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terça-feira, 25 de junho de 2013

Reforma Política já!

Há 29 anos, o Brasil clamava: "Diretas já"!

Hoje é necessário erguer um novo grito: "Reforma Política já"!

Com Dilma, ou sem Dilma.

Com constituinte ou sem constituinte.

Com ou sem plebiscito, mas de preferência com ele!

Sejamos de direita, esquerda ou centro; sejamos partidários, apartidários ou suprapartidários.

A Reforma Política é o melhor caminho para se transformar essa democracia na autêntica voz do povo brasileiro. Essa voz tem de ecoar de Norte a Sul, de Leste a Oeste, nos campos e nas cidades!

Superando nossas diferenças, ergamos essa bandeira: ela é nossa melhor chance de construir um Brasil melhor nos anos por vir.

A Reforma Política vale muito, muito mais que vinte centavos.

Vamos às ruas apoiar a Reforma Política!

Mostremos ao nosso congresso, a todos os responsáveis pelo Executivo, Legislativo e Judiciário que esse é o nosso desejo.

Que todos eles percebam que nos move um desejo maior: participar ativamente, ter vez, voz e voto nas decisões importantes do nosso país!

Reforma Política já!!!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Greve geral" - opinião e sugestões

Caros amigos,

o evento do Facebook "Greve geral" já conta com milhares de confirmações de participação. Devo dizer que essa proposta me parece completamente equivocada. Muita coisa tem sido dita a respeito do evento e de seu organizador, um tal Felipe Chamone, inclusive acusações de vinculação a partidos e de posicionamentos "fascistas", "direitistas", etc.

Me dei ao trabalho de investigar a situação e, honestamente, acho tais acusações infundadas. Me parece que o proponente do evento é até uma pessoa bem intencionada, mas já pelo texto na comunidade e outras intervenções suas é possível perceber que se trata de pessoa pouca habituada a discussões políticas de qualquer espécie e de opiniões extremamente superficiais e canhestramente formuladas. Diria que mais um dos nossos "chapolins" da hora presente. Não creio que seja pessoa capaz de articular um movimento dessa magnitude de modo competente.

Contudo, deixemos de lado qualquer argumento ad hominem; analisemos o movimento, não a pessoa.

Primeiramente, como se pode ver na própria página do evento, a pauta do evento é um emaranhado mal costurado de propostas vagas e imprecisas. Antes de se fazer uma "greve geral", é preciso pensar muito bem quais são os motivos e as reivindicações em jogo.

Além disso, ir para uma manifestação de rua é uma coisa relativamente simples. Uma greve legítima é algo MUITO diferente. Existe legislação regulamentando os direitos à greve, ou seja, é uma iniciativa que deve corresponder a inúmeros requisitos legais. Digam o que quiserem, vivemos em um Estado de direito e as leis são as regras do jogo democrático. Como bem dizia Gandhi, as leis só devem ser seriamente desrespeitadas quando moralmente afrontosas e iníquas; não é o caso das leis sobre greves, apesar de suas limitações.

Deve-se acrescentar o seguinte: quem determinou quando começa a greve? Quem decidirá quando ela termina? Quem negociará as reivindicações? Junto a que órgãos governamentais ou entidades patronais? O Sr. Felipe Chamone?! Uma greve, em todos os seus aspectos deve ser conduzida através de decisões coletivamente votadas por uma assembleia. É a lei. E todos queremos respeitar as leis, não é? Ou iremos pisoteá-las como certos políticos que tanto criticamos?

Por fim, como já podemos ver, greve é coisa muito séria, e para que qualquer manifestação popular funcione, é necessário um mínimo de pertinência e coerência terminológica e legal. O que está sendo proposto não é uma "greve geral", por todos os motivos citados. Creio que o termo mais adequado seria um "boicote geral" - pois, até onde eu saiba, um boicote não é regido por leis específicas.

Em suma, qualquer iniciativa política é válida, e cabe a cada um decidir se participará ou não. Mas o exercício pleno da cidadania exige maturidade, reflexão e discernimento. Não podemos seguir impensadamente a primeira bandeira que se levanta no horizonte, sob pena de nos tornarmos "cegos conduzindo cegos".

Quanto a mim, "tô fora" dessa "greve geral"!

domingo, 23 de junho de 2013

A composição dos manifestos - uma perspectiva em microescala

Quantidade não é qualidade.

Tenho visto muitas pessoas perdendo tempo em debates esteréis sobre QUANTAS pessoas havia nas ruas do Rio na última semana. Honestamente, considero uma discussão perfeitamente irrelevante para nossas necessidades atuais. Basta dizer que havia MUITÍSSIMAS pessoas, em quantidade significativa e incontornável. A cifra exata, para mais ou para menos, além de impossível de definir precisamente, não nos esclarecerá de modo considerável.

