quarta-feira, 10 de abril de 2019

Escuta e concordância

Eu posso ouvir você, mas isso não me obriga a concordar com sua opinião.

"Escuta" não é, nem deve ser, sinônimo de "concordância" - até porque não existe liberdade de pensamento sem direito à discordância. Concordância compulsória costuma ser desejo de gente autoritária: não passa de delírio inquisitorial, por melhores que sejam os argumentos ou as intenções - das quais, cumpre lembrar, o inferno está sempre repleto.

No entanto, em tempos de opiniões polarizadas e trincheiras cavadas, é muito mais fácil acusar o outro de não ouvir que reconhecer franca e generosamente que ele tem o direito de não concordar.

P.S.: Vale lembrar que o direito de discordar independe da qualidade dos argumentos. É claro que apenas perfeitos idiotas conseguem discordar de alguns argumentos, mas, no fim das contas, a própria idiotice também é um direito, que todos nós acabamos exercendo em um ou outro momento de nossas vidas.


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