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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

De torres, bibliotecas e entropia

 Toda torre é Babel e toda biblioteca passa por um momento alexandrino. As forças do universo não perdoam a arrogância humana. A crer em Victor Hugo, tudo se destina à ruína, à exceção do espírito humano.  Há que se ter paciência como Jó.



quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Oratória presidencial e decoro republicano

“Quando vejo a imprensa me atacar, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí, vocês não, vocês da imprensa, essa lata de leite condensado.”



Le Baron

 Il rit, Il rit,

C'est le Baron Samedi!

Un peu partout,

Un peu nulle part,

Comme un gamin, il rit.

C'est le Baron Samedi!




terça-feira, 26 de janeiro de 2021

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Conservadorismo - Entre ignorância e comodismo

Já dizia o liberal Stuart Mill no século XIX: "nem todo conservador é estúpido, mas quase todo estúpido é conservador" - ou algo assim.

O Conservadorismo Político conta com pensadores, estudiosos e lideranças políticas importantes em sua História, como Churchill, De Gaulle, Oakeshott, Dawson, Arriès, entre outros.

No entanto, Mill tinha boa dose de razão: a população mundial é esmagadoramente "conservadora" - e é burra (ou ao menos ignorante). 

Há que se distinguir os conservadores que SABEM diferenciar conservadorismo político de conservadorismo "moral" - e os primeiros se contam nos dedos. O "baixo conservadorismo" (por assim dizer) é meramente o apego irracional a costumes e rotinas (mesmo que tenham surgido semana passada). 

Um caso emblemático é o divórcio. Durante mais de 150 anos o divórcio foi um tabu. A sociedade ocidental viria abaixo se o divórcio fosse legalizado - não veio. E agora há literalmente milhões de pessoas divorciadas se dizendo "conservadoras". 

Embora nominalmente socialista, ouso dizer sou mais genuinamente conservador que esses "conservadores" de quinta categoria que andam por aí. 

Acho emblemático, por exemplo, que o atual governador do Paraná seja o filho do Ratinho. Um dos estados cuja população mais se orgulha de ser "conservadora" elege costumeiramente figuras grotescas, truculentas e infames para cargos majoritários. 

Mas que esperar da terra de Alborghetti e da CNT? Excluindo o programa do "Hugo", a CNT é/era o atestado de falência cultural do Paraná. O mesmo vale para Santa Catarina, que conheço bem demais, terra de minha família.

Basta lembrar que Santa Catarina e Paraná eram o paraíso dos "bugreiros" menos de um século atrás. 

Com algum exagero, pode-se dizer que a maioria dos autointitulados "conservadores" não fica muito longe do "fé, fado e Fátima" de Salazar, devidamente vertido aos gostos e inclinações locais. 

Mas adoro picles em conserva - e isso se faz muito bem em Santa Catarina.



A escada de Sócrates


 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Um apelo cristão aos cidadãos do Brasil











"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. (Tiago 4:17)


Iniciamos o ano de 2021 com muitas incertezas em relação ao cenário político, econômico e sanitário. As campanhas negacionistas em torno da pandemia da Covid-19, a falsa oposição entre fé e ciência, com a gradativa perda de empatia e de responsabilidade coletiva, visíveis na resistência ao uso correto de máscara e nas aglomerações contribuíram para que os índices diários de morte e infecção superassem os do início da pandemia.


As imagens de Manaus-AM angustiam toda e qualquer pessoa com a capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa. Imagens que poderão se repetir em outros estados se não frearmos nossos comportamentos negacionistas e egoístas. A compaixão é um dom de toda e qualquer pessoa, religiosa ou não, capaz de sentir a dor do outro.


A empatia é uma condição para o pensamento ético, tendo contribuição decisiva para o altruísmo e para a coesão social. Essa última é essencial para constituição de uma nação e de uma identidade nacional.


A ausência de empatia, no entanto, é perceptível não somente no comportamento individual. Ela também se revela nos direcionamentos políticos e econômicos do país. Em função de uma política e economia não empáticas, orientadas única e exclusivamente para o lucro de alguns, o Brasil vive, talvez, o momento mais difícil de sua história recente. As decisões tomadas na política brasileira estão destruindo o país como nação.