Pelo contrário, creio que seja urgente uma reflexão mais atenta a respeito das forças sociais componentes dessas manifestações, de modo a compreender (um pouco) melhor a resultante que temos visto nas ruas e nas diferentes mídias, incluindo obviamente a Internet e as redes sociais.

Obviamente é impossível definir as motivações de cada um dos milhares que têm participado dessa movimentação. No entanto, devemos refletir sobre a pluralidade que marca essa participação política. Pluralidade muito bem vinda, por sinal. Que fique bem claro, não lamento a falta de clareza atual. No entanto, me parece que sua permanência indefinida levará a um esvaziamento dessas manifestações.

Também deixo claro que não desejo que os participantes se unam em um único discurso e sob uma única bandeira. Antes de tudo, porque seria impossível - sejamos realistas. Em seguida, porque acho muito mais rico politicamente que haja pluralidade e diversidade. Me desagradaria profundamente que surgisse daí alguma ideologia monopolizante, à direita ou à esquerda. Além do mais, qualquer discurso capaz de unificar e agradar a TODOS seria necessariamente um discurso superficial e empobrecido. É importante que em lugar de um movimento único tenhamos muitos movimentos paralelos atuando de modo simultâneo e convergente. Aceitar a diversidade de posturas e opiniões, sem desqualificar ou desmerecer posicionamentos conscientes de qualquer natureza é uma mostra de maturidade democrática. Acho que podemos chegar lá.

Também não quero desvalorizar nossos "Chapolins ideológicos" da hora presente. Acho excelente que pessoas anteriormente despolitizadas se interessem pela vida política de nosso país. Elas não devem ser rechaçadas como um incômodo. Devemos sim dialogar com elas, de modo a promover a educação política de nossa nação. No entanto, evitemos posturas arrogantes. Há pessoas despolitizadas e mal informadas que ainda assim têm pontos de vista muito interessantes e ricos. Devemos ouvi-las e ajudá-las a transformar essas contribuições em algo mais consistente.

Dito isso, vamos à nossa análise da composição dos manifestos. As observações que seguem derivam do que tenho visto e ouvido de pessoas próximas, com que tenho contato diretamente, seja pessoalmente ou por meios eletrônicos. É o espaço amostral de que disponho para análise. Por isso mesmo, trata-se de uma "perspectiva em microescala".

Procurarei aqui identificar não tanto grupos ou categorias de pessoas, classificando-as de modo rígido. Na verdade, quero principalmente identificar um repertório de atitudes. Por sinal, dificilmente alguém enquadrar-se-á numa atitude única, mas em várias. Trata-se de categorias complementares, e não excludentes.

E lá vai nosso repertório:

Os Politizados Partidários - são aqueles que já algum tempo participam de modo ativo da vida política do país, mostrando-se comprometidos com as plataformas políticas de algum partido específico, seja de esquerda ou de direita (sim, porque ser politizado não é sinônimo de ser de esquerda).

Os Politizados Apartidários ou Suprapartidários - são as pessoas que têm o hábito cotidiano de pensar e debater sobre política e possuem posturas conscientes e bem embasadas sobre a vida política do país, sem cultivar vínculos com nenhum partido específico. (OBS: me situaria nessa categoria).

Os Antipartidários - são contrários à própria existência de partidos políticos, de modo um tanto vago. Me parece um fermento político pernicioso, cego à necessidade de pluralidade ideológica.

Os Insatisfeitos - pessoas pouco politizadas e muito irritadas com a situação do país. Querem demonstrar sua insatisfação, mas não apresentam bandeiras muito concretas, e sim um sentimento de descontentamento difuso.

Os Raivosos - mais que insatisfeitos, têm raiva, um ódio visceral aos políticos, à situação do país, etc. Articulam um discurso vingativo e revanchista. Querem ver políticos presos, destituídos, punidos das mais variadas formas. Querem ver o circo pegar fogo.

Os Empolgados - pessoas que nunca ligaram muito para política, céticas em relação a alternativas, mas que agora estão entusiasmadas pela possibilidade de encontrar novas possibilidades e meios de atuação coletiva. É um grupo muito positivo, que pode enriquecer muito a qualidade do movimento.

Os Deslumbrados - têm um olhar um tanto narcisista sobre o movimento, encantados com a quantidade de pessoas, com o povo nas ruas, etc e sentem um orgulho indisfarçável por participar. Apreendem o conjunto da situação sob um viés predominantemente estético: tudo é tão lindo!

Os Festivos - participam como se fosse uma farra, como se estivessem num estádio ou num bloco de carnaval. Vão mais pelo modismo, pela azaração e para postar fotos... O clima desses participantes é um tanto ao estilo "Rock In Rio - Eu vou!"

