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domingo, 30 de outubro de 2016

Carta aberta a Marcelo Freixo e Luciana Boiteux

Caros Marcelo e Luciana,

serei muito breve.  Não sou militante do PSOL, mas apostei em vocês. Desconfio de qualquer liderança, mas apostei em vocês. Lutamos juntos. Acreditávamos que seria possível uma cidade onde os CO-PREFEITOS governassem COM o povo e não "cuidassem" do povo. Infelizmente, ainda nos falta a cultura política necessária para escolher coletivamente esse outro modelo de democracia.

Nossa campanha foi linda. Um grito de alegria, esperança e amor em meio às trevas que ameaçam o Brasil. Um sonho lindo enquanto durou. Mas a verdade é que o sonho não acabou. Ele dura e ainda durará.

Para mim, nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro tem sido palco de muitas lutas e derrotas. Derrota nas eleições de 2012. Derrota nas greves da Educação municipal de 2013. Derrota na greve da FAETEC de 2013. Duríssima derrota na greve da Educação municipal de 2014, com sangrento corte de ponto. Derrota ainda na greve da FAETEC de 2016.

Derrota agora nas eleições municipais de 2016. Digo, todavia, uma coisa: nenhuma derrota foi tão linda quanto esta. Esse segundo turno é derrota, sim, mas tem sabor de vitória. Vitória contra a intolerância, o ódio, a mentira, a agressão. Vencemos Pedro Paulo, Bolsonaro, Osório, Índio.

As urnas mostraram que metade do povo carioca tem medo de mudar. No entanto, também mostraram que outra metade tem esperança de que mudar é possível. Nesse segundo turno, muita gente descobriu que O RIO TEM OPÇÃO. Fiz parte dessa história, e me orgulho muito disso.

Reza a lenda que também Jesus - que o outro candidato cita, mas desconhece - foi crucificado e se ergueu de volta em três dias. Como cristão e pecador que sou, sei que a virtude da esperança brilha mais intensamente nas trevas mais sombrias.

Continuamos juntos. Enquanto vocês permanecerem fiéis aos princípios que guiaram essa campanha eleitoral, estarei ao seu lado. Sigamos em frente. Sequemos as lágrimas, pois quatro anos de luta se avizinham. Nos últimos meses fechamos com Freixo e Luciana. Nos próximos anos, tenho certeza, vocês fecharão com o povo - especialmente com o "povo lá de trás", que o candidato de fala mansa beija e apunhala a um só tempo. Conto com Freixo e com Luciana. Conto com Tarcísio (meu vereador), Marielle, Renato, Paulo, Leonel e David. Estou aqui. Contem também comigo.

Carinhosamente,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA

P.S: Uh, é o Freixo!


Carta aberta a TODOS os eleitores cariocas

Caro cidadão,

as eleições acabaram. Estamos todos no mesmo barco pelos próximos quatro anos. Respeito a decisão de cada um de vocês, embora a vitória de Marcelo Crivella me leve às lágrimas.

Em primeiro lugar, me dirijo aos eleitores de Crivella. Vocês não são meus inimigos. A partir de amanhã seguimos nossa vida em comum. JUNTOS. Seu candidato prometeu que ia "cuidar" de nós. Vocês acreditaram nessa proposta e votaram nela. Ao votar em Crivella, vocês assumiram uma responsabilidade por todos nós. Vocês deram a ele seu voto de confiança. É seu DIREITO. Mas vocês assumiram também um DEVER para os próximos quatro anos - um dever perante todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Antes de qualquer outro cidadão, vocês têm o dever de vigiar, fiscalizar e cobrar de Crivella. Vocês devem criticar tudo aquilo que for condenável em seu governo. Conto com vocês.

Me dirijo ainda aos eleitores que votaram branco, nulo ou não compareceram às urnas. Vocês se abstiveram de escolher, o que é legítimo. Também é seu direito. Mas lembro também, que como qualquer outro cidadão, vocês têm o DEVER de cobrar do prefeito eleito.

