domingo, 26 de novembro de 2017

Lula é uma escolha pragmática?

Botar Lula mais uma vez no poder não me parece uma escolha "pragmática". Por quê?

É apostar perigosamente num esgarçamento da atual crise. Mais 4 anos de polarização política acentuada, temperada com uma reedição cada vez mais ineficaz dos velhos conchavos. Teríamos um executivo acossado, desesperado para se sustentar em acordos ainda mais torpes, provavelmente disposto a conceder o inaceitável em busca de um apoio vendido a alto preço. Um executivo à mercê dos mais vorazes apetites partidários. Uma versão piorada da era PT-PMDB, com o agravamento de seus vícios mais lastimáveis. 4 anos de instabilidade política aguda, com consequências posteriores imprevisíveis. Me parece ingênuo esperar o contrário disso; não é razoável contar com o improvável. Seria pensar com um otimismo difícil de justificar com argumentos palpáveis.

Sejamos realistas: o que se pode racionalmente esperar de bom de um terceiro mandato de Lula?

Não há no presente indícios razoáveis que permitam esperar algo de positivo de tal aposta: Lula no poder não será solução, será problema. Não tenho bola de cristal, posso estar errado; mas não pretendo pagar pra ver...

O verdadeiro pragmatismo aconselha a evitar as apostas mais arriscadas, e não a abraçar temerariamente o perigo. Lula é uma carta que não deve permanecer no nosso baralho. Eleger Lula em 2018 pode nos trazer resultados muito desagradáveis para 2022... De um ponto de vista meramente pragmático, não seria talvez mais razoável pensar em Ciro ou Marina? Se for pra errar, que pelo menos se cometam erros novos, em lugar da eterna repetição de erros antigos...

P.S.: Se Chico Alencar vier, meu primeiro turno é com ele. Não sou muito pragmático.



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