Os Violentos ideológicos - praticam atos de vandalismo e de depredação por orientação ideológica, baseados em discursos consistentes de revolta armada, revolução pela força, etc. Quem fez graduação em História ou áreas afins conhece o tipo.

Os Violentos indignados - pessoas que adotam atitudes agressivas como forma de explosão raivosa contra o sistema, agindo de modo quase catártico.

Os Criminosos oportunistas - gente que está se aproveitando da situação para saquear lojas ou destruir símbolos de status dos quais se vêm excluídos. Sua atuação tem estreita relação com as pulsões consumistas cotidianamente cultivadas por nossa sociedade.

sábado, 22 de junho de 2013

"V de Vingança" ou "C de Chapolim"?

Dedicado aos amigos Roger Marques e Tiago Ribeiro


As apropriações culturais mais interessantes são quase sempre fruto de manobras criativas e imprevisíveis. É o caso do percurso trilhado pela obra V de Vingança ("V for Vendetta", no original).

A máscara de Guy Fawkes (rebelde inglês do século XVII) durante séculos foi objeto de execração em comemorações anuais na Inglaterra, ao estilo da nossa "malhação do Judas". No início dos anos 80, o quadrinista britânico Alan Moore se apropriou da imagem para a impactante caracterização do personagem V, numa obra que criticava o contexto das reformas neoliberais empreendidas na "Era Thatcher". Cerca de três décadas depois, a máscara de V/Guy Fawkes foi tomada como símbolo de manifestações populares contra o mesmo sistema neoliberal, em sua fase mais avançada, em que os sinais de deterioração sociais decorrentes se tornam nítidos ao redor do mundo. Até onde sei, essa apropriação da imagem começou em Nova York, com o movimento de ocupação em Wall Street. Depois de tímidas aparições em solo brasileiro, chega com toda força a nossas ruas.

Com certeza, Alan Moore deve estar muito satisfeito com essa trajetória. Ouso dizer que Guy Fawkes também, com a eclosão de seu legado simbólico, após tantos séculos.

No entanto, vale observar que muitas pessoas estão usando a imagem de modo um tanto vazio. Provavelmente não leram a história em quadrinhos e talvez nem tenham assistido o filme. Usam a máscara de V, mas articulam discursos totalmente incongruentes com as críticas elaboradas pela obra de Moore. Muitos talvez nem saibam de onde o símbolo saiu. Por outro lado, há aqueles que talvez até tenham lido - usam fantasias completíssimas inclusive - mas apenas balbuciam palavras de ordem banais e propostas superficiais.

Enfim, o que temos visto por aí combina muito pouco com V, personagem coerente, analista preciso da realidade, dono de um discurso orgânico e planejador astuto e sagaz. Enfim, nada a ver com muitos setores que têm frequentado as ruas brasileiras, defendendo plataformas ocas, repetindo bordões e entoando cantorias de significado duvidoso.

Enfim, estão mais perto do desorientado Chapolim Colorado que do metódico V.

Como sabem quase todos que cresceram no Brasil nos anos 80 e 90, o nosso querido herói latino nem sempre age de modo muito consistente. De fato, mete os pés pelas mãos, "esclarecendo" em seguida que seus movimentos são friamente calculados...

Pior ainda, apesar de seus nobres sentimentos, o ingênuo Chapolim é facilmente ludibriado. Pior ainda, o Polegar Vermelho adere a qualquer causa sem pedir maiores esclarecimentos. Em diversos episódios o vemos ajudando cientistas malucos a realizar experimentos inescrupulosos, bandidos a saquear casas, espiões a roubar documentos, e por aí vai... Muita gente tem andado por nossas ruas levantando bandeiras que não sabem exatamente de onde saíram nem aonde querem ir. De fato, não conto com a astúcia dessas pessoas.

Enfim, fica o recado: "Chapolins" de todo o Brasil, fiquem atentos e usem melhor suas anteninhas de vinil para detectar a presença do inimigo - e não colabore com ele!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Impressões sobre a "Revolta dos 20 centavos"

Apenas algumas notas avulsas sobre os recentes acontecimentos:

-É bom ver o pessoal saindo da apatia. Mas não nos enganemos com a força dos números. Havia milhares de pessoas, mas é LITERALMENTE IMPOSSÍVEL saber exatamente com que causas cada um ali estava comprometido. Nesse momento, a euforia é compreensível, mas a reflexão é imprescindível. É preciso pensar com seriedade até onde essa movimentação pode nos levar. Essa efervescência pode nos conduzir a realizações maravilhosas ou a desastres monstruosos. Há que ter esperança, há que ter otimismo, mas a prudência também se faz necessária.
 
