quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Jesus nunca fugiu de debates...
Jesus trouxe uma mensagem de Amor. Defendeu essa mensagem com a própria vida. Com grande coragem, se entregou à justiça dos homens, até as últimas consequências. Não teve MEDO de comparecer diante do tribunal do Sinédrio, nem de Pilatos e nem mesmo da multidão iludida que gritava "Barrabás"... E Crivella? Daria a vida por você?! Ele não aparece nos debates nem para defender a si mesmo, nem sua milionária candidatura...! Que a mensagem de Amor e Paz de Jesus esteja conosco, independentemente das eleições, dos votos e dos candidatos... "Meu reino NÃO é deste mundo"...
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Às vésperas do debate...
Crivella vem se mostrando um péssimo CANDIDATO... Como poderá ser um bom PREFEITO?!
***
Meu coração está em festa! Fiquei sabendo que consegui, direta e indiretamente, 11 votos para o Freixo até agora! Esse 2º turno vai ser de virada!!!! Um Rio melhor é possível!!!!
***
Nessa campanha venho aprendendo muito sobre a prática da democracia e o exercício da cidadania! A esperança tem poder! A alegria tem poder! O respeito tem poder! O diálogo tem poder! A escuta tem poder! A empatia tem poder! O sorriso tem poder! O riso tem poder! JUNTOS construiremos um Rio melhor!
***
Meu coração está em festa! Fiquei sabendo que consegui, direta e indiretamente, 11 votos para o Freixo até agora! Esse 2º turno vai ser de virada!!!! Um Rio melhor é possível!!!!
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Nessa campanha venho aprendendo muito sobre a prática da democracia e o exercício da cidadania! A esperança tem poder! A alegria tem poder! O respeito tem poder! O diálogo tem poder! A escuta tem poder! A empatia tem poder! O sorriso tem poder! O riso tem poder! JUNTOS construiremos um Rio melhor!
Carta aberta aos eleitores de Marcelo Crivella
Caro cidadão,
temos opiniões diferentes, mas estamos juntos no mesmo barco. Somos eleitores, não inimigos. Caso eleitos, Crivella ou Freixo governarão a todos os cidadãos do Rio, e não apenas seus próprios eleitores.
Além disso, digo sempre: não boto a mão no fogo por político ou partido nenhum - nem pelo Freixo, nem pelo PSOL. Sou eleitor, não militante. Doei dinheiro, tempo e esforço pela campanha de Freixo, porque acho sinceramente que é o melhor candidato para nossa cidade. Justamente por isso estarei entre os primeiros a criticá-lo, sempre que julgar necessário. Num eventual governo Freixo, cobrarei dez vezes mais que qualquer eleitor do Crivella. Melhor ainda: cobrarei 50 vezes mais.
Dialogando, a gente se entende! O diálogo não é apenas a essência da democracia: a própria democracia É diálogo. A fraternidade é a base da verdadeira cidadania. A discordância faz parte da democracia, mas o ódio destrói a democracia.
Por fim, vamos fazer um trato de cidadãos? Se o Freixo for eleito e fizer alguma bobagem, eu critico junto com você. Se, pelo contrário, o Crivella for eleito e fizer alguma bobagem, você critica junto comigo. Pode ser?
Nosso compromisso não é com partidos, nem com candidatos: é com a cidade do Rio de Janeiro. O 2º turno acaba no dia 30, mas o mandato do vencedor durará quatro anos. Nesse período, precisamos estar juntos para cobrar do prefeito eleito o devido cumprimento de todas as propostas de campanha. Juntos, podemos e devemos construir um Rio melhor PARA TODOS. O futuro já começou...
Grande abraço,
Luiz Tavares
Cristão, espírita, professor e pesquisador em História, eleitor do Freixo
temos opiniões diferentes, mas estamos juntos no mesmo barco. Somos eleitores, não inimigos. Caso eleitos, Crivella ou Freixo governarão a todos os cidadãos do Rio, e não apenas seus próprios eleitores.
Além disso, digo sempre: não boto a mão no fogo por político ou partido nenhum - nem pelo Freixo, nem pelo PSOL. Sou eleitor, não militante. Doei dinheiro, tempo e esforço pela campanha de Freixo, porque acho sinceramente que é o melhor candidato para nossa cidade. Justamente por isso estarei entre os primeiros a criticá-lo, sempre que julgar necessário. Num eventual governo Freixo, cobrarei dez vezes mais que qualquer eleitor do Crivella. Melhor ainda: cobrarei 50 vezes mais.
Dialogando, a gente se entende! O diálogo não é apenas a essência da democracia: a própria democracia É diálogo. A fraternidade é a base da verdadeira cidadania. A discordância faz parte da democracia, mas o ódio destrói a democracia.
Por fim, vamos fazer um trato de cidadãos? Se o Freixo for eleito e fizer alguma bobagem, eu critico junto com você. Se, pelo contrário, o Crivella for eleito e fizer alguma bobagem, você critica junto comigo. Pode ser?
Nosso compromisso não é com partidos, nem com candidatos: é com a cidade do Rio de Janeiro. O 2º turno acaba no dia 30, mas o mandato do vencedor durará quatro anos. Nesse período, precisamos estar juntos para cobrar do prefeito eleito o devido cumprimento de todas as propostas de campanha. Juntos, podemos e devemos construir um Rio melhor PARA TODOS. O futuro já começou...
Grande abraço,
Luiz Tavares
Cristão, espírita, professor e pesquisador em História, eleitor do Freixo
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Algumas dúvidas sobre Crivella...
Uma dúvida: Crivella não foi ministro da gestão PT?
Outra dúvida: o que aquele inquérito fazia na casa de Crivella?
Mais uma: o que o Crivella de 2016 pensa sobre catolicismo, umbanda, candomblé, espiritismo, homossexuais...?
Outra dúvida ainda: que musiquinha o Crivella de 2016 cantaria sobre o chute em nossa senhora?
Mais dúvidas (elas não acabam): Crivella realmente produziu material de campanha com 12 milhões desviados da Petrobras em 2010?
Ainda uma dúvida: Garotinho e seu partiodo são mesmo bonzinhos e desinteressados?
Mais essa: qualquer apoio de campanha é válido? Os votos justificam os meios?
Outra: e o Rodrigo Bethlem?
Para fechar: por que Crivella foge tão desesperadamente de entrevistas, sabatinas e debates?
Finalmente: todas as perguntas justificam a última...?
Outra dúvida: o que aquele inquérito fazia na casa de Crivella?
Mais uma: o que o Crivella de 2016 pensa sobre catolicismo, umbanda, candomblé, espiritismo, homossexuais...?
Outra dúvida ainda: que musiquinha o Crivella de 2016 cantaria sobre o chute em nossa senhora?
Mais dúvidas (elas não acabam): Crivella realmente produziu material de campanha com 12 milhões desviados da Petrobras em 2010?
Ainda uma dúvida: Garotinho e seu partiodo são mesmo bonzinhos e desinteressados?
Mais essa: qualquer apoio de campanha é válido? Os votos justificam os meios?
Outra: e o Rodrigo Bethlem?
Para fechar: por que Crivella foge tão desesperadamente de entrevistas, sabatinas e debates?
Finalmente: todas as perguntas justificam a última...?
domingo, 23 de outubro de 2016
Você precisa de "direitos humanos"?
No momento atual, acho pertinente fazer alguns comentários sobre a história dos direitos
humanos - afinal de contas, sou professor de História!
Resumindo e simplificando MUITO, muito MESMO, nas sociedades de Antigo Regime, os súditos das monarquias deviam servir e obedecer ao rei. As pessoas tinham poucos direitos, e as leis eram muito injustas. Durante a Revolução Francesa foi criada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), inspirada por pensadores dos séculos XVII e XVIII. A Declaração é um dos textos fundadores da moderna cidadania, pensando um cidadão com direitos e deveres, em lugar da figura do súdito, que tinha muitos deveres e poucos direitos. Foi um grande avanço para a humanidade. É a "certidão de nascimento" dos direitos humanos, ou seja, de direitos que pertencem a todas pessoas, independentemente de religião ou categoria social.
Durante o século XIX, essa noção de cidadania e direitos humanos se consolidou na França e se espalhou para outros países. Aqui no Brasil, a noção de direitos humanos foi muito importante para o movimento abolicionista; o fim da escravidão está diretamente ligado à ideia de direitos humanos.
