sexta-feira, 6 de maio de 2016

Carta aberta à Direção do SINDPEFAETEC



05/05/2016

Caros diretores,

Não pertenço a nenhum grupo de “oposição”; falo apenas em meu nome, mas acredito que muitos outros colegas concordarão ao menos com algumas de minhas opiniões e sugestões. Meu texto pode parecer duro, mas asseguro que a intenção é conciliadora, e que minhas críticas trazem propósito construtivo.

Ao que tudo indica, nossa greve será longa e desgastante. É quase natural que nesse processo emerjam discordâncias e desavenças, que põem em risco o andamento do movimento e a própria subsistência de seus participantes (como sugere nosso último contracheque).

Nessas condições, uma direção sindical efetivamente democrática deve priorizar, antes de tudo, o amplo diálogo com a base – afinal de contas, o que se pode esperar de uma direção sindical que não ouve à base e não mostra empenho em corresponder aos anseios manifestados pelos grevistas? Somente através de um diálogo amplo e de uma postura conciliatória a direção poderá oferecer aos servidores em greve condições de desenvolver um movimento coeso e consistente, capaz de atingir conquistas trabalhistas efetivas e plenas.

Até aqui, não temos visto tal conduta por parte da direção do SINDPEFAETEC. Pelo contrário, os diretores vêm adotando uma postura intransigente e autoritária, que em lugar de dirimir conflitos e evitar tensões, as tem constantemente exacerbado, resultando em assembleias excessivamente longas e, principalmente, conflituosas, inspirando pouca confiança à categoria num momento de greve, que é sempre delicado. Quando a direção monopoliza o microfone, apenas as vaias sobram à categoria - infelizmente.

Afirmo, muito pessoalmente, que essa situação me deixa desanimado, desesperançoso e descrente quanto aos prováveis resultados de nosso movimento.

Como servidor e grevista, me sinto no dever de COBRAR da direção do sindicato, em particular dos condutores das mesas durante as assembleias uma postura mais democrática, aberta ao diálogo e respeitosa às deliberações dos grevistas reunidos em assembleia. Enfim, QUEREMOS MAIS DIÁLOGO.

Uma das principais reivindicações da categoria tem sido pela participação de representantes da base AO LADO da direção durante o processo de negociação. Me parece uma demanda justa, legítima e democrática, que tende a aumentar a representatividade trabalhista. Pelo contrário, a defesa intransigente e inflexível de uma determinada intepretação do estatuto por parte da direção sindical contra essas demandas tende apenas a exacerbar os conflitos e atrapalhar o já complicado andamento da greve. Ao menos, me parece, essa situação merece ser discutida com franqueza; creio sinceramente que o acolhimento dessas demandas por parte da direção ajudaria a dirimir tensões e superar impasses, ao mesmo tempo ampliando a confiança dos grevistas no movimento. Imagino que ganhamos muito mais que perdemos com a constituição de uma comissão de negociação ampla, representativa e democrática. Pouco importa o nome que se dê a esse arranjo – pode até ser “comando de greve” (ou não).

Nossa greve pode e DEVE ser diferente do que tem sido até agora. Espero, sinceramente, que a direção do sindicato consiga adotar outra postura, viabilizando a resolução de nossos conflitos através do diálogo e da conciliação, de modo a construir um movimento grevista democrático, participativo e capaz de trazer efetivas mudanças e melhorias aos servidores e estudantes da rede FAETEC.

Cordial e respeitosamente,
Prof. Luiz Tavares
E.T.E. Visconde de Mauá

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