-Na hora que corre, mais vale a dúvida sábia que a certeza enganosa.
 
-Seria falacioso pensar em um movimento; na verdade, já se tornou óbvio que existem muitos movimentos diferentes acontecendo em caráter de simultaneidade, operando numa efêmera convergência; por sinal, as linhas de fratura já estão aparentes.
 
-Cuidado com as adesões precipitadas. Como sempre, há manipuladores de plantão prontos para tirar proveito dessa mobilização. Não somos ingênuos o suficiente para duvidar que nesse exato momento inúmeras mentes nos mais variados escalões do governo, nos mais diversos partidos políticos, nos grupos empresariais, nos grupos de comunicação, DENTRO E FORA DO BRASIL, planejando como lidar com a situação presente e como aproveitá-la para atingir suas próprias finalidades (sejam elas quais forem).
 
-Aos que participaram pessoalmente das manifestações, tenham  a sensatez de evitar a postura de donos da verdade e "testemunhas oculares" da História. Num fenômeno dessa magnitude, o que se pode "ver com os próprios olhos" é quase nada. Ninguém, absolutamente ninguém tem como adotar uma perspectiva complexa, completa e abrangente a partir do pouco que viu. Antes de acusarmos A, B ou C de mentirosos, cabe lembrar que cada um só conseguiu ver uma ínfima parte de tudo que estava acontecendo. Como dizia Sócrates, "a verdade não está com os homens, está entre os homens".
 
-A terra está fértil. Agora, precisamos escolher que sementes plantar. É necessário usar criatividade, estudar tenazmente quais são as esferas em que cada um de nós pode dar sua contribuição. A ação precisa ir muito além das ruas. Ela precisa encontrar seus espaços em todas as instituições públicas e privadas. Particularmente nós, servidores públicos, devemos assumir uma postura mais ativa em nossos espaços institucionais de atuação profissional. A boa e velha desobediência civil pode ser um caminho útil. Lembrem-se de Gandhi. Lembrem-se de Luther King. Recusar-se a cumprir ordens iníquas é um bom começo.
 
-Já temos bastante movimento; precisamos agora de mais pensamento. Meditar e agir caminham juntos. Fica o convite para todos os intelectuais brasileiros. Historiadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, linguistas, artistas, jornalistas, contribuam com suas análises, opiniões, questionamentos. Divulguem suas ideias através de todos os meios a seu alcance. Escrevam textos! Façam desenhos! Gravem vídeos! Enfim, se expressem. É hora de semear. Há muitos anos não vemos um momento tão propício para a intelectualidade sair de trás dos muros da academia e dialogar com as multidões. Abandonando velhos ranços, dediquemo-nos ardorosamente às tarefas de educar e divulgar conhecimento.
 
-O império inquestionado da grande mídia acabou. Viva! Contudo, não convém subestimá-la ainda...
 
-As redes sociais e demais ferramentas de comunicação são instrumentos importantes. No entanto, não podemos esquecer por um momento sequer que as organizações que as proporcionam são grupos privados, com donos, acionistas e objetivos próprios. Elas são essenciais agora, mas a longo prazo é necessário pensar em outras alternativas viáveis, em outros canais de convergência.
 
-O diálogo é condição sine qua non para que possamos encontrar novos caminhos. Gritar é bom; conversar é melhor ainda. É necessário saber falar e saber ouvir.
 
-Temos que mudar nosso país, mas também precisamos enxergar dentro de nós mesmos o que precisa ser mudado em benefício da coletividade.
 
-Evitemos posturas maniqueístas. Não há heróis ou vilões, bandidos ou mocinhos. Apenas pessoas. Algumas delas são bem intencionadas. Outras agem de má fé. Algumas são críticas. Outras ingênuas. Algumas sabem o que querem. Outras não. Cada um faça o melhor a seu alcance.
 
-Ante a falta de clareza e a cacofonia de discursos, abster-se de participar das manifestações de rua é uma escolha política mais que válida.

Gandhi ensinando a lidar com as forças opressoras...

"A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, é, ao contrário, uma luta contra o mal ativa e mais real que a da lei de talião, cuja natureza própria é desenvolver, com efeito, a perversidade. Considero que lutar contra o que é imoral pressupõe uma oposição mental e, consequentemente, moral. Busco neutralizar completamente a espada do tirano, não a trocando por um aço melhor, mas iludindo sua expectativa de encontrar em mim uma resistência física. Ele encontrará em mim uma resistência de alma que escapará à sua força. Tal resistência o deslumbrará e o obrigará a inclinar-se. E o fato de inclinar-se não humilhará o agressor, mas o enaltecerá. Podemos dizer que isto seria um estado ideal. E o é!"