A Segunda Guerra Mundial foi marcada por muita violência e verdadeiros absurdos, como o holocausto nazista e as bombas nucleares lançadas no Japão. Assim, três anos depois da guerra, em 1948, a Organização das Nações Unidas elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, diretamente inspirada pelo texto da Declaração de 1789. A declaração de 48 garante direitos políticos, sociais e civis, protegendo o cidadão de arbitrariedades. São direitos importantes e essenciais, como alimentação, moradia, emprego, educação, saúde, saneamento básico, participação democrática na política, liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade de culto, igualdade perante a lei, presunção de inocência, direito a julgamento justo, entre outros.
Foi um importante avanço na história da humanidade, levando a cidadania e os direitos humanos a inúmeros países do mundo. Desde então, quase todos os países, inclusive o Brasil, assinaram a Declaração. Para os países signatários, a Declaração tem valor de lei. Aqui no Brasil, onde os direitos humanos ainda não são plenamente respeitados, é essencial lutar para que eles saiam do papel, virem uma realidade para todos os cidadãos.
Existem órgãos importantes para isso, como as comissões legislativas de direitos humanos, federais, estaduais e municipais. Talvez você tenha críticas ao funcionamento desses órgãos, mas eles são muito necessários para a preservação da cidadania e para proteger os cidadãos brasileiros de inúmeros abusos.
Também é essencial diferenciar as comissões legislativas de direitos humanos, que fazem parte do nosso sistema legal, das organizações não-governamentais (ONGs) de defesa dos direitos humanos e de promoção da cidadania. Algumas dessas ONGs realizam um trabalho muito sério; outras nem tanto. Mais uma vez, devemos distinguir umas das outras: algumas dessas ONGs realmente merecem críticas, enquanto outras merecem aplausos. Seria injusto responsabilizar as ONGs sérias e responsáveis pelas ações das ONGs levianas.
Resumindo e simplificando MUITO, muito MESMO, nas sociedades de Antigo Regime, os súditos das monarquias deviam servir e obedecer ao rei. As pessoas tinham poucos direitos, e as leis eram muito injustas. Durante a Revolução Francesa foi criada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), inspirada por pensadores dos séculos XVII e XVIII. A Declaração é um dos textos fundadores da moderna cidadania, pensando um cidadão com direitos e deveres, em lugar da figura do súdito, que tinha muitos deveres e poucos direitos. Foi um grande avanço para a humanidade. É a "certidão de nascimento" dos direitos humanos, ou seja, de direitos que pertencem a todas pessoas, independentemente de religião ou categoria social.
Durante o século XIX, essa noção de cidadania e direitos humanos se consolidou na França e se espalhou para outros países. Aqui no Brasil, a noção de direitos humanos foi muito importante para o movimento abolicionista; o fim da escravidão está diretamente ligado à ideia de direitos humanos.
A Segunda Guerra Mundial foi marcada por muita violência e verdadeiros absurdos, como o holocausto nazista e as bombas nucleares lançadas no Japão. Assim, três anos depois da guerra, em 1948, a Organização das Nações Unidas elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, diretamente inspirada pelo texto da Declaração de 1789. A declaração de 48 garante direitos políticos, sociais e civis, protegendo o cidadão de arbitrariedades. São direitos importantes e essenciais, como alimentação, moradia, emprego, educação, saúde, saneamento básico, participação democrática na política, liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade de culto, igualdade perante a lei, presunção de inocência, direito a julgamento justo, entre outros.
Foi um importante avanço na história da humanidade, levando a cidadania e os direitos humanos a inúmeros países do mundo. Desde então, quase todos os países, inclusive o Brasil, assinaram a Declaração. Para os países signatários, a Declaração tem valor de lei. Aqui no Brasil, onde os direitos humanos ainda não são plenamente respeitados, é essencial lutar para que eles saiam do papel, virem uma realidade para todos os cidadãos.
Existem órgãos importantes para isso, como as comissões legislativas de direitos humanos, federais, estaduais e municipais. Talvez você tenha críticas ao funcionamento desses órgãos, mas eles são muito necessários para a preservação da cidadania e para proteger os cidadãos brasileiros de inúmeros abusos.
Também é essencial diferenciar as comissões legislativas de direitos humanos, que fazem parte do nosso sistema legal, das organizações não-governamentais (ONGs) de defesa dos direitos humanos e de promoção da cidadania. Algumas dessas ONGs realizam um trabalho muito sério; outras nem tanto. Mais uma vez, devemos distinguir umas das outras: algumas dessas ONGs realmente merecem críticas, enquanto outras merecem aplausos. Seria injusto responsabilizar as ONGs sérias e responsáveis pelas ações das ONGs levianas.
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Crivella e Luther King: 2 pastores entre política e religião
O pastor Martin Luther King Jr. nunca escondeu a foto acima. Pelo contrário, ela era um testemunho de sua luta pelo direitos civis e contra o racismo.
Também vale lembrar que Luther King tirou de suas convicções religiosas e princípios éticos a força moral para combater as leis racistas que existiam nos EUA. Luther King nunca usou seu prestígio religioso para lançar candidatura pessoal a cargos públicos, nem para caçar votos para políticos. Luther King representava a religião como força de libertação. Crivella representa a religião como força de dominação. Crivella é pastor e Luther King também era - a semelhança acaba aí: até onde sei, o heróico pastor do Alabama não andava de jatinho.
A maior inspiração de Luther King era o hindu Mahatma Gandhi. Crivella, por outro lado, escreveu que o hinduísmo é coisa do "capeta"... Tolerância religiosa de verdade é apenas mais uma coisa que Crivella desconhece. É fácil botar uma máscara de tolerância para conquistar votos - especialmente quando já se perderam tantas eleições no segundo turno devido a elevados índices de rejeição. A fala de Crivella é mansa como o sibilar da serpente...
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sábado, 22 de outubro de 2016
Comentários aleatórios sobre "mitologia grega"
Os deuses gregos geralmente tinham mais de uma atribuição, como Hermes, que era mensageiro dos deuses e protetor dos comerciantes, médicos e ladrões, entre outras categorias profissionais. Outro exemplo é Poseidon, que era deus "dos mares", mas também era considerado responsável pelos
terremotos. Na Odisseia inúmeros versos o chamam de "Divo Posido, que os muros da terra sacode".
A religião grega era muito complexa (e até confusa): essa atribuições rígidas como "deusa disso" e "deus daquilo" foram uma elaboração muito tardia, ligada ao Renascimento e à necessidade de "sistematizar" a mitologia grega, para facilitar suas representações artísticas na poesia, música, pintura, escultura, teatro, entre outras formas de expressão. A visão renascentista sobre a mitologia grega está tão embutida em nossa memória coletiva que sentimos muita dificuldade em conceber o pensamento grego sem essas mediações.
Além do mais, quando abordamos a "religiosidade grega", falamos de períodos com muitos séculos, marcados por profundas transformações sociais - as concepções gregas do divino mudaram muito durante esse longo período. Alguns deuses eram mais ou menos cultuados em determinadas épocas, e às vezes os seus atributos mudaram, bem como algumas de suas atribuições específicas foram mais ou menos enfatizadas ou valorizadas em diferentes momentos históricos.
Também é bom lembrar que nosso conhecido "panteão grego" é sobretudo um panteão ateniense - havia acentuadas diferenças regionais na religiosidade do mundo helênico. Ártemis, por exemplo, era particularmente cultuada na na Ásia Menor, onde o grande santuário da deusa na cidade de Éfeso era importante centro de peregrinação. Devido a sua imensa importância local, o culto de Ártemis nessa região tinha peculiaridades que o diferenciavam do culto prestado à deusa em outras áreas do mundo helênico.
Tudo isso, obviamente, é papo para especialistas; eu mesmo não conheço quase nada sobre essas diferenciações...
(Texto oferecido em consultoria a uma publicação infanto-juvenil).
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Paternalismo, "cuidado" e autonomia: Comparando os discursos de Crivella e Freixo
Dedico esse texto a
todos os cidadãos do Rio de Janeiro, independentemente de religião,
posicionamento político ou classe social
Crivella quer cuidar das pessoas. Isso é ótimo, sinceramente. A ênfase no cuidado é uma das dimensões mais bonitas e mais cristãs das igrejas evangélicas. De fato, muitas igrejas evangélicas, tradicionais ou neopentecostais desenvolvem obras sociais admiráveis e dignas de aplauso. Muitos evangélicos são pessoas fantásticas, verdadeiros bons samaritanos que deixariam Jesus muito orgulhoso.
