domingo, 11 de outubro de 2015

Gotas: Politicamente correto, autonomia intelectual e coletividade



Curiosamente, as patrulhas do "politicamente correto" têm me lembrado muito as neuroses da Era Vitoriana, apenas com sinais invertidos. Ou estou enganado? Algum dia escaparemos da "Feira das Vaidades"? Será que em 2015 Freud escreveria algo muito diferente do que escreveu em 1915? Hipocrisias, hipocrisias, sempre hipocrisias...

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No Brasil, autonomia intelectual está virando (ou sempre foi) uma mercadoria de luxo. As pessoas saem das universidades repetindo seus catecismos de esquerda ou direita, sem entender muito bem o que elas próprias estão falando. Compram suas ideologias em pacotes fechados, selados a vácuo (trocadilho, por favor) pelos "fabricantes". Se você trocar ou alterar as peças do seu produto, perde a garantia. E todo produto, nesse mundo industrializado, já vem devidamente rotulado...

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Normalmente o "coletivo" em que as pessoas pensam induzidas pela guerra é apenas aquele que convém e interessam aos poderosos, senhores das guerras, das armas e das ferramentas de comunicação. Geralmente a "união" proporcionada pela guerra é constituída pela exclusão, e mesmo perseguição das pessoas "de paz". Há um episódio muito significativo nesse sentido: em 1914, um velho senhor francês foi linchado até a morte num café parisiense, no dia em que a França declarou oficialmente sua entrada na I Guerra. O motivo? Ao contrário dos outros, ele não cantou a Marselhesa... O discurso de uma guerra unificadora quase sempre degenera em algum grau de autoritarismo. Vide o Patriot Act dos EUA pós-11/09. Acho que existem maneiras mais eficazes de unir as pessoas: lutando contra a tirania.

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