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Palavras de Gandhi aos manifestantes do Brasil

"O erro não se torna verdade por se fundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver".

"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio".

"Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo".

"O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido".

"Oponho-me à violência pois quando ela parece produzir o bem, tal bem não tem senão resultado transitório, enquanto que o mal produzido é permanente".

(Fonte: Gandhi - O apóstolo da não-violência; Editora Martin Claret)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Prometeismo político

Honestamente, ando cansado de tanta polarização descerebrada nos debates atuais.

Seja à "esquerda", "direita" ou ao "centro" há pouca disposição para o diálogo, para o questionamento e, ainda mais importante, para o autoquestionamento.

De fato, creio que seria justamente o autoquestionamento a via para nos tirarmos dessas discussões horizontais e rasteiras, bem como nos livrarmos de tantos rótulos vazios.

Não quero estar à "esquerda".

Tampouco quero estar à "direita".

O "centro" me entedia.

Aceito apenas o Alto, nada menos que o Alto.

Prefiro as dores e dúvidas do Cáucaso às banais "certezas" das planícies...

Semper plus ultra!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Os vícios do olhar

Há cerca de um mês realizei um "seminário relâmpago" com meus alunos do 1º ano do ensino técnico. O objetividade da atividade era fazê-los experimentar na prática como é feita a pesquisa com fontes primárias. Para tanto, dividi as turmas em grupos; cada um recebeu uma gravura de Debret sobre o Rio de Janeiro à época de D. João VI ou do Primeiro Reinado, acompanhada do texto explicativo redigido pelo próprio Debret. Tratava-se de imagens do cotidiano carioca, com cenas de comércio, festividades religiosas ou profanas, transporte, entre outros temas. Orientados por alguns questionamentos e tópicos, os alunos deveriam analisar suas respectivas fontes e apresentá-las diante da turma.

Como pode-se imaginar, havia inúmeras pessoas negras representadas nessas imagens. Propositadamente eu havia escolhido apenas cenas onde não houvesse personagens negros em situações degradantes de tortura, maus tratos ou humilhações. Além disso, procurei enfatizar aquelas onde eram retratados personagens negros explicitamente identificados como livres nos textos de Debret.

O resultado foi tristemente surpreendente - embora previsível. A maioria dos grupos, ao apresentar para os colegas suas respectivas imagens identificavam esses personagens negros como "escravos", apesar dos textos claramente dizerem o contrário. Em todos os grupos o texto fôra lido, como as explicações dos alunos mostravam. No entanto, a generalização equivocada de que antes da Abolição todas as pessoas negras no Brasil eram escravas falou mais alto.

Obviamente esclareci que nem todos os negros brasileiros dessa época eram cativos, salientando inclusive que em algumas das imagens de Debret eles eram representados desempenhando papéis ativos na vida social.

Não é difícil entender a perplexidade de meus alunos. De fato, desde o início da República o imaginário que vem sendo coletivamente perpetuado corresponde a esses preconceitos. Me parece que particularmente as novelas de época contribuem para esse panorama, com poucas exceções. Pior ainda, muitas vezes essa interpretação do negro como vítima da História em nosso país é enfatizada mesmo por aqueles que defendem os direitos dos afrodescendentes.

Numa perspectiva mais ampla, o episódio me lembra que devemos estar constantemente vigilantes contra os variados vícios do olhar, que também nos induzem a vícios do pensar e, pior ainda, do agir...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A História segundo Chaves e Prof. Girafales

Diário do Chaves, Roberto Gómez Bolaños

"O Professor Girafales nos contou que a História começou a ser escrita há milhões de anos. Ou seja: já tiveram tempo suficiente para acabar de escrevê-la, não? Porque, nesse ritmo, não vão acabar nunca.

Depois escreveu uma coisa no quadro e mandou que a gente copiasse. Foi isso que eu copiei:

'Devemos estudar História sem gerar sentimentos de ódio; sem espírito de vingança. Não para piorar as coisas, e sim para melhorá-las. Em uma palavra: com Amor.'

E como não entendemos muito bem o que ele queria dizer, depois nos explicou que há livros e professores que, com suas lições de história, o que fazem é nos ensinar a odiar o próximo. Por exemplo: os espanhóis, por terem conquistado o México; os americanos, por terem ficado com a metade do território mexicano; os franceses, por terem nos imposto um imperador que não era daqui etc. Mas isso é muito ruim. Não devemos odiar ninguém.