No entanto, prefeitura NÃO é igreja. Democracia plena significa governar COM os cidadãos e não PARA os cidadãos.
A cidadania plena pode ser definida como exercício dos direitos civis, políticos e sociais. Ora, o discurso do cuidado adotado por Crivella enfatiza os direitos sociais, mas deixa em segundo plano os direitos civis e - pior ainda - desdenha dos direitos políticos. Preconiza uma cidadania capenga.
Sob uma roupagem cristã, é o mesmo projeto esboçado pelos governos Lula e Dilma. Os programas sociais do PT foram - e ainda são - importantíssimos. No entanto, esses programas sempre enfatizaram os direitos sociais, deixando os direitos civis e políticos em segundo plano: formam consumidores e eleitores, mas não cidadãos.
É uma lógica paternalista: infantiliza o povo, que precisa ser cuidado por uma figura paterna. Getúlio Vargas foi o "Pai dos pobres"; Lula bem que tentou ser um novo "pai dos pobres", mas o povo não comprou a ideia. Apesar de seus defeitos, Getúlio e Lula promoveram importantíssimas conquistas sociais no Brasil, mas pouco fizeram para tornar nosso país mais democrático, para promover a efetiva participação do povo nas decisões do governo. Essa concepção de cidadania expressa profunda assimetria entre governantes e governados, decalcada da assimetria natural entre pais e filhos, adultos e crianças. No limite, pode conduzir a concepções sociais autoritárias (como aconteceu na Era Vargas): pais mandam, filhos obedecem. Ou, como diz a triste máxima brasileira: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Nos tempos da escravidão, os senhores também se viam como "pais" dos escravos ("subfilhos" na família extensa), que recebiam alimentação, vestimenta e moradia. O senhor CUIDAVA de seus escravos.
No caso de Crivella, o buraco é mais embaixo: sua concepção de cuidado paternalista remete a uma matriz discursiva bíblica, onde a assimetria é ainda mais acentuada: a figura do pastor que cuida de suas ovelhas. Temos aqui um povo-rebanho - mais que infantilizado, animalizado. A criança um dia pode tornar-se adulta, emancipando-se, mas a ovelha será sempre ovelha, indefinidamente dependente dos cuidados de seu pastor. Há uma profunda dimensão de servidão moral embutida nesse discurso; não promove a cidadania e a democracia. É uma versão piorada do recente paternalismo "lulista".
Por outro lado, as propostas de Freixo prezam os direitos políticos e civis, tanto como os sociais. Freixo promete governar COM o cidadão, e não PELO cidadão. São propostas como os conselhos de bairro, a autonomia pedagógica das comunidades escolares ou o gabinete virtual. Freixo propõe o cidadão como um adulto que decide, não como uma criança, uma ovelha ou um escravo que precisam de cuidados. Propõe AUTONOMIA em lugar de CUIDADO.
A concepção de cidade proposta por Freixo rompe com o paternalismo brasileiro crônico, de direita ou de esquerda. Nesse sentido, a proposta do PSOL e de Freixo é MUITO DIFERENTE das concepções e práticas do PT e de Lula. O PRB e Crivella estão muito mais perto de virar um "novo PT" e um "novo Lula", do que o PSOL e Freixo (ao menos nesse momento).
Freixo propõe romper com o paternalismo da senzala e do curral (eleitoral). Se conseguirá ou não, não tenho como dizer.
Nessa eleição, o cidadão carioca precisa escolher um projeto de cidade: queremos um Rio de Janeiro como a Jerusalém monárquica de Salomão ou como a Atenas democrática de Sócrates...?
P.S. 1 (resposta a uma crítica): A referência a Jerusalém e Atenas tinha intenção meramente simbólica: as duas cidades ocupam espaços míticos e alegóricos no imaginário ocidental que transcendem as experiências "reais" vividas nas duas cidades.
Como dizia Alphonse Daudet, a Atenas e a Esparta da vida real deviam ser no máximo subprefeituras, cujas dimensões foram ampliadas devido à imaginação da Europa meridional, sempre excitada pelo calor escaldante... Por sinal, talvez sejam também as miragens provocadas pelo calor que tenham tornado o Rio uma cidade maravilhosa aos deslumbrados olhares nórdicos.
A intenção desse texto era menos eleitoral que intelectual - uma tentativa de refletir sobre o modo que múltiplas experiências históricas e culturais se imbricam na "retórica do cuidado" de Crivella, apontando o quanto esse mesmo quadro de referências se infiltra em outros discursos. O homem cordial ama o calor afetuoso do paternalismo, e às vezes até confunde esse paternalismo com democracia.
Também quis usar o paternalismo como referência para questionar a cada vez mais anacrônica divisão do espectro político entre esquerda e direita. Jacobinos e girondinos já ficaram para trás há muito tempo, e talvez seja a hora de remover conceitos embolorados que tantas vezes obscurecem mais que esclarecem e deixam tanta coisa opaca (no caso, o onipresente imaginário paternalista). As referências cruzadas e invertidas que moralizam esquerda e direita como "bem" e "mal" precisam igualmente ser superadas, particularmente quando embasam unilateralmente a vassalagem partidária do "eSquerda vota em eXquerda", naquela velha relação (também paternalista) entre senhor e vassalo.
Também é uma provocação aos amigos frustrados, desesperançosos e indecisos, que temem no Freixo e no PSOL uma repetição do Lula e do PT. A esses sinalizo que esse perigo talvez seja mais forte pelo lado do Crivella e do PRB, e talvez eles estejam mais "seguros" votando Freixo que anulando.
Enfim, espero que o PSOL não venha futuramente a reproduzir como "freixismo" a linguagem paternalista do "lulismo" (o risco sempre é possível). O próprio PT, em suas origens, pretendia ser uma esquerda livre do personalismo carismático, em especial reagindo ao "brizolismo". A gradativa derrapagem do PT rumo ao "lulismo" talvez testemunhe o quanto o imaginário paternalista permanece poderoso em nossa sociedade e quão difícil é exorcizá-lo. O Freixo, o PSOL e sua militância precisam permanecer atentos e vigilantes para evitar que isso aconteça. Como sabiam Freud e Jung, as forças do subconsciente e do imaginário muitas vezes são mais poderosas e traiçoeiras do que pensamos... Já alertava Ricoeur (em Hermenêutica bíblica, por sinal): "só a tomada de consciência de seu estatuto paradoxal pode impedir os símbolos de tornarem-se ídolos".
P.S. 2 (resposta a outra crítica): De fato, imagino que muitos petistas possam se escandalizar com essa análise, mas acho que já passou da hora dos petistas refletirem séria, profunda e criticamente sobre as virtudes e vícios da "era PT": ouvir críticas também faz parte da democracia. Encarar o espelho pode ser desagradável, mas é muitas vezes necessário. Por sinal, gostaria muito de ouvir o que um petista pensaria dos argumentos que apresentei.
Em alguns momentos o PT e seus militantes se mostram tão dogmáticos quanto a Universal e seus fiéis - nem todo fundamentalismo é religioso. Está mais que evidente que os velhos catecismos e práticas do PT não conseguem mais convencer muita gente fora da "igreja". Em 2006 e 2010 o PT conseguiu emplacar votações recorde, apesar de todo o barulho midiático em torno do mensalão. Em 2006 o salário mínimo ainda subia como um foguete; em 2008 o salário mínimo entrou em fase de estagnação, mas em 2010 a inflação ainda não havia corroído drasticamente o poder aquisitivo das camadas mais baixas da população. Nessa época o "povão" via melhoras reais em sua vida e votou no PT porque reconhecia essas melhoras, apesar da manipulação da grande mídia.
Nos últimos anos o quadro mudou: o PT continuava (e continua) cantando glórias passadas, mas no mundo real as condições de vida do "povão" se degradavam. Como professor de escola municipal lido diariamente com o "povão" e sei o quanto as pessoas se sentem insatisfeitas: elas sentem na carne os efeitos do colapso econômico que se agravou devido a inúmeras políticas desastradas implementadas pelo PT para salvar a mobília do andar de cima.