Finalmente, falo aos eleitores de Freixo e Luciana. Nós fizemos o possível. Lutamos. Na rua. Na rede. Na raça. Lutamos com amor, alegria, esperança. Perdemos. É hora de seguir em frente. Durante os próximos anos exigiremos MUITO de Crivella. Vigiaremos. Criticaremos. Cobraremos. Protestaremos. Na rua. Na rede. Na raça.

Somos irmãos. TODOS. Irmãos cariocas.

Grande abraço,
Luiz Fabiano Tavares
Professor, historiador, socialista, cristão, espírita e CARIOCA


Carta aberta ao prefeito eleito Marcelo Crivella

Caro BISPO Marcelo Crivella,

Infelizmente o senhor foi eleito. Pedro Paulo era a pior opção nessa eleição, e o senhor, a segunda pior. A decisão democrática da maioria deve ser respeitada, mas pode ser lamentada. E eu lamento profundamente.

Por um desses paradoxos brasileiros, o senhor foi eleito pelo "povo lá de trás" para "cuidar" da "vitrine". Foi eleito através de uma campanha eleitoral pavorosa, marcada por boatos anônimos divulgados nas redes sociais, espalhados por difamadores sem nome e sem rosto. Uma campanha escorada nos apoios mais lamentáveis, que me recuso até a mencionar. Uma campanha baseada num programa minúsculo, mal explicado, quase encabulado. Uma campanha marcada pela fuga desesperada de debates, entrevistas e sabatinas - uma campanha que se recusou a prestar esclarecimentos à população.

A população elegeu o pastor de duas caras, fala mansa, coração repleto de veneno e sorriso milionário. Seus eleitores escolheram um sepulcro caiado. Um falso profeta. Um fariseu. Respeito profundamente essa população. E choro. Choro por mim, e choro ainda mais pelos seus eleitores, que compraram gato por lebre. E ouso lembrar-lhe, bispo, o ensinamento do Rabi galileu: Ai daquele que escandaliza os pequeninos!

O senhor foi eleito. É triste, mas é a realidade. Aceito, porque sou fiel à democracia, antes e acima de tudo.

Mas quero deixar um aviso: sou Zona Norte. Sou do "povo lá de trás". Sou professor. Sou historiador. Sou cristão. Sou espírita. Fechei com Freixo. Doei dinheiro. Doei tempo. Doei esforço. E não me arrependo. Perco essa eleição com a consciência tranquila, pois fiz o possível e o impossível.

Hoje é apenas o começo de quatro longos e tristes anos. Estaremos vigilantes. Cobraremos. Nós somos muitos. Somos MILHÕES.

Quase respeitosamente,
Luiz Fabiano Tavares

sábado, 29 de outubro de 2016

Quem ganhou o debate da Globo? (Crivella x Freixo, 28/10/2016)

Um debate que tinha tudo para ser espetacular, mas foi fraquíssimo. Analiso a seguir as estratégias de oratória adotadas pelos dois candidatos, e seus impactos possíveis nas urnas.



Marcelo Freixo
Infelizmente, Freixo não foi muito feliz no plano estratégico, ou seja, no arranjo de sua participação no conjunto do debate. Também falhou no plano tático, escolhendo mal suas intervenções no primeiro e no último bloco.

Freixo atacou demais. Obviamente era necessário cobrar de Crivella explicações e esclarecimentos sobre as graves acusações que pesam sobre sua pessoa e sua candidatura. O cidadão carioca merece saber quem é realmente Marcelo Crivella. Infelizmente, para muitos eleitores, pareceu sujeira e baixaria. Apenas no último bloco Freixo expressou com clareza não estava acusando Crivella, apenas fazendo perguntas e pedindo esclarecimentos. Acho que foi muito tarde: a essa altura, muitos eleitores já deviam ter desligado a TV. Outros já deviam estar muito irritados com a impressão inicialmente causada. Pior ainda, o bispo sabe aproveitar muito bem esse tipo de ataque, fazendo seu costumeiro papel de santinho injustiçado, que convence muitos eleitores desavisados.