E, menos ainda, odiar uma pessoa pelo que  seus antepassados fizeram de errado. Por exemplo: sabe-se que entre os espanhóis que conquistaram os mexicanos havia de tudo: maus, regulares e bons. Os maus levaram todo o ouro e toda a prata que podiam, além de terem maltratado os índios, que tinham de fugir escondendo-se na mata virgem (aliás, o professor explicou que se chama 'mata virgem' aquela em que o Homem não entrou. Ou seja: depois que chegaram os espanhóis, nem a mata ficou virgem). Mas os bons, por outro lado, defendiam os índios e lhes ensinavam a fazer coisas úteis. Os melhores eram os missionários, que, além de tudo, ensinavam aos índios o que fazer pra manter a alma limpa (os índios, por sua vez, ensinavam aos espanhóis o que fazer pra manter o corpo limpo).

Mas ainda que levássemos em conta só os maus, os espanhóis de hoje não são mais aqueles que nos conquistaram. Portanto, não devemos odiar alguém pelo que seus antepassados fizeram. Ou seja: é como se o Quico se odiasse porque seus pais o fizeram tão feio.

Depois o Professor Girafales nos disse que também não devemos odiar os americanos (que continuam sendo os gringos) por terem tirado a metade do território do México (aliás, Seu Madruga contou que tiraram a melhor parte, ou seja, onde estão as melhores estradas e tudo o mais). Porque o professor disse que não foi culpa só deles, mas também de muitos mexicanos que preferiam lutar entre si a se defender deles. E isso está errado, porque, se entram na sua casa pra roubar, o mais importante é se defender dos ladrões, antes de brigar com seus irmãos.

E, de qualquer jeito, acho que aqueles gringos também não são os mesmos de hoje. Ou seja: é pra rezar e pedir a Deus que os de hoje não sejam piores do que aqueles.

Depois o professor nos explicou a história do imperador que os franceses puseram no México: chamava-se Maximiliano, mas o mais curioso é que não era francês, e sim australiano*. E dizem que ele nasceu na ambulância**, porque era da família dos Absurdos***. Aí, Godines disse que, por outro lado, quem fora francês era Pancho Villa, mas o professor lhe perguntou de onde ele tinha tirado a ideia de que Pancho Villa era francês, e Godines disse que era Francês-co Villa.

Depois a Chiquinha perguntou o seguinte: se Maximiliano não era francês, por que se dizia que era uma invasão dos franceses? E o professor respondeu que quem enviara Maximiliano havia sido o imperador da França, que se chamava Napoleão. Aí a Chiquinha disse que esse ela conhecia, pois tinha ficado muito famoso pela sua pobreza. Mas o professor disse que não, que Napoleão não tinha sido pobre, e a Chiquinha respondeu:

-Mas eu vi que ele andava com uma mão na frente e outra atrás! - (E disse isso rindo, sabe-se lá por quê). E o Professor Girafales lhe disse que em primeiro lugar, ela estava falando de Napoleão Primeiro (e escreveu assim: Napoleão I), e que ele estava se referindo a Napoleão Terceiro (e escreveu assim: Napoleão III). Aí perguntei se não eram a mesma pessoa. E o professor me disse que não. Como é que o primeiro podia ser o mesmo que o terceiro? É que eu achava que eram a mesma pessoa, só que iam colocando tracinhos conforme ele fazia aniversário.

Aí o professor deu um suspiro e pediu que tornássemos a copiar o que estava no quadro.

E, portanto, tornei a copiar:

'Devemos estudar História sem gerar sentimentos de ódio; sem espírito de vingança. Não para piorar as coisas, e sim para melhorá-las. Em uma palavra: com Amor.'"

-------
* É óbvio que o Chaves ouviu mal quando o professor disse 'austríaco' (N. do A.).
** O professor deve ter dito que Maximiliano nasceu na "opulência" (N. do A.).
*** Não há dúvida: o professor só pode ter dito "Habsburgos" (N. do A.).

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dossiê França Antártica

 
A quem interessar possa, saiu na revista História Viva desse mês um Dossiê França Antártica, onde se encontra um artigo de minha autoria, "Os egressos da França Antártica". O texto discute as trajetórias de alguns participantes do empreendimento francês na Guanabara após o fim da colônia. Como resumi em um dos parágrafos,

"A França Antártica não foi uma iniciativa isolada, mas parte essencial do desenvolvimento das navegações francesas no Atlântico. Embora tenha sido breve o empreendimento, seus participantes se espalharam pelo mundo, atuando na colonização francesa ou ibérica na América, em lutas religiosas, chegando à Ásia. Nesses anos, a Guanabara foi uma encruzilhada do planeta, entrelaçando vidas na aurora da gloalização".

O dossiê também conta com os textos "O almirante francês da Guanabara", de Vasco Mariz, sobre o cavaleiro de Villegagnon, e o artigo "Os primeiros cariocas", de Dirley Fernandes, a respeito do papel dos índios na França Antártica.

sábado, 27 de abril de 2013

Leituras - "Monstro de Deus", de David Quammen

Depois de uma qualificação e dois artigos, de volta ao velho blog!