A "nova classe média" tem críticas legítimas ao PT, embora a porção eXquerdista da "velha classe média" muitas vezes, com certa arrogância, não consiga ou não queira ouvi-las com a devida atenção. Os intelectuais, por sinal, adoram praticar ventriloquismo com o "povão"; às vezes o "pobre" ou o "favelado" aparecem nos discursos acadêmicos um tanto como o índio (ou sua imagem) era usado pelos nossos poetas românticos. Há que se distinguir o "pobre" como pessoa do "pobre" como mito ou alegoria - a esquerda muitas vezes falha em perceber essa distinção.
Enfim, o povo não é bobo, e nem a rede Globo, a Universal ou o PT conseguem enganá-lo por muito tempo. Se argumentos como os que apresento escandalizariam o petista médio a ponto de negar seu voto ao Freixo, talvez isso indique quem é, de fato, "a esquerda que a direita gosta"... Por sinal, acharia muito coerente que a militância petista votasse no Crivella - afinal de contas, o Crivella foi ministro do governo PT...
Crivella quer cuidar das pessoas. Isso é ótimo, sinceramente. A ênfase no cuidado é uma das dimensões mais bonitas e mais cristãs das igrejas evangélicas. De fato, muitas igrejas evangélicas, tradicionais ou neopentecostais desenvolvem obras sociais admiráveis e dignas de aplauso. Muitos evangélicos são pessoas fantásticas, verdadeiros bons samaritanos que deixariam Jesus muito orgulhoso.
No entanto, prefeitura NÃO é igreja. Democracia plena significa governar COM os cidadãos e não PARA os cidadãos.
A cidadania plena pode ser definida como exercício dos direitos civis, políticos e sociais. Ora, o discurso do cuidado adotado por Crivella enfatiza os direitos sociais, mas deixa em segundo plano os direitos civis e - pior ainda - desdenha dos direitos políticos. Preconiza uma cidadania capenga.
Sob uma roupagem cristã, é o mesmo projeto esboçado pelos governos Lula e Dilma. Os programas sociais do PT foram - e ainda são - importantíssimos. No entanto, esses programas sempre enfatizaram os direitos sociais, deixando os direitos civis e políticos em segundo plano: formam consumidores e eleitores, mas não cidadãos.
É uma lógica paternalista: infantiliza o povo, que precisa ser cuidado por uma figura paterna. Getúlio Vargas foi o "Pai dos pobres"; Lula bem que tentou ser um novo "pai dos pobres", mas o povo não comprou a ideia. Apesar de seus defeitos, Getúlio e Lula promoveram importantíssimas conquistas sociais no Brasil, mas pouco fizeram para tornar nosso país mais democrático, para promover a efetiva participação do povo nas decisões do governo. Essa concepção de cidadania expressa profunda assimetria entre governantes e governados, decalcada da assimetria natural entre pais e filhos, adultos e crianças. No limite, pode conduzir a concepções sociais autoritárias (como aconteceu na Era Vargas): pais mandam, filhos obedecem. Ou, como diz a triste máxima brasileira: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Nos tempos da escravidão, os senhores também se viam como "pais" dos escravos ("subfilhos" na família extensa), que recebiam alimentação, vestimenta e moradia. O senhor CUIDAVA de seus escravos.
No caso de Crivella, o buraco é mais embaixo: sua concepção de cuidado paternalista remete a uma matriz discursiva bíblica, onde a assimetria é ainda mais acentuada: a figura do pastor que cuida de suas ovelhas. Temos aqui um povo-rebanho - mais que infantilizado, animalizado. A criança um dia pode tornar-se adulta, emancipando-se, mas a ovelha será sempre ovelha, indefinidamente dependente dos cuidados de seu pastor. Há uma profunda dimensão de servidão moral embutida nesse discurso; não promove a cidadania e a democracia. É uma versão piorada do recente paternalismo "lulista".
Por outro lado, as propostas de Freixo prezam os direitos políticos e civis, tanto como os sociais. Freixo promete governar COM o cidadão, e não PELO cidadão. São propostas como os conselhos de bairro, a autonomia pedagógica das comunidades escolares ou o gabinete virtual. Freixo propõe o cidadão como um adulto que decide, não como uma criança, uma ovelha ou um escravo que precisam de cuidados. Propõe AUTONOMIA em lugar de CUIDADO.
A concepção de cidade proposta por Freixo rompe com o paternalismo brasileiro crônico, de direita ou de esquerda. Nesse sentido, a proposta do PSOL e de Freixo é MUITO DIFERENTE das concepções e práticas do PT e de Lula. O PRB e Crivella estão muito mais perto de virar um "novo PT" e um "novo Lula", do que o PSOL e Freixo (ao menos nesse momento).
Freixo propõe romper com o paternalismo da senzala e do curral (eleitoral). Se conseguirá ou não, não tenho como dizer.
Nessa eleição, o cidadão carioca precisa escolher um projeto de cidade: queremos um Rio de Janeiro como a Jerusalém monárquica de Salomão ou como a Atenas democrática de Sócrates...?
P.S. 1 (resposta a uma crítica): A referência a Jerusalém e Atenas tinha intenção meramente simbólica: as duas cidades ocupam espaços míticos e alegóricos no imaginário ocidental que transcendem as experiências "reais" vividas nas duas cidades.
Como dizia Alphonse Daudet, a Atenas e a Esparta da vida real deviam ser no máximo subprefeituras, cujas dimensões foram ampliadas devido à imaginação da Europa meridional, sempre excitada pelo calor escaldante... Por sinal, talvez sejam também as miragens provocadas pelo calor que tenham tornado o Rio uma cidade maravilhosa aos deslumbrados olhares nórdicos.
A intenção desse texto era menos eleitoral que intelectual - uma tentativa de refletir sobre o modo que múltiplas experiências históricas e culturais se imbricam na "retórica do cuidado" de Crivella, apontando o quanto esse mesmo quadro de referências se infiltra em outros discursos. O homem cordial ama o calor afetuoso do paternalismo, e às vezes até confunde esse paternalismo com democracia.
Também quis usar o paternalismo como referência para questionar a cada vez mais anacrônica divisão do espectro político entre esquerda e direita. Jacobinos e girondinos já ficaram para trás há muito tempo, e talvez seja a hora de remover conceitos embolorados que tantas vezes obscurecem mais que esclarecem e deixam tanta coisa opaca (no caso, o onipresente imaginário paternalista). As referências cruzadas e invertidas que moralizam esquerda e direita como "bem" e "mal" precisam igualmente ser superadas, particularmente quando embasam unilateralmente a vassalagem partidária do "eSquerda vota em eXquerda", naquela velha relação (também paternalista) entre senhor e vassalo.
Também é uma provocação aos amigos frustrados, desesperançosos e indecisos, que temem no Freixo e no PSOL uma repetição do Lula e do PT. A esses sinalizo que esse perigo talvez seja mais forte pelo lado do Crivella e do PRB, e talvez eles estejam mais "seguros" votando Freixo que anulando.
Enfim, espero que o PSOL não venha futuramente a reproduzir como "freixismo" a linguagem paternalista do "lulismo" (o risco sempre é possível). O próprio PT, em suas origens, pretendia ser uma esquerda livre do personalismo carismático, em especial reagindo ao "brizolismo". A gradativa derrapagem do PT rumo ao "lulismo" talvez testemunhe o quanto o imaginário paternalista permanece poderoso em nossa sociedade e quão difícil é exorcizá-lo. O Freixo, o PSOL e sua militância precisam permanecer atentos e vigilantes para evitar que isso aconteça. Como sabiam Freud e Jung, as forças do subconsciente e do imaginário muitas vezes são mais poderosas e traiçoeiras do que pensamos... Já alertava Ricoeur (em Hermenêutica bíblica, por sinal): "só a tomada de consciência de seu estatuto paradoxal pode impedir os símbolos de tornarem-se ídolos".
P.S. 2 (resposta a outra crítica): De fato, imagino que muitos petistas possam se escandalizar com essa análise, mas acho que já passou da hora dos petistas refletirem séria, profunda e criticamente sobre as virtudes e vícios da "era PT": ouvir críticas também faz parte da democracia. Encarar o espelho pode ser desagradável, mas é muitas vezes necessário. Por sinal, gostaria muito de ouvir o que um petista pensaria dos argumentos que apresentei.