Como sempre, Freixo foi impecável em sua argumentação. Freixo é um candidato sensato: suas falas costumam destoar da "estética da indignação" e do estereótipo de "esquerdista raivoso", mas ele não conseguiu passar essa imagem no debate. Queria ter visto mais o Freixo alegre, simpático e sereno dos encontros e comícios. Freixo deveria talvez ter concentrado suas forças na discussão de propostas, uma vez que o programa de Crivella é fraquíssimo: 50 propostas (mal) explicadas em 8 páginas. Freixo deveria ter batido NO PROGRAMA do adversário, mas preferiu bater no bispo. Seria fácil para ele desmantelar as ralas propostas de Crivella.

Por fim, Freixo entrou no debate com a faca nos dentes. Atacou o adversário desde a primeira pergunta, sobre as mulheres. Por sinal, como apontou um amigo evangélico, a pergunta foi muito mal elaborada. Qualquer pastor minimamente preparado saberia se desvencilhar da questão de modo convincente para muitos eleitores - o que Crivella conseguiu fazer. A pergunta ficava numa zona cinzenta entre política e religião, e o bispo transita muito bem por essa zona cinzenta. Há também aí certo despreparo. Dado o panorama desse segundo turno, Freixo precisaria ter se preparado melhor junto a especialistas em religião. A questão emergiria naturalmente, e Crivella sabe usar bem de noções do senso comum que ocultam a intolerância e o fanatismo de seu campo. Há muitas reflexões oportunas no campo do ecumenismo e do diálogo interreligioso, das quais Freixo poderia se apropriar com proveito. A campanha de Freixo foi muito bonita nessa área, reunindo representantes de inúmeras crenças em defesa da pluralidade, do convívio e da tolerância, mas não soube aproveitar todo o potencial desse trunfo. A mistura entre política e religião é o calcanhar de Aquiles de Crivella, mas acho que Freixo abordou esse ponto fraco por um ângulo pouco produtivo.

Começar atacando também é um erro crasso de oratória. Qualquer bom orador sabe que no começo de um debate é necessário captar a benevolência do auditório. Na minha opinião, Freixo deveria ter iniciado com alguma questão menos polêmica, no campo das propostas. Em seguida, aproveitaria as oportunidades de bater em Crivella conforme elas aparecessem espontaneamente no curso do debate. Por fim, deixaria o ataque frontal para o terceiro bloco. Apenas quando já tivesse angariado a simpatia do público partiria para o confronto, tendo uma posição mais confortável para a ofensiva.

Marcelo Crivella
O bispo estava visivelmente desconfortável. Não me recordo de tê-lo visto tão nervoso em qualquer outra ocasião. A tensão de Crivella transparecia em sua linguagem corporal e expressões faciais: movimentos impacientes dos pés, pancadinhas nervosas com as mãos sobre o púlpito, rigidez no maxilar. Não chegou a gaguejar como aconteceu no debate da Rede TV, mas sua fala apresentou inúmeros descarrilamentos de raciocínio que não lhe são habituais.

Forte nas pesquisas, Crivella adotou nitidamente uma postura defensiva, numa estratégia de redução de danos. No debate da Rede TV o bispo chegara a perder o controle, xingando o adversário de modo pouco sutil: "Eu poderia chamar o senhor de canalha, safado, vagabundo... mas não vou chamar". No mesmo debate recorreu ao ineficiente artifício de repetir 4 ou 5 vezes que não governaria com Garotinho - algumas pessoas consideraram ridículo e até infantil.

