quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Entre mosquitos e canhões

"Todos esses textos são marcados pela cosmovisão do ser existencial. O ser existe no tempo e no espaço e a sua existência caracteriza-se pela atuação hic et nunc do ser que existe. Desse modo, o ser que existe e que expressa a sua vivência existe em um mundo e em um tempo, mundo e tempo existenciais do ser que são o resultado da sua experiência como ser, a qual é transmitida com o auxílio de sistemas de comunicação, dos quais a linguagem é o mais aperfeiçoado. Essa linguagem humana estrutura-se em níveis maiores e menores e um dos níveis maiores é o discurso".

O exuberante trecho acima foi extraído de um artigo acadêmico sobre um antigo livro manuscrito de receitas culinárias. No cômputo geral, o artigo é até honesto no objetivo a que se propõe; questiono, no entanto, a necessidade de malabarismos teórico-filosóficos expostos em alguns parágrafos como o transcrito acima.

Me parece um espécime interessante por oferecer uma demonstração curiosa do quanto alguns trabalhos acadêmicos se perdem em deslocados exercícios de virtuosismo, cuja necessidade me parece muito duvidosa.

Por vezes tenho a impressão que alguns intelectuais, contrariando a sabedoria (supostamente) chinesa, acham que é necessário usar canhões para matar mosquitos. Por sinal, os japoneses costumam dizer que a excelência se caracteriza pelo máximo de resultado com o mínimo de esforço - e não o contrário...

"Não use um canhão para matar um mosquisto", teria dito Confúcio...

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