Em alguns momentos o PT e seus militantes se mostram tão dogmáticos quanto a Universal e seus fiéis - nem todo fundamentalismo é religioso. Está mais que evidente que os velhos catecismos e práticas do PT não conseguem mais convencer muita gente fora da "igreja". Em 2006 e 2010 o PT conseguiu emplacar votações recorde, apesar de todo o barulho midiático em torno do mensalão. Em 2006 o salário mínimo ainda subia como um foguete; em 2008 o salário mínimo entrou em fase de estagnação, mas em 2010 a inflação ainda não havia corroído drasticamente o poder aquisitivo das camadas mais baixas da população. Nessa época o "povão" via melhoras reais em sua vida e votou no PT porque reconhecia essas melhoras, apesar da manipulação da grande mídia.
Nos últimos anos o quadro mudou: o PT continuava (e continua) cantando glórias passadas, mas no mundo real as condições de vida do "povão" se degradavam. Como professor de escola municipal lido diariamente com o "povão" e sei o quanto as pessoas se sentem insatisfeitas: elas sentem na carne os efeitos do colapso econômico que se agravou devido a inúmeras políticas desastradas implementadas pelo PT para salvar a mobília do andar de cima.
A "nova classe média" tem críticas legítimas ao PT, embora a porção eXquerdista da "velha classe média" muitas vezes, com certa arrogância, não consiga ou não queira ouvi-las com a devida atenção. Os intelectuais, por sinal, adoram praticar ventriloquismo com o "povão"; às vezes o "pobre" ou o "favelado" aparecem nos discursos acadêmicos um tanto como o índio (ou sua imagem) era usado pelos nossos poetas românticos. Há que se distinguir o "pobre" como pessoa do "pobre" como mito ou alegoria - a esquerda muitas vezes falha em perceber essa distinção.
Enfim, o povo não é bobo, e nem a rede Globo, a Universal ou o PT conseguem enganá-lo por muito tempo. Se argumentos como os que apresento escandalizariam o petista médio a ponto de negar seu voto ao Freixo, talvez isso indique quem é, de fato, "a esquerda que a direita gosta"... Por sinal, acharia muito coerente que a militância petista votasse no Crivella - afinal de contas, o Crivella foi ministro do governo PT...
P.S. 3 (tréplica a uma réplica): É preciso defender as conquistas sociais realizadas PELO
POVO através do PT; é igualmente necessário criticar os aspectos questionáveis
da atuação do PT no poder. Há muita diferença entre uma coisa e outra – um verdadeiro
abismo.
Discordo da noção de que só devemos criticar as estratégias
do PT, e não seus projetos – até porque nos últimos mandatos o PT se
especializou mais em tramar estratégias que em elaborar projetos. Minha grande
Crítica, com C maiúsculo ao PT foi seu objetivo de governar PARA o povo, e não
com o POVO – optei por chamar isso de “paternalismo”; obviamente você tem o
direito de discordar dessa definição. É uma crítica a um projeto que privilegiou
a extensão dos direitos sociais (o que é louvável), mas pouco fez pelos
direitos políticos (o que é lamentável). O PT foi negligente em fomentar o
desenvolvimento de uma cultura efetivamente democrática, e a colheita estamos
vendo aí. Um anêmico governo supostamente “popular”, que sucumbiu ao sopro das
intrigas palacianas. O PT só convocou o povo às ruas in extremis, sempre fiel à
estética exigente de vassalagem partidária e de aplausos comandados de cima do
palanque. De fato, não podemos confundir as belas palavras proferidas de cima
dos palanques com um efetivo projeto social, construído cotidianamente com a
participação de todos. Definitivamente, o PT precisa descer do palanque e pisar
nas ruas. Conversar COM as pessoas, e não discursar PARA elas.
Ao contrário do sugerido, não me considero inimigo do PT.
Pelo contrário: nunca fui petista, mas votei várias vezes no partido. Chorei de
emoção em 1º de janeiro de 2003, no discurso de posse de Lula. Antes e depois
das eleições de 2002, sempre critiquei o que me desagradava no PT, mas sempre defendi
(e ainda defendo) o que me parecia defensável. Por sinal, considero a noção de “inimizade”
extremamente deletéria à democracia. O “inimigo” é aquele que deve ser vencido
e subjugado – não há diálogo possível com o “inimigo”. Como iniciante nas artes
marciais, valorizo a rivalidade cortês. Precisamos superar Clausewitz e Schmitt,
a noção de “política como guerra”. A divisão reificada entre direita e
esquerda, embora por vezes útil, reforça essa noção de política belicosa.
Dificulta a detecção de pontos de encontro, ao mesmo tempo obscurecendo as
possibilidades de crítica – se quem critica é “inimigo”, toda crítica torna-se
objeto de inimizade. Nesse paradigma, só é possível manter a “amizade” enquanto
as críticas permanecem dentro do campo do que aceitamos (previamente) ouvir; as
únicas críticas válidas são aquelas que corroborem nossas próprias críticas –
um não-diálogo. “Rejeite a crítica, rotule o crítico” – essa tem sido a postura
do PT e sua militância diante de todas as críticas um pouco mais incômodas.
Além disso, a política-enquanto-guerra mobiliza
rotineiramente sentimentos e discursos de medo. O PSDB usou essa retórica
contra Lula em 2002. O PT usou essa estética contra Serra e Aécio, em 2010 e
2014. Foi a retórica do medo articulada em 2014 que levou boa parte das pessoas
a acreditar numa improvável “guinada à esquerda” no segundo mandato de Dilma –
não só essa “guinada” nunca aconteceu, como o governo capotou. Enquanto
capotava, eram tentadas por uma última vez as mesmas técnicas de cooptação
através de loteamentos e leilões de cargos no executivo.
Sem recorrer diretamente ao discurso de medo, o PSOL também
vem fazendo isso contra Crivella, e em alguns momentos considero que resvalou
nessa estética. De fato, expor os problemas da candidatura rival é sempre
necessário em alguma medida, mas prefiro uma retórica da esperança. Os limites,
obviamente, são tênues e precisam ser manejados com delicadeza.
Não encaro o PT como inimigo, até porque não sou militante
do PSOL. Apoiei o partido nas últimas eleições, mas não me sinto comprometido
com ele em qualquer medida. Caso Freixo seja eleito, estarei entre as primeiras
fileiras de críticos sempre que julgar oportuno ou necessário. Me considero
socialista, não “esquerdista” – recuso deliberadamente esse rótulo
homogeneizador. Tampouco me enquadro em qualquer ortodoxia socialista – sinto verdadeira
alergia a ortodoxias. Costumo brincar: meu cérebro é socialista, meu coração é
anarquista e meu estômago, capitalista. Sou fiel a meus princípios, não a
partidos ou políticos – quem é fiel a partidos sempre termina traindo a si
mesmo. Tampouco sou fiel a “ideologias”, esses construtos semiteológicos que
tantas vezes conduzem à servidão intelectual. O “líder” sabe o que faz, mas quando
um “líder” me dá as costas para me conduzir a lugares maravilhosos que mal
consigo imaginar, sinto ganas de não-sei-o-quê. No dia em que Freixo começar a
me dizer o que fazer, chamando-me de “companheiro”, mas tratando-me como
empregado, abandono-o imediatamente.
Não sou inimigo do PT. Reconheço que o PT desempenhou
importante papel na história recente do país. A atuação do partido foi crucial
para a formulação da Constituição de 88. Infelizmente, para garantir espúrios
pactos de governabilidade, o partido também se mostrou passivo e conivente
diante de tantas emendas e “remendos” que dilapidam esse mesmo legado. Nesse
sentido, é emblemático que o recente pedido de Impeachment tenha a assinatura
de Hélio Bicudo, destacada figura do PT à época da constituinte. O mérito do
pedido pode e deve ser questionado, mas rotular sumariamente Bicudo como “senil”
é um atalho fácil para se esquivar das críticas.
Através da legislatura de Florestan Fernandes, o PT
articulou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, uma grande
conquista em sua época. O PT no poder pouco fez pelo ensino básico,
especialmente pelo ensino fundamental. Criou o IDEB, esse sofrível instrumento
de solapamento da autonomia pedagógica. Pouco fez para estimular a gestão
democrática da educação básica, prevista na mesma LDB-EN. O FUNDEB foi usado de
maneiras absurdas pelos governos estaduais e municipais, sem qualquer
transparência, sem que o Ministério da Educação, em qualquer momento, tomasse
uma postura mais firme. Os professores de todo o país reclamaram constantemente
disso, mas suas vozes, como sempre, não chegaram ao alto do palanque. O slogan “Pátria
Educadora”, oferecido como hóstia aos crentes que ainda comungam, foi logo
desmentido pelos primeiros meses do mandato inacabado, enquanto o Ministério da
Educação se tornou objeto de uma verdadeira dança das cadeiras.