Nesse meio tempo, tive oportunidade de ler alguns livros maravilhosos em minhas horas vagas, dentre os quais o interessantíssimo Monstro de Deus, cujo esclarecedor subtítulo em Português é "Feras predadoras: história, ciência e mito". A obra constitui um excelente exemplo do quanto um bom trabalho de divulgação científica, escorado em pesquisa sólida e questionamentos criativos pode oferecer perspectivas intelectuais extremamente instigantes.

David Quammen elabora uma interessante abordagem interdisciplinar, unindo ciências humanas e biológicas para discutir as relações entre as culturas humanas e os grandes predadores ou, como os denomina, os "predadores-alfa", animais capazes de atacar e devorar sozinhos um ser humano, como leões, ursos, crocodilos, tigres, entre outros.

Sua análise explora a temática em diversos sentidos, por exemplo, discutindo as relações entre mitologia e ecologia, explorando as relações entre as feras mitológicas e as interações entre os homens e seus ecossistemas em épocas arcaicas. Para tanto, recorre a textos como a epopeia de Gilgamesh, o Nibelungenlied, a saga de Beowulf ou a Bíblia. Como bem observa Quammen, Humbaba ou Leviatã eram mais que monstros - eram a personificação da fragilidade humana ante uma natureza poderosa e incontrolável, povoada por grandes animais realmente capazes de reduzir indivíduos à condição de refeição... Como sintetiza o autor, "uma morte no trânsito é um infortúnio banal que não choca a consciência pública com a mesma força que um urso homicida, devorador de carne. Uma coisa é estar morto. Outra coisa é transformar-se em carne".

Um dos pontos altos do livro é a discussão do artigo Being Prey ("Ser presa"), da filósofa australiana Val Plumwood, sobrevivente de um ataque de crocodilo em sua juventude:

"'Se a morte ordinária é um horror, a morte nas mandíbulas de um crocodilo é o horror supremo', testemunha Plumwood. Seu horror mais profundo deriva daquelas 'quebras de fronteiras proibidas' que combinam 'decomposição do corpo da vítima com a reviravolta da vitória sobre a natureza e a materialidade que a morte cristã representa. A predação de crocodilos sobre humanos ameaça a visão dualista do domínio  humano sobre o planeta no qual somos predadores mas não podemos nunca ser presas. Podemos consumir diariamente outros animais aos bilhões, mas nós mesmos não podemos ser comida para vermes e certamente não carne para crocodilos'".

De fato, tornar-se presa é a antítese radical de nossas antropocêntricas ilusões sobre o cosmo - e nosso lugar no cosmo. É assumir um papel que há muito nos recusamos a representar, especialmente em nossa sociedade hedonista, que procura inutilmente expulsar da vida as dimensões de sofrimento. É lembrar humildemente que não somos o centro do universo.

Quammen explora magistralmente as ramificações políticas, econômicas e sociais dessa questão em vários contextos históricos, formando um complexo quadro sobre a importância dos animais em nossas vidas e em nosso imaginário. Um livro indispensável para todos aqueles que se interessam pela ecologia e por nossas relações com o mundo natural.

sábado, 13 de abril de 2013

O robô político

"Quando observamos algum político de segunda na tribuna repetindo de modo mecânico os chavões familiares [...] temos muitas vezes a curiosa sensação de que não estamos vendo um ser humano, mas algum tipo de simulacro [...] E isso não é de forma alguma uma fantasia: o orador que usa esse tipo de fraseologia já avançou muito no sentido de se transformar numa máquina. Os ruídos apropriados saem de sua laringe, mas seu cérebro não está envolvido como estaria se ele escolhesse as palavras por si mesmo. Se o discurso que faz é do tipo que está acostumado a repetir sem cessar, ele talvez quase não tenha consciência do que diz, como acontece quando repetimos respostas numa igreja".

George Orwell

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma agradável surpresa!

Ser citado por Mary Del Priore... Não tem preço! Como diria minha amiga Ana Delmas, estou virando zooplâncton!


