terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Paraíso para todos

O problema do mundo não está nas pessoas. Pela minha experiência de vida, me parece que a esmagadora maioria das pessoas possui boas tendências (digamos, um "bom coração").

O problema está no conjunto das relações que estabelecemos uns com os outros enquanto coletividade. Não conseguimos nos unir e formar uma dinâmica relacional que permita a emergência do que há de melhor em nós. Não à toa, o grande sonho (ainda não realizado) da contemporaneidade é composto pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Olhando atentamente, percebemos que esses três valores não se referem apenas a indivíduos, mas principalmente às relações que se estabelecem entre as pessoas, enquanto comunidade - uma comunidade global, por sinal.

Por isso mesmo, me parece, a fala da personagem Sonmi no filme "Cloud Atlas" constitui um eco tão potente, a ressoar na alma de quem as ouve:

“Existir é ser percebido, então conhecer a si mesmo só é possível através dos olhos dos outros. A natureza de nossas vidas imortais está nas consequências de nossas palavras e atos, que vão em frente e se impulsionam através dos tempos. Nossas vidas não são nossas. Do berço ao túmulo, estamos ligados a outros, no passado e no presente. Através de cada crime e de cada ato generoso, nós damos nascimento a nosso futuro”.

No dia em que nos tornarmos capazes de nos organizarmos coletivamente nesse sentido, esse mundo poderá ser, como cantava Freddie Mercury, "heaven for everyone". Sartre estava errado. Os OUTROS não são o inferno. O verdadeiro inferno é o EU, mas NÓS podemos ser o paraíso. De fato, o paraíso está entre nós, nos espaços que nos separam, mas poderiam nos unir...

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