O PT contribuiu imensamente para o debate sobre a Reforma
Agrária nos anos 90, mas sua atuação no poder executivo também não se mostrou à
altura.
No poder, PT – através de coitos satânicos no leito da
governabilidade partidária – concebeu Belo Monte, essa monumental
monstruosidade. Belo Monte é apenas mais um episódio de uma longa história de
violência contra as populações indígenas e sertanejas de nosso país. Um triste
episódio em que o PT, mais que cúmplice, foi um dos mandantes. Um monumento à
tirania e à iniquidade.
As mãos do PT, de Lula e de Dilma, que tantas vezes
apertaram as mãos de Sérgio Cabral e de Eduardo Paes, fedem a lacrimogêneo.
Seus pés, que tantas vezes pisaram em iníquos palanques fluminenses, pisam e
pesam sobre nossas cabeças. Aqueles mesmos que estrangularam as gargantas que
gritaram “não vai ter Copa” cometeram a ignomínia de gritar “não vai ter golpe”,
quando suas próprias gargantas eram estranguladas. Como esquecer o leilão de
Libra?! Como esquecer a lei antiterrorismo?! Como (como, Deus meu!) esquecer o
massacre da Cinelândia em 2013? Como esquecer o massacre salarial imposto aos
grevistas da Educação em 2014? Como esquecer que Lula, Dilma e o PT
participaram diretamente dessas atrocidades, ou ficaram calados, em culpado e
culposo silêncio? Como gritar “golpe” em defesa daqueles que se calaram diante
de todos os GOLPES que sofríamos?! Como gritar qualquer coisa em defesa do PT e
de sua “democracia”, esse triste arremedo de democracia (sem aspas)? Como
gritar qualquer coisa em defesa dos algozes e cúmplices, sem sentir a garganta
se fechar e o pulmão sufocar? Como marchar contra os “golpistas”, com os pés
atolados na lama de Mariana?!
Temer agiu como Judas em relação a Dilma, mas isso não faz
dela um messias, pois Dilma, Lula e o PT lavaram as mãos como Pilatos diante
dos crucificados de 2013 e 2014, entre os quais me encontro; gritaram “Cabral”
e “Paes”, como outrora se gritara “Barrabás”.
A crise mundial - misteriosa “marolinha” que virou tsunami -
existe, mas Dilma e o PT preferiram salvar a mobília do andar de cima a
preservar os corpos do andar de baixo. Medidas econômicas desastrosas foram
tomadas, visando manter a rentabilidade das exportações do agronegócio e das
mineradoras, enquanto o “povão” se afogava na maré montante do desemprego e da
inflação. O “povão” se afogava aos berros, mas o salva-vidas acharam que eram
apenas os uivos da “mídia golpista”. O “povão” ainda berrava, mas o salva-vidas
achou apenas que eram os moradores do andar do meio batendo suas panelas.
Não disputo “de quem é o pobre”. Não tenho a menor dúvida: o
pobre é DONO DO PRÓPRIO NARIZ! - ao contrário do que pensam aqueles que se
apropriam dele para a prática do ventriloquismo intelectual. O procedimento dessa
ventriloquia é deveras curioso: quando se descobre que o boneco tem vida
própria e fala o que pensa, o sábio ventríloquo despreza suas palavras: o
boneco é manipulado pela mídia. “No Brasil, o boneco é de direita”. Pobre
boneco, que não tem aquela idealizada consciência de classe que uma outra
classe lhe deseja impor! Boneco ingrato! Recebeu Bolsa-Boneco, Minha
casa-de-boneca – Minha vida, e agora age com ingratidão. O boneco recebeu
reajustes salariais significativos entre os anos de 2002 e 2008, e agora
reclama apenas porque seu salário se encontra há 8 anos estagnado? Que boneco
mais exigente! O boneco sofre de sérios transtornos de personalidade. Em 2006 e
2010 o boneco tinha uma sã consciência, votava bem apesar da manipulação da
mídia golpista. Em 2014, o boneco, pobrezinho, teve uma recaída. Em 2016, o
boneco ingrato não saiu às ruas em defesa de seu mestre, tamanha era a confusão
mental induzida pela mídia. Algumas pessoas tentaram ouvir o boneco,
compreender quais eram suas queixas, ouvir o que ele tinha a dizer. Essas
pessoas eram a “esquerda que a direita gosta”. Essas pessoas burras, sem visão
estratégica, achavam que seriam democráticas, mas na verdade prejudicariam o
boneco. A única maneira de manter o boneco calado, feliz e votando (porque todo
boneco calado parece feliz, desde que vote “bem”) seria fazendo mais pactos de
governabilidade. Tudo se resolve com pactos de governabilidade: unha encravada,
asma, pane de automóvel, resistência (de chuveiro) queimada e até crises
políticas. Me dê um pacto de governabilidade, e moverei o mundo! A “esquerda
que a direita gosta” não sabe o que é presidencialismo de coalizão. A “esquerda
que a direita gosta” não sabe admirar quão agradável é a paisagem, quando
descortinada do “centrão”. A “esquerda que a direita gosta” não sabe apreciar a
doce sinfonia que se evola dos gabinetes onde são selados, a portas fechadas,
os pactos escritos com o sangue do povo. O boneco precisa ser guiado, cuidado,
amparado, orientado. O boneco precisa parar de agir como um bebê chorão e
entender que o ventríloquo é adulto, e sabe exatamente o que faz. O ventríloquo
cuida dele. Como um pai cuida do filho. Como um pastor cuida de suas ovelhas.
Como um senhor cuida de seus escravos. O
boneco, ora bolas, o boneco deve calar a boca, ser feliz e votar! Votar “bem”,
é claro.
Quando o boneco vota mal, o assunto é outro. O ventríloquo
vai ao palanque-confessionário. Pede perdão, pois o boneco não sabe o que faz.
O ventríloquo agora sabe o que fazer pela remissão de seus pecados. Precisa
rezar. Rezar muito. Precisa rezar cem milhões de bolsa-famílias, três milhões
de minha casa-minha vidas, dez milhões de FIES e outras orações curiosas de
interesse público ou privado. Depois de muito rezar, o ventríloquo receberá da
Grande Estrela a inspiração luminosa, a indicação dos erros passados: faltou, é
claro, trabalho de base! Como sempre. Agora, resta apenas o último passo do
ritual de purificação, uma grande procissão vestido com o hábito de penitente –
vermelho, é claro.
Peço desculpas pelo fel amargo que aqui vomito, mas certas
palavras me deixam nauseabundo. Há certas palavras que me despertam a vontade
de trovejar. Há que haver a brisa, mas há que haver o trovão ensurdecedor, para
abrir os ouvidos dos surdos. Um trovão inquieto ante a frívola algaravia
entoada nos palanques. Me acalmo. Me acalmo, pois minha garganta estoura. Me
acalmo, porque não quero beber o vinho do ódio através da taça da indignação.
Não sou inimigo do PT. Não. O PT tem um grande passado, mas
seu presente é sombrio. O partido AINDA pode ter um grande futuro, mas precisa
se reinventar urgentemente. Precisa superar a idolatria “lulista” e reencontrar
suas raízes. O PT precisa superar sua atual tendência ao monólogo “esquerdista”
e estabelecer canais de diálogo com a sociedade mais ampla. Ouvir a voz do boneco,
em lugar de projetar a própria voz através dele. Talvez assim o partido consiga
recuperar um pouco daquilo que era o PT de 1988. É uma pena ver um partido que
já teve tanto a dizer afogando-se no mar de suas próprias palavras. Espero que
o PT pós-Lula não se torne outra triste sombra como o PDT pós-Brizola. Espero,
sinceramente, que o PT reencontre seu lugar na política brasileira e que
aprenda (ou reaprenda), finalmente, a dialogar com o povo.