A Emenda Constitucional 95 – Lei do Teto de Gastos – é um exemplo das causas que potencializam os impactos causados pela pandemia, porque reduziu o investimento na saúde pública. Outras opções políticas equivocadas que precisam ser lembradas são: a interrupção do Programa Mais Médicos, por razões ideológicas, e a expulsão de médicos e médicas cubanas que atendiam nas regiões mais carentes do país. A não valorização dos e das profissionais de saúde também é causa da realidade visível nas mais de 200 mil mortes que poderiam ter sido evitadas. E, por fim, o desinvestimento em pesquisas.


A falta de oxigênio em Manaus, a estafa dos e das profissionais da saúde, a desesperança e o medo precisam cair na conta de todas as instituições, empresas, corporações que vislumbraram seus lucros em detrimento do bem-comum.


De fato, colocar o lucro na frente do direito à existência das pessoas parece ter funcionado. Vejamos um exemplo: o lucro líquido das grandes empresas não financeiras da bolsa brasileira teve alta de 86,9% no terceiro trimestre, quando comparado com o mesmo período de 2019, chegando a R$ 20,856 bilhões.


No entanto, a economia real não se beneficiou disso, pois a taxa de desemprego, segundo dados do IBGE, chegou a 14,6%, com mais de 14 milhões de pessoas desempregadas. Além disso, mais de 600 mil micros e pequenas empresas foram à falência e 9 milhões de pessoas foram demitidas em função dos efeitos econômicos da pandemia. Por entraves burocráticos e demora na liberação de recursos menores do que os necessários, a ajuda às micro e pequenas empresas só chegou a 15% delas. Com o fim do Auxílio Emergencial, sob o argumento de que o “Brasil está quebrado”, uma parcela significativa da população fica abandonada por seu próprio país.


Estamos nas mãos de um governo orientado por política de morte. Os números mostram que o argumento utilizado para justificar a não realização de lockdown para conter a pandemia foi falacioso e é um dos principais indicativos da ausência de responsabilidade das pessoas que ocupam postos-chave no país: Executivo, Legislativo e Judiciário.


Enquanto pessoas enterram seus familiares, amigos e amigas, assistimos o governo federal anunciando planejamentos inconsistentes para dar início à imunização da sociedade. O sufocamento das pessoas que lutam e lutaram por suas vidas não tem sido suficiente para que as autoridades responsáveis assumam o seu papel.


Cada anúncio inconsistente realizado na televisão e nas mídias sociais representa escárnio e desrespeito com a vida da população brasileira.


Que neste domingo, e ao longo do mês de janeiro, possamos orar por todas as famílias enlutadas.


Oremos pelos profissionais de saúde, pela comunidade científica, pelos pesquisadores e pesquisadoras.


Oremos também pelos movimentos sociais, ONGs, comunidades religiosas, lideranças comunitárias que, desde o início da pandemia, não cessaram seu esforço em concretizar ações solidárias que diminuíram o sofrimento das pessoas desempregadas e sem amparo.


Que ao longo deste mês, ainda peçamos a Deus piedade por todas as pessoas e lideranças religiosas, ou não, que de maneira irresponsável potencializam campanhas negacionistas e comportamentos egoístas.


Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Democracia e diversidade

"As doutrinas políticas, por sua vez, não passarão de quimeras enquanto seus discursos forem unilaterais. Tanto o liberal quanto o socialista querem universalidade e unanimidade em torno de seu discurso. Estando fechados ao diálogo, os partidos e as populações, não há atitude política ou teoria política que se possa tornar eficaz, uma vez que nenhuma ação será fruto de uma vontade coletiva a seu próprio benefício.

