqueles que divergem de nossa opinião. Esse seria apenas o começo de um longo caminho para a desintoxicação de nossas relações sociais.

Paz para todos nós!

Pessoal

Como FILHO DE MÃE SOLTEIRA, não posso votar no candidato cujo vice diz que o lar onde cresci é uma "fábrica de desajustados".

Como PROFESSOR, não posso votar no candidato que pretende destroçar a educação formal no país, pregando absurdos como ensino a distância nas classes iniciais.


Como HISTORIADOR, não posso fechar os olhos ante o perigo que representa um presidente com escancaradas posturas antidemocráticas e autoritárias.

Como PÓS-DOUTORANDO EM ANTROPOLOGIA não me permito votar no candidato que promete acabar com as terras indígenas onde alguns de meus colegas e alunos vivem.

Como PESQUISADOR DO MUSEU NACIONAL não tenho como votar num candidato presidencial que simplesmente se mostrou omisso diante da maior catástrofe cultural da história de nosso país.

Como TRABALHADOR, não há como apoiar gente que fala levianamente em extinguir meus direitos.

Como suado CONTRIBUINTE, não consigo eleger alguém que publicamente se afirma sonegador de impostos e ainda recomenda a terceiros que sigam seu exemplo.

Como CRISTÃO, não aceito votar num candidato que deturpa a mensagem cristã e tenta usar a sublime figura de Jesus como se fosse reles cabo eleitoral para angariar votos.

Como ESPÍRITA, sou minoria, não posso me fazer de surdo e votar em alguém que diz que devo me curvar ou "desaparecer".

Finalmente, como DEMOCRATA CONVICTO, não posso votar num candidato que passou as três últimas décadas espezinhando as instituições e valores democráticos de nosso país.

Não, simplesmente não posso. Tal voto seria uma aviltante afronta contra todas as dimensões de minha pessoa.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

2 pratos, 1 escolha

Há dois pratos na mesa. Ambos são desagradáveis, produzidos por péssimos cozinheiros. Um deles, todavia, está envenenado. Não tenho dúvidas: prefiro o prato ruim, mas que não tem veneno... Da mesma forma, prefiro o candidato ruim que não defende a tortura ao candidato ruim que quer tirar meu 13º. Entre dois males, prefiro sempre o menor. Preferia Marina ou Ciro, mas terei que ir de Haddad, por mais que isso me desagrade.

P.S.: Recomendo a leitura de mais um excelente texto de Eliane Brum, desta vez sobre nosso segundo turno e o que ainda vem pela frente.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Adultos e crianças

O antônimo de "infantil" não é "adulto", mas sim "pueril". Nada mais "pueril" que a necessidade de se afirmar como "adulto". E há quem perca a vida inteira nessa puerilidade... Como diria talvez Lévi-Strauss, certo vigor infantil, uma potência imaginativa quase primeva, é imprescindível para ser um adulto plenamente pensante.

sábado, 6 de outubro de 2018

Abaixo do Equador

Lula é um santo-do-pau-oco. 
Bolsonaro é um Bezerro de Ouro. 
"Não existe pecado abaixo do Equador".

O gato ou o Ciro?

Ciro tem um monte de defeitos. No entanto, estamos votando para presidente, não canonizando um santo. Um presidente imperfeito, mas uma alternativa viável para superar a presente crise política, econômica e social de nosso país. E, como se sabe, "quem não tem cão, caça com gato".

Votar e vigiar

Cada um vote em quem quiser amanhã. O mais importante é que todos estejamos juntos para cobrar - e muito - de quem for eleito. Para 1 dia de eleição são necessários 4 anos de vigilância.

Idealismo e eleições

Tenho muitas ressalvas quanto a Ciro. Mesmo assim, voto nele por um ideal muito maior que Ciro ou qualquer partido: a DEMOCRACIA. Voto em Ciro pois ele é a única alternativa viável às duas forças antagônicas e complementares que atualmente ameaçam e corroem nossa Democracia: o fanatismo petista e o fanatismo antipetista, representados por Haddad e Bolsonaro. Ciro é o imperfeito instrumento de que dispomos para preservar o ideal democrático. Que seja.

Pessoas fascinantes e sofridas

-Oi, amigo, você gosta de piada? - me perguntou um morador de rua, quando eu passava.

Tenho costume de falar com moradores de rua, quando não me parecem perigosos. A pergunta era tão atípica que achei que tinha ouvido mal:

-O que o senhor disse?
-Perguntei se você gosta de piada.
-Sim, gosto.
-Então escolhe aí um livro e leva, de presente, tô te dando.

No banco, ao lado, havia uma pilha de surrados livros de piadas. Como recusar presente é desfeita, escolhi um livro do "Casseta & Planeta".

Conversando, ele contou que é técnico em enfermagem formado, mas o desemprego prolongado o forçou a morar na rua. Hoje ele é catador de lixo. Me disse que sempre adorou ler, e guarda todos os livros que encontra pelo lixo. Ao seu lado, havia um grande saco de plástico bem grosso e uma pasta "de carteiro", ambos repletos de livros. Explicou que quando sua biblioteca fica pesada demais para transportar em seu nomadismo urbano ele oferece alguns de presente aos passantes.

Nas horas de tristeza lê a Bíblia ou então livros de humor, para dar boas gargalhadas. Me contou uma piada que lera na véspera. Rimos juntos.

Ao me despedir, rogou que não jogasse o livro fora, que o guardasse como lembrança: "pra quando você pegar esse livro, dizer: 'ih, foi aquele neguinho que me deu esse livro'".

Nos despedimos com um aperto de mão. Virando a esquina, derramei lágrimas de gratidão ao universo por esse inusitado e tocante encontro.

Esse mundo está cheio de gente fascinante e sofrida - que Deus o abençoe!


A cartada petista

A nova cartada da militância petista é dizer que virar voto do Haddad pro Ciro é "divisivo" e elegerá Bolsonaro no 1º turno. Ora, bolas, para vencer no 1º turno, Bolsonaro precisaria ter garantidos pelo menos metade dos votos. Se assim for, tanto faz votar 12 ou 13. Conquanto migrem entre outros candidatos, os votos não elegem Bolsonaro no 1º turno. 

O que está realmente em jogo é o medo do PT não ir para o segundo turno. 

É o mesmo jogo sujo que eles fizeram contra a Marina em 2014, investindo no medo e na polarização contra o PSDB. Repito: votar no Haddad agora é entregar o 2o turno à paixão antipetista e uma vitória tranquila a Bolsonaro. Ainda em 2016 vimos a força do antipetismo nas eleições municipais. O próprio Haddad foi atingido por esse fenômeno em São Paulo. Não nos deixemos fazer mais uma vez reféns da retórica petista do medo. 

É triste ver agora o PT fazendo o papel de Regina Duarte...