quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A miséria da propaganda

Normalmente os comerciais - especialmente os televisivos - me provocam profunda irritação. Às vezes sinto verdadeira raiva das empresas anunciantes e das agências publicitárias!

Ontem me dei conta da razão pela qual a publicidade costuma me inspirar tamanha aversão: é sua pressuposição implícita de que podemos ser manipulados de forma tão grosseira, com discursos infantilizadores. Pior ainda é perceber quanta gente é capturada por artimanhas tão superficiais...

De maneira descarada, a propaganda se apropria de desejos, receios, sentimentos, valores, linguagens, ideias e ideais para vender produtos e promover mercadorias. Isso é simplesmente aviltante, é sequestrar o que há de mais nobre ou mais delicado para finalidades espúrias.

Na verdade, não tenho nada contra a publicidade em si. Ela pode ser útil e até necessária - por exemplo, nas campanhas de conscientização para causas importantes (sociais, sanitárias, políticas, etc). Até mesmo a propaganda comercial facilita o acesso do consumidor a produtos e serviços de seu interesse, desde filmes a aparelhos eletrônicos, passando pelo novo restaurante do bairro. O que me causa indignação é a flagrante manipulação presente em boa parte das peças publicitárias, recorrendo aos golpes mais baixos, do sentimentalismo familiar barato ao apelo erótico gratuito, passando pelo humor idiota. Acho que é por esse mesmo motivo que me irrito com vendedores insistentes e seus discursos inconsistentes.

Me desculpem pelo desabafo!

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