A educação que promove o diálogo abre a compreensão do indivíduo para a não exclusividade, a não unicidade de sua perspectiva, proposta, vontade. O diálogo interno (com a própria consciência) e o diálogo em sociedade formam opiniões respectivamente cônscias e coletivas. É a insensibilidade do indivíduo pela vontade do outro, pelo pensamento do outro, pelo direito do outro, que aniquila toda possibilidade de harmonia social".
Humberto Schubert Coelho


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Adeus, Dindinha

Hoje, no Rio de Janeiro, faleceu uma nonagenária. Seu nome é Neusa, mas eu a chamo e sempre chamarei de "Dindinha", embora não fosse minha madrinha - "pagão" que sou. 

Dindinha, com 92 anos, era a última irmã viva de minha avó. Com ela, se encerra uma geração de minha família, a primeira geração dos Freitas no Brasil.

Filha de Manuel de Freitas, que aos 11 anos de idade deixou Póvoa de Lanhoso para "fazer América" e de Filomena Coelho, carioca de ascendência açoriana.

Aos 6 anos Dindinha ficou órfã de mãe, mas a vida permitiu que ela casasse e tivesse 2 filhos, 2 netas e um neto alvinegro de corpo e alma. 

Assim como os irmãos, ela viveu décadas de tormentas do mundo e do Brasil. Mas entre alegrias e tristezas, até aqui chegou. 

A última vez que eu e minha esposa estivemos com ela foi pouco antes da quarentena. Alquebrada pelos anos, com sua bengala, mas sempre afável. Sentada na poltrona de sempre, com uma Coca-Cola gelada para oferecer - como sempre. Desde então, nos últimos meses, nos falamos apenas por telefone. 

Neusa parte, mas será sempre nossa Dindinha. Que parta nesta pandemia é apenas um detalhe insignificante diante de uma vida tão vivida.

Que siga de mãos dadas com Teresa de Lisieux, Santa Teresinha do Menino Jesus, pelo caminho dos pequeninos que Jesus tanto amou.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

A Doria o que é de Doria

Um dos personagens mais fascinantes de Victor Hugo é o sombrio e implacável Marquês de Lantennac, sempre justo em reconhecer os méritos e deméritos de seus aliados, subordinados e adversários. Lantennac é um homem mais movido pela rigorosa consciência do dever que por paixões. No que tange à crítica política, tendo a tomar Lantennac por modelo.

Embora não tenha nenhuma simpatia pela pessoa do Sr. Doria, nem afinidade com seu discurso político, me inclino a reconhecer que ontem o governador de São Paulo proporcionou uma página de "Grande Politique" a esse país tão habituado a chafurdar na "Petite Politique", histriônica e mesquinha. 

Em primeiro lugar, pois soube fazer da cerimônia de vacinação um ato repleto de "gravitas", com uma liturgia sóbria, mas repleta de potentes simbolismos, a começar pela vacinação da enfermeira negra, executada por uma médica especialista em doenças infecto-contagiosas. Tudo isso dentro de um hospital universitário. Sem fanfarra ou fanfarronice.

Depois, e mais importante, no gesto de ceder "espontaneamente" a maioria das doses ao Ministério da Saúde. Em terra onde impera o "ma fois" e nunca há suficiente farinha para tanto pirão, Doria soube PARECER generoso e, mal ou bem, esse gesto garantirá vacinação precoce a alguns milhões brasileiros em todo o território nacional.

Não escrevo essas linhas ingenuamente. Bem sei que a política sempre é um imenso teatro de sombras. Mas reconheço que Doria se mostrou um exímio titereiro. E, por ora, basta.

Recorrendo ao jargão das grandes provas ciclísticas, o governador de São Paulo foi o "vencedor do dia".

"Chapeau, Monsieur Doria!"




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Tolos nascemos

O ser humano nasce tolo e morre tolo. O máximo que podemos fazer é reduzir sua tolice quanto possível no meio do caminho. Tornar um tolo menos tolo exige recursos como tempo, esforço, dinheiro e amor. Sendo tais recursos tão escassos nesse mundo, não espanta que haja tanta tolice nele.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Um bom texto é como um canal onde o leitor navega placidamente, sem imaginar os esforços hercúleos que o escritor empreendeu em sua construção. A facilidade da leitura é inversamente proporcional aos desafios da escrita.