O refluxo da maré (depois do debate)
Ontem um taxista me disse que votou no Crivella no 1º turno, mas gostou
tanto das falas de Freixo no debate da Rede TV que está pensando seriamente em
votar 50 no 2º turno. Admitiu que não conhecia Freixo e gostou de sua
participação. Por outro lado, ele achou ridícula a fala do
Crivella em que ficou repetindo que não ia governar com o Garotinho -
considerou a atitude infantil. Salientou que, para ele, ontem caiu a
máscara de bispo de "fala mansa". Ele estava ávido por informações sobre
o Freixo, que fiquei muito satisfeito em oferecer. O cidadão não é
bobo. A esperança bate à porta...
Waiting for the Barbarians (C.P. Cavafy)
Poema de C.P. Cavafy (escrito em 1898 e publicado em 1904; traduzido do grego por Edmund Keeley e Philip Sherrard)
What are we waiting for, assembled in the forum?
The barbarians are due here today.
Why isn't anything happening in the senate?
Why do the senators sit there without legislating?
Because the barbarians are coming today.
What laws can the senators make now?
Once the barbarians are here, they'll do the legislating.
Why did our emperor get up so early,
and why is he sitting at the city's main gate
on his throne, in state, wearing the crown?
Because the barbarians are coming today
and the emperor is waiting to receive their leader.
He has even prepared a scroll to give him,
replete with titles, with imposing names.
Why have our two consuls and praetors come out today
wearing their embroidered, their scarlet togas?
Why have they put on bracelets with so many amthysts,
and rings sparkling with magnificent emeralds?
Why are they carrying elegant canes
beautifully worked in silver and gold?
Because the barbarians are coming today
and things like that dazzle the barbarianas.
Why don't our distinguished orators come forward as usual
to make their speeches, say what they have to say?
Because the barbarians are coming today
and they're bored by rethoric and public speaking.
Why this sudden restlessness, this confusion?
(How serious people's face have become.)
Why are the streets and squares emptying so rapidly,
everyone going home so lost in thought?
Because night has fallen and the barbarians have not come.
And some who have just returned from the border say
there are no barbarians any longer.
And now, what's going to happen to us whithout barbarians?
They were, those people, a kind of solution.
What are we waiting for, assembled in the forum?
The barbarians are due here today.
Why isn't anything happening in the senate?
Why do the senators sit there without legislating?
Because the barbarians are coming today.
What laws can the senators make now?
Once the barbarians are here, they'll do the legislating.
Why did our emperor get up so early,
and why is he sitting at the city's main gate
on his throne, in state, wearing the crown?
Because the barbarians are coming today
and the emperor is waiting to receive their leader.
He has even prepared a scroll to give him,
replete with titles, with imposing names.
Why have our two consuls and praetors come out today
wearing their embroidered, their scarlet togas?
Why have they put on bracelets with so many amthysts,
and rings sparkling with magnificent emeralds?
Why are they carrying elegant canes
beautifully worked in silver and gold?
Because the barbarians are coming today
and things like that dazzle the barbarianas.
Why don't our distinguished orators come forward as usual
to make their speeches, say what they have to say?
Because the barbarians are coming today
and they're bored by rethoric and public speaking.
Why this sudden restlessness, this confusion?
(How serious people's face have become.)
Why are the streets and squares emptying so rapidly,
everyone going home so lost in thought?
Because night has fallen and the barbarians have not come.
And some who have just returned from the border say
there are no barbarians any longer.
And now, what's going to happen to us whithout barbarians?
They were, those people, a kind of solution.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Impressões sobre o debate na Rede TV (Crivella x Freixo, 19/10/2016)
O Crivella perdeu o controle em alguns momentos ou foi impressão minha?
***
Crivella se mostrou favorável à legalização do Uber. Já sabem o assunto para a conversa com os taxistas na próxima semana...
***
Crivella disse que vai investir mais na Zona Sul porque é a vitrine da cidade que gera turismo. E ainda teve a cara de pau de dizer que isso é um grande benefício para as Zonas Norte e Oeste! Obrigado, bispo!
***
Repararam que ao falar de profissionais de saúde, o Crivella só falou em médicos? E os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de laboratório? Não contam?!?!
***
"A gente não muda a essência, mas muda a forma". - Crivella, o nome disso é HIPOCRISIA.
***
"O candidato não é o missionário da África; o candidato é o senador". - O Crivella sofre de personalidades múltiplas?!
***
Pense com carinho no Freixo. Votando nulo você provavelmente ajudará o Crivella. E Crivella... nunca! O Freixo tem ótimas propostas e não tem rabo preso em conchavos partidários. Crivella vai lotear cargos para sua coligação inteira, especialmente para o PR do Garotinho. Se o Freixo conseguir cumprir um terço das propostas dele, a cidade já melhora pra caramba. Além do mais, a cidadania não acaba nas urnas. Temos que escolher o candidato com as melhores propostas e depois cobrar dele durante o governo.
***
Crivella se mostrou favorável à legalização do Uber. Já sabem o assunto para a conversa com os taxistas na próxima semana...
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Crivella disse que vai investir mais na Zona Sul porque é a vitrine da cidade que gera turismo. E ainda teve a cara de pau de dizer que isso é um grande benefício para as Zonas Norte e Oeste! Obrigado, bispo!
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Repararam que ao falar de profissionais de saúde, o Crivella só falou em médicos? E os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de laboratório? Não contam?!?!
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"A gente não muda a essência, mas muda a forma". - Crivella, o nome disso é HIPOCRISIA.
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"O candidato não é o missionário da África; o candidato é o senador". - O Crivella sofre de personalidades múltiplas?!
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Pense com carinho no Freixo. Votando nulo você provavelmente ajudará o Crivella. E Crivella... nunca! O Freixo tem ótimas propostas e não tem rabo preso em conchavos partidários. Crivella vai lotear cargos para sua coligação inteira, especialmente para o PR do Garotinho. Se o Freixo conseguir cumprir um terço das propostas dele, a cidade já melhora pra caramba. Além do mais, a cidadania não acaba nas urnas. Temos que escolher o candidato com as melhores propostas e depois cobrar dele durante o governo.
Humor eleitoral
Eleitor do Bispo é que nem enterro de anão, cabeça de bacalhau e filhote de pombo: sei que existe, mas nunca vi...
***
***
Reza a lenda que o Bispo tentou vender a alma ao Diabo, mas o Capeta não aceitou...
***
***
O BISPO é uma das peças mais traiçoeiras: seus movimentos são sempre oblíquos...
***
***
SOLDADO UNIVERSAL: Breve em cartaz no Rio... por 4 anos?!
***
***
Freixo cuidará tanto do meio-ambiente que até tem nome de árvore...
***
***
Vote num candidato próximo das raízes.
***
***
Plante um Freixo na nossa cidade - árvore dá MUDA...
***
1-Esconderás teus preconceitos.
2-Esconderás teu passado.
3-Esconderás tuas palavras.
4-Esconderás tuas alianças.
5-Esconderás tuas intenções.
6-Espalharás os boatos.
7-Aceitarás qualquer apoio.
8-Fugirás aos debates.
9-Servirás a dois senhores.
10-Gritarás Barrabás.
***
***
A
Lei do Bispo: toda rejeição pode virar omissão; toda omissão pode
virar cumplicidade; toda cumplicidade pode virar tragédia; toda tragédia
pode virar comédia; toda comédia precisa de um palhaço; todo palhaço
precisa de maquiagem; toda maquiagem parece uma máscara; toda máscara
cai um dia.
***
Os 10 mandamentos do Bispo:***
1-Esconderás teus preconceitos.
2-Esconderás teu passado.
3-Esconderás tuas palavras.
4-Esconderás tuas alianças.
5-Esconderás tuas intenções.
6-Espalharás os boatos.
7-Aceitarás qualquer apoio.
8-Fugirás aos debates.
9-Servirás a dois senhores.
10-Gritarás Barrabás.
***
Enquanto alguns gritavam Barrabás, outros lavavam as mãos. Todos passarão 4 anos pagando pelos 30 dinheiros.
***
-Satanás!!! Onde está você, Satanás?
-Chegando no Rio...
-...quem está aí?!
-Outro gatooo!
-Hein?!
-Miaaau!
***
EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO
"Espíritos zombeteiros, se vocês estiverem aí, digitem 10 nessa urna agora..."
***
Esqueçam as velhas superstições: o novo número do azar é 10 e o dia nefasto pode cair num domingo 30...
***
EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO 2
"P... R... B..."
***
Isso é estranho: quando o Bispo fala, ouço a voz de um garotinho... Acho que preciso de um descarrego...