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Escambo inflacionário

Desde a minha graduação (lá se vão alguns anos...) venho me questionando sobre alguns aspectos curiosos do comércio entre europeus e ameríndios na Alta Idade Moderna. Resumo aqui uma pequena parte desse percurso. Para começar, tomo a liberdade de citar meu primeiro livro (Entre Genebra e a Guanabara) onde algumas dessas questões já apareciam, ainda de modo muito cru:

"Comercialmente, a relação era vantajosa para ambos [franceses e tupinambás], apesar das constantes afirmações de que os índios eram vítimas da astúcia europeia. Mas, enfim, quem enganava quem? Os franceses trocavam com os índios ninharias que lhes pareciam de pouco valor, mas inestimáveis aos indígenas por sua raridade e, em diversos momentos, utilidade, como os instrumentos de metal, determinantes de verdadeiro salto tecnológico, do ponto de vista da eficiência, em seu uso para tarefas antes sumamente trabalhosas. Em contrapartida a esses preciosos bens, cediam aos europeus objetos da mais perfeita inutilidade, sobretudo o pau-brasil, que para eles era apenas madeira como qualquer outra das que encontravam em abundância na mata. Seria fruto de uma interpretação extremamente etnocêntrica ver os indígenas como vítimas de um negócio injusto, tendo em vista que, como muito bem sinalizaram diversos teóricos econômicos, nenhuma mercadoria tem valor comercial intrínseco, sendo este definido única e exclusivamente pelo contexto social em questão.
[...]
Em verdade, podemos até dizer que a relação entre franceses e indígenas era assimétrica, com a vantagem do lado dos últimos. Afinal, a colônia da ilha de Serigipe [núcleo da França Antártica] tinha total dependência de seus aliados para a satisfação das necessidades mais básicas, ao passo que os da terra tinham perfeita autonomia, tendo em vista que tudo que recebiam dos franceses, mesmo os bens mais úteis, era supérfluo".

Essas observações se referiam apenas à experiência da França Antártica (no atual Rio de Janeiro, entre 1555 e 1567). Em minhas leituras mais recentes para a tese tenho encontrado outras situações curiosas em outros pontos da América, sempre ligadas à relação entre franceses e indígenas.

Um desses casos se refere à tentativa francesa de colonizar a Flórida, liderada por Laudonnière entre 1562 e 1565. Nesse breve tempo, o chefe francês tentou forjar desastradas alianças entre tribos locais, da etnia timucua - todas rivais entre si! Cada passo de Laudonnière tornava mais tensa a situação, intensificando os desgastes diplomáticos.

A esmagadora maioria dos colonos era constituída por militares. Para sua alimentação, dependiam inteiramente das trocas com os indígenas. Nos últimos meses da colônia, desacreditados junto aos líderes timucua, os franceses compravam a peso de ouro seus víveres dos índios cada vez mais exigentes, até se encontrarem inteiramente privados de mercadorias para troca. Em desespero, os franceses se viram forçados a lutar contra os nativos por alimento, atacando e saqueando suas aldeias.
 
Não seria de todo inadequado dizer que os franceses se viram diante de uma dinâmica comercial inflacionária, em que os indígenas aumentavam significativamente os preços (ou seria melhor dizer o valor?) de suas mercadorias, conscientes do quanto seu fornecimento era extremamente necessário aos europeus. Percebendo sua posição vantajosa nas trocas, os timucua não tardaram a se aproveitar dela - que empresário capitalista faria diferente?
 
Termino esse já longo texto citando um trecho interessante do relato da segunda viagem de Jacques Cartier ao Canadá, entre 1535 e 1536. Como o anônimo autor do texto observa, os franceses compravam grande quantidade de peixes dos nativos wendak "em troca de pequenas coisas de que se contentavam muito". No entanto, dois indígenas que retornavam da França alertavam seus companheiros, e "lhes diziam e davam a entender que aquilo que lhes dávamos não valia nada e que eles teriam facilmente machados e facas por aquilo que eles nos davam". Taignoagny e Domagaya - os dois índios em questão - incitavam seus compatriotas a inflacionar os preços.
 
Infelizmente o autor não esclarece o que aconteceu depois; de qualquer forma, o detalhe é precioso, evidenciando o quanto os indígenas estabeleciam estratégias comerciais em seus negócios com os europeus. Curiosamente, o autor censurava a ganância dos wendak, pois "o capitão [Cartier] lhes dera muitos presentes". Nota-se um curioso não-dito: a busca do lucro era aceitável entre os europeus, mas não entre os ameríndios...
 
Obviamente o tema exige muito cuidado, especialmente no uso de termos como "preço" ou "inflação" em relação a trocas não-monetárias. Pretendo aprofundar essas reflexões em outros trabalhos. No entanto, parece-me muito interessante explorar as possibilidades emergentes do encontro entre sistemas sócio-econômicos inteiramente diferentes, orientados por valores dissonantes. Concluo com outra passagem do relato da viagem de Cartier:
 
"E [os índios] lhe deram [a Jacques Cartier] de presente vinte e quatro colares de esnoguy [tipo de concha de rio], que é a maior riqueza que eles têm nesse mundo, pois eles a estimam mais que o ouro ou a prata".