Dessa vez, Crivella não veio disposto a ganhar votos, apenas a perder o mínimo possível. Por isso mesmo, evitou sistematicamente ataques contra Freixo. Quando atacado, preferiu a evasiva. Não mostrava a MÍNIMA preocupação em apresentar argumentos convincentes às incômodas perguntas do adversário. Crivella sabia que não haveria argumentos convincentes, então persistiu em fazer o papel de vítima caluniada. Por vezes debochava desses questionamentos com piadinhas pouco agressivas, quase "inocentes": "Acho que o Freixo quer virar meu biógrafo" e que tais. Calculo mesmo que essas piadinhas, pouco contextualizadas no debate, já estavam ensaiadas de antemão: o bispo só teve o trabalho de encaixá-las quando julgou oportuno. Vale salientar que Freixo usou, com muita eficiência, outro tipo de humor: mordaz, ácido, satírico. "Zorra Total" contra "Porta dos Fundos"...

Por outro lado, a imagem de bom moço foi reforçada com estratégias típicas de oratória rasteira: elogios rasgados ao adversário, demonstrações exageradas (e falsas) de simpatia. Repetiu ad nauseam que Freixo baixava o nível do debate, enquanto ele levantava. Outra técnica rasteira, usada por qualquer bom vendedor, martelando uma ideia na cabeça dos espectadores pela mera repetição.

Afinal, quem ganhou o debate?
Qualquer orador de bom senso sabe que é impossível "ganhar" um debate: os eleitores fanáticos de Crivella devem ter achado que ele venceu, enquanto os eleitores militantes de Freixo também devem ter achado que foi ele o vencedor.

Assim sendo, cabe destacar que Freixo tinha, nitidamente, os melhores argumentos: coerentes, coesos, consistentes. Por outro lado, Crivella foi muito bem sucedido em manter as aparências. E, infelizmente, muitos eleitores prestam mais atenção às aparências que aos argumentos.

Cada um dos candidatos chegou a esse debate com objetivos distintos. Crivella queria minimizar a perda de votos, para conservar uma margem suficiente para a vitória. Freixo, por sua vez, queria tirar votos do bispo (mesmo que por anulação) e convencer eleitores indecisos a sair do nulo para o 50. Creio que Crivella agiu de modo eficiente para alcançar seu objetivo. Freixo, pelo contrário, talvez tenha tirado muitos votos de Crivella, mas não sei se conseguiu conquistar muitos indecisos.

Quem "ganhou" o debate? Somente as urnas dirão...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

3 momentos emocionantes da panfletagem


1) Na Cinelândia, um senhor de aparência bem humilde, aparentando pela fala baixo grau de instrução, veio dizer que é evangélico, mas votará em Freixo, porque não tem preconceitos.

2) Na passarela do metrô Del Castilho, uma senhora bem simpática pegou um panfleto do Freixo e me falou ao ouvido, rindo: "Não conta pra ninguém que sou da Universal!"

3) Um senhor muito simpático, trajado no melhor "estilo crente", pegou um panfleto do Freixo, com toda simpatia: "Vou votar no Crivella, mas também gosto quando as pessoas pegam os meus panfletos!"

A tolerância, o respeito, o diálogo e a compreensão podem ser 10 ou 50!

Dossiê: Crivella, Freixo ou Nulo?

A seleção de textos abaixo apresenta textos que me parecem úteis para decidir o voto nesse 2º turno de 2016. Obviamente são apenas as minhas opiniões, mas espero que sejam úteis a todos!


A viúva de Amarildo...?

Temos traumas tão grandes com políticos que, confesso, as notícias recentes sobre a viúva de Amarildo abalaram minha confiança. Resolvi pesquisar sobre o caso e cheguei a algumas conclusões.

1) Ainda não vi os tais vídeos, e não sei o que falam.

2) A viúva de Amarildo defendeu publicamente o Freixo. Se agora vier a público fazer acusações, suas palavras estarão em contradição. Testemunhos contraditórios são pouco confiáveis.

3) Por outro lado, o projeto "Somos todos Amarildos" contou com a participação de artistas conhecidos, como Marisa Monte, professores universitários reconhecidos e até do desembargador Siro Darlan. Não acredito que todas essas pessoas seriam coniventes com um esquema corrupto. Fica o testemunho dessas pessoas contra um testemunho contraditório e pouco confiável.
 