***
Ouvi dizer que o próximo livro do Dan Brown é sobre uma cidade governada por uma estranha coligação chefiada por um bispo...
***
Quando bispo ganha, o xeque-mate é contra o Rio...!
***
Chamar "bispo, chirrin" é moleza. Difícil será dizer "bispo, chirrion". Se aprendi uma coisa assistindo Chapolim, é que com chirrin-chirrion não se brinca.
***
-Satanás!!! Onde está você, Satanás?
-Chegando no Rio...
-...quem está aí?!
-Outro gatooo!
-Hein?!
-Miaaau!
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EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO
"Espíritos zombeteiros, se vocês estiverem aí, digitem 10 nessa urna agora..."
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Esqueçam as velhas superstições: o novo número do azar é 10 e o dia nefasto pode cair num domingo 30...
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EVOCAÇÃO DO MAL IN RIO 2
"P... R... B..."
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Isso é estranho: quando o Bispo fala, ouço a voz de um garotinho... Acho que preciso de um descarrego...
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Ouvi dizer que o próximo livro do Dan Brown é sobre uma cidade governada por uma estranha coligação chefiada por um bispo...
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Quando bispo ganha, o xeque-mate é contra o Rio...!
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Chamar "bispo, chirrin" é moleza. Difícil será dizer "bispo, chirrion". Se aprendi uma coisa assistindo Chapolim, é que com chirrin-chirrion não se brinca.
Não reclame com o bispo...
Você vai MESMO bancar 4 anos de CRIVELLA?! Em 2010 você votou CABRAL
para evitar Crivella... Em 2014 você votou PEZÃO para evitar Crivella...
Em 2016 você vai de NULO por medo do FREIXO? Isso faz algum sentido?!?!
Vai realmente apostar 4 ANOS da sua vida nas mãos do Crivella?!?!
Depois não vá reclamar com o bispo, hein?!
A lenda do bispo, do garotinho e do freixo
Reza a lenda que o bispo vinha pela estrada.
Chegando à encruzilhada, encontrou com um demônio em forma de garotinho. O garotinho prometeu ao bispo uma cidade, desde que ele sacrificasse alguns cidadãos em seu altar. Fizeram um pacto e fizeram-se à estrada.
No meio do caminho encontraram um guerreiro grande como uma pedra que não queria deixá-los passar. O violento guerreiro batia em sua mulher. Quando o povo soube disso, o derrubou, liberando caminho para o bispo e o garotinho. Eles proseguiram.
Finalmente chegaram às portas da cidade, mas um grande freixo barrava a passagem.
O garotinho, sempre esperto como raposa, desmaterializou-se. Invisível, soprava mentiras nos ouvidos dos cidadãos: dizia que o freixo era amaldiçoado, que aquela árvore precisava ser abatida. Inventou até que o freixo poderia virar uma lula-sem-cabeça.
Muitos gritaram contra o freixo; achavam que apenas o bispo poderia salvá-los da maldição. Outros defendiam a árvore, desconfiados das intenções do bispo que aguardava fora de seus muros. Avisaram que haviam visto um estranho garotinho ao lado do bispo; alguns acreditaram, outros fingiram que não sabiam. Alguns velhos ainda lembravam que outrora um garotinho lhes trouxera grandes desgraças, mas a maioria dos habitantes tinha memória curta, ou fingia que não lembrava, porque sentiam muito medo do freixo. Muitos estavam indecisos.
Combinaram uma votação para decidir se derrubavam o freixo e deixavam o bispo entrar ou se mantinham a árvore e deixavam o bispo de fora. Chegou o dia da votação, então... [o velho manuscrito estava rasgado nesse ponto; cabe ao leitor imaginar o fim dessa lenda].
Chegando à encruzilhada, encontrou com um demônio em forma de garotinho. O garotinho prometeu ao bispo uma cidade, desde que ele sacrificasse alguns cidadãos em seu altar. Fizeram um pacto e fizeram-se à estrada.
No meio do caminho encontraram um guerreiro grande como uma pedra que não queria deixá-los passar. O violento guerreiro batia em sua mulher. Quando o povo soube disso, o derrubou, liberando caminho para o bispo e o garotinho. Eles proseguiram.
Finalmente chegaram às portas da cidade, mas um grande freixo barrava a passagem.
O garotinho, sempre esperto como raposa, desmaterializou-se. Invisível, soprava mentiras nos ouvidos dos cidadãos: dizia que o freixo era amaldiçoado, que aquela árvore precisava ser abatida. Inventou até que o freixo poderia virar uma lula-sem-cabeça.
Muitos gritaram contra o freixo; achavam que apenas o bispo poderia salvá-los da maldição. Outros defendiam a árvore, desconfiados das intenções do bispo que aguardava fora de seus muros. Avisaram que haviam visto um estranho garotinho ao lado do bispo; alguns acreditaram, outros fingiram que não sabiam. Alguns velhos ainda lembravam que outrora um garotinho lhes trouxera grandes desgraças, mas a maioria dos habitantes tinha memória curta, ou fingia que não lembrava, porque sentiam muito medo do freixo. Muitos estavam indecisos.
Combinaram uma votação para decidir se derrubavam o freixo e deixavam o bispo entrar ou se mantinham a árvore e deixavam o bispo de fora. Chegou o dia da votação, então... [o velho manuscrito estava rasgado nesse ponto; cabe ao leitor imaginar o fim dessa lenda].
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Freixo vai fazer uma "revolução comunista" no Rio?!
O Freixo não vai fazer uma "revolução comunista" pelos seguintes
motivos:
1) O PSOL vai governar sem maioria na câmara dos vereadores;
2) O prefeito não tem nenhuma atribuição constitucional que permita a ele mexer com direitos de propriedade, entre outros - o prefeito não pode modificar a constituição, nem os códigos civil, penal, comercial etc;
3) O prefeito sequer tem a seu serviço um grupo armado - inclusive o Freixo é contrário ao armamento da Guarda Municipal;
4) O PSOL defende outra vertente de socialismo, pautada pela participação democrática dos cidadãos na gestão; uma das principais propostas de Freixo é a criação dos conselhos de bairro - ou seja, um modelo de administração MENOS autoritária que a atual;
5) Desde sua fundação o PSOL defende uma esquerda sem personalismo - exatamente o oposto do chavismo, castrismo, maoísmo, stalinismo, getulismo, brizolismo entre outras tantas formas de liderança carismática - na verdade, o PSOL surgiu de uma corrente do PT insatisfeita com o "lulismo";
6) Tem gente com medo de que o PSOL vire um "novo PT" - isso faz pouco sentido, até porque os fundadores do PSOL abandonaram o PT assim que Lula chegou ao poder, insatisfeitos com os "pactos de governabilidade" do primeiro mandato petista. O PRB do Crivella é que sempre fez parte da base aliada do PT e só pularam fora depois que o barco começou a afundar. Lula inclusive frequentava os palanques do Crivella e apoiou o bispo no 2.o turno de 2014, contra o Pezão.
1) O PSOL vai governar sem maioria na câmara dos vereadores;
2) O prefeito não tem nenhuma atribuição constitucional que permita a ele mexer com direitos de propriedade, entre outros - o prefeito não pode modificar a constituição, nem os códigos civil, penal, comercial etc;
3) O prefeito sequer tem a seu serviço um grupo armado - inclusive o Freixo é contrário ao armamento da Guarda Municipal;
4) O PSOL defende outra vertente de socialismo, pautada pela participação democrática dos cidadãos na gestão; uma das principais propostas de Freixo é a criação dos conselhos de bairro - ou seja, um modelo de administração MENOS autoritária que a atual;
5) Desde sua fundação o PSOL defende uma esquerda sem personalismo - exatamente o oposto do chavismo, castrismo, maoísmo, stalinismo, getulismo, brizolismo entre outras tantas formas de liderança carismática - na verdade, o PSOL surgiu de uma corrente do PT insatisfeita com o "lulismo";
6) Tem gente com medo de que o PSOL vire um "novo PT" - isso faz pouco sentido, até porque os fundadores do PSOL abandonaram o PT assim que Lula chegou ao poder, insatisfeitos com os "pactos de governabilidade" do primeiro mandato petista. O PRB do Crivella é que sempre fez parte da base aliada do PT e só pularam fora depois que o barco começou a afundar. Lula inclusive frequentava os palanques do Crivella e apoiou o bispo no 2.o turno de 2014, contra o Pezão.
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