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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A academia e suas estranhas métricas

E aí eu me pergunto: alguém consegue desenvolver um BOM artigo acadêmico com reflexão INÉDITA em menos de 10 mil palavras?!

Vale realmente a pena investir dinheiro público dessa maneira...?

Não seria melhor reduzir a quantidade de artigos por número do periódico, otimizando assim o uso do espaço (e do orçamento)?

É preferível publicar 20 artigos amputados ou 10 artigos satisfatoriamente desenvolvidos?

Queremos promover reflexão original ou apenas acumular redundâncias?

Creio que seríamos capazes de produzir conhecimento de modo mais profundo eficaz se não operássemos dentro de um sistema onde a quantidade quase sempre leva a melhor sobre a qualidade. Aliás, as duas coisas se complementam, às vezes em proporção inversa: MENOS quantidade, em muitas ocasiões, pode estimular MAIS qualidade - acho que é precisamente a questão aqui.

Há alguns anos li um texto muito interessante do historiador britânico Keith Thomas sobre essa problemática, que penso ser mundial. No texto em questão, Thomas pontuava que algumas obras seminais da historiografia britânica produzidas 50 ou 60 anos atrás seriam inviáveis dentro dos padrões de produção acadêmica atuais. Certamente estamos produzindo muito conhecimento, com variáveis níveis de qualidade, mas fico me perguntando sobre o conhecimento que NÃO estamos produzindo, pressionados e condicionados por essas políticas públicas arbitrárias. 

"Qualis ou 'quantis'?!" - indagaria o Mussunzis... Cacildis!

Qual é a métrica que equaciona esses problemas?

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