4) Nunca botei a mão no fogo por Freixo, mas sigo acreditando no projeto de cidade proposto por sua candidatura. E é por essas propostas que continuarei nas ruas panfletando!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crivella e a "resposta das urnas"

-Quem quebrou essa vidraça?
-Meus eleitores responderão nas urnas, Mamãe!
***
-Que marca de batom é essa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, querida...
***
-Você pegou o dinheiro do caixa?
-Meus eleitores responderão nas urnas, chefe...
***
-Quem fez esse cocô no tapete da sala?
-Au au au! (Tradução: "Meus eleitores responderão nas urnas...").
***
-Você me ama de verdade?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Por que suas respostas da prova estão iguais às do Juquinha?
-Meus eleitores responderão nas urnas, profe...
***
-Isso são horas de chegar em casa?!
-Meus eleitores responderão nas urnas, papai...
***
-Você gostou do presente?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Já fez a lição de casa?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Também foi sua primeira vez?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
-Por que o senhor tem medo de debates, entrevistas e sabatinas, candidato?
-Meus eleitores responderão nas urnas...
***
RESPONSABILIDADE é o dever de RESPONDER pelos próprios atos. Quando Crivella diz que seus eleitores "responderão nas urnas", ele está TRANSFERINDO suas responsabilidades ao eleitor. VOCÊ quer mesmo ASSUMIR essa responsabilidade POR ELE?!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Jesus nunca fugiu de debates...



Jesus trouxe uma mensagem de Amor. Defendeu essa mensagem com a própria vida. Com grande coragem, se entregou à justiça dos homens, até as últimas consequências. Não teve MEDO de comparecer diante do tribunal do Sinédrio, nem de Pilatos e nem mesmo da multidão iludida que gritava "Barrabás"... E Crivella? Daria a vida por você?! Ele não aparece nos debates nem para defender a si mesmo, nem sua milionária candidatura...! Que a mensagem de Amor e Paz de Jesus esteja conosco, independentemente das eleições, dos votos e dos candidatos... "Meu reino NÃO é deste mundo"...

Às vésperas do debate...

Crivella vem se mostrando um péssimo CANDIDATO... Como poderá ser um bom PREFEITO?!
***
Meu coração está em festa! Fiquei sabendo que consegui, direta e indiretamente, 11 votos para o Freixo até agora! Esse 2º turno vai ser de virada!!!! Um Rio melhor é possível!!!!
***
Nessa campanha venho aprendendo muito sobre a prática da democracia e o exercício da cidadania! A esperança tem poder! A alegria tem poder! O respeito tem poder! O diálogo tem poder! A escuta tem poder! A empatia tem poder! O sorriso tem poder! O riso tem poder! JUNTOS construiremos um Rio melhor!

Carta aberta aos eleitores de Marcelo Crivella

Caro cidadão,

temos opiniões diferentes, mas estamos juntos no mesmo barco. Somos eleitores, não inimigos. Caso eleitos, Crivella ou Freixo governarão a todos os cidadãos do Rio, e não apenas seus próprios eleitores.

Além disso, digo sempre: não boto a mão no fogo por político ou partido nenhum - nem pelo Freixo, nem pelo PSOL. Sou eleitor, não militante. Doei dinheiro, tempo e esforço pela campanha de Freixo, porque acho sinceramente que é o melhor candidato para nossa cidade. Justamente por isso estarei entre os primeiros a criticá-lo, sempre que julgar necessário. Num eventual governo Freixo, cobrarei dez vezes mais que qualquer eleitor do Crivella. Melhor ainda: cobrarei 50 vezes mais.

Dialogando, a gente se entende! O diálogo não é apenas a essência da democracia: a própria democracia É diálogo. A fraternidade é a base da verdadeira cidadania. A discordância faz parte da democracia, mas o ódio destrói a democracia.

Por fim, vamos fazer um trato de cidadãos? Se o Freixo for eleito e fizer alguma bobagem, eu critico junto com você. Se, pelo contrário, o Crivella for eleito e fizer alguma bobagem, você critica junto comigo. Pode ser?

Nosso compromisso não é com partidos, nem com candidatos: é com a cidade do Rio de Janeiro. O 2º turno acaba no dia 30, mas o mandato do vencedor durará quatro anos. Nesse período, precisamos estar juntos para cobrar do prefeito eleito o devido cumprimento de todas as propostas de campanha.  Juntos, podemos e devemos construir um Rio melhor PARA TODOS. O futuro já começou...

Grande abraço,
Luiz Tavares
Cristão, espírita, professor e pesquisador em História, eleitor do Freixo

 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Algumas dúvidas sobre Crivella...

Uma dúvida: Crivella não foi ministro da gestão PT?

Outra dúvida: o que aquele inquérito fazia na casa de Crivella?

Mais uma: o que o Crivella de 2016 pensa sobre catolicismo, umbanda, candomblé, espiritismo, homossexuais...?

Outra dúvida ainda: que musiquinha o Crivella de 2016 cantaria sobre o chute em nossa senhora?

Mais dúvidas (elas não acabam): Crivella realmente produziu material de campanha com 12 milhões desviados da Petrobras em 2010?


Ainda uma dúvida: Garotinho e seu partiodo são mesmo bonzinhos e desinteressados?

Mais essa: qualquer apoio de campanha é válido? Os votos justificam os meios?

Outra: e o Rodrigo Bethlem?

Para fechar: por que Crivella foge tão desesperadamente de entrevistas, sabatinas e debates?

Finalmente: todas as perguntas justificam a última...?   

 

domingo, 23 de outubro de 2016

Você precisa de "direitos humanos"?

No momento atual, acho pertinente fazer alguns comentários sobre a história dos direitos humanos - afinal de contas, sou professor de História!



Resumindo e simplificando MUITO, muito MESMO, nas sociedades de Antigo Regime, os súditos das monarquias deviam servir e obedecer ao rei. As pessoas tinham poucos direitos, e as leis eram muito injustas. Durante a Revolução Francesa foi criada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), inspirada por pensadores dos séculos XVII e XVIII. A Declaração é um dos textos fundadores da moderna cidadania, pensando um cidadão com direitos e deveres, em lugar da figura do súdito, que tinha muitos deveres e poucos direitos. Foi um grande avanço para a humanidade. É a "certidão de nascimento" dos direitos humanos, ou seja, de direitos que pertencem a todas pessoas, independentemente de religião ou categoria social. 

Durante o século XIX, essa noção de cidadania e direitos humanos se consolidou na França e se espalhou para outros países. Aqui no Brasil, a noção de direitos humanos foi muito importante para o movimento abolicionista; o fim da escravidão está diretamente ligado à ideia de direitos humanos. 

A Segunda Guerra Mundial foi marcada por muita violência e verdadeiros absurdos, como o holocausto nazista e as bombas nucleares lançadas no Japão. Assim, três anos depois da guerra, em 1948, a Organização das Nações Unidas elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, diretamente inspirada pelo texto da Declaração de 1789. A declaração de 48 garante direitos políticos, sociais e civis, protegendo o cidadão de arbitrariedades. São direitos importantes e essenciais, como alimentação, moradia, emprego, educação, saúde, saneamento básico, participação democrática na política, liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade de culto, igualdade perante a lei, presunção de inocência, direito a julgamento justo, entre outros.

Foi um importante avanço na história da humanidade, levando a cidadania e os direitos humanos a inúmeros países do mundo. Desde então, quase todos os países, inclusive o Brasil, assinaram a Declaração. Para os países signatários, a Declaração tem valor de lei. Aqui no Brasil, onde os direitos humanos ainda não são plenamente respeitados, é essencial lutar para que eles saiam do papel, virem uma realidade para todos os cidadãos. 

Existem órgãos importantes para isso, como as comissões legislativas de direitos humanos, federais, estaduais e municipais. Talvez você tenha críticas ao funcionamento desses órgãos, mas eles são muito necessários para a preservação da cidadania e para proteger os cidadãos brasileiros de inúmeros abusos.

Também é essencial diferenciar as comissões legislativas de direitos humanos, que fazem parte do nosso sistema legal, das organizações não-governamentais (ONGs) de defesa dos direitos humanos e de promoção da cidadania. Algumas dessas ONGs realizam um trabalho muito sério; outras nem tanto. Mais uma vez, devemos distinguir umas das outras: algumas dessas ONGs realmente merecem críticas, enquanto outras merecem aplausos. Seria injusto responsabilizar as ONGs sérias e responsáveis pelas ações das ONGs levianas. 


Crivella e Luther King: 2 pastores entre política e religião



O pastor Martin Luther King Jr. nunca escondeu a foto acima. Pelo contrário, ela era um testemunho de sua luta pelo direitos civis e contra o racismo.

Também vale lembrar que Luther King tirou de suas convicções religiosas e princípios éticos a força moral para combater as leis racistas que existiam nos EUA. Luther King nunca usou seu prestígio religioso para lançar candidatura pessoal a cargos públicos, nem para caçar votos para políticos. Luther King representava a religião como força de libertação. Crivella representa a religião como força de dominação. Crivella é pastor e Luther King também era - a semelhança acaba aí: até onde sei, o heróico pastor do Alabama não andava de jatinho.

A maior inspiração de Luther King era o hindu Mahatma Gandhi. Crivella, por outro lado, escreveu que o hinduísmo é coisa do "capeta"... Tolerância religiosa de verdade é apenas mais uma coisa que Crivella desconhece. É fácil botar uma máscara de tolerância para conquistar votos - especialmente quando já se perderam tantas eleições no segundo turno devido a elevados índices de rejeição. A fala de Crivella é mansa como o sibilar da serpente...

sábado, 22 de outubro de 2016

Comentários aleatórios sobre "mitologia grega"

 
Os deuses gregos geralmente tinham mais de uma atribuição, como Hermes, que era mensageiro dos deuses e protetor dos comerciantes, médicos e ladrões, entre outras categorias profissionais. Outro exemplo é Poseidon, que era deus "dos mares", mas também era considerado responsável pelos
terremotos. Na Odisseia inúmeros versos o chamam de "Divo Posido, que os muros da terra sacode".

A religião grega era muito complexa (e até confusa): essa atribuições rígidas como "deusa disso" e "deus daquilo" foram uma elaboração muito tardia, ligada ao Renascimento e à necessidade de "sistematizar" a mitologia grega, para facilitar suas representações artísticas na poesia, música, pintura, escultura, teatro, entre outras formas de expressão. A visão renascentista sobre a mitologia grega está tão embutida em nossa memória coletiva que sentimos muita dificuldade em conceber o pensamento grego sem essas mediações.

Além do mais, quando abordamos a "religiosidade grega", falamos de períodos com muitos séculos, marcados por profundas transformações sociais - as concepções gregas do divino mudaram muito durante esse longo período. Alguns deuses eram mais ou menos cultuados em determinadas épocas, e às vezes os seus atributos mudaram, bem como algumas de suas atribuições específicas foram mais ou menos enfatizadas ou valorizadas em diferentes momentos históricos.

Também é bom lembrar que nosso conhecido "panteão grego" é sobretudo um panteão ateniense - havia acentuadas diferenças regionais na religiosidade do mundo helênico. Ártemis, por exemplo, era particularmente cultuada na na Ásia Menor, onde o grande santuário da deusa na cidade de Éfeso era importante centro de peregrinação. Devido a sua imensa importância local, o culto de Ártemis nessa região tinha peculiaridades que o diferenciavam do culto prestado à deusa em outras áreas do mundo helênico.

Tudo isso, obviamente, é papo para especialistas; eu mesmo não conheço quase nada sobre essas diferenciações...

(Texto oferecido em consultoria a uma publicação